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1975

Ken & Mary

É curiosa a maneira como o Nissan Skyline entrou para o panteão de carros desejáveis mundo afora. Embora o modelo tenha mais de 50 anos de história na Ásia, foi apenas no final dos anos 90 que o esportivo japonês ganhou notoriedade no ocidente, graças a série de jogos Gran Turismo.  Tão curiosa quanto a trajetória esse “Rice Rocket” chegou ao estrelato nessa metade do globo, é a história envolvendo as personagens de suas propagandas a partir de 1972. Eu já havia até escrito sobre esse modelo há alguns anos, mas os bastidores da campanha é sensacional.

Naquele ano, o Skyline ganhou uma nova carroceria (muito parecida com os esportivos americanos da época) e uma campanha publicitária que virou uma sensação cultural no país. Com o desenho bem americanizado, para a Nissan, fazia sentido dar aos comerciais, um Feeling Yankee. A idéia da campanha era mostrar um casal, curtindo suas viagens no belíssimo Skyline. O nome do casal? Ken e Mary. A escolha dos nomes também não foi por acaso, inverta a ordem para Mary & Ken e você tem uma sonoridade próxima de “American”.

Para tanto, a agência de publicidade contratada pela montadora foi atrás de jovens americanos que estudavam no Japão. Uma adolescente, chamada Diane Krey, filha de um piloto comercial, ex-combatente da força aérea, tinha apenas 16 anos quando foi escolhida, quase que por acaso para o papel de “Mary”. Já para o papel de Ken foi dado ao ator teen na época – já falecido – Jimmy Zinnai. Meio Russo, meio Japonês, Jimmy atuava em uma novela e aquela altura já era um ídolo adolescente no Japão, com apenas 15 anos.

Antes relegada aos fãs hardcore dos JDM (Japanese Domestic Cars – Carros Japoneses Nacionais) e com contornos de mito, as imagens da campanha de Ken & Mary ganharam movimento e som graças ao marido de Diane, que as disponibilizou no Youtube.

O sucesso da campanha foi tão estrondoso que essa geração de Skylines foi imortalizada pelos fãs de “Kenimeri” (Ken & Mary). O casal atingiu o status de celebridade em todo o Japão. A loucura foi tanta que Mary (ou Diane) não podia a ir num show, que era tão assediada quanto o artista.  O filho do imperador pediu, inclusive para conhecê-la. Diane conta que nunca trabalhou tanto, quanto naqueles tempos. Por dois anos o casal viajou para diversos pontos naturais do Japão com diversos Skylines para fazer fotos. Em uma oportunidade, a equipe bateu dois dos carros, e as fotos foram feitas somente pela traseira porque a frente estava toda amassada.

Depois da trágica morte de Jimmy Zinnai (O Ken), em um acidente de moto, Diane decidiu não renovar o contrato, abalada com o acontecido. Em 1975, ela voltou para os Estados Unidos e teve que se adaptar ao seu país natal, onde as pessoas trancavam as portas de casa e “festejar” significava fumar maconha.

Os incríveis detalhes dessa história só foram possíveis, pois a excelente publicação voltada para o mundo dos antigos – Hemmings – conseguiu entrevistar Diane Krey, hoje, professora de ciências no norte da Califórnia, nos Estados Unidos.

BMW Neue Klasse

Prestígio não se constrói do dia pra noite, mas no caso da indústria automobilística, basta um modelo para mudar o rumo da montadora, às vezes de forma até negativa. É possível apontar alguns carros que foram divisores de águas para suas marcas. Assim como o Modelo T para a Ford e o Fusca para a VW, os 1500 e 2002 da chamada “Neue Klasse” ou Nova Classe da BMW foram os arquitetos do prestígio que a Fábrica de Motores da Bavaria desfruta hoje em dia. Particularmente, o BMW 2002 1975 Turbo, é um dos meus antigos favoritos. Você pode conferir uma breve história desses clássicos aqui.

Os Carros de Mark Donohue

Inscrição no Eagle 1, quando Donohue correu na Formula Indy em 1973.

Carros de corrida exercem fascínio com mais facilidade por razões óbvias. As combinações de cores, adereços (ou falta deles) fazem dos bólidos de competição peças únicas. Neste post, alguns dos mais belos Muscle Cars de corrida, na opinião desse que vos bloga, foram pilotados por Mark Donohue na Trans Am Series.

Camaros pilotados do Donohue que venceram as 12h de Sebring, 1968.
Donohe sorrindo para as câmeras, 1968.
Camaro Penske/Sunoco, 1969.

Donohue foi um dos pilotos mais bem sucedido dos Estados Unidos no final da década de 60, começo da de 70. Seu nome geralmente é associado aos Camaros e  Javelins preparados pela equipe de Roger Penske que disputavam a competição, organizada pela Sports Cars Club of America (SCCA).

O lendário Camaro Penske/Sunoco pilotado por Mark. Maio de 1968.
O AMC Javelin "Patriótico" em laguna Seca, Abril de 1970.
Ainda em Laguna Seca, abril de 1970.

Seus principais rivais eram os Challengers e Mustangs, este último  pilotado por outra lenda das pistas americanas, Parnelli Jones. Mark se sagrou tri-campeão da Trans Am em 1968, 1969 – pilotando o Camaro – e em 1971 – a bordo do AMC Javelin.

Apesar de não ter sido campeão, o AMC Javelin 1970 é um dos mais belos.
Sim, estes Muscle Cars faziam curvas. AMC Javelin 1970.

Mark tinha a fama de regular seu próprio carro. essa fama chegou as últimas consequências quando se constatou que Mark e Roger Penske despejaram ácido na lataria de seus Camaros para que estes perdessem peso durante treinos e corridas.

O AMC Javelin 1971 campeão daquela temporada.

O sucesso de Mark Donohue o levou, entre 1972 e 1975, a diversas categorias, entre elas, F-Indy e F1. Em 1975, já na categoria máxima do automobilismo, após um acidente no GP da Áustria, Donohue, saiu do carro se queixando de dores de cabeça. O quadro consequentemente piorou, deixando-o em coma. Mark faleceu poucas horas depois de hemorragia cerebral, aos 38 anos de idade.

Ainda tenho dúvidas sobre quais são os mais belos, os Camaros de 1968 e 1969 ou os AMC Javelins de 1970 e 1971.

Linha do Tempo: Ford Maverick (EUA)

Para combater a invasão crescente dos importados, as montadoras americanas responderam com automóveis “compactos” e de baixo custo. A resposta da Ford foi o Maverick, que além da difícil missão de frear o avanço da concorrência, também substituiu o Mustang como opção “compacta” e barata. Em 1970, ano do seu lançamento, o Maverick custava apenas US$ 1.995. A publicidade de lançamento dizia “Um carro dos anos 70 com preço dos anos 60”.

Linha do Tempo: Dodge Dart (EUA)

De 1960 a 1976 o Dodge Dart foi o “pãozinho francês” da Chrysler, vendendo milhões durante anos. O sucesso foi tanto que o Dart virou o carro mundial da montadora, vindo parar até aqui no Brasil. Além de nossas terras, o modelo foi fabricado no Canadá, México, Colômbia e Austrália. O nome ‘Dart’ ainda foi usado em um outro modelo, similar, na Argentina e Espanha. Nos Estados Unidos, o Dart passou de Full Size, para médio e depois para compacto, isso, nos padrões de gigantismo da indústria americana da época. Ganhou versões esportivas inesquecíveis como o GTS e o Hemi e, mais tarde,  o Sport, e o Demon. Deixou de ser fabricado por lá em 1976, mas o último automóvel com o nome ‘Dart’ fabricado no planeta é brasileiro, como você pode conferir aqui.

O Simpático Mazda Savanna RX3

1971

Confesso a vocês que, quando mais jovem, cultivava uma certa rejeição em relação aos carros japoneses. Para mim, não passavam de carros de mercado, sem tradição ou carisma. Pura besteira juvenil.

Com o tempo, percebi que a indústria automobilística nipônica fez um trabalho incrível da metade do século passado em diante. Não é por acaso que a maior empresa de automóveis tem sede lá.

1972

Arrisco dizer que a virada de mesa para os japoneses começou na década de 70. Acostumados a racionalizar tudo desde o final da II Guerra, quando ficaram em frangalhos, o Japão aplicou essa mentalidade do uso racional dos recursos em cada aspecto de sua cultura. Com os automóveis não foi diferente.

Quando seus primeiros carros chegaram importados aos Estados Unidos, foram vistos com dúvida. Bastou a primeira Crise do Petróleo para que os automóveis orientais, aos poucos, passassem a dividir se pequeno espaço com os transatlânticos sobre rodas Yankees.

1971: Estréia no mercado americano.

O Mazda Savanna RX3 faz parte dessa primeira geração de automóveis nipônicos que desembarcaram nos Estados Unidos. Um ilústre desconhecido para nós. Bom, pelo menos pra mim. Foi lançado em 1971 nas verões Sedã, Coupê e Perua. Era equipado com os enigmáticos (alguém aí sabe como eles funcionam?) motores Rotary. Não demoraram para cair no gosto, pásmem, dos americanos.

1975

Mas vendo as linhas do carro, não é difícil de imaginar o porquê. As linhas, principalmente do coupe, são claramente inspiradas nos carros americanos que, naqueles tempos, eram referência.

Um belo exemplo da influência americana no design nipônico é o Nissan Skyline 1973. Não é preciso ser nenhum Pinifarina para perceber que suas linhas são claramente inspiradas no Dodge Challenger 1970.

1974

Voltando ao Mazda RX3, além das belas linhas, era um carro compacto e leve, com 4 metros de comprimento e apenas 884 kgs. Apenas dois anos depois de sua estréia, a frota do Tio Sam sentiu o golpe desferido pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Perua Esportiva, 1972.

Seu motor, apesar de parecer minúsculo perto dos rinocerontes que habitavam os cofres de motor na América, cumpria muito bem o seu papel. A unidade de força 12A, que passou a equipar os Rx3 em 1973 (ano da crise) desenvolvia 130 hp. De 0 a 100km/h, o RX3 levava cerca de 11 segundos. O quarto de milha na casa dos 17 segundos.

1972: Dois RX3 e um RX2 Capella ao centro.
1976

Nesse contexto bicudo para os V8, carros como o RX3 passaram a ganhar a confiança do consumidor americano médio. Para fechar a equação, some o prestígio adquirido pelo carrinho em corridas de Rally e Turismo por toda a Ásia, Oceania e, posteriormente, no próprio Estados Unidos.

1971

No Japão, os pilotos de Nissan Skyline conheciam a traseira do Rx3 em detalhes. Foram 50 vitórias consecutivas do Mazda no campeonato de turismo daquele país em 1972. Na mesma categoria em solo americano de 1975, esteve em 4 das cinco primeiras posições para a sua classe.

1977

Em 1977, o RX3 deixou as linhas de montagens após mais de 900 mil unidades comercializadas somando Ásia, Oceania e América. Passou o bastão para o legendário Mazda RX8, que faria sua estréia em 1978.

Christine Fun Facts

"Como matar algo que não poderia estar vivo?" Dizia o cartaz filme.

A década de 80, se não foi memorável para a indústria automobilística estadunidesne, foi o auge para outro ramo, o da produção cinematográfica de filmes de horror. O gênero era capitaneado pelos livros de Stephen King e produções para a telona de John Carpenter. Quando os dois se juntaram, surgiu uma das produções mais emblemáticas, que se não fosse muito bem feita, correria o risco de virar um filme B.

O Plymouth Fury / Belvedere tem um visual assustador sobre qualquer ângulo.

Christine, (1983) é a história de um Plymouth Fury 4 portas 1958 amaldiçoado desde sua fabricação que, com suas vibrações negativas e personalidade maligna, acaba por selar o destino de seus proprietários, no filme um estudante colegial. Interessantes são as diferenças que, como toda obra literária que é transformada em filme, acabam acontecendo. King, autor do livro, ao que parece, não era um grande conhecedor de automóveis. Já Carpenter, diretor do filme, fez adaptações interessantes na trama e no casting de automóveis, sem tirar a essência da história.

Fury ou Belvedere disfarçado?

A principal dessas “adaptações”, na verdade, não havia muito o que ser feito. No livro, King descrevia o Fury como um quatro portas, o problema é que, naquele ano, só haviam Plymouth Furys duas portas e assim que ele é retratado no filme. Outro detalhe é a cor vermelha, que também não era oferecida. Talvez, “licenças poéticas” para mostrar como o veículo era único.

Outro detalhe interessante é que os Furys são uma versão mais esportiva do Belvedere e, portanto mais rara. A solução para as filmagens foi transformar Belvederes em Fury (haviam pequenas diferenças de acabamento entre uma versão e outra). Foram produzidos apenas 5.300 Plymouth Furys naquele ano.

Os fãs do modelo se enfureceram com o lançamento do filme pois, durante as filmagens, cerca de 25 modelos foram usados e, a maioria deles, acabaram destruídos. No entanto, graças a popularidade da fita, muitos Plymouth Furys e Belvederes foram salvos da eterna ferrugem.

Plymouth Duster 1975: Preterido pelo Carpenter.

As demais diferenças automobilísticas estão nos carros usados pelas personagens. Dennys Guilder, amigo do personagem central do filme – Arnie Cunningham – no livro, dirige um Plymouth Duster 1975. Já na telona, um belo Dodge Charger 1968 azul.

Dodge Charger 1968: O escolhido (sempre ele) para a versão cinematográfica.

Buddy Repperton, um dos bullies de Arnie no colégio, no livro é dono de um Camaro “com dois anos de idade e marcas de alguns capotamentos”. Lembrando que a história se passa em 1977, pode se deduzir que se trata de um modelo 1975.

Camaro 1975: Outro que não foi aprovado para o papel.

No filme, Buddy dirige um Camaro 1967 intacto.

Camaro 1967: Conseguiu o papel e a Ira de Christine.

Por fim, o dono da oficina onde Christine é restaurada, Darnell, na obra literária dirige um Chrysler Imperial 1966 enquanto que no filme é um Cadillac Coupe DeVille 1974.

Cadillac Coupe Deville 1974: Discreta aparição, apenas como um 'extra'.
Chrysler Imperial 1966: Também ficou de fora. Seu visual é tão diabólico quanto o de Christine.

Há um rumor de que haverá um re-filmagem desse clássico para 2011. Seria interessante tentar fazer algo mais próximo ao livro que, apesar de alguns equívocos, tem detalhes mais sombrios. Enquanto os boatos não se concretizarem, vale a pena ver ou rever, caso não tenha assistido, Christine – O Carro Assasino.

Linha do Tempo: Chevrolet Camaro

Essa deu trabalho, mas vai valer a pena. O Camaro voltou as linhas de montagens esse ano e nada melhor que uma “Linha do Tempo” para mostrar todas as transformações pelas quais o modelo passou. São 36 anos de histórias, se não considerarmos o hiato entre 2003 e 2009, quando a GM decidiu tirá-lo de linha temporariamente para colocar em seu lugar, aquela pick up que não carrega nada e foi um fracasso, Chevy SSR. Junto com a onda das releituras que começou com o New Beetle e depois passou pelo Mustang e o Challenger, a GM decidiu ressucitar o 2º modelo mais emblemático (o primeiro posto pertence ao Corvette). Agora em sua quarta geração, o Camaro pode servir de símbolo para a retomada da montadora que já foi a maior empresa do mundo.

Vale lembrar que as fotos são enormes. Para visualizar em seu tamanho completo, basta clicar nelas.

Linha do Tempo: Dodge Charger R/T (Brasil)

1971: O mais desejado e, conseqüentemente, mais caro atualmente.

O começo da década de 70, foi marcada pele efervecência na indústria nacional. O pseudo “Milagre Brasileiro”, que acontecia as custas de empréstimos feitos pelos militares, então no poder.

1971: Os tempos politizados estavam até nas propagandas.

A sensação de prosperidade no período fez com que cada vez mais opções de carros surgiam e grandes montadoras americanas começavam a construir modelos em solo brasileiro.

1972: Esquema de faixas diferentes na lateral.

Assim como a GM fez com o Opala no Brasil em 1968, a Chrysler trouxe o Dodge Dart para se estabelecer por aqui no ano seguinte. As semelhanças não param por aí, ambas lançaram inicialmente a versão quatro portas de seus respectivos carros para, em seguida, lançar a versão coupê.

1973: A peça publicitária agressiva desafiava os concorrentes.
1974: O tom agressivo na publicidade continuou assim como a aparência geral do carro.

Em outubro de 1970, a Chrysler adicionava a os coupês à linha Dart e, em novembro daquele ano eram lançados o LS e o R/T, já como modelos do ano seguinte.

1975: Decoração mais discreta, sem perder agressividade.
1976: Esteticamente poucas mudanças em relação ao ano anterior.

Ambos pegavam emprestado a alcunha de um modelo diferente e maior, o Dodge Charger R/T americano. O Charger R/T, por toda uma geração povoou o imaginário dos amantes de carro.

1977: Cada vez mais discreto.
1978: O modelo voltava a ganhar em decoração, mas perderia potência.

Sofreu com a desvalorização e sucateamento provocados por duas crises energéticas. No final dos anos 90, os poucos remanescentes do “holocausto automobilístico” começaram a valorizar substancialmente, alcançando hoje preços bem altos.

1979: O ano de despedida do R/T.

Recomendo a todos a leitura do livro “Dodge: A História de uma Coleção”, de Alexandre Badolato para mais informações e histórias riquíssimas sobre toda a trajetória da Chrysler do Brasil e do próprio autor.

Linha do Tempo: Opala SS6

Houve um tempo em que as montadoras brasileiras, apesar de condições muito mais adversas que as atuais, ousavam e ofereciam ao público carros realmente esportivos. No começo da década de 70, quando o país ainda tentava se estabelecer industrial e economicamente, a General Motors, apenas dois anos depois do lançamento do seu primeiro carro de passeio no Brasil – o Opala – já oferecia uma versão esportiva, o SS.

A primeira versão do SS, de 1971, tinha características muito peculiares, por exemplo, foi o único esportivo quatro portas, pois a versão coupe do Opala só viria no ano seguinte. Foi nele que estrearam também os bancos individuais. Embora nos Estados Unidos a sigla SS quer dizer “Super Sport”, há quem diga que a interpretação tupiniquim é “Separed Seats”. Tenho minhas dúvidas. Quem souber, por favor se manifeste.

Outro detalhe exclusivo do 1971, que pra mim é um dos mais bonitos da história do Opala, é o volante de três raios cromados e aro em madeira, assim como a manopla de câmbio. Uma pena isso não ter sido estendido aos SS que vieram depois. Foi nele também que o motor 4.1 de 250 polegadas cúbicas e 6 cilindros em linha de 140 hp fez sua estréia, assim como o câmbio de 4 marchas no assoalho.

Em 1972, a Chevrolet lançaria a versão coupe do Opala, que acabaria herdando os emblemas esportivos. Houve ainda, o lançamento em 1974 do SS4, pra quem queria atitude do SS de 6 cilindros, mas sem ter que deixar muito dinheiro nos postos de gasolina que, naquele ano, fechavam nos finais de semana. A saga do SS iria até 1980, quando deixou de ser fabricado. Hoje, os Opala SS, como em sua época de lançamento, permaneceram como objeto de desejo de qualquer um que admire a história da indústria automobilística nacional. Já a sigla SS, num passado recente, foi violentada pelo departamento de marketing da GM – em nome da estética apenas – e esteve presente em Merivas, Corsas e Astras sem um pingo de esportividade.

Linha do Tempo: Cadillac Eldorado

Pesquisando sobre a linha do tempo, é interessante observar as metamorfoses pelas quais alguns modelos passaram. É possível contar a história de um País só de observar a (in) evolução dos carros e, as vezes, com toda uma divisão, com o passar dos anos. Um caso desses é a Cadillac e o Eldorado, o carro de luxo que por mais tempo foi produzido, foram 50 anos.

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O Eldorado começou como uma variação de acabamento e acabou virando um modelo próprio, dado o sucesso. No auge da fartura de gasolina nos anos 60, alguns modelos chegaram a ser equipados com motores de V8 8.2L! Na década seguinte os tamanhos permaneceram, mas os motores diminuíram bastante. Para os anos 80, ambos – motor e carroceria – perderam tamanho substancialmente. Em sua 8ª e última geração, nos anos 90, ele voltou a ganhar tamanho e motor, além de um ar esportivo. Em 2002, o Eldorado comemorou cinco décadas com uma edição especial de despedida.

Mais Celicas Clássicos

Bem amigos, ao ver o post sobre o Celica, não resisti, lembrei de vários altamente modificados que vi espalhados pela internet e vou ter que compartilhar com vocês.

Mustang japonês em um evento de Drift

Esse é um modelo 1975, equipado com o motor 2T-G, original do modelo, mas com diversas modificações e alimentado por dois carburadores Weber 45.

O "coração" é opcional.
O coração é opcional.

Bem JDM (Japonese Domestic Market, o "tuning" japonês)

E este “G-Machine japonês”? O motor original foi substituído por um SR20DET, que originalmente equipava um Nissan Silvia, juntamente com a suspensão dianteira e o cambio de cinco marchas. A traseira é um upgrade que está na lista de próximas melhorias. Lembrando que é um carro extremamente leve (cerca de 890kg), e com tração traseira

Sim, ele está em solo americano!
Bem interessante, não?
"Híbrido": 2.0 16v Turbo da Nissan.

Linha do Tempo: Toyota Celica

O último post feito com fotos da primeira geração do coupe japonês me inspirou a buscar fotos, ano a ano de cada modelo, até o fim de sua produção, em 2006. O interessante sobre o Celica é que em 1978 foi lançado o Toyota Celica Supra, que depois daria origem a um outro modelo esportivo, apenas chamado Supra, este, falecido em 2002. É uma pena que a montadora da cidade de Aichi, no Japão, tenha desistido de produzir carros com uma abordagem mais esportiva.

Vende-Se: Opel Manta Rallye 1974

Opel Manta Rallye 1974: Este foi parar na capital americana.

Com linhas limpas, este belo coupê produzido pela Opel alemã e era a opção esportiva ao Ascona. Eu nem iria colocá-lo na seção “vende-se”, mas após me deparar com essa oferta não resisti (ah, se eu tivesse a grana). O site americano Bring A Trailer oferta um quase impecável Manta Rallye 1974.Aparentemente em perfeitas condições, a não ser pela ausência dos parachoques.

Bem que a GMB poderia ter fabricado o carrinho aqui.

Até pouco a tempo desconhecia a existência do Opel Manta, embora o nome me fosse famailiar. Assim que vi suas linhas, me apaixonei instantâneamente. Com um desenho envolvente, faróis duplos circulares na frente e atrás, o modelo tinha como principal rival em seu mercado de origem o Ford Capri. Os Mantas eram eram propulsionados por motores de 1.2 a 1.9 litros que iam de 60 a 105 cavalos.

O painel e o volante lembra muito os do Chevette.

Chegaram, a ser exportados para os Estados Unidos, apenas com a motorização 1.9, como a versão mostrada pelo site. Além do desenho, o modelo tinha fama de ser bom de manejo, sendo muito usado em rallyes na Europa e na América.

O motor 4 cilindros 1.9 cumpria bem o seu papel.

O Manta passou por uma reestilização em 1975 (horrosa por sinal) e pequenas modificações estéticas até 1988, ano que deixou de ser fabricado.

Seu por: US$ 1.500,00 (R$ 2 682,00, sem impostos)

Onde comprar: Bring A Trailer

Linha do Tempo: Dodge Coronet

Dodge Coronet R/T 1968: Anos de fartura.

Depois do melancólico post anterior, pensei em homenagear o Dodge Coronet com uma linha do tempo mostrando, ano a ano, a evolução do modelo. Futuramente, estenderei essa nova seção para outros modelos. A idéia é, de forma resumida, mostrar a história do carro com pequenas informações e muitas fotos.

Para conferir a história completa do Dodge Coronet acesse, o sempre completo, Best Cars.

Entre Mecânico e Mexânicos

Além do que foi dito vou tentar detalhar mais um pouco como foi o meu “começo” como ‘autodidata’. Minha paixão por Opalas vem de uma época quando, o meu avô, era um feliz proprietário de um Comodoro 1979, com o motor 6 cilindros 4100 e teto Las Vegas.  O meu, um “De Luxo” 1978 foi, adquirido no dia 1º de setembro de 2008. Desde então tenho trabalhado duro para trazê-lo de volta à vida.

Ao fundo, a razão deste post.

A Máquina e a Mecãnica

Comprei o meu com uma batida na lateral, que havia comprometido o paralamas, a caixa de pés, um pouco da caixa de rodas, uma longarina que rachou no meio, entortou todas as barras de baixo, bandeijas, pivôs, e desalinhou o agregado. Reforçando o que disse acima, o trabalho não foi pouco.

Nessa brincadeira foram gastos R$ 900 reais de peças mais 2500 de mão de obra só na suspensão e na funilaria.  Valeu a pena pela restauração do assoalho inteiro (substituídos por chapas novas da GM). Assim como a caixa de ar, barras bandejas e pivôs. Tudo novo. Feito isso, ainda faltava o motor, câmbio, diferencial e o interior do carro, o que resultaria num valor altíssimo por um veículo que, na hora de venda, não se recuperaria nem o que foi gasto com os pneus.

O carro saiu da funilaria dia 15 de janeiro desse ano. Com a lataria em dia, mas fumando igual ao cowboy da Marlboro e cuspindo óleo preto. Na mesma hora indaguei o mecânico da oficina / funilaria em que o carro estava sobre todo aquele pigarro automotivo. A resposta foi pouco esclarecedora. “É só trocar uma borrachinha que tem na válvula do cabeçote que para de fumar” disse o “Mexânico”. Bom, aqui já começo com os meus primeiros pitacos mecânicos para o blog. Achei estranho porque  só que o cabeçote e guias de válvulas do Opala não trabalham com vedadores, e sim, com precisão de fábrica.  O óleo ruim, seguido de alta rotação, com molas ‘duplas’, provocou um desgaste excessivo, além da tolerância máxima, de escape e admissão, por isso, o carro começou a fumar e consumir óleo sem parar.

Na funilaria, a Máquina retomava sua forma.

Uns 10 dias depois – de não aguentar mais a sauna, de tanta fumaça dentro do carro – resolvi pesquisar sobre o problema. Fui em vários fóruns, mas sempre me deparava com a mesma resposta. ‘Leva na retífica o cabeçote, são as válvulas’. Mas isso não entrava na minha cabeça, eu não podia aceitar esse fato. Se levasse na na retífica, gastaria mais ainda no motor, e o carro ficaria, obviamente mais caro do que eu havia planejado!

Estava na hora de tomar uma atitude definitiva. Ou eu gastava com retífica e “mexânicos” ou eu gastava com ferramentas específicas pra abrir e fechar um motor. A decisão, já era óbvia pra mim. Hojecoleciono chaves e ferramentas pra abrir qualquer motor em cerca de 10 minutos. Depois desses episódios achei que apenas uma limpeza resolveria o problema. Retirei o cabeçote, tratei-o com banhos químicos, deixei igual uma panela de inox novinha. Enfiei o cabeçote no motor, dei a primeira partida e a surpresa! Nada aconteceu. Fiquei nessa por uns 3 meses. Todo dia, ia até a garagem, regulava as válvulas, botava no ponto, dava partida, e nada. Até que simplesmente desisti.

A Ajuda

Como havia postado nos fóruns, fui ver como estava o andamento deles, antes de enrolar uma forca no pescoço. Até que apareceu que alguém deu sinal de vida. “Entre em contato comigo, acho que eu sei o seu problema!”, disse a boa alma. Feito isso, entrei em contato com a pessoa. A “Boa Alma”, além de serviços “celestiais” é um Mecânico de mão cheia e, hoje, é um dos meus melhores amigos. Adauto, o “Guru” me contou a história dele, que era parecida com a minha. “Os tuchos. Faça uma limpeza “somente” nos tuchos” disse Adauto em tom profético.

Como um bom pupilo, limpei um por um dos tuchos e constatei que estavam travados, por rodar todo dia em óleo ruim. Nem se moviam sequer. Sem contar que tinha um deles “aberto” sem nada dentro, cheio de arruelas e 100% travado, coisa de “mexânico”. Esse é um dos motivos pelo qual não levo meu carro oficina nem se for pra proteger de uma chuva de meteoros. Sim, generalizando 100%. Ou sou muito azarado em pegar o único Opala cheio de gambiarras de oficina.

Mas depois de montado, novamente, não pegava. Bom aí a forca já estava no pescoço, faltando apenas pular da cadeira. Foi aí que Adauto apareceu mais uma vez para salvar o dia e sugeriu a retirada do motor e desmonte os pistões. Bom, pra quem já estava com um pé na cadeira e outro prestes a saltar, carregar um pouco de peso antes do salto final não parecia tão ruim. Chamei um amigo, desparafusei todo o motor do cofre, o retiramos no braço por cima, usando cordas e pedaços de madeira. Sim, força de vontade levada ao sentido literal da coisa.

Força de vontade é tirar um motor "no braço".

Fora do “corpo”, o motor foi aberto na mesma hora e constatei  que o problema não era no cabeçote em si, mas sim, nos anéis e nas camisas do bloco. Havia também um pistão “pulverizado”. Quando retirado, começou a cair os pedaços dele no chão, só que, devido a alta precisão da camisa, manteve todos os pedaços intactos e firmes no local. As camisas estavam totalmente ovalizadas e com a famosa “crista” no topo, do atrito dos aneis e do óleo ruim, o que ocasionava abertura  excessiva dos anéis e então, a perda de compressão do motor a alta vazão de oleo pra cabeça do pistão, que queimava junto com o combustivel, e provocava a fumaça toda. Em suma, iria gastar com cabeçote na retífica, e o problema seria outro.

O motor hoje em dia está num “museu” pintado e quase montado. Não irei investir nele, mas sim em um 6 cilindros, o famigerado 3800 (que todos parecem odiar).

O Motor: Agora lindo, porém ordinário.

Este episódio serviu para aprimorar meus conhecimentos  com a ajuda do Adauto, “O Guru” e pesquisas em sites apropriados, e não mais em fóruns. Nada contra, mas quem tenta te ajudar, as vezes não está 100% certo do que está dizendo e, nessas horas, a certeza é fundamental para evitar o desperdício de dinheiro. Sou como um autodidata, pois acredito na frase: “Foi feito por homens, eu sou um homem.”

A Pintura

Walrod: Fiz a pintura e restauração.

Além da parte mecânica, também me acerto com as tintas. Comecei cedo, com 9 anos pintando brinquedos. O meu primeiro spray, foi um azul claro, parecido com o Opala do Daniel. Desde então não parei de pintar, quase tudo que compro, tenho ou já tive, foi ou será pintado um dia. E com essa técnica, o mesmo vem acontecendo, sempre me aprimorando mais com novos segredos de pintura, lixamento, tintas e ferramentas.

O Futuro

A meta: Opala SS 1975. (Foto: Opala Adventure)

O meu Opala receberá um motor novo, já retificado, como citei acima, o 3800. Originalmente o meu é Opala é prata, mas irá receber um banho de vermelho e as faixas do SS 1975 “tigrado”.  Serão removidas as meias longarinas, que serão substituídas por um chassi de cantoneira em “C”, de ponta-a-ponta do veículo, a fim de melhorar a estrutura, evitar trincas nas longarinas originais e, futuramente, suportar um conjunto motor/câmbio/diferencial de porte grande.

Apesar de ser um fã de ‘Muscle Cars’, não prezo por uma potência exorbitante no Opala. Afinal, o modelo não tem estrutura de fábrica para abrigar um motor realmente grande. Acho besteira aspirar e/ou turbinar o motor para descontar segundos numa prova de arrancada. A potência do Opala ja me é suficiente para tudo, tanto do 4 cil, como o do 6 cil.

Como um bom purista, abomino a maioria dos veículos modernos (existem exceções, claro) mas são muito poucos, não passam de três. Outras coisas que não suporto, principalmente em antigos, são rodas grandes, aerofólios, tapetes de chão de ônibus, neon, volantes xunning, motor muito colorido, faróis de “xenon” ou lâmpadas azuis, etc.

Se precisarem de alguma dica,  ajuda sobre mecânica, não só do Opala, mas de outros carros da época, podem entrar em contato a vontade que tentarei, ao máximo ajuda-los.

Um grande abraço a todos!

Seja Bem Vindo

O Opala tomando seus primeiros Drinks comigo. Dri acena lá de dentro.
O Opala tomando seus primeiros Drinks comigo. Dri acena lá de dentro.

A paixão é um sentimento arrebatador. Não há palavras em qualquer dicionário ou língua que consigam exprimir tal sensação. Comigo não é diferente quando o assunto são automóveis antigos ou qualquer uma de minhas paixões. Desde que decidi que seria um Opala, o meu primeiro carro, passei a pesquisar e visitar possíveis candidatos. Quando sentei ao volante do primeiro que vi, um Amarelo 1975, tive certeza de que era isso que queria. Acredito que  nem toda a dissuasão do planeta seria capaz de me impedir de comprar um.

Passado todo o processo de prospectar, escolher e realizar a compra (eu iria colocar a euforia também nesse rol, mas acho que essa nunca se dissipará totalmente) era hora de pensar na parte prática. Embora seja um apaixonado por carros, minha família nunca pôde ter um automóvel, pelo menos desde que me “juntei” a ela. Então, minha experiência ao volante, até aquela semana, resumia-se a a 25 aulas num Palio 1997 da auto-escola, onde tirei minha licença de motorista no, já distante, ano de 2002.

Como estava prestes a buscar o carro, tive que pedir a ajuda de um motorista mais experiente e confiável para trazê-lo até seu novo lar. Um dos meus melhores amigos, o Thiago, foi o responsável pela tarefa. Ouvimos atentamente às recomendações e dicas do Saulo, o ex-dono, sobre o funcionamento do Opalão e seus instrumentos.

“Reparem como as pessoas vão olhar na rua” disse Saulo para nós. Antes da partida, acho que como num ritual de despedida, o seu antigo dono nos levou até o posto mais próximo para encher os pneus. De lá em diante, Saulo deu “adeus” ao seu antigo amigo e Thiago assumiu a direção. Fomos rumo ao estacionamento onde o Opala repousaria.

Acredito que o Thiago nunca havia guiado um Opala ou qualquer carro com daquelas dimensões e características. Ele não pôde esconder a diversão que era dirigir um carro antigo azul turquesa no trânsito cinza-escuro de São Paulo e passou a reparar na reação das pessoas, assim como Saulo havia comentado, o carro chama muita atenção mesmo.

Outras coisas que reparamos também eram as características peculiares do carro. Por exemplo, seus espelhos retrovisores externos,muito bonitos por sinal, são quase inúteis. O espelho lado do motorista se enxerga com dificuldade enquanto que o do lado esquerdo é pura figuração. Outro detalhe

Já na Avenida Domingo de Morais, na metade do caminho, a Adriana, namorada do Thiago, ligou e ele me perguntou se podíamos buscá-la em seu trabalho. Respondi que sem problemas. Então ele disse a ela no celular: “Me espera aí na frente porque vou te buscar de Opalão!”.

Após buscá-la, voltamos a Domingos e cada vez mais ficava evidente o evento que é andar de Opala hoje em dia. Um careca, no ponto de ônibus, babava em seu sorvete de casquinha ao ver o carro passar. Thiago, palhaço que é, deu uma buzinada acenando pra aquela engraçada figura. A essa altura já havíamos reparado que o mostrador marcava que o combustível estava no fim. Paramos num posto BR para alimentar o faminto. Decidi completar o tanque, pois não queria ser surpreendido por uma pane seca ou reabastecer tão cedo.

A frentista colocou a bomba e os números do ‘total a pagar’ subiam mais rápido demais! O bicho estava faminto. Eram R$ 75, 76… 80, 85, quando eu disse: “Tá bom, tá bom, acho que já temos o suficiente”. A frentista, pro meu alívio, me avisou que havia completado o tanque. Menos mal. Enquanto eu pagava pela bebedeira do Opala, a Dri também pôde presenciar o fascínio que o carro exerce nas pessoas. Ela notou que um cara, que passava pela calçada do posto, abriu um sorriso e apenas disse “1977”.

Já próximos do destino, outra reação do tipo aconteceu. Um Del Rey, caindo aos pedaços e com dois grandes racks no teto, emparelhou do meu lado e o motorista perguntou algo que vai ser recorrente, o ano do carro: “É 79?”.

A resposta já vale um adesivo: “é 77”. Em breve espero colocar as minhas primeiras experiências ao volante, cheio de folga, do maior Chevrolet que o Brasil já fez.

Maverick no Limite

A cor amarela era a mais popular entre os GTs nos coloridos anos 70.
A cor amarela era a mais popular entre os GT's nos coloridos anos 70.

Mais uma matéria pra matar saudades de quem até não viveu nos anos 70 (meu caso por acaso). O Maverick é o personagem dessa semana no programa Limite da ESPN Brasil. Talvez o mais carismático Ford já lançado no Brasil. O modelo da matéria é um GT amarelo 1975. Só falta falar do Dart e do Opala agora.

À Procura

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À Procura da Felicidade

O ator Will Smith interpretou, em 2005, Chris Gardner, um aspirante a executivo que passa por diversas dificuldades com seu filho de cinco anos para ter sucesso em sua carreira e na vida. O nome do filme? “À Procura da Felicidade”. Já no campo da música, Afrika Bambaaataa – um dos percursores do Hip Hop – lançou uma música, em 1983, chamada de “Looking for the Perfect Beat”. Exatos 20 anos depois, Marcelo D2, fazendo referência à Bambaataa, lançou o “À Procrura da Batida Perfeita”.

Eu, em 2009, estou à procura da felicidade tentando encontrar o Opala perfeito. Depois de quase cinco anos juntando dinheiro, ou melhor, guardando o que  sobrava do auxílio estágio e mais recentemente do salário, comecei a pesquisar preços do modelo clássico da GM. Meus alvos são os as primeiras gerações, de 1969-70, 1971-74 e 1975-79. mas, por uma questão de praticidade, que envolve a quantidade de modelos fabricados e peças disponíveis, concentro meus esforços nos modelos de 75 a 79.

Propaganda Opala 1975.
Propaganda Opala 1975.

No começo de março visitei uma loja na famigerada Anhaia Mello. Lá tinha um Opala, que havia visto inicialmente no site Webmotors, mas nada como conferir pessoalmente. Era 1975, amarelo, câmbio na coluna e com banco inteiriço. As condições gerais do carro eram razoáveis. A lataria aparentemente alinhada, a maioria das peças originais estavam lá, como retrovisores, volante, calotas etc. Tinha outras coisas a serem feitas, como pintura (havia um rachado considerável no porta-malas), alguns frisos faltando e troca de algumas peças do motor.

O preço pedido era de R$ 7.500. Eram 6 pelo carro e 1,5 de documentos atrasados. Achei melhor esperar e procurar por algo melhor. No meio daquele mês fui ver um outro carro, dessa vez 1976. O dono era um colecionador e, segundo ele, queria vender algumas de suas jóias – entre eles o Opala – para levantar uma grana e comprar um Mustang 1968. Não botei muita fé quando vi as fotos no site. A cor não me agradava e as fotos não vendiam bem o carro. Mas em vista das melhorias feitas na parte mecância, achei que valeria a pena dar uma olhada ao vivo.

Opala 1976 em ótimo estado de conservação.
Opala 1976 em ótimo estado de conservação.

O carro estava excepcionalmente bem conservado. Na parte interna e externa. Olhando a cor de perto não parecia tão sem graça. O tom claro combinava com o marrom escuro do interior, bem típico dos anos 70 e bem ao meu gosto também. Por dentro ele estava impecável, olhei atentamente e não encontrei um detalhe a ser feito. Sob o capô, o confiável 4 cilindros tinindo, funcionando perfeitamente. Fiquei tão impressionado que perguntei ao dono porque ele não havia tentado colocar a placa preta. A resposta era a falta de tempo. E o melhor de tudo isso era o preço, R$ 9.500.

Infelizmente fui demitido uma semana antes de fechar negócio. O lado ruim é o óbvio, além da demissão, não comprei o carro ideal para as minhas pretensões. Não teria como mander um Opala desempregado. Mas, menos mal que isso aconteceu antes de comprar e enfrentar os problemas de se ter um filho de 34 anos pra cuidar.

Recentemente voltei ao mercado de trabalho e, por consequência, voltei também a procurar pela pedra preciosa da GM. Aos poucos me deparei com alguns bons modelos e com preços interessantes. O que mais me chamou a atenção foi um 1978 “Azul Hawaii”. Não cheguei a vê-lo de perto, mas nas fotos enviadas pelo dono, parece estar em ótimo estado.

Opala 1978 Azul Hawaii
Opala 1978 "Azul Hawaii"

Por enquanto não tenho a quantia pedida pelo dono – muito gente boa por sinal – mas quem sabe num futuro próximo. Aliás, conversando com o atual propietário, pretendo fazer a história breve desse Opala em particular. Saber quais foram / foi seu(s) dono(s) anterior(es), como chegou ao atual e o que pretende o seu futuro dono. Pretendo, também, postar alguns relatos sobre a minha saga, inspirado no ótimo Opala Adventure.

Enquanto isso, continuo à procura.

Prazer, Chevette

Chevette 1974.
Chevette 1974.

Por Aurélio Oliveira

Você, com certeza, ja ouviu falar muito de mim. Eu sou o Chevette e o meu nome foi criado para que todos lembrassem que eu fui o primeiro carro pequeno da família Chevrolet fabricado no Brasil.

Aliás, a GM me lançou em maio de 73 fazendo uma ligeira provocação ao mercado de carros pequenos com uma propaganda que dizia que a GM não estava lançando apenas mais um carrinho!  Ah! Essa foi boa…

De fato! Eu cheguei com um design internacional, com bastante conforto interno, eu era fácil de dirigir, manobrar, era estável e, acima de tudo, eu era um carro seguro. Meu motor então… Nem se fala! Moderno, com comando de válvulas no cabeçote, suspensão firme e olha… Eu era despojado! Nem chave no tanque de gasolina eu tinha… Acredita?

Eu fui um carro à frente do meu tempo! Sabe porquê? Meus primeiros quatro protótipos foram testados à exaustão e chegaram a rodar cerca de 1.400 quilômetros por dia… É verdade! Rodamos um total de 750 mil quilômetros!  Isso… Antes de ser lançado, é mole? Por isso que dizem que eu fui um carro que nasceu e cresceu na estrada!

Economia, grande qualidade em tempos bicudos.
Definindo novos padrões.

Durante 20 anos eu fui um sucesso! Chegaram a fabricar uma versão de quatro portas, depois um modelo hatch, depois a perua Marajó e, finalmente, uma picape… A Chevy 500, lembra?

Chevy 500. Foto 4 Rodas.
Chevy 500. Foto 4 Rodas.

Mas aí a concorrência foi se modernizando… Lançaram o Uno da Fiat, o Gol da Volks com refrigeração a água e eu comecei a envelhecer!

Minha última unidade saiu da fábrica em novembro de 93… Mas eu saí de cena com um agradável sabor de vitória e uma doce sensação de missão cumprida!

Mas eu ainda posso ser visto por aí… Nas mãos e no coração de alguns brasileiros que nunca conseguiram se esquecer e se separar de mim… Nem eu deles!

Linha do tempo

1973 – Inicio produção
1973 – Especial
1975 – SL e GP
1978 – Reestilização
1979 – Chevette 4 portas e versão Jeans
1980 – Hatch e novos pára-choques
1981 – Novos faróis, Marajó, versão S/R com motor 1.6
1982 – Motor 1.6
1983 – Reestilização e câmbio 5 marchas
1984 – Pick-up Chevy
1985 – Câmbio automático opcional
1987 – Reestilização
1988 – Motor 1.6S
1989 – Fim da Marajó
1990 – Fim do Câmbio automático
1991 – Apenas a versão DL
1992 – Versão Júnior 1000
1993 – Término produção
1995 – Término produção Chevy

Unidades produzidas: 1.630.000

Fonte: Carros na Web

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