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Chevrolet Opala Especial 1977: Ano V & Atualização 4.1

Chegou o grande dia. A última foto como o 151.
Chegou o grande dia.

No último dia 19 de setembro completaram se cinco anos desde que comprei meu primeiro, único e atual carro. Um Chevrolet Opala Especial 1977.  Nessa meia década tive experiências boas e ruins, passei por péssimos e bons profissionais e o melhor de tudo: conheci muita gente, em sua maioria, amigos que pretendo preservar por muitos anos. Graças a eles hoje posso escrever hoje e compartilhar sobre o tema deste post: Atroca de motores de 4 para 6 cilindros do meu Opala, também conhecido como “Jeremias” ou “Parachoques Cromados-Móvel”.

Mas antes de falar da troca em si, voltemos no tempo, mais precisamente, 11 meses atrás. Tido como o maior encontro de Opalas do País, realizado pelo clube Opaleiros de Jundiaí, o evento é muito conhecido entre os proprietários dos modelos e geralmente acontece em novembro. A minha ideia era marcar presença, pois, nos anos anteriores, havia sempre um compromisso ou ajuste do carro que impedia a minha participação. Em 2013 foi diferente. Conseguimos reunir uma galera para ir até o encontro, eram Daniel Guerra, dono da Caravan 78, Renato Ferri de um 74 Coupe, Victor Renne, de um sedã 91 e Dennis Akira, que na oportunidade foi de Ford Ranger pois o seu 78 estava na funilaria. Combinamos o encontro no primeiro posto da Rodovia dos Bandeirantes. No meu caminho até o local, eu já havia percebido que haviam mais Opalas que o costume desfilando nas avenidas que dão acesso ao local.

No dia anterior me ocorreu que eu nunca havia percorrido, até então, uma distância tão grande com o carro de uma vez só, cerca de 100 km, somando ida e volta. Não cheguei a me preocupar pois, duas semanas antes, o carro havia passado no mecânico e me lembro de ter especificamente perguntado sobre a situação dos freios e o eixo cardã. O “profissional” (pelas aspas vocês já podem concluir o que pensaram ao ler) disse que estava tudo bem. Os flexíveis haviam sido trocados a pouco tempo e o eixo estava em ordem.

Naquela madrugada não consegui dormir bem e teria que acordar bem cedo. Com o alarme do celular, ainda me perguntei se deveria ir, como já havia combinado e nunca tinha prestigiado o evento, me arrumei e fui até o ponto de encontro. No posto, já haviam vários Opalas de todos os anos e estado de conservação que você possa imaginar. É uma sensação muito legal quando você encontra muitas pessoas com interesses comuns aos seus. Reunida a galera, fomos, sem ressaltos ao evento, que naquela data, segundo os organizadores, havia batido o recorde de carros participantes.

Tirei muitas fotos e, imagino que por essa razão, a bateria do meu celular ficou por um fio. Lembro que o Guerra, Akira e Ferri, saíram mais cedo do que eu e o Renne, que decidimos ficar mais um pouco. Decidimos, depois de mais uma hora lá ir embora e fui tentando acompanhar o Renne com seu Sedã 91. Digo tentando porque havia algo de estranho com o meu carro na volta. A partir dos 100 km/h ele começava a vibrar todo. O Renne ia na frente no limite de 120 da Bandeirantes, mas cada vez ia se distanciando mais. O meu Opala, entre 90 e 100 km/h,  vibrava mais do que ônibus coletivo e de forma gradativa. Naquela altura eu estava pensando em reduzir ainda mais, para uma velocidade que não prejudicasse os demais usuários, mas não deu tempo. Quando tirei o pé do acelerador, ouvi um barulho alto, como de uma barra de ferro caindo no chão, seguido de outros sons de peças metálicas menores. Era um trecho de curva suave e só tive tempo de olhar no retrovisor interno e parar no acostamento.

A ida foi tranquila, mas a volta... (foto: Denis Akira)
A ida foi tranquila, mas a volta… (foto: Denis Akira)

Desci e vi embaixo do carro o eixo cardã caído. Puxei  o meu celular do bolso e já não tinha mais bateria fazia Tempo. O Renne já tinha desaparecido no horizonte. Como não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer naquele momento, mantive a calma. O que até me surpreendeu, na hora. A minha primeira ideia foi abrir o capô para sinalizar aos demais veículos que eu tinha problemas. O que poderia me ajudar era alguma câmera me flagrar e a concessionária mandar um guincho.

Fiquei encostado no carro, que acabou parando em cima de um trecho de ponte em curva, vendo outros veículos passarem. Pensei que minha sorte iria mudar quando avistei, de longe, um grupo de Opalas andando juntos. Acenei na mesma hora, mas eles passaram direto. A mesma cena se repetiu minutos depois. Desisti de acenar.

Um coupe bege claro, com três jovens e um senhor ao volante deu seta e parou atrás do meu carro. Eles estavam dispostos a ajudar, mas não tinham as ferramentas necessárias e se prontificaram a avisar no pedágio mais próximo que eu estava com problemas. Agradeci muito a eles e continuei na minha espera. Passaram outras duas carreatas de Opalas que me viram e seguiram viagem sem parar.

Foi quando um grupo com três Opalas e  duas Caravans pararam pra ajudar. Dois caras grandes desceram dos carros, um deles olhou pra mim e disse: “Foi o cardã né?”. Antes que eu pudesse responder, um estava abrindo a caixa de ferramentas no porta malas da Caravan e o outro estava se jogando embaixo do carro para ver o tamanho da encrenca.

A primeira coisa que pude dizer era “Não tenho como agradecer vocês, mas muito obrigado!”. A minha fé na humanidade estava restabelecida. Eles tiraram uma porca daqui, outra acolá, me deram uma outra e conseguiram, de forma provisória, montar de volta o eixo cardã. Perguntei o nome dele, ele disse “Zé Opaleiro. Só não perguntei o seu antes, porque a gente gosta de Opalas. Primeiro ajudamos o carro depois perguntamos sobre o dono”, brincou. Muito vagarosamente, os acompanhei até um trecho Marginal Pinheiros por onde eles prosseguiram e eu vim até a minha casa.

Rumo a Jundiaí, 2013.
Rumo a Jundiaí, 2013.

Proprietários de antigos sabem que é uma relação de amor e desgosto com o seu carro (nunca ódio).  Quando eles aprontam você pensa: “Putz, onde estava com a cabeça” ou “Porque não comprei um carro mais novo como diziam” ou ainda “Decidido, vou vender”.  Todas essas coisas passaram pela minha cabeça, menos vender. Mas até decidir o que iria fazer, eu não ia andar com o carro. Precisava dar um basta com os gastos e pensar melhor no futuro do “Jerê”, como o chamamos aqui em casa.

Por volta de cinco meses depois, um outro amigo, o Anderson Baldan, dono de uma belíssima F100 dos anos 50, me chamou para ir no encontro da Caixa D’água, que é organizado pelo Clube do Galaxie  e acontece no Bairro da Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. Contei pra ele todo o caso, do desgosto que tinha sido e que haviam meses que eu sequer mexia no carro.

(Um grande parenteses para situar vocês melhor. O Anderson é irmão gêmeo de outro amigo meu, o Adriano que teve mais Opalas do que você, provavelmente bebeu de copos d’água. Por causa deste blog, acabei os conhecendo pessoalmente e, sempre que possível, íamos a ou nos encontrávamos nos eventos de carros antigos. Aliás, a família toda gosta de carros. O “seo” Dirceu, pai deles, carinhosamente chamado por eles de “Careca” também é fã de coisa velha e tem uma Kombi 1974. Parenteses fechado).

Na conversa,  Anderson me explicou que esse tipo de conserto era muito simples e disse que ajudaria. Ele indicou o irmão mais velho dele, o Alexandre, que até então eu não conhecia. Anderson me explicou que ele tem uma oficina na Zona Norte de São Paulo e que sempre curtiu e mexeu com Opalas. O Anderson nem precisava, mas se ofereceu para me acompanhar. Na semana em que havíamos combinado de levar o carro, descia um dia e outro não para funcionar o carro e deixar a bateria carregada. No dia em que combinei com o Anderson, quem disse que o Jeremias funcionava?

Este dia mudaria o destino do meu Opala.
Este dia mudaria o destino do meu Opala.

O combinado era eu pegar o Anderson em sua casa e de lá ir até a oficina. Mas com esse imprevisto, ele se prontificou em vir e, mais uma vez, ajudara ressuscitar o Opala moribundo. Feito isso, seguimos até a Zona Norte, mas o Jeremias não iria deixar barato os cinco meses de castigo. Na altura da Avenida Tiradentes o eixo cardão deu o ar da graça mais uma vez e caiu.  Desta vez, com celulares e em uma Avenida movimentada, foi fácil pedir ajuda pro Alexandre, que conseguiu ajeitar as coisas a tempo, antes do Marronzinho da CET que havia sido acionado pro causa do trânsito que começava a se formar.

Já na oficina, o conserto, como o Anderson havia dito, era bem simples. Aproveitando o ensejo, pedi pro Alexandre dar uma geral nos freios, já que não podia mais confiar no que o “profissional” anterior havia dito cinco meses antes. Após a solução do problema e  conversando com eles, o Alexandre diz: “Esse Opala tá legal, mas ficaria melhor com um seis cilindros”. Concordei com ele, mas eu poderia só falar na teoria, pois até aquele momento, a bem da verdade é que eu nunca tinha dirigido nada com mais de quatro cilindros.

Quando lia a respeito sobre essas trocas de motor, os valores mencionados eram de primeira divisão e o meu orçamento quase sempre foi de várzea. Então, sempre me pareceu um sonho distante ou uma paixão platônica ter uma unidade de força maior no cofre do Jerê.  Posso dizer também que, o motor quatro cilindros, embora não seja a primazia em performance, nunca me deixou na mão. As poucas panes que o meu carro teve foram uma troca de motor de arranque e um flexível entupido. Com o motor em si, nunca tive problemas. Então, de certa forma, eu estava satisfeito.

O Alexandre então me apresentou um orçamento para fazer essa troca que caberia no bolso, já incluso o motor e a mão de obra. Outros serviços teriam que ser feitos em outros locais. O orçamento da oficina me pareceu bem justo e fechamos o acordo. Aquele mês, depois de 37 anos, seria o último em que o Parachoques Cromados Móvel seria impulsionado pelo valente 151.

Esta foi a primeira lista que o Alexandre montou com o que seria necessário a princípio.
Esta foi a primeira lista que o Alexandre montou com o que seria necessário a princípio.

No mês seguinte começaram os trabalhos em cima do carro. O Alexandre já tinha experiência anterior em fazer essas conversões, então sabia todo o passo-a-passo de cabeça e fez uma lista com o que precisaria ser feito. O motor substituto é um seus cilindros 250-S que pertencia a uma Caravan 82. Já estava praticamente pronto e retificado. Para os testes finais, estava montado em Opala 80, que já está na oficina justamente para esse papel, testar os 4.1 adquiridos pelo Alexandre.

Chevrolet Opala 1980 ou Protótipo da Garagem Baldan. Foi a segunda e breve moradia do 250-S que equipa hoje o meu Opala 1977.
Chevrolet Opala 1980 ou Protótipo da Garagem Baldan. Foi a segunda e breve moradia do 250-S que equipa hoje o meu Opala 1977.
O 250-S ainda montado no Opala 80.
O 250-S ainda montado no Opala 80.

Na visita seguinte que fiz a garagem, o motor já estava funcionado no Opala 80. Estava pintando naquela cor laranja avermelhada típica dos motores Chevrolet da década de 60. Eu nem precisei pedir ao Alexandre, simplesmente já estava na cor que eu sempre quis. O coletor de escape 6×2 estava instalado, mas direto, sem o restante do sistema. Lembro que o carro estava estacionado no mesmo lugar da foto acima quando o motor foi ligado pela primeira vez.  Eu sorria que nem criança e o motor sequer estava instalado no meu carro ainda!

A última foto do motor quatro cilindros, depois de algumas centenas de milhares de quilômetros rodados.
A última foto do motor quatro cilindros, depois de algumas centenas de milhares de quilômetros rodados.
Clã Baldan no Momento histórico.  Alexandre (de azul) e Anderson fazendo a retirada do bom e velho 151.
Clã Baldan no Momento histórico. Alexandre (de azul) e Anderson fazendo a retirada do bom e velho 151.

Pude acompanhar todo o processo de desmonte do quatro cilindros enquanto o Alexandre me explicava quais eram as alterações estruturais necessárias para a adaptação. A primeira, logo de cara, foram os suportes do radiador. Logo quando ele retirou os suportes pensei comigo: “Foi lançada a pedra fundamental”.

Outra alteração era o sistema de suspensão dianteiro, próprio do 4.1. Era preciso que ele estivesse montado para a próxima etapa, o Alinhamento Técnico.  Talvez a parte mais importante da conversão, pois é feito o reforço das longarinas do Opala para suportar 1.600 cilindradas a mais. Além disso, foi feita a pintura de todo o Cofre.

Com o motor pronto e o carro alinhado, chegou a hora de fazer o casamento entre os dois. Neste momento eu não estava presente, mas as primeiras imagens foram registradas. Imaginem a minha expectativa quando as recebi pelo computador. Mas ainda faltavam ajustes finais como a colocação do sistema de escapamento. O carro estava apenas com o 6×2 fazendo aquele barulho característico do fins dos tempos.

Uma das primeiras fotos do 4.1 acomodado no seu cofre definitivo.
Uma das primeiras fotos do 4.1 acomodado no seu cofre definitivo.

A partir daí eu teria que escolher que tipo de notas musicais eu gostaria que saíssem do escapamento. Dei uma pesquisada, escutei os especialistas e o sistema final escolhido foi o 6×2 com dois abafadores JK e ponteira estilo escopeta. Antes de levar o carro até a loja de escapamentos, fomos buscá-lo do alinhamento e balanceamento. Como o local era próximo da oficina, fomos de um lugar até o outro com o 6×2 direto. Os 10 segundos iniciais é muito divertido, mas depois fica insuportável existir dentro do carro.  Não façam isso em casa (risos).

Em um outro dia, fomos buscar na MagooArt o Opala, agora, com as notas musicais do sistema de exaustão mais civilizadas. Ou quase isso.  Mesmo com o sistema já instalado, os decibéis dos agudos e graves, pelo que notei vendo o Alexandre dirigindo, estavam ao alcance da sola do seu pé direito. Vejam bem, faziam uns dois meses que eu não dirigia qualquer carro  e antes disso, mais cinco. Ou seja, eu estava cauteloso quanto a minha estreia atrás do volante.

Six In A Row Make it Go! #I6 #inliners #4100 #Chevrolet #Opala #1977

A video posted by Daniel Sanchez (@mrdanielsanchez) on

Não muito tempo depois dessa instalação chegou o grande dia da entrega. Me lembro que era uma quinta feira fria e estava garoando. Achei mais prudente o Anderson vir trazendo o carro de lá da Zona Norte até os bairros mais próximos da Zona Sul. Afinal, ele tinha mais experiência com motores grandes, já teve um Galaxie, 250S e atual F100.

Neste dia o carro ficou pronto. Era hora de voltar pra casa.
Neste dia o carro ficou pronto. Era hora de voltar pra casa.

A ficha começava a cair. O escapamento novo exalava um odor que tomava conta do interior, era  ora adocicado, ora parecido com plástico queimado. O som característico dos tuchos mecânicos, que lembram uma máquina de costura trabalhando, quando em baixas rotações. Na Avenida Indianópolis assumi o volante do Jerê pela primeira vez com o novo motor. Logo de cara a diferença era gritante, tanto na aceleração quanto na desaceleração. A resposta era imediata em qualquer uma das situações. As trocas de marchas já causavam um esboço de sorriso no canto da boca. Mas as condições do asfalto, ainda muito molhado, fez com que eu dirigisse com a cautela de quem leva a mãe pra missa.

A segunda vez que eu dirigi o carro, esta sim, foi a experiência completa. O melhor de tudo, pude compartilhar com a minha namorada Aline. O primeiro sorriso é arrancado logo quando você vira a chave. Uma leve acelerada e o escape ruge como um felino enfurecido enquanto a carroceria chacoalha para os dois lados. Os comandos do carros parecem muto mais sensíveis. Então acariciava o pedal direito com o pé para mover o carro nas manobras ainda na garagem apertada do prédio onde moro.

Nas duas primeiras ruas conversávamos sobre amenidades e a única coisa notadamente diferente, em baixas velocidades, era o ronco grave, mas ainda contido. O Alexandre fez um trabalho muito bom na suspensão, trocando todas as buchas e terminais. Na segunda rua há duas lombadas muito próximas uma da outra. Foi o teste final do sistema que passou por elas silenciosamente. Antes, era aquele barulho incomodo de metal batendo. A terceira rua dá acesso á uma via paralela a avenida dos Bandeirantes. Como esse acesso fica na metade da via, você tem que tomar cuidado ao acessá-lo, pois os carros que saem da Bandeirantes sobem essa via em velocidade considerável. Enquanto a Aline falava sobre o dia, aguardei a via ficar totalmente livre e alinhei o carro. Antes que ela pudesse concluir a frase, pressional o acelerador até a metade, soltei a embreagem mais rápido que o normal e o carro reagiu na mesma hora.  As notas dos escapamentos subiam seus decibéis alternando do grave para o agudo, misturando com o som dos pneus rangendo contra o Asfalto. Rapidamente troco para a segunda marcha e sentimos nos costas serem pressionadas contra os assentos baixos novamente. Na terceira marcha já alivio o acelerador e ouvimos o som de estouros internos do escapamento. É uma experiência visceral e é impossível ficar indiferente a ela.

Desde o "swap", repintei as rodas e troquei as faixas brancas.
Desde o “swap”, repintei as rodas e troquei as faixas brancas.

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Você tem a certeza de que fez o investimento certo quando a sua namorada olha pra você e diz: “Eu sei lá o que você fez com esse carro, mas seja lá o que for, eu aprovei. Faz de novo!”.

Caso queria seu Opala bem tratado por alguém que gosta do modelo, ligue para o Alexandre: 2991-8552

Chevrolet Opala Especial 1973: A Obra Prima de Neimar Duarte

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Olhando a distância, parece “mais um” carro antigo, mas observando aos detalhes, os mais aficionados notarão que o dono desse Chevrolet Opala Especial 1973, além de bom gosto, é um grande entusiasta dos Muscle Cars. Foi o que me motivou a procurar o dono e descobrir qual era o conceito por trás do seu carro, além da influência óbvia do “Detroit Iron”.  A seguir, o depoimento de Neimar Duarte, artista gráfico de mão cheia, construtor nas horas vagas e dono desse belo exemplar.

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Paixão por Carros

Eu gosto de carros desde criança. Antes eram bem variados os tipos de carros que eu gostava, depois é que eu fui descobrindo as verdadeiras paixões. Como eu sempre desenhei, logicamente eu desenhava muitos carros e acabava sempre escolhendo algum carro antigo estiloso pra desenhar, mesmo que eu nem soubesse o que era. Ou até mesmo desenhava carros inexistentes, mas eles sempre pareciam com hot rods, muscle car. Era inconsciente ainda, fui descobrir os muscle cars por volta de 1998, quando fiz a minha mãe comprar uma revista na promoção 4 em 1 que tinha, em cada uma, um encarte de carros antigos, dentre eles um Mustang GT Fastback 1968 vermelho e um Pontiac GTO The Judge 1969. Foi aí que eu li e descobri o que eles eram e logo fiquei louco! Lembro que desenhei o Mustang várias vezes.

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Só depois de cinco anos é que eu fui ter acesso a internet – dial up, super limitada – e pude pesquisar muito sobre Muscle Cars e Hot Rods. Foi por aí que eu acabei conhecendo a aerografia, através dos carros. Veja bem, se não fossem os carros talvez eu não teria seguido esse caminho.

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Nesta época eu e meu amigo Guilherme que tem a historia bem parecida com a minha, já ficávamos caçando por Muscle Cars nas oficinas que descobríamos que mexia com isso. Desse modo, comecei a ver ao vivo alguns dos carros que só via em revistas. Tirava milhões de fotos, ainda de filme fotográfico. A gente ia a pé, de bike ou de ônibus, pois carteira de motorista ainda não tínhamos! Em torno de 2003, já frequentava  praticamente todos os encontros que aconteciam na cidade. Em seguida conheci o meu amigo “Japão” – um dos restauradores mais antigos da cidade – que ajudou a me introduzir no meio dos carros e depois a construir o meu.

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No inicio os carros eram inatingíveis pra mim. Alguns modelos americanos imaginava que nunca veria de perto. Hoje eu já pude ter o prazer de trabalhar em alguns deles, andar e até dirigi-los. Sonhava em ter um, mas não sabia que teria tão cedo.

Sempre admirei os Opalas, eram sempre mencionados pelas pessoas como um carro potente, bravo e tal. Achei o design dos coupês incrível! Queria um desses e sabia exatamente o modelo, mas sabia que não teria condições de comprar um coupê 6 cilindros da primeira geração, pois os poucos que vi a venda eram muito caros.

Chevrolet Opala “Especial” 1973.

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Em 2008, tive a oportunidade de conseguir o motor e caixa, com meu amigo Japão, em troca de alguns poucos trabalhos. Lá estava eu com um motor na garagem, sem um carro. O pessoal achava muito engraçado isso. Iria comprar um Opala pra por aquele motor. Mas também não tinha dinheiro ainda, sabia que precisava de um Opala de 72 a 79 coupê, de preferência 72, pois eu gostava dos “rabo de peixe” com luz de ré em baixo.

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Tinha que estar em condições de uso pois eu ia precisar usa-lo até ter condições de trocar o motor, e não poderia bancar restauração ainda. Em 2009,  meu amigo Eduardo TomBack comentou sobre um Opala à venda, mas era 4 cilindros, 1973 Especial. E eu já disse, “putz, mas é assim mesmo que eu preciso!” O 73′, por ser “Especial”, teria a luz de ré embaixo do jeito que eu queria! Nem queria ir olhar, pois não tinha dinheiro, mas Japão e Eduardo insistiram, então fui lá e fiquei doido! Eduardo ofereceu financiar pra mim, fiquei com medo, mas aceitei, pois tava doido pra ficar com o carro. 

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No outro dia busquei o Opala. Não tinha nem lugar pra guarda-lo, então pedi ao Guilherme pra guardar na casa dele por uns tempos. Convenci meu pai a trocar o nosso amado Ford Del Rey Ouro 1982, que tivemos por 15 anos, por um carro menor e modificar toda a garagem pra poder guardar o Opala em casa.

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Usei o Opala com o velho e cansado 4 cilindros 153 cid por um bom tempo, mas o motor estava nas últimas, gastava tanto óleo quanto combustível. Periodicamente falhava e eu tinha que parar na rua pra secar as velas! Enquanto isso, fui fazendo o 6 cilindros, com caixa de marchas, agregado e tudo novo. O próprio Opala ia levando e buscando suas futuras peças aos lugares necessários.

A Transformação

Em 26/12/2011 estava com tudo pronto pra fazer a troca, então nesse dia eu manobrei Opala pela última vez com o 4 cilindros na garagem pra ser desmontado. Do painel pra frente desmontei 100% do carro. Pro meu desgosto, a lataria estava bem pior do que  pensei e  já achava que estava ruim!

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Um amigo me emprestou uma maquina de solda TIG pra eu fazer os reparos na lataria do cofre do motor. Tirei umas férias forçadas depois do Natal e ano novo pra fazer o serviço todo, pois precisava do carro pronto pra uso. Lembrando que só tenho ele. 

Meu irmão Aloísio me ajudou com as soldas enquanto estava de férias. Depois tive que aprender a soldar pra terminar. Tive que substituir 60% do painel corta fogo pois estava todo podre e remendado, mas não usei chapas prontas ou pedaços de outros carros. Todas as estampas foram feitas a mão, no martelo e solda. Algumas das partes foram personalizadas, mas sempre seguindo a estética que seria de fábrica.

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A parte frontal deu um bom trabalho. Tinha que receber o radiador mais moderno do Opala 6 cilindros, que é bem grande e com ventoinha elétrica. Criei todas as peças recortes e estampas como imaginei que a fabrica criaria. Em todas as partes, segui esta ideia. As criações tem que parecer de fábrica, aos olhos de um leigo ou desatento.  E acabou dando certo. As pessoas olham, às vezes sabem que esta diferente, mas não sabem o que eu fiz. Fiz todo o serviço de modificações, funilaria e pintura no cofre. Montei o novo coração 250 e pronto, nem acreditei quando ligamos o carro!

Os Detalhes

Esteticamente, a minha ideia é realçar a tendência Muscle Car do Opala, ao estilo mais tradicional. Fiz as rodas personalizadas, com o visual das originais, porém agora com aro 15” com 8” de largura atrás e 7” na dianteira. Rodas calçadas com meus sonhados pneus com letras brancas, que eu nem sonhava que seriam os lendários BFG Radial T/A. Os retrovisores são do Chevrolet Camaro 1967, faixas do SS no capô e o friso entre as lanternas traseiras é do modelo 1969/70. O Volante é o Grant Classic, outro grande sonho.

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O Opala é orgulhosamente equipado com um trambulador Hurst Shifter, que sobrou de um dos Chevrolet Camaros 1971 que o Japão restaurou. Ainda instalei com juntas esféricas pra ficar ainda mais preciso. Tem direção hidráulica com setor de Opala e bomba do mesmo Camaro que doou o câmbio, que é mais compacta, mas tive que fabricar todos os suportes do alternador e bomba, e ainda usar uma configuração diferente de correias.

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O carburador é um Rochester Bijet que, curiosamente, é o mesmo que equipava o motor 250 americano quando saia de fábrica. Outra peça bacana é o coletor de escape longo 6×2 feito pelo Otavio Soffiatto que, junto com o seu pai, fizeram a maioria dos coletores da Stock Car. A estabilidade eu fiz questão de melhorar pois o carro tem que ser bom, e não só bonito! Além do conjunto de suspensão dianteira ser o mais moderno dos Opalas, usei barra estabilizadora de 25mm e estabilizador na barra de direção.

Firmando a frente a traseira ficaria “boba”, então depois de MUITA procura, consegui a barra estabilizadora inferior, que é raríssima. Muitos ainda dizem que ela não existe. A versão mais convincente da historia desta peça que encontrei foi que, saiu em alguns carros de 1976, para homologação da Stock Car. Tem também os batentes de espuma nos amortecedores que são simples, mas formam um efeito gradativo de endurecimento do amortecedor. Ajuda muito! O carro ficou incrível pra dirigir, muito estável e todos os comandos macios! Recentemente troquei o filtro de ar, que era o único item pendente no motor. Coloquei um parecido com o original, tem agora um Ram Air que suga o ar fresco por traz do farol esquerdo.

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Futuramente vou ter que restaurar este carro de verdade, mas por enquanto ele é assim! Em curto prazo pretendo instalar um conta-giros, pintar uma faixa lateral que criei, perigosamente, mas vou fazer. Instalar o radio original, nada de sonzão, pois ele já está debaixo do capô.  Aos poucos eu vou restaurando algumas peças.

“Especial”

Percebo que, normalmente, quando as pessoas tem um objeto por algum tempo, tendem a desgostar daquilo  e desejar outro, principalmente com carros. Mas a cada dia eu gosto mais desse Opala e fico mais impressionado como ele é carismático. Todos os tipos de pessoas gostam dele, eu não achava que fossem tantas! Elas dão os parabéns, param e pedem pra olhar, o tempo todo, acenam na rua… Mesmo ainda estando meio velho!

12 Gosto dos Muscle Cars pelo que eles são hoje e não somente pelo que foram antes. É legal ver eles em meio aos carros novos, com toda a imponência do visual e som do motor. Alguns acham que a historia deles já foi contada, mas na verdade a historia deles ainda esta longe de acabar.

Confira mais Fotos na Página do Parachoques Cromados no Facebook.

Um Herói Brasileiro: Puma GTB

 Fotos: Leandro Guilherme, Rafael Ziller e Puma Classic.

Modelo: Vanessa Mello

Você se lembra como começou sua paixão por carros? Para a grande maioria, essa sensação arrebatadora começa com os carros do pai. Nesse exato momento, você deve estar vasculhando a sua memória e enumerando por ordem cronológica os modelos que tinham lugar cativo na garagem de casa. Com o paranaense Leandro Guilherme não foi diferente. Seu pai teve nada menos que seis Opalas e duas Caravans. No entanto, foi uma marca verde e amarela que flechou o seu coração.

O entusiasmo por carros esportivos mais brutos e pela extinta fabricante de carros PUMA, fez com que o modelo GTB fosse uma escolha natural para Leandro, que já era proprietário de um GTC 1986. Pra quem não acredita em amor a primeira vista, em 28 de abril de 2001, o primeiro exemplar que Leandro viu ao vivo veio a se tornar o seu próprio carro. É uma daquelas oportunidades que não se pode perder, afinal de contas, esse modelo é um dos mais raros já fabricados no Brasil.

Segundo o Clube do GTB – o primeiro fruto da relação entre o modelo e Leandro, em 2002 – foram cerca de 710 a 720 GTB fabricados. Em 1971, a PUMA havia lançado um protótipo batizado de GTO que, dois anos mais tarde, entraria em produção com o nome de GTB (Gran Turismo Brasil). O bloqueio aos carros importados naquela época e o crescente apetite do publico brasileiro por carros esportivos, fez do GTB um dos mais desejados (e caros) modelos da sua época.

 O GTB era também um dos mais rápidos, graças a sua leve carroceria em fibra – cerca de 1.200 Kg – e conjunto motor / transmissão da Chevrolet de 4.1 litros, era capaz de atingir os 193 km/h. Inversamente proporcional a sua velocidade é a facilidade para se encontrar peças para um carro tão raro. “Fiquei 10 anos procurando o friso que contorna a grade. Só achei ano passado, em São Paulo, graças a um amigo”, conta Leandro.

A criação do Clube do GTB visa criar um banco de dados sobre modelos sobreviventes e facilitar a troca de informações sobre o carro. É o que relata Leandro. “Estamos catalogando os modelos existentes, como foi feito pelo Clube do Santa Matilde. Nos inspiramos na ideia deles e estamos registrando,  aos poucos, as três gerações do GTB”.

Em três meses de trabalho, o Clube já registrou 12 carros, uma marca expressiva, dada a raridade do carro e o receio inicial dos seus orgulhosos donos. Em parceria com o Site PUMA Classic, o clube quer encontrar outras informações técnicas como a codificação de cores da época.

Quanto ao seu exemplar, ano 1978, Leandro busca aos poucos conciliar o visual original com alguns aspectos agressivos, como os Pneus Cooper Cobra com letras brancas, nas rodas de desenho original, porém com diferentes especificações: 15×7 na frente e 15×10 na traseira.

Manter um PUMA não é uma tarefa das mais fáceis, pois além das peças raras, são incomuns também são os profissionais que sabem como lidar com a carroceria em fibra de todos os exemplares. É como Leandro gosta de brincar “Seja um Herói, tenha um PUMA”. Graças a esses super-heróis, parte da história automobilística nacional está preservada para as futuras gerações.

De Férias Com Os Antigos

Normalmente, as férias de verão estão associadas às viagens para praia ou campo, muito calor e momentos de descanso com toda a família e pé na estrada. Para encarar as rodovias está o principal companheiro dessas horas, o automóvel. Mas, o que fazem os proprietários de carros antigos nas tão aguardadas férias?

Mário César Buzian, proprietário de um impecável Dodge Dart 1979 – chamado carinhosamente apenas de “Sumatra”, nome de sua coloração marrom – aproveitará as férias para colocar a manutenção do clássico Chrysler do Brasil em dia. “Nessas férias eu pretendo desmontar o interior do Sumatra para lavar o carpete, depois limpar detalhadamente tudo no porta-malas e cofre do motor”, conta.

E isso é só o início, a seguir Mário explica qual será a próxima etapa: “Após essa faxina, um bom polimento externo, as verificações de praxe como troca de todos os filtros e fluídos e, se sobrar tempo (entenda “dinheiro”), mexer nas suspensões dianteira e traseira, trocar todas as buchas, borrachas, tensores, pivôs e amortecedores”.

Por fim, os últimos acertos. Um deles, para encarar o calor dessa época do ano. “Quero reinstalar o engate traseiro Turiscar e mandar dar uma revisada em todo o sistema de ar-condicionado”.

A preocupação com a manutenção também será prioriade para Raphael Banos, proprietário de três clássicos General Motors do Brasil. São eles: um Chevrolet Opala 1977, outro modelo SS4 1974 e uma Caravan, também esportiva, ano 1980. “No meu periodo de férias, normalmente procuro adequar meus horários com o de mecânicos, funileiros etc e levar os carros para fazer revisões preventivas ou manutenção de detalhes”.

Enquanto conversávamos, Raphael disse como já começou a cuidar da saúde de seus carros. “Agora mesmo aproveitei uma brecha na agenda para levar um dos carros para uma revisão na carburação e trocar alguns detalhes de acabamento do interior”. Banos lembrou em seguida que essa é uma preocupação constante. “Não que isso não seja feito durante o ano todo, mas na férias tenho mais tempo para matutar como fazer e também tempo de mexer eu mesmo, o que é raro de acontecer devido à falta de tempo”, explica.

Sobre viajar com um dos seus antigos, Raphael prefere a calmaria de outras épocas do ano. “Nunca viajo de antigo nas férias, pois só tiro um descansinho entre o Natal e o Ano novo, ou seja, é o período mais quente, mais lotado, com um volume de pessoas alcoolizadas muito maior. São fatores que me intimidam a arriscar os ‘meninos’ nas estradas”.

Outro elemento decisório para deixar os antigos “de férias nas férias” é o conforto. “Apesar de amar os antiguinhos, viajar com um carro moderno, com todas comodidades contemporâneas, é muito melhor e a mulher não reclama”. Mas isso não impede que Raphael coloque seus clássicos para rodar. “Eu adoro viajar com eles, mas em epócas mais vazias e menos perigosas”, conclui.

Chevrolet Opala SS 1971: 40 Anos

Durante seus 24 anos de produção ele angariou consumidores fiéis. Quase 20 anos depois de sair das linhas de produção, deixou uma legião de fãs. Reza a lenda que, quando foi anunciado seu fim, devotos do modelo e trabalhadores da GM protestaram na porta da fábrica em São Caetano do Sul. O Chevrolet Opala deixou um legado na história da indústria nacional de automóveis e sua versão esportiva só ajudou a engrandecer o mito. O primeiro deles, o Opala SS produzido em 1971, completa 40 anos.

Em março daquele ano, a revista 4 Rodas convidou o legendário construtor, chefe de equipe e fundador da Lotus, Colin Chapman e o, não menos importante, na época campeão do mundo de F1, Emerson Fittipaldi para avaliar alguns esportivos nacionais, a saber: Dodge Charger, Puma, TL, Galaxie e Corcel. Chapman fez uma ressalva quanto aos freios do Opala, mas foi o modelo que mais lhe agradou.

“Deve ter havido alguma falha de ajuste na montagem dos freios”, comentou. Disse que o defeito pode ter sido eventual, mas ao dar nota, preferiu considerá-los “ruins”. Depois disso, entrou muito quente numa curva, mas sorriu satisfeito quando o carro obedeceu bem e fêz a curva sem problemas. Por fim disse que, se fosse comprar um dos carros que testou no Brasil, escolheria o Opala 4100. “Ele acelera muito bem, é macio, veloz e estável. Mas os fabricantes devem tomar mais cuidado na montagem do freio”.

Já Emerson gostou do desempenho e criticou as linhas sóbrias do Opala. O desempenho esportivo do Opala SS foi o que mais impressionou Emerson: chegou aos 180 km/h marcados no velocímetro e elogiou a estabilidade do carro. Gostou também da posição de dirigir, da alavanca de câmbio instalada no console e achou ótimos os freios (que não falharam, ao contrário do que ocorreu com Chapman). Mas achou muito alto o nível de ruído interno e fez outras restrições:

“Acho que o carro poderia ser um pouco mais baixo e ter rodas mais largas. Talvez isso melhorasse sua tendência de sair de frente, quando a gente entra muito quente nas curvas”. Também não gostou do estilo: achou que as linhas poderiam ser ” mais atuais” e que um carro com o desempenho do Opala SS deveria ter duas portas e não quatro: “Aquelas faixas pretas pintadas nos lados e no cofre do motor dão ao carro um jeito agressivo que não combina com as quatro portas”.

Hoje em dia pode parecer normal carros esportivos com quatro portas, mas em 1971, era algo inusitado. Naqueles tempos a preferência majoritária do público era pelos modelos 2p.  Por essa razão, os Opalas SS 1971 são especiais, pois foram os únicos  feitos em 4p, pois os Opalas coupes só seriam lançados no ano seguinte.

A aparência era chamativa, com listras no capô e laterais, como se tivesse saído do departamento de design da GM em Detroit. A grade frontal ostenta a lendária sigla “SS”, bem como o painel do porta malas. Aliás, não há um consenso sobre o que o duplo S significa. Alguns acreditam que seja “Separed Seats” (bancos separados, em inglês) outros, me incluo nesse grupo, defendem que as letras significam “Super Sport”. A primeira propaganda do modelo menciona o Chevelle e o Camaro, indicando que o Opala faz parte da “Escuderia SS”. Seguindo a lógica de que, lá na terra do Tio Sam, SS sempre quis dizer Super Sport, e levando em consideração a natureza esportiva do modelo, só posso concluir que seja isso mesmo.

Mas, falando em bancos separados e natureza esportiva, o interior é um dos mais belos e únicos entre todos os Opalas SS. A  combinação entre o volante e a manopla de câmbio em madeira só esteve presente naquele ano. Diferente dos primos americanos esportivos, de onde vem sua inspiração estética, o motor era o 6 cilindros em linha de 250 polegadas cúbicas e 138 hp, o que atendia mais do que o suficiente a necessidade do nosso mercado. Hoje, é um dos Opalas mais raros com poucas unidades sobreviventes. e a natureza esportiva do modelo, Confira a Linha do Tempo com os Opalas SS fabricados entre 1971 e 1980.

Tunneo Hot Volantes Personalizados

Os três posts sobre o Salão de Antigos 2011 só foram possíveis graças ao convite feito pelo Jensen, responsável pela empresa Tunneo Hot Volantes Personalizados, para participar do seu stand no evento.  Tudo começou com a necessidade da troca da peça do meu Opala que, em um dos lados estava danificado com farpas afiadas em seu botão de buzina esquerdo.

Cansado de receber acupuntura involuntária do carro toda vez em que precisava manobrar os mais de 4m de lataria, me fez perceber que era hora de trocar a ‘escotilha’. Era preciso substituir também a chave de setas e, para isso, era necessário desmontar a tampa da buzina esfaqueadora.  A peça estava tão danificada que quando fosse efetuar a troca da chave de setas, não haveria como colocá-la de volta. Além de tudo isso, me preocupava com os aspectos de seguranças óbvios que envolvem um volante de 34 anos de uso.

A minha primeira ideia foi importar um volante americano da marca Grant. Mas não encontrei muitas empresas de exportação e as disponíveis tinham informações confusas quanto a adaptação do mesmo em Opalas. Foi aí que recorri a Tunneo Hot Volantes. Dando uma olhada no site, vi que era possível escolher um exatamente como eu gostaria. Isso incluía materiais, estilo, diâmetro e cores. Entrei em contato via e-mail com o Jensen em setembro desse ano e fiz minha encomenda. No começo desse mês ele ficou pronto.

As combinações são tantas que dificilmente  um volante saí exatamente igual ao outro, a não ser que um comprador queira um igual já feito. Há também a opção de restauração da peça original ou a reprodução dela, com a vantagem do emprego de materiais de melhor qualidade, provavelmente não disponíveis na época em que foi fabricado seu Opala, Dart, Maverick, Fusca entre outros.

Durante todo o tramite da compra do volante, bem como nos três dias em que passei no stand, pude notar que o Jensen é uma pessoa muito calma e paciente, qualidades essenciais para esse tipo de serviço, mas a sua melhor qualidade estava no trato com as pessoas, sempre explicando detalhadamente no que consistia a fabricação de cada peça.

De tempos em tempos escrevo aqui a respeito de minhas boas e más experiências com o meu carro. No caso do meu novo volante, tem sido uma ótima experiência, felizmente.

Lobo Mau: Chevrolet Nova 1972

Chevrolet Nova 1972, quando ainda era um cordeiro.

Lobo em pele de Cordeiro? Diversas publicações americanas sobre carros usam o termo “Sleeper” para um carro cuja alta performance não condiz com o seu exterior e visual invariavelmente insuspeito. Por exemplo, o apresentador e colecionador, Jay Leno, no vídeo onde apresenta seu Dodge Coronet 500 Hemi 1966, conta que naqueles tempos, não raro, jovens compravam  esse modelo, com o motor top de linha, retiravam o emblema “426 Hemi” e, em seu lugar, colocavam o do “318” um dos menores V8 disponíveis.

O que você faz em 10.19 segundos? Este Nova cobre 400m a 226 km/h.

Essa tática era muito eficaz pois nos meados da década de 60, a cena Muscle Car ainda estava florescendo, portanto, exteriormente os carros eram muito parecidos. As cores mais destacadas, as faixas, scoops exagerados e aerofólios ainda estariam por vir, então, visualmente, apenas pequenos emblemas com as polegadas cúbicas e outros poucos detalhes diferenciavam o carro da vovó ir no supermercado do modelo dos sonhos dos adolescentes daquela época .

Na pista, você verá só a traseira dessa "lata velha".

Existem também outras maneiras de se mascarar a performance do veículo. Uma delas é escolher um modelo não conhecido por sua esportividade e aumentar sua performance para muito além do que o fabricante originalmente imaginou. Entre nossos modelos, me ocorre agora os “Chepalas”, que eram Chevettes adaptados e equipados com o motor de 4 e 6 cilindros do Opala, populares nos anos 70 e 80.

1160 Hp. É preciso dizer mais alguma coisa?

No entanto, talvez o mais capacioso entre os exemplos, seja um veículo antigo com uma aparência de mal cuidados. Em um verde musgo muito questionável, pequenos amassados por toda lataria, bancos inteiriços cobertos por uma manta que você não daria nem prum cachorro vira-lata de rua, quem suspeitaria desse Chevrolet Nova 1972, destaque da Hot Rod Magazine em 2009?  Pois é, por mais que os Novas tenham uma certa atitude intimidadora, nem nos seus sonhos mais selvagens, você imaginaria que esse exemplar esconde embaixo do capô um V8 Chevy Ls2 com absurdos  1.160 hp a 7500 rpm e 825 lb-ft de torque a 6500 rpm, graças a dois enormes superchargers.

Coragem: 226 km/h em apenas 400m no conforto de bancos inteiriços. Acredite ou não, ele ainda é equipado com cinto de cinco pontos.

Para essa motor do tamanho de em reator nuclear, foi adotado um sistema duplo de combustível chamado “Octane On Demand”.  Um compartimento é cheio de gasolina comum enquanto que o outro, com combustível de alta octanagem. Ou seja, enquanto você vai ao supermercado, o carro funciona com a gasolina comum, mas se pisar fundo o sistema Octane On Demand entra em ação, e gerencia o combustível de corrida que é bombeado para o outro compartimento dando força o suficiente para você praticamente viajar no tempo.

Santo Antônio devidamente mascarado.

Se os cuidados com o brilho da pintura e cromados foram esquecidos, com a segurança foi o oposto. O carro é todo protegido com uma gaiola de capotamento (santo antônio) O detalhe está na maneira como foi construído. O artifício foi montado de forma que não ficasse aparente para quem olha de fora e, desse modo, não levantar qualquer suspeita. Assim como as rodas, que foram alargadas por dentro, mantendo o offset e calotas da fábrica. E por fim, para levar o velho Nova a imobilidade, mesmo que seja contra sua natureza, freios a disco da Baer.

Kurt e o seu Lobo disfarçado.

Ninguém além do proprietário poderia descrever melhor do que o carro é capaz. Aqui uma pequena mostra: “Em Gainesville – em uma Power Tour – o pessoal quase não olhou para mim ou o para o carro quando parei para a inspeção técnica“, disse Kurt. “Eu mal tinha estacionado e alguém escreveu um número na janela de trás, e fui embora. Em minha primeira corrida, fiz 10.19s a 226 km/h (em 400m), e todo mundo ficou assombrado. Eles  gritavam, ‘traga essa coisa de volta aqui’. Eu até tive que mostrar-lhes minha licença de competição da NHRA (National Hot Rod Association). 

Chevrolet Opala Especial 1977: Jeremias III

No último dia 19 de setembro completaram-se três anos da compra do  meu Opala, conhecido entre os mais íntimos como “Jeremias”. O que aconteceu naquele dia, assim como sua primeira foto, registrei aqui. Muito trabalho e dinheiro foi investido desde então. E muito mais será preciso, mas, apesar de alguns contratempos, estou satisfeito até o momento. Independente do seu estado mecânico ou visual, ele sempre pareceu ter uma legião de fãs anônimos que acenam, viram a cabeça quando ele passa, perguntam o ano, a motorização e até se está a venda. Até pessoas mais próximas, contrárias a ideia de ter um carro antigo, se curvaram ao seu carisma. Não é difícil ver nas fotos acima o porquê.

Homenagem

Jeremias, segundo Mateus Luiz.

Os leitores mereciam um escriba mais dedicado… Matheus Luiz, de apenas 12 anos, fez essa bela homenagem pro “mascote” do blog, meu Opala, mais conhecido, aqui entre nós, como Jeremias. O rapaz, apesar da pouca idade, já mostra talento com o desenho. Reproduzo a seguir o e-mail que ele me mandou:

Não desenhei no papel seu Jeremias porque eu não tenho essas impressoras q tem escaneador e eu estava sem dinheiro para escanear em lan-house, mas acho que até fica mais legal assim no paint.

Ficou ótimo Mateus, sem palavras, além do muito obrigado.

O Indomável Dodge Dart GSS 1968

Já imaginou se nos anos 70, concessionárias aqui no Brasil oferecessem o que o consumidor pedisse em termos de performance? Por exemplo, comprar um Corcel com o V8 302 que só equipavam o Galaxie e o Maverick. Que tal “acomodar” o 318 V8 dos Darts nacionais no Dodginho Polara? Ou ainda, numa concessionária Chevrolet poder adquirir os famosos “Chepalas” (Chevettes com motor de Opala), mas com a garantia de fábrica?

A lógica desse meu devaneio histórico foi a realidade da concessionária Chrysler mais ousada que já existiu, a Grand Spaulding de Chicago, liderada por Mr. Norm. A idéia foi bem simples, colocar o maior motor no menor e mais leve carro oferecido pela Chrysler americana em  1968. Isso significou adaptar o gigantesco V8 de 440 polegadas cúbicas (7.2L) e 375 hp no compacto – para realidade estadunidense da época – Dodge Dart.

Com o sinal verde da montadora, Mr. Norm construiu 48 unidades do modelo, número suficiente para homologar sua participação nas provas de arrancada. Visualmente, você não desconfia de que está diante de um carro de 12 segundos no quarto de milha, em que pese as faixas idênticas ao da versão GTS. Se você for procurar nos emblemas, também será ludibriado. Os distintivos mostram o “383” de um motor “menor” que equipava a versão GTS. Um “S” em vermelho substitui o “T”, dando o a origem da sigla GSS (Grand Sapulding Sport).

"Vai achando que é 383".

Ao conhecer mais sobre os detalhes mecãnicos do Dodge Dart GSS, você percebe que se trata de um lobo em pele de cordeiro ou melhor, um monstro das pistas de arrancada mascarado como carro de família. A começar pela adaptação do 440 em seu cofre, que fez com que os coletores interferissem no esterçamento das rodas. Sendo assim, se você era um dos 48 orgulhosos donos da máquina, precisaria pensar que caminho iria fazer pra chegar ao seu destino porque, contornar curvas fechadas, era impossível.

Os enormes coletores se espremem para chegar ao assoalho.

Difícil também é pará-lo, pois não há freios à disco nessa versão, nem nas rodas dianteiras. Outra facilidade, já abundante naquela época nos Estados Unidos e ausente nessa versão, é a direção hidráulica. Ou seja, ele não vira e, quando vira, você terá a impressão de estar abrindo uma escotilha de um submarino náufrago. Se precisar frear, será necessária a mesma distância de um trem de carga para chegar a imobilidade. Mas você se importaria com detalhes tão pequenos? Eu não.

Todo conforto e "segurança" da década mais selvagem do século XX.

Comercializado na época por pouco mais de US$ 3 mil, hoje é avaliado em US$ 200 mil, pois, das 48 unidades produzidas, só se tem notícia de 12 sobreviventes. Pros fãs da montadora da antiga estrela de cinco pontas sempre foi e será assim, aos extremos. É “Mopar or No Car”.

Martíres de Hollywood

No post Destaques em Fast Five, nosso assíduo parceiro Gian, levantou uma questão interessante ao saber que nenhum Chevrolet Opala foi usado nas filmagens da última edição do filme. Disse ele nos comentários “Bom, se não tiver algum Opala no filme tanto melhor, pois não corre o risco de acabar destroçado ou algo do tipo…“. Entendi perfeitamente o sentimento do nosso colega, pois não é raro o fim trágico de clássicos em produções hollywoodianas.

Falando específicamente da cine-série Velozes e Furiosos, há vários exemplos de como os antigos são massacrados. No primeiro filme, não há como se esquecer do Dodge Charger 1970 “voando” de ponta cabeça sobre o Toyota Supra e capotando algumas vezes ao “aterrisar”.

Já no segundo, um Dodge Challenger 1970 Hemi perde uma porta e também bate de frente contra uma pick-up, Na mesma película, a réplica (assim espero) de um Chevy Yenko Camaro 1969 “pousa” sobre um barco.

No terceito foi a vez de um Chevy Monte Carlo 1971 capotar repetidas vezes e um Mustang Fastback com motor de Nissan Silvia (Argh!) é praticamente destruído após várias batidas contra um Nissan 350z.

Na quarta edição, talvez a mais trágica pros Muscles, são vítimados um Buick GNX 1986, Chevy Chevelle 1970 (explosão), Um Plymouth Satellite 1970 (capotamento), Dodge Charger 1970 (De novo!!!), réplica do Chevy Camaro F-Bomb e um Ford Torino 1972, esses três últimos, em batidas violentas.

Embora não seja nada agradável ver um pedaço da história indo para o espaço para a diversão do grande público, há um lado positivo nisso. Não há melhor propaganda para um carro do que a aparição em um filme de sucesso. Pode se dizer que, da série, os Muscle Cars eram cultuados apenas por um número restrito de aficcionados e hoje, já fazem parte da cultura pop mundial.

Isso contribui para a valorização e resgate da memória dos carros antigos, principalmente com as gerações mais novas. O melhor exemplo disso é a Eleonor do filme 60 Segundos. O sucesso foi tão grande que empresas se propuseram a fazer réplicas do Mustang Fastback 1968. A princípio, os fãs do modelo torceram o nariz, mas ao descobrir que carros estavam sendo salvos da ferrugem eterna para voltarem as ruas, logo mudaram de idéia.

Seu Opala

Dos mesmos produtores de Carros Inúteis, vem aí, mais um blog de sucesso: Seu Opala. A idéia é simples. Basta ter fotos de seu Chevrolet Opala (ou Caravan) de qualquer ano, cor ou estado de conservação e mandá-las para o severo crivo do Professor Russell. Já mandei o último ensaio que fiz com o meu Opala, o famoso e popular Jeremias. Uma das fotos ilustra este post, vamos ver qual delas irá lançar meu velho e querido Chevrolet Opala Especial 1977 ao estrelato virtual.

Alguns Registros

Estou desanimado com a dificuldade em encontrar uma oficina mecânica que aceite mexer com o meu carro na Zona Sul de São Paulo. Tenho a impressão de que há um certo preconceito com a idade (33) do Opala. Bom, se já fazem isso com ser humanos, quem dirá com coisas. Em todo caso, prefiro levar um “Não” e evitar aborrecimentos do que um “Sim” que mascara incompetência e ganância. Desde o fatídico dia que busquei o Jeremais na “Funilaria” não consegui encontrar um lugar para reparar os estragos. Me restou limpar o carro, fazer alterações estéticas mínimas, como colocar a grade original dele e pintar as letras dos pneus. e montar o que estava no meu alcance, pois ainda tem muita coisa (des) e (mal) montada. Se alguém souber de uma oficina que ainda aceita os “velhinhos” nessa parte da cidade, por favor, sinta se a vontade para se manifestar.

Uma Má e uma Boa Experiência

Opala 1977: "Irmão" do Jeremias com a Grade Correta.

Outro dia escrevi aqui sobre a péssima experiência que tive com um “funileiro”. Dizem os gurus da publicidade que quando temos uma experiência de consumo ruim, contamos, em média, para 10 pessoas. Quando ficamos satisfeitos, compartilhamos com apenas três pessoas.

Para deixar as coisas iguais, gostaria de deixar registrado aqui, a ótima experiência que tive na primeira compra que fiz no Mercado Livre. Comprei a grade original do Jeremias lá, com o usuário Anderson Matias, mas todo o tramite foi feito com seu irmão Laerte.

Desde o início, ambos foram muito atenciosos e corretos no atendimento. Busquei a grade pouco antes de buscar o carro na “Funilaria”, pois a idéia era colocá-la assim que o carro ficasse pronto. Não foi exatamente o que aconteceu, mas queria colocar a grade de qualquer forma.

Assim que retirei o plástico da embalagem, descobri que ela estava quebrada em alguns pontos. Me senti o cara mais azarado do planeta naquele momento, com o carro semi-montado pelo “funileiro”, pintura estragada e com a grade nova quebrada. A minha frustração durou muito pouco, porque o Laerte se prontificou a trocá-la na primeira ligação que fiz. E foi o que aconteceu. Essa experiência positiva me deu um sopro de esperança na humanidade. Nem tudo está perdido.

Funilaria

Na última sexta-feira, fui  buscar o Opala na funilaria e nunca tive tanto desgosto com um serviço contratado, em toda a minha vida. O desgosto foi tanto, que me falta motivação a escrever algo no blog, por enquanto.

A começar com a falta de profissionalismo do funileiro, que não cumpria horários e, por algumas vezes, sequer apareceu para me receber, fazendo eu perder a viagem. Por falar em não cumprir, diversos detalhes não foram feitos. O próprio funileiro estipulou o prazo de um mês. O carro foi entregue no final de junho e, pelo combinado, nos últimos dia de agosto deveria estar pronto. Mas foi só no dia 22 de outubro (!!!) que o carro foi “entregue”.

Para não ser injusto, ele consertou o amasso da porta do passageiro, parte do alinhamento na porta do motorista, e pequenos detalhes no capô. E só.

Com quase dois meses a mais para trabalhar, seria mais do que suficiente para que tudo o que foi combinado, fosse feito. E isso não aconteceu. Coisas simples, como colocar os emblemas, não foram feitos. Deixei o livro do Opala como referência, mas até a publicação voltou estragada, com diversas páginas molhadas.

Pra finalizar, a montagem. Vidros desalinhados, uma manivela quebrada e o forros mal montados. Comprei uma borracha nova para a porta, mas nem isso ele se deu o trabalho de montar. Enfim, a lista de coisas mal feitas é tão grande como o meu desgosto.

Foram quase três meses de retrocesso e perda de dinheiro. Peço ajuda a vocês para indicarem um funileiro de confiança Funileiros de São Paulo, se manifestem também.

GMC Sprint SP 1971

"Olha! Uma El Cami... Espera, o que é isso?"

Transformar carros de passeio em picapes não é exatamente uma novidade. No final do mês passado, por exemplo, a General Motors do Brasil apresentou a nova picape Montana, que passou a ter a cara do hatch Agile e não mais do Corsa. A versão mais potente vem com o motor de 4 cilindros, 1.4 L e 102 hp.

Outros tempos... A GMC Sprint SP 1971 esbanjava com seus 5.25 metros e motor de 7.4 Litros.
A Chevrolet Montana tem 4.51 metros e motor de 1.4 Litros.

Há 39 anos, a General Motors Company fazia a mesma coisa e lançava a sua própria versão da já tradicional El Camino, renomeando a de Sprint. Menos famosa que sua irmã, a primeira vista, a GMC Sprint é quase idêntica a El Camino, mudando apenas em pequenos detalhes como a substituição dos emblemas por GMC.

O emblema "GMC" confunde os mais afoitos.
O raro 454 desenvolvia 365 hp. A maior potência de uma picape leve da GMC.

Naquele ano, o controle de emissões já começava sondar a dominância dos V8, mas ainda assim, a Sprint contava com uma vasta opção de motores. O menor deles era o mesmo que equipou nossos Opalas, o 6 em linha de 250 polegadas cúbicas (4.1 L) e 145 hp. O restante eram todos V8 chamados de “Invader” de 307, 350, 400 e 454 polegadas cúbicas de 5.0, 5.7, 6.5 e 7.4 L respectivamente.

As diversas opções de fábrica é uma característica da indústria americana, mesmo há 39 anos. No detalhe, o volante esportivo de 4 aros com o nome "Sprint" ao centro.
No interior, muito espaço, mesmo para apenas dois ocupantes.

A versão “SP” era equivalente a “SS” da família Chevelle / El Camino e tinham um tratamento estético muito semelhantes, como faixas decorativas e rodas rally idênticas. Tal opção era pouco conhecida, mesmo nas concessionárias, fazendo com que das 5536 Sprint produzidas em 1971, apenas 249 eram “SP”.

Em toda a literatura referente ao modelo, como manuais e catálogos há alguma menção do que possa significar as duas letras. O site Chevelles.Com especula que SP significa “Special Package”, Pacote Especial em tradução livre. Dos 249 “SP”, míseras 25 unidades vieram com o motor V8 de 7.4 L, que desenvolve 365 hp. Destas, só se tem notícia de 16 sobreviventes.

Brasileiros Clássicos no Gran Turismo 5

Opala Comodoro 1975: Inferno Verde, aí vou eu.

A franquia que melhor simula o mundo dos automóveis nos consoles caseiros chega em sua quinta edição. Gran Turismo foi um marco para as duas indústrias, automobilística e de games criando uma relação de simbiose quase perfeita entre as duas.

Um desses aí estará no jogo... Será?

Modelos, antes conhecidos apenas regionalmente ganharam o mundo e se tornaram fenômenos da cultura popular. No dia 5 de novembro acontecerá o lançamento mundial da tão aguardada quinta edição da série.

IBAP Democrata: Quem diria "O Tucker Brasileiro", 42 anos depois, imortalizado nos video games.

A grata surpresa fica por conta da lista de carros A La Carte. Ofisiosamente, fóruns tem divulgado que o jogo teria 350 modelos fixos e que o restante estaria disponível via download na rede do Playstation 3.

Brasinca Uirapuru 4200GT: O legendário Uirapuru estará lá.

A grata surpresa é que, supostamente, existiriam vários modelos brasileiros clássicos disponíveis para download. Entre eles Chevrolet Opala Comodoro 1975, Chevrolet Opala 1978, Chevrolet Chevette S/R Hatchback 1981Brasinca Uirapuru 4200GT Coupé e, até, o protótipo IBAP Decomcrata 1968, entre outros.

Chevrolet Chevette S/R 1981: O raríssimo esportivo também está na lista.

Segundo alguns fóruns, mundo afora, com um cartão de crédito será possível comprar o download de um modelo específico entre 10 mil opções.  Se você, assim como eu, jogava os títulos anteriores imaginando como seria pilotar um Opalão em Nurburgring, bem, o sonho já pode ganhar contornos de realidade.

Holden Monaro GTS 327 1968

A primeira máquina esportiva da Austrália.

Eles tem o sotaque parecido com o dos britânicos e dirigem do ‘lado errado’ também. Por outro lado (literalmente) gostam de carros grandes com motores enormes, assim como os americanos costumavam. Essas particularidades tornam a indústria de automóveis da Austrália muito particular.

Parece o Opala, mas não é.

E ao contrário dos Yankees, sua paixão pelas barcas de alta cilindrada, mesmo depois de suas crises energéticas e, mais recentemente, a vilanização do automóvel, sempre se manteve em alta. Uma rápida olhada nos sites da Holden e da Ford daquele país não me deixam mentir.

Detalhes do GTS.

Um dos maiores ícones dessa paixão, é o Holden Monaro, produzido em duas fases diferentes. A era clássica, de 1968 a 1977 e, mais recentemente, de 2001 a 2005. A banana comeu o macaco em 2005, quando os Monaros foram re-apelidados com a legendária alcunha  ‘Pontiac GTO’, ícone-mór dos Muscle Cars na América.

Mais semelhanças, mas não insista. Não é um Opala.

O Aussie Muscle ainda foi exportado pros mercados da África do Sul, Reino Unido e Oriente Médio. Em 2008, o Holden Coupe 60 reacendeu a expectativa de produção de uma nova geração de Monaros. A crise da matriz GM jogou um jato de água fria nessa possibilidade.

Out To Drive You Wild: Indeed Mate.

Mas há 42 anos atrás, quando foi apresentado, o Monaro era oferecido em sua versão top como GTS 327. Os dígitos fazem menção a cilindrada cúbica do motor V8 de 5.7 litros e 250hp que equipava o modelo.

O estilo seguia a tendência da época, com carroceria no estilo “Garrafa de Coca-Cola”, muito semelhante a do nosso querido Opala. Já o visual também não fugia do padrão cor marcante e faixas decorativas. Definitivamente, um clássico cujo o único defeito é não ser tão conhecido fora da Oceania.

33 anos em 1


Do parachoque pra baixo, como era. Pra cima, como irá ficar (assim espero).

Ontem, o Jeremias completou um ano com sua nova família. Carismático que é, ganhou essa homenagem surpresa da Priscila Lopes, uma das autoras do livro sobre o Opala e do, não menos competente, Dan Palatnik. Aos dois, o meu eterno Obrigado.

Dart Sumatra

"Um bom filho, a casa torna".

Caros, não deixem de conferir o blog do Mário Buzian sobre o seu reluzente Dart Sumatra. Pra quem não sabe, Buzian arrematou o Dodge Dart que fez parte do “espólio” do finado Museu da Ulbra. Antes de de ficar em exposição, o Dojão havia sido da família da esposa dele. Recentemente, Mário teve a oportunidade de clicar o Dart em frente ao prédio, que antes era a concessionária onde o veículo comercializado. Impagável. Espero um dia, clicar o o meu Opala na Avenida Goiás, em São Caetano, no portão da GM.

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