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1983

Chrysler Newport 1969: Um Pequeno e Gigantesco Investimento

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Chrysler Newport 1969: Uma Rara espécie. Foto: Clayton Seams

O mundo da ciência mudou radicalmente quando Charles Darwin escreveu o livro “A Origem da Espécies”. Em seu estudo, basicamente, Darwin propõe que as espécies que melhor se adaptam ao ambiente irão passar seu DNA adiante e, desse modo, garantir a sua preservação. Os seres que não se adaptassem, estariam fadados a extinção. É possível dizer que a indústria americana passou pelo mesmo processo. O que a natureza leva milhões de anos para executar, foram algumas décadas para que os Full Size americanos fossem extintos.

Se você não está familiarizado com o termo, Full Size, nada mais é do que o maior carro disponível na linha. Em português popular, são as barcas, banheiras, prédios sobre rodas, ou seja, automóveis com dimensões continentais. No fim da década de 60, este segmento reinava absoluto nas ruas e estradas retas da America do Norte. Os yankees entendiam que o carro deveria ser uma extensão de sua casa, ou sala de estar.

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Prestes a ser ressuscitado. Foto: Clayton Seams

Embora não sejam famosos como os Cadillacs ou  Lincolns, os Chrysler Newport são um perfeito exemplo de gigantismo desenfreado desse segmento, especialmente a  quinta geração que vai de 1969 e 1973. Para estes modelos a Chrysler apresentava ao mundo a sua linguagem de estilo chamada de ‘Fuselage’, que buscava inspiração na aviação, com grandes porções de metal na lateral do carro.

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Dono orgulhoso. Foto: Clayton Seams

Enquanto que ‘Cudas e Chargers da mesma época atingem valores estratosféricos e ainda geram interesse das novas gerações, os Newport sequer são reconhecidos nas ruas. Mas um modelo em particular não passou desapercebido por Clayton Seams, um jovem canadense de apenas 22 anos. Seams é uma espécie rara (ou a beira da extinção) hoje em dia. A sua geração, conhecida demograficamente como Geração Z, demonstram pouco ou nenhum interesse em carros. 

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Quatro dias de limpeza e ajustes e Voi La. Foto: Clayton Seams

Clayton, diferentemente de seus contemporâneos, é um ávido fã de automóveis desde muito cedo. Uma de suas primeiras lembranças quando criança era ter um Belair 1957. Com pouco mais de duas décadas, ele já foi proprietário dos seguintes modelos: Datsun 280ZX 1983, Pontiac Firebird Formula 1988, Suzuki Swift GTi 1989 e um Chevrolet Impala 1966.

Sofa Feelings. O passageiro em outro fuso horário. Foto: Clayton Seams
Sofa Feelings. O passageiro em outro fuso horário. Foto: Clayton Seams

No caso da sua última aquisição, o Chrysler Newport 1969, Seams conta que a princípio queria um carro antigo por um preço baixo.  “O Chrysler estava anunciado no site kijiji.ca na seção clássicos. Ele só tinha duas fotos e uma descrição muito vaga. Liguei para o proprietário do anúncio e negociamos um valor, comprei no momento em que o vi”, relata. Foi uma verdadeira barganha, Clayton pagou míseros US$ 1.700. Segundo ele, nestas condições, normalmente um carro destes vale em torno de US$ 4.000.

Motor V8 383 polegadas cúbicas.
Motor V8 383 polegadas cúbicas. Foto: Clayton Seams.

A apenas duas semanas com o modelo, Seams conta que não foi preciso fazer muita coisa com o carro.”Passei quatro dias fazendo a limpeza e corrigindo pequenos defeitos para fazê-lo funcionar perfeitamente. Agora ele precisa de alguma atenção no diferencial traseiro. Depois, pretendo rodar com ele durante todo o verão!”. Seams pretende deixar o carro todo original enquanto for o dono.

Com 5.70m de comprimento e 2m de largura, o Newport chama muito atenção por onde passa e Clayton notou isso na primeira vez em que dirigiu. “Eu voltava pra casa sem placas (o que é ilegal) logo depois que eu comprei e um policial me viu, mas apenas acenou! As pessoas sorriem quando vêem este carro. Chega a ser completamente hilário de tão grande que é! Tenho um uma Chevrolet Suburban de uso diário e o Chrysler é ainda maior!”.

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Foto: Clayton Seams.

O custo de manter um carro destes, segundo Seams é basicamente o do seguro, US$ 225 por mês. O proprietário conta que as pessoas da sua idade, de fato, demonstram pouco interesse. Perguntam coisas como quantos anos tem e se é caro de manter. “Me entristece. Eu passo meus dias pregando as virtudes dos carros antigos. Na verdade, eu comprei-o (O Chrysler Newport) para que eu pudesse mostrar às pessoas o quão acessível um clássico pode ser”, conclui.

 

A História de uma Foto

1967 Plymouth GTX - 1968 Dodge Charger - 1969 Dodge Super Bee

Os Muscle Cars parecem viver sua redenção nos dias de hoje. Primeiro foram objeto de desejo dos baby boomers, viraram vilões para as empresas de seguro, dos lobistas e vítimas da crise do petróleo. Vendidos a preço de banana no começo dos anos 80, tiveram uma valorização exponencial na última década. Ter um Muscle Car clássico hoje na garagem passou a ser um sonho para poucos. Já pensou em ter três de uma só vez? Essa foi a realidade de Scott Crawford, que já esteve aqui no Parachoques Cromados contando um pouco sobre a sua história com um dos mais belos Dodge Charger R/T 1968 que se tem notícia. Confiram abaixo a deliciosa história sobre a foto que ilustra esse post:

“Houve um período de 4 anos, de 1986 a 1990, quando esses 3 carros foram mantidos em companhia, escondido em um edifício de armazenamento recluso perto de uma área industrial em Yakima, no estado de Washignton.

Este terrível granulado da imagem (e impagável) narra o conto sobre como o Charger, um Super Bee 1969 ½ 440 Six-Pack e um Plymouth GTX 1967 440, de 4 marchas  estavam em um armazenamento juntos enquanto eu voltei para a faculdade, que ficava à milhas de distância.

No início de 1983 eu convenci meu pai que precisavamos de um projeto familiar, no qual  nós podíamos usar ferramentas juntos e, possivelmente, conseguir um lucro no final. Eu encontrei um Plymouth GTX 1967 em condições “difíceis”, mas que depois de 2 anos de suor, dinheiro e esforço, ficou excelente.

Inesperadamente, encontrei um antigo piloto de arrancada velho com um Dodge Super Bee 1969  ½ – bem conservado – 440 Six-Pack  (fazia o 1/4 de milha em 11s) em 1985, e com alguma sorte o convenci a vendê-lo para nós. Um ano mais tarde, com mais suor, mais dólares e mais esforço, ele também ficou excelente.

Este trio incrível permaneceram juntos, empoeiradando e congelados no tempo, até o início de 1991, quando tanto o Super Bee quanto o GTX foram vendidos.

Penso muitas vezes nesses tempos de glória, quando eu possuía, pelo menos parcialmente, quatro muscle cars clássicos, (meu carro de uso diário era um GTO 1969), mas algumas das minhas melhores lembranças são da época do meu pai e eu ficamos juntos restaurando o GTX e o Super Bee”.

Scott Crawford

Christine, 28, Filmada, Destruída e Imortalizada

Se você gosta de carros antigos e é jovem,  talvez já tenha ouvido falar. Quem sabe, até assistido. Se cresceu nos anos 80, com certeza deve ter vibrado ao ver aquele Plymouth alvi-escarlate, com suas barbatanas majestadas e cara de mau. O filme Christine, de 1983 atingiu o status de cult, mesmo entre quem não curte carros. Isso graças a direção primorosa de John Carpenter, baseada no livro do mestre do suspense, terror e fantasia, Stephen King.

No ano passado, escrevi aqui sobre algumas diferenças entre os automóveis descritos no livro e os representados na versão cinematográfica. O site AllPar.com, em 2003, quando o filme completou 20 anos, entrevistou proprietários dos Christines que sobreviveram à filmagem. Ao todo, foram usados 23 carros, entre Furys, Savoys e Belvederes, destes, apenas três unidades restaram.

Martin Sanchez, resgatou um destes exemplares em 1984 por U$900. O carro estava encostado em depósito do estúdio e tinha data para ser destruído. “Meu Plymouth Fury 1958 foi um dos mais de vinte carros usados ​​no filme Christine. Ela era o carro dublê na cena do beco, perseguindo Moochie e o encurralando na doca de carregamento”, revelou o proprietário.

Por ser um carro usado em cenas mais agitadas, Sanchez conta que este exemplar tinha algumas diferenças curiosas. “Quando eu comprei o carro não tinha interior, apenas uma gaiola simples  e um assento de plástico tipo de corrida. As janelas estavam todas pintadas de preto por dentro com exceção de uma pequena parte coberta apenas por um pedaço de vidro fumê, por onde o dublê podia enxergar. A maioria dos frisos inoxidáveis e acabamento eram de borracha ou plástico”, conta.

Outras Curiosidades

  • Anúncios foram colocados em todo o Estados Unidos para comprar Plymouths 1958 disponíveis. Um total de 23 Plymouths 1958 foram comprados e personalizados para ficarem parecidos. Apenas 16 foram utilizados para a filmagem, os outros serviram para doar as peças. Belvederes e Savoys foram usados ​​junto com Furys para a filmagem. Todos foram pintados de vermelho e branco (quando necessário) e a grade dourada foi pintada de prata ou feita para os carros que não a usaram. O interior do Fury também foi alterado para combinar com o exterior. Não custa lembrar que foram produzidos apenas 5.300 Plymouth Furys em 1958.
  • A filmagem de abertura, com Christine sendo montada, a retrata como o único Fury vermelho. Esta cena teve que ser filmada primeiro, para que os outros carros adquiridos pelo estúdio pudessem ser re-pintados. Se você olhar atentamente, o Furys não tem frisos dourados ou a palavra “Fury” no rabo-de-peixe. A grade dos carros do filme já haviam sido pintadas de prata para a transformação que ocorreria após esta cena ser filmada.
  • A produção começou no dia 25 abril de 1983. O filme estreou com bastante rapidez, no dia 9 de dezembro de 1983. Foi descrito pela Time como “o melhor filme de John Carpenterdesde Halloween.”
  • Várias pessoas transformaram  Plymouths 1958 em clones de Christine. Alguns Furys foram pintadas de vermelho, enquanto alguns Belvederes tiveram seus motores substituídos pelos do Fury. É difícil diferenciar um Christine clone de ume Belvedere que saiu de fábrica vermelho e branco, a não ser que você conheça o Fury muito bem.
  • As letras na placa de Christine  são “CQB”, um acrônimo militar para “Close Quarters Battle”,  algo como Batalha em Quarteirões Fechados, onde os alvos estão muito próximos. Esse encontro é, geralmente, muito violentamento, deixando a vítima com pouca chance de retirada e / ou sobrevivência.
  • Em nenhum dos 23 veículos foram usados controles remotos. Ao se transformar na Christine má, os vidros eram pintados de preto. com apenas um filete fumê escuro no parabrisas para que os dublês pudessem enxergar. Os carros não tinham retrovisores e eram muito difíceis de serem pilotados nas cenas à noite, mostrando todo o valor dos profissionais que os dirigiram.
Fantasia versus Fatos
No livro, King descreve Christine como quatro portas quando, na realidade, em 1958, os Furys eram oferecidos apenas com duas portas. Outra discrepância está na cor. Apenas os Belvederes, modelo logo abaixo do Fury, era oferecido com as cores “vermelho toreador” e “branco iceberg”. No entanto, o livro menciona que Christine era uma encomenda especial. A publicação também chama a transmissão de Hydramatic, equipamento dos carros GM. Na Chrysler, os carros usavam o câmbio Torqueflite. E por fim, uma passagem diz: “Eu vi a alavanca de cãmbio de Christine mudar para Drive”. Em 1958, esses modelos da Chrysler usavam a tecnologia “Push Button Drive”, ou seja, não havia uma alavanca, mas sim botões. Perguntado porque há tantas diferenças, King disse que escreveu primeiro o meio do livro e, alguns anos mais tarde escreveu o começo e o fim. Ele precisava encontrar um modelo e achou o Fury 58′ adequado.
Refilmagem
Alguns sites publicaram este ano que uma refilmagem do clássico estaria em pré-produção. Os boatos contam que o responsável pelo roteiro, Cristopher Landon, tentará ser mais fiel ao livro do que Carpenter foi em 1983. No filme original, Christine é retratada como uma entidade com vida própria, que acaba por amaldiçoar seus eventuais proprietários.
Já Lanon, segundo boatos, quer se concentrar na história da publicação, onde o Plymouth Fury 1956 é hospedeiro do espírito maligno de Roland D. LeBay, seu primeiro proprietário. Será que valerá a pena destruir mais algumas dezenas desse clássico da Chrysler e manchar o nome de um filme Cult? Tenho minhas dúvidas.

Linha do Tempo: Dodge Challenger

1970

1971

1972
1973

1974

O desafio da Dodge em entrar no mercado dos pony cars, pelo menos em termos econômicos, não foi lá essa coisas. Ainda assim, quatro décadas depois, mesmo sendo um fracasso de vendas (confira os detalhes), o Challenger ganhou uma releitura, graças ao status de mito que ganhou durante todo esse tempo. Acima, os modelos que ajudaram a construir sua imagem durante seus breves anos de fabricação.  De 1978 a 1983, graças a um acordo da Chrysler com a Mitsubishi, a Dodge ressucitou o nome da lenda, colocando-o no modelo da montadora nipônica, Galant Lambda. Mas que me perdoe a história e Lee Iacocca, me recuso a chama-los de Challenger.

Linha do Tempo: VW Golf

Quem acompanha o blog sabe da minha predileção pelos carros americanos antigos, pré primeira crise do petróleo. Cerca de 90% do espaço aqui é dedicado a essas barcas americanas, mas tenho que confessar a vocês que a família clássica da Volkswagen me fascina, principalmente do que foi e é feito na Europa. Mesmo conhecendo muito pouco da família VW, decidi incluir no espaço “Linha do Tempo” o seu modelo mais bem sucedido, o Golf. Lançado em 1974 com a árdua missão de substituir o Fusca, o Golf não só vem cumprindo muito bem a tarefa, como já superou seu sucessor em números absolutos de vendas, afinal são 6 gerações e 36 anos de produção ininterruptos.

1974: 1ª Geração
1983: 2ª Geração.
1991: 3ª Geração.
1997: 4ª Geração.
2003: 5ª Geração.
2009: 6ª Geração (Atual na Europa)

Infelizmente, para o mercado brasileiro a VW local, fora de sincronia com as atualizações européias, oferece a 4ª Geração com um Facelift de gosto muito duvidoso. Sempre que vejo um desses na rua, tenho a sensação de que o dono foi vítima de estelionato.

Christine Fun Facts

"Como matar algo que não poderia estar vivo?" Dizia o cartaz filme.

A década de 80, se não foi memorável para a indústria automobilística estadunidesne, foi o auge para outro ramo, o da produção cinematográfica de filmes de horror. O gênero era capitaneado pelos livros de Stephen King e produções para a telona de John Carpenter. Quando os dois se juntaram, surgiu uma das produções mais emblemáticas, que se não fosse muito bem feita, correria o risco de virar um filme B.

O Plymouth Fury / Belvedere tem um visual assustador sobre qualquer ângulo.

Christine, (1983) é a história de um Plymouth Fury 4 portas 1958 amaldiçoado desde sua fabricação que, com suas vibrações negativas e personalidade maligna, acaba por selar o destino de seus proprietários, no filme um estudante colegial. Interessantes são as diferenças que, como toda obra literária que é transformada em filme, acabam acontecendo. King, autor do livro, ao que parece, não era um grande conhecedor de automóveis. Já Carpenter, diretor do filme, fez adaptações interessantes na trama e no casting de automóveis, sem tirar a essência da história.

Fury ou Belvedere disfarçado?

A principal dessas “adaptações”, na verdade, não havia muito o que ser feito. No livro, King descrevia o Fury como um quatro portas, o problema é que, naquele ano, só haviam Plymouth Furys duas portas e assim que ele é retratado no filme. Outro detalhe é a cor vermelha, que também não era oferecida. Talvez, “licenças poéticas” para mostrar como o veículo era único.

Outro detalhe interessante é que os Furys são uma versão mais esportiva do Belvedere e, portanto mais rara. A solução para as filmagens foi transformar Belvederes em Fury (haviam pequenas diferenças de acabamento entre uma versão e outra). Foram produzidos apenas 5.300 Plymouth Furys naquele ano.

Os fãs do modelo se enfureceram com o lançamento do filme pois, durante as filmagens, cerca de 25 modelos foram usados e, a maioria deles, acabaram destruídos. No entanto, graças a popularidade da fita, muitos Plymouth Furys e Belvederes foram salvos da eterna ferrugem.

Plymouth Duster 1975: Preterido pelo Carpenter.

As demais diferenças automobilísticas estão nos carros usados pelas personagens. Dennys Guilder, amigo do personagem central do filme – Arnie Cunningham – no livro, dirige um Plymouth Duster 1975. Já na telona, um belo Dodge Charger 1968 azul.

Dodge Charger 1968: O escolhido (sempre ele) para a versão cinematográfica.

Buddy Repperton, um dos bullies de Arnie no colégio, no livro é dono de um Camaro “com dois anos de idade e marcas de alguns capotamentos”. Lembrando que a história se passa em 1977, pode se deduzir que se trata de um modelo 1975.

Camaro 1975: Outro que não foi aprovado para o papel.

No filme, Buddy dirige um Camaro 1967 intacto.

Camaro 1967: Conseguiu o papel e a Ira de Christine.

Por fim, o dono da oficina onde Christine é restaurada, Darnell, na obra literária dirige um Chrysler Imperial 1966 enquanto que no filme é um Cadillac Coupe DeVille 1974.

Cadillac Coupe Deville 1974: Discreta aparição, apenas como um 'extra'.
Chrysler Imperial 1966: Também ficou de fora. Seu visual é tão diabólico quanto o de Christine.

Há um rumor de que haverá um re-filmagem desse clássico para 2011. Seria interessante tentar fazer algo mais próximo ao livro que, apesar de alguns equívocos, tem detalhes mais sombrios. Enquanto os boatos não se concretizarem, vale a pena ver ou rever, caso não tenha assistido, Christine – O Carro Assasino.

Linha do Tempo: Chevrolet Camaro

Essa deu trabalho, mas vai valer a pena. O Camaro voltou as linhas de montagens esse ano e nada melhor que uma “Linha do Tempo” para mostrar todas as transformações pelas quais o modelo passou. São 36 anos de histórias, se não considerarmos o hiato entre 2003 e 2009, quando a GM decidiu tirá-lo de linha temporariamente para colocar em seu lugar, aquela pick up que não carrega nada e foi um fracasso, Chevy SSR. Junto com a onda das releituras que começou com o New Beetle e depois passou pelo Mustang e o Challenger, a GM decidiu ressucitar o 2º modelo mais emblemático (o primeiro posto pertence ao Corvette). Agora em sua quarta geração, o Camaro pode servir de símbolo para a retomada da montadora que já foi a maior empresa do mundo.

Vale lembrar que as fotos são enormes. Para visualizar em seu tamanho completo, basta clicar nelas.

“Lord Vader, Your Car Is Ready”

por Rodrigo Tavares

Buick GNX: Uma nova raça de Muscle Car.

Na década de 80, após duas crises energéticas, a GM resolveu que era hora de retomar a produção de esportivos baratos e “simples”. Aproveitando uma de suas subsidiárias que acabara de ser campeã da NASCAR, a Buick, com um carro de porte médio (nos padrões americanos, claro) o Regal.  Foi adicionado um kit para ficar mais esportivo e como opcional poderia receber um equipamento pouco difundido no EUA, o turbo.

O pacato Regal passaria pro outro lado da Força.

O projeto nasceu em 1978, com a lançamento do Buick Regal Sports Coupe, equipado com um motor V6 turbo. Esse Regal, foi campeão da NASCAR de construtores em 1981 e 1982 e com pilotos de 1981 a 1983 (que na época se chamava Nascar Grand Nacional Series). Interessante se atentar que o carro foi campeão não pelo melhor motor e sim pela aerodinâmica.

Mark Martin guiando um Carro de corrida, não uma bolha.

Aproveitando o nome, em 1982 foi lancaçado o Regan Grand Nacional, uma versão esportiva do Regal comum, com motor V6, 4.1 com 125hp. O V6 turbo não foi aplicado pois a Buick estava com alguns problemas de qualidade nesse motor. O Grand Nacional é conhecido por ser totalmente preto com rodas cromada, mas em 1982 podia ser comprado em qualquer cor. Porem as vendas não foram bem e não houve o Grand Nacional em 1983.

O Buick fazia bonito também nas arrancadas.

Já em 1984 foi a hora da mudança, o carro somente era vendido em preto, com o V6 turbo, e agora equipado com injeção eletrônica e rendendo 200hp. Foram vendidos apenas 2000 carros nessa configuração. Novo aumento de potencia em 1986, com a revisões no motor passaram a render 245hp.

Linhas angulares marcam o estilo dos carros da década de 80. Circulares no Buick só os pneus e o volante.

Em 1987 foi o ultimo e o melhor ano de produção do GN. Foi introduzido o pacote opicional WE4, que aliviava o peso do pesado Buick. No final do ano veio a versão final do Gran Nacional, a GNX, com um novo aumento de potencia, agora 276hp (mais que o dobro do GN 1982).

As alterações passaram por progrmação da injeção, uma turbina diferente, intercooler mais eficiente, novos escapamentos, cambio diferenciado entre outras. Externamente havias novos rodas aro 16 e alterações na frente. Foi nessa época que a revista Car and Driver americana definiu o GNX como o carro do Darth Vader, colocando na capa o GNX com a frase: “Lord Vader, Your Car is Ready”.

Linha do Tempo: Cadillac Eldorado

Pesquisando sobre a linha do tempo, é interessante observar as metamorfoses pelas quais alguns modelos passaram. É possível contar a história de um País só de observar a (in) evolução dos carros e, as vezes, com toda uma divisão, com o passar dos anos. Um caso desses é a Cadillac e o Eldorado, o carro de luxo que por mais tempo foi produzido, foram 50 anos.

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O Eldorado começou como uma variação de acabamento e acabou virando um modelo próprio, dado o sucesso. No auge da fartura de gasolina nos anos 60, alguns modelos chegaram a ser equipados com motores de V8 8.2L! Na década seguinte os tamanhos permaneceram, mas os motores diminuíram bastante. Para os anos 80, ambos – motor e carroceria – perderam tamanho substancialmente. Em sua 8ª e última geração, nos anos 90, ele voltou a ganhar tamanho e motor, além de um ar esportivo. Em 2002, o Eldorado comemorou cinco décadas com uma edição especial de despedida.

Linha do Tempo: Toyota Celica

O último post feito com fotos da primeira geração do coupe japonês me inspirou a buscar fotos, ano a ano de cada modelo, até o fim de sua produção, em 2006. O interessante sobre o Celica é que em 1978 foi lançado o Toyota Celica Supra, que depois daria origem a um outro modelo esportivo, apenas chamado Supra, este, falecido em 2002. É uma pena que a montadora da cidade de Aichi, no Japão, tenha desistido de produzir carros com uma abordagem mais esportiva.

Uma Van Classe A

Réplica à venda na Inglaterra por 30 mil euros!

A década de 80 foi fértil quando o assunto é enlatados na TV. Quando nem se sonhava com o serviço de TV a cabo no Brasil, as emissoras abertas recheavam sua programação com o que havia de melhor (e pior) dos seriados da TV americana. Em algumas dessas séries, os veículos eram co-atores de destaque. Não há como se esquecer do Pontiac Firebird falante, vulgo Kitt, do lendário enlatado “Super Máquina” (Knight Rider). Nem do Dodge Charger “Redneck” voador de “Os Gatões” (The Dukes of Hazzard). Havia ainda os modelos que faziam uma aparição mais discreta, como a Ferraris Testarossa e 308 GT, de outros dois seriados icônicos da década de 80, Miami Vice e Magnum, respectivamente.

O Esquadrão Classe A (The A-Team) foi outro grande sucesso enquanto esteve no ar, de 1983 a 87. O enredo era “tolo”, como a maioria dos títulos que iam ao ar naquela época, mas não menos divertido. A história gira em torno de um grupo de veteranos da Guerra do Vietnã que são acusados de  “um crime que não cometeram”. Perseguidos pelos militares, decidem virar mercenários “do bem”.  E como não poderia ser diferente, eles também tinham um fiel escudeiro sobre rodas.

Quando criança era doido por uma dessas, só que de fricção...

A “atriz” coadjuvante programa era uma GMC G-Series preta, com o teto prata metálico, e faixas vermelhas. Gavia ainda uma espécie de body-kit, um spoiler no teto e um enorme quebra-mato na frente. As rodas de 15 polegadas da American Racing eram calçadas com pneus BF Goodrich. Enbaixo do capô, o V8 ‘calça jeans’ da GM, o bom e velho 350, 5.7 com um carburador duplo.

...uma caixa dessas então... (foto: http://brinquedoantigo.blogspot.com)

Assim como nos programas contemporâneos, a Van, ora ou outra, executava um daqueles saltos super exagerados. Tais manobras levou algumas delas ao ferro-velho mais cedo, isto, é claro, só na vida real, porque na próxima tomada do episódio, ela aparecia nova e reluzente. No seriado, de forma mais esporádica, um dos personagens dava o ar da graça em um Corvette Branco. Os produtores o alugavam e o decoravam – assim como na Van – com uma faixa vermelha nas laterais.

Os mais novos poderão ver o esquadrão – e a Van – em ação nas telonas esse ano. Está previsto para junho a refilmagem em longa metragem do seriado . Enquanto isso não acontece, os mais novos e saudosistas podem conferir o programa original no canal a cabo TCM, onde é reprisado.

“El” Ford Sierra

Ford Sierra Cosworth ou "Cosy" pros íntimos.

A Ford, ao longo de sua história, lançou alguns modelos com um nome em espanhol. Nos Estados Unidos nas décadas de 60 e 70, por exemplo, tinha a camionete Ranchero.  Para a região da Austrália e Ásia, nos anos 80 e 90, a montadora americana oferecia o Festiva. Aqui no Brasil, podemos lembrar do extinto Del Rey e do Fiesta, este, ainda em produção. Mas e no Velho Continente? Por lá, a Ford oferecia aos europeus um sedã média chamado Sierra. E é dele, em sua versões “quentes” e desconhecidas por aqui, que vamos falar um pouco agora.

Primeiramente, um carro que me agrada muito. Um veículo que nossos irmãos argentinos tiveram, mas que (infelizmente) nunca chegou ao Brasil. O modelo começou sua trajetória de sucesso no mercado europeu no ano de 1982, substituindo o Taunus e em 1983 na Argentina. Tiveram diversas versões, com motorizações 1.8, 2.0. A versão top de linha contava com um V6, de 2.8 litros o XR4x4. Com tração integral nas quatro rodas, acelerava de 0 a 100km/h em 9 segundos. Velocidade máxima de 205 km/h.

1983 com o V6

As melhores versões foram as que tiveram a colaboração da inglesa Cosworth, preparadora e fabricante de peças de alta performance do velho continente. Em 1986 foi lançado o Sierra RS Cosworth, que contava com um motor 2.0 DOHC, equipado com uma turbina Garrett T3 e intercooler. Desenvolvia 204cv a 6.000 rpm fazendo o 0-100 km/h em 6.8 segundos, com a máxima de 242km/h.

No ano de 1987, foi lançada uma versão especial, a RS 500 Cosworth, com o propósito de conseguir a homologação do carro em diversas provas de automobilismo, principalmente o Rally. A mecânica era baseada na RS comum, mas com ajustes e pequenas alterações para aumentar a cavalaria para 225 cv. Também foram feitos novos ajustes de suspensão e adição de um body-kit. Foram produzidos apenas 500 unidades do modelo.

RS 500: Como o nome sugere, apenas 500 unidades.

Para 1990 veio a última versão esportiva de Sierra, o Sapphire RS Cosworth 4×4, baseado na versão Sedan do modelo. Em minha opinião a mais bela e discreta, assuntando muitos donos de carros esportivos. Vinha com o motor 2.0 turbo-intercooler e, como o nome já diz, tração nas 4 rodas.

Saphire, versão 'precisosa' do Sierra.

Três anos mais tarde, para a tristeza dos fãs, o Sierra sairia de produção.

À Procura

http://marciojames.files.wordpress.com/2009/01/a-procura-da-felicidade-poster01.jpg
À Procura da Felicidade

O ator Will Smith interpretou, em 2005, Chris Gardner, um aspirante a executivo que passa por diversas dificuldades com seu filho de cinco anos para ter sucesso em sua carreira e na vida. O nome do filme? “À Procura da Felicidade”. Já no campo da música, Afrika Bambaaataa – um dos percursores do Hip Hop – lançou uma música, em 1983, chamada de “Looking for the Perfect Beat”. Exatos 20 anos depois, Marcelo D2, fazendo referência à Bambaataa, lançou o “À Procrura da Batida Perfeita”.

Eu, em 2009, estou à procura da felicidade tentando encontrar o Opala perfeito. Depois de quase cinco anos juntando dinheiro, ou melhor, guardando o que  sobrava do auxílio estágio e mais recentemente do salário, comecei a pesquisar preços do modelo clássico da GM. Meus alvos são os as primeiras gerações, de 1969-70, 1971-74 e 1975-79. mas, por uma questão de praticidade, que envolve a quantidade de modelos fabricados e peças disponíveis, concentro meus esforços nos modelos de 75 a 79.

Propaganda Opala 1975.
Propaganda Opala 1975.

No começo de março visitei uma loja na famigerada Anhaia Mello. Lá tinha um Opala, que havia visto inicialmente no site Webmotors, mas nada como conferir pessoalmente. Era 1975, amarelo, câmbio na coluna e com banco inteiriço. As condições gerais do carro eram razoáveis. A lataria aparentemente alinhada, a maioria das peças originais estavam lá, como retrovisores, volante, calotas etc. Tinha outras coisas a serem feitas, como pintura (havia um rachado considerável no porta-malas), alguns frisos faltando e troca de algumas peças do motor.

O preço pedido era de R$ 7.500. Eram 6 pelo carro e 1,5 de documentos atrasados. Achei melhor esperar e procurar por algo melhor. No meio daquele mês fui ver um outro carro, dessa vez 1976. O dono era um colecionador e, segundo ele, queria vender algumas de suas jóias – entre eles o Opala – para levantar uma grana e comprar um Mustang 1968. Não botei muita fé quando vi as fotos no site. A cor não me agradava e as fotos não vendiam bem o carro. Mas em vista das melhorias feitas na parte mecância, achei que valeria a pena dar uma olhada ao vivo.

Opala 1976 em ótimo estado de conservação.
Opala 1976 em ótimo estado de conservação.

O carro estava excepcionalmente bem conservado. Na parte interna e externa. Olhando a cor de perto não parecia tão sem graça. O tom claro combinava com o marrom escuro do interior, bem típico dos anos 70 e bem ao meu gosto também. Por dentro ele estava impecável, olhei atentamente e não encontrei um detalhe a ser feito. Sob o capô, o confiável 4 cilindros tinindo, funcionando perfeitamente. Fiquei tão impressionado que perguntei ao dono porque ele não havia tentado colocar a placa preta. A resposta era a falta de tempo. E o melhor de tudo isso era o preço, R$ 9.500.

Infelizmente fui demitido uma semana antes de fechar negócio. O lado ruim é o óbvio, além da demissão, não comprei o carro ideal para as minhas pretensões. Não teria como mander um Opala desempregado. Mas, menos mal que isso aconteceu antes de comprar e enfrentar os problemas de se ter um filho de 34 anos pra cuidar.

Recentemente voltei ao mercado de trabalho e, por consequência, voltei também a procurar pela pedra preciosa da GM. Aos poucos me deparei com alguns bons modelos e com preços interessantes. O que mais me chamou a atenção foi um 1978 “Azul Hawaii”. Não cheguei a vê-lo de perto, mas nas fotos enviadas pelo dono, parece estar em ótimo estado.

Opala 1978 Azul Hawaii
Opala 1978 "Azul Hawaii"

Por enquanto não tenho a quantia pedida pelo dono – muito gente boa por sinal – mas quem sabe num futuro próximo. Aliás, conversando com o atual propietário, pretendo fazer a história breve desse Opala em particular. Saber quais foram / foi seu(s) dono(s) anterior(es), como chegou ao atual e o que pretende o seu futuro dono. Pretendo, também, postar alguns relatos sobre a minha saga, inspirado no ótimo Opala Adventure.

Enquanto isso, continuo à procura.

Prazer, Chevette

Chevette 1974.
Chevette 1974.

Por Aurélio Oliveira

Você, com certeza, ja ouviu falar muito de mim. Eu sou o Chevette e o meu nome foi criado para que todos lembrassem que eu fui o primeiro carro pequeno da família Chevrolet fabricado no Brasil.

Aliás, a GM me lançou em maio de 73 fazendo uma ligeira provocação ao mercado de carros pequenos com uma propaganda que dizia que a GM não estava lançando apenas mais um carrinho!  Ah! Essa foi boa…

De fato! Eu cheguei com um design internacional, com bastante conforto interno, eu era fácil de dirigir, manobrar, era estável e, acima de tudo, eu era um carro seguro. Meu motor então… Nem se fala! Moderno, com comando de válvulas no cabeçote, suspensão firme e olha… Eu era despojado! Nem chave no tanque de gasolina eu tinha… Acredita?

Eu fui um carro à frente do meu tempo! Sabe porquê? Meus primeiros quatro protótipos foram testados à exaustão e chegaram a rodar cerca de 1.400 quilômetros por dia… É verdade! Rodamos um total de 750 mil quilômetros!  Isso… Antes de ser lançado, é mole? Por isso que dizem que eu fui um carro que nasceu e cresceu na estrada!

Economia, grande qualidade em tempos bicudos.
Definindo novos padrões.

Durante 20 anos eu fui um sucesso! Chegaram a fabricar uma versão de quatro portas, depois um modelo hatch, depois a perua Marajó e, finalmente, uma picape… A Chevy 500, lembra?

Chevy 500. Foto 4 Rodas.
Chevy 500. Foto 4 Rodas.

Mas aí a concorrência foi se modernizando… Lançaram o Uno da Fiat, o Gol da Volks com refrigeração a água e eu comecei a envelhecer!

Minha última unidade saiu da fábrica em novembro de 93… Mas eu saí de cena com um agradável sabor de vitória e uma doce sensação de missão cumprida!

Mas eu ainda posso ser visto por aí… Nas mãos e no coração de alguns brasileiros que nunca conseguiram se esquecer e se separar de mim… Nem eu deles!

Linha do tempo

1973 – Inicio produção
1973 – Especial
1975 – SL e GP
1978 – Reestilização
1979 – Chevette 4 portas e versão Jeans
1980 – Hatch e novos pára-choques
1981 – Novos faróis, Marajó, versão S/R com motor 1.6
1982 – Motor 1.6
1983 – Reestilização e câmbio 5 marchas
1984 – Pick-up Chevy
1985 – Câmbio automático opcional
1987 – Reestilização
1988 – Motor 1.6S
1989 – Fim da Marajó
1990 – Fim do Câmbio automático
1991 – Apenas a versão DL
1992 – Versão Júnior 1000
1993 – Término produção
1995 – Término produção Chevy

Unidades produzidas: 1.630.000

Fonte: Carros na Web

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