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Chevrolet Monte Carlo 1971(2) do Fast and Furious: Tokyo Drift Está a Venda

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A cine-série Velozes e Furiosos divide opiniões com os fãs mais ferrenhos de automóveis, por outro lado, é um sucesso estrondoso com o público em geral.  Já foram 7 filmes e um oitavo está em pré-produção enquanto escrevo este texto.

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Independente de sua opinião como obra cinematográfica, não da pra negar a influência sobre o mundo automotivo.  Embora eu não vá no cinema assistir um dos episódios dede a terceira versão, sempre vou conferir o elenco automotivo da série.

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Esqueçam o Charger, presente em quase todos filmes, o Ford Mustang 1969, do 6° ou o Chevrolet Camaro Yenko 1969 e Dodge Challenger 1970 do 2°, o meu favorito sempre foi o Chevrolet Monte Carlo 1972 (Caracterizado como 1971) do 3° Filme. Recentemente descobrimos que também é o carro favorito do Dennis MacCarthy, o coordenador de veículos da série.

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Um dos, 11 modelos produzidos, para a curta cena de ação tinha o gigantesco V8 de 572 polegadas cúbicas (9.3 litros), mas todos os outros tinham simples V8 small blocks para manter o custo baixo. Um dos motivos para McCarthy eleger este Monte Carlo como o seu favorito é o fato de todos eles serem funcionais.

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O atual proprietário, David Martino, colocou o “Hero Car” (Carro do Herói) que não se envolve nas cenas mais perigosas a venda no Hemmings. Dos 11 carros feitos, estima se quatro ou cinco tenham sobrevivido a filmagem.

O Último Mustang Boss da Trans-Am Racing

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O ano de 1970 foi o auge e o começo do declínio da categoria mais fantástica na opinião desse blog, a Trans Am Racing. Em uma América onde as competições automobilísticas eram dominadas por Ovais e Pistas retas de 400m, a Trans America era o Oásis ara quem gostava de fazer curvas pros dois lados e acelerar por mais de um quarto de milha.

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Dos meados dos anos 60 até o início da próxima década a Trans Am ganhou tanta popularidade que, em 1970, as três grandes (Chevrolet, Ford e Chrysler), além da American Motors, passaram a investir pesado na categoria com equipes oficiais. No fim daquela temporada a Ford se sagrou campeã e, junto com as concorrentes, deixou a categoria.

Stitched Panorama

A Kar Kraft, empresa contratada pela Ford para construir os carros de corrida de 1970, enviou para a equipe de Bud Moore, parceiro da Ford na campanha campeã,  quatro Mustangs daquele ano, todos brancos, para serem usados na temporada de 1971. Dois destes carros foram usados para corridas, o terceiro ficou semi montado de reserva e o quarto, permaneceu, literalmente em branco, até 2011.

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Conhecido com o codinome tag #4 – 1971, o último Mustang Boss feito pela Kar Kraft para a Ford, foi uma busca de três anos do atual dono que comprou o bólido, ainda em branco, só na carroceria, com as peças  originais para a montagem. Nada menos que o próprio Bud Moore deu toda a assistência para que o virginal carro de corrida (que na verdade nunca chegou a correr, de fato) fosse montado de acordo com as especificações da época.  Para garantir ainda mais a autenticidade da montagem, foi consultado também David Tom, autor do livro The Cars of Trans-Am Racing 1966-72.

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A montagem levou 18 meses e a escolha do número 15, que pertenceu ao piloto Parnelli Jones – embora  o próprio (ou qualquer outro corredor) nunca tenha – usado este carro, foi sugestão de Bud Moore. A própria Bud Moore Engeneering acabou providencuiando cabeçotes para o imaculado V8 de 460hp.

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Como outros achados desse calibre, o atual dono decidiu levar o carro a leilão nos dias 15 e 16 de janeiro, pela RM Auctions. Nessa época do ano, nos resta sonhar com a Mega da Virada pra trazer um cavalinho desse pra casa. Estima-se que este Boss valha algo entre 250 e 450 mil dólares.

Pontiac Firebird Trans-Am 1977: Bandit Vai a Leilão

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Ainda na semana passada informamos que o Chevy 1955 do filme Two Lane Blacktop (Corrida sem Fim) vai a leilão em 2015. Agora é a vez de outro ícone do cinema ser vendido

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É nada mais nada menos que o Pontiac Firebird Trans Am 1977 usado na promoção do filme Smokey and The Bandit (Agarra-me Se Puderes), que atualmente pertence ao próprio, Burt Reynolds, ator protagonista da fita, será leiloado em Las Vegas junto com outros pertences do artista.

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Após o lançamento do filme, em um 1º de janeiro de 1977, este exemplar viajou os Estados Unidos para promover a película. É equipado com o motor V8 de 400 polegadas cúbicas (6.5 Litros) e 12 mil milhas (pouco mais de 19 mil kilômetros). Possui ainda uma placa dourada com os dizeres “1977 Pontiac Trans Am Owned By Burt Reynolds” (Pontiac Trans Am 1977 propriedade de Burt Reynolds).

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O leilão acontece no próximo dia 11 de dezembro, em Las Vegas. Além do automóvel, outros itens pessoais de Reynolds, como roupas, troféis , brinquedos etc serão vendidos.

Chevy 55 do filme “Corrida Sem Fim” será Leiloado

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Chevrolet 1955. Foto: Barrett Jackson.

Hoje com o status de “cult” o filme “Corrida Sem Fim” (Two-Lane Blacktop, 1971) é daquelas fitas obrigatórias se você curte o combo motores V8, Hot Rods e Muscle Cars. Embora divida opiniões quanto ao seu enredo ou ritmo não-hollywoodiano, em um quesito consegue agradar a todos: O Chevrolet 1955 Gasser em Primer Cinza, que tem um papel fundamental na trama.

Chevrolet 1955. Foto Barrett Jackson.
Chevrolet 1955. Foto Barrett Jackson.

No aniversário dos 40 anos do filme, este blog o dedicou algumas linhas. “O enredo é bem simples. Dois amigos, retratados apenas como “Motorista” (James Taylor, músico) e “Mecânico” (Dennis Wilson, baterista do Beach Boys), viajam pelo país – em um Chevy 55 preparado artesanalmente – e sua única forma de renda vem de apostas em corridas.

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Em uma dessas viagens, são desafiados por um corredor (Warren Oates) a bordo de um Pontiac GTO. Este personagem também é apenas retratado como “GTO”. O desafio consiste em uma corrida até Washington D.C., onde o perdedor, perde o carro.”

Bastidores da Filmagem. 1970-71.
Bastidores da Filmagem. 1970-71.

No total foram usados três exemplares do Chevy, dois Hero-Cars e um Stunt Car. Os dois primeiros foram usados em cenas mais calmas geralmente com os próprios atores. O terceiro foi usado em cenas de velocidade, na mãos de dublês.

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V8 454; Foto: Barret Jackson.
V8 454; Foto: Barret Jackson.

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O modelo a ser leiloado foi preparado pelo mecânico da Universal Studios Richard Ruth. Além de um motor V8 de 454 polegadas cúbicas (ou 7.4 litros), as modificações incluem suspensão de eixo rígido na traseira, tunel da transmissão adaptado para o câmbio M-22 Muncie Rock Crusher e diferencial de Oldsmobile do começo da década de 60.  Visualmente um dos carros mais Bad Ass  e subestimados de Hollywood mantém sua cor Cinza Primer, frente e vidros laterais corrediços em fibra.

Interior minimalista. Foto:  Barret Jackson.
Interior minimalista. Foto: Barret Jackson.

Após as filmagens o carro foi vendido para um membro da equipe de mecânicos e teve diferentes donos ao longo desses 43 anos. O último deles, Walt Bailey, é um fã e historiador do filme, que localizou o exemplar no Canadá em 2000.

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“Motorista” de joelhos (James Taylor, músico) e o “Mecânico” (Dennis Wilson, baterista do Beach Boys).

Com a ajuda de Richard Ruth, que certificou a autenticidade do veículo, realizou uma restauração que visou preservar ao máximo as peças originais. O modelo em questão foi usado para filmagens onboard  e ainda preserva a peça onde a câmera ficava presa, no banco do passageiro.

O Chevy será leiloado pela Barret-Jackson em janeiro de 2015.

Colecionador Leiloa Parte de Seu Acervo de 130 Clássicos

Chevrolet Chevelle SS 396 Conversível 1969. (Foto: RM Auctions)
Chevrolet Chevelle SS 396 Conversível 1969. (Foto: RM Auctions)

Nos próximos dias 14 e 15 de novembro, Sam Pack, respeitado homem de negócios do Texas irá leiloar, parte se sua imensa coleção de carros. São nada menos que 130 carros! Em sua grande maioria clássicos americanos das décadas de 40, 50 e 60.

Mercury Wagon Kustom 1951.  (Foto: RM Auctions)
Mercury Wagon Kustom 1951. (Foto: RM Auctions)

Dono de diversas concessionárias na região, Sam não é daqueles acumuladores que deixa suas relíquias longe dos olhares do público. Pelo contrário, tem um Museu, para exibir  ao grande público todo o seu acervo.

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Ford Mustang Shelby GT 350H Race Spec 1966. (Foto: RM Auctions)

A ideia de Pack é ter um uma quantidade de modelos mais gerenciável para se manter ativo no hobby. O site da RM Auctions, empresa responsável por esse e outros leilões incríveis, não especifica a quantidade total de automóveis do empresário.

Chevrolet Kustom 1952  (Foto: RM Auctions)
Chevrolet Kustom 1952 (Foto: RM Auctions)

“Eu tenho um caso de amor com os carros desde que eu era um adolescente. Está no meu DNA ” , diz Pack. “Felizmente, no meu caso, este caso de amor tem continuado através de minha carreira profissional e empresarial. É uma paixão compartilhada e apoiada pela minha família, os carros trazem tantas alegrias para eles como para mim” explica.

 

Performance Insuspeita

Chevrolet Biscayne 1968

Não é um Impala. Antes que vocês perguntem. Este é um Chevrolet Biscayne 1968 muito peculiar. Entre os grandes sedans da Chevrolet, este era o mais simples que se podia comprar.

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Era comum, nesse nível de acabamento e preço mais baixo, que o Biscayne fosse o favorito entre frotistas e carros de serviço, como Polícia e Taxis, na versão quatro portas. Por ser o modelo de entrada entre os sedans, muitos eram equipados com o motor 6 cilindros.

Chevrolet Biscayne 1968

No entanto, na América dos anos 60, os carros eram altamente configuráveis. Na concessionária era possível encomendar itens como vidros elétricos (já disponíveis desde a década de 50), teto de vinil, rodas e pneus mais esportivos, bancos individuais e o mais importante: o tamanho do motor,  tudo  ao alcance de um simples “X” dentro do quadrado no folheto.

Chevrolet Biscayne 1968.

Portanto, ainda que pouco comum ou economicamente não tão vantajoso, era possível escolher o acabamento de carroceria mais simples, como o Biscayne, deixar todos os outros opcionais em branco e, no folheto dos opcionais, selecionar “apenas” o maior motor disponível na época.

Chevrolet V8 L72

No caso da linha Chevrolet, o V8 L72 de 427 polegadas cúbicas ou 7.0 Litros e 435 cv. Simplificando, era possível encomendar um sleeper de fábrica. Pra quem não está familiarizado com o termo “Sleeper” é um carro cuja aparência sugere que ele seja lento,mas na realidade é o extremo oposto.

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A lenda em torno do exemplar das fotos é um tanto quanto curiosa. O carro foi comprado na Georgia em 1968, mas seu dono não teve muito tempo para aproveitar a aquisição. pois foi parar na cadeia. Todo o inventário do meliante foi confiscado na época, menos o carro, que permaneceu escondido das garras da lei.

Chevrolet Biscayne 1968

Contos a parte, o fato é que se trata de um carro raríssimo. Para se ter uma ideia, em 1968, a Chevrolet produziu, só nesse segmento de sedans gigantes (Entre Impalas, BelAirs e Biscaynes), 1.2 milhões de carros. Como essa configuração pé-de-boi / motorzão não era a escolha mais economicamente “racional”, estima-se que apenas 124 unidades foram encomendadas dessa forma.

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O Biscayne dessas fotos tem apenas 720 milhas rodadas (ou 1158km). Possivelmente o modelo mais bem preservado que se tem notícia. (Fotos: Mecum Auction)

Chevrolet Opala Especial 1977: Ano V & Atualização 4.1

Chegou o grande dia. A última foto como o 151.
Chegou o grande dia.

No último dia 19 de setembro completaram se cinco anos desde que comprei meu primeiro, único e atual carro. Um Chevrolet Opala Especial 1977.  Nessa meia década tive experiências boas e ruins, passei por péssimos e bons profissionais e o melhor de tudo: conheci muita gente, em sua maioria, amigos que pretendo preservar por muitos anos. Graças a eles hoje posso escrever hoje e compartilhar sobre o tema deste post: Atroca de motores de 4 para 6 cilindros do meu Opala, também conhecido como “Jeremias” ou “Parachoques Cromados-Móvel”.

Mas antes de falar da troca em si, voltemos no tempo, mais precisamente, 11 meses atrás. Tido como o maior encontro de Opalas do País, realizado pelo clube Opaleiros de Jundiaí, o evento é muito conhecido entre os proprietários dos modelos e geralmente acontece em novembro. A minha ideia era marcar presença, pois, nos anos anteriores, havia sempre um compromisso ou ajuste do carro que impedia a minha participação. Em 2013 foi diferente. Conseguimos reunir uma galera para ir até o encontro, eram Daniel Guerra, dono da Caravan 78, Renato Ferri de um 74 Coupe, Victor Renne, de um sedã 91 e Dennis Akira, que na oportunidade foi de Ford Ranger pois o seu 78 estava na funilaria. Combinamos o encontro no primeiro posto da Rodovia dos Bandeirantes. No meu caminho até o local, eu já havia percebido que haviam mais Opalas que o costume desfilando nas avenidas que dão acesso ao local.

No dia anterior me ocorreu que eu nunca havia percorrido, até então, uma distância tão grande com o carro de uma vez só, cerca de 100 km, somando ida e volta. Não cheguei a me preocupar pois, duas semanas antes, o carro havia passado no mecânico e me lembro de ter especificamente perguntado sobre a situação dos freios e o eixo cardã. O “profissional” (pelas aspas vocês já podem concluir o que pensaram ao ler) disse que estava tudo bem. Os flexíveis haviam sido trocados a pouco tempo e o eixo estava em ordem.

Naquela madrugada não consegui dormir bem e teria que acordar bem cedo. Com o alarme do celular, ainda me perguntei se deveria ir, como já havia combinado e nunca tinha prestigiado o evento, me arrumei e fui até o ponto de encontro. No posto, já haviam vários Opalas de todos os anos e estado de conservação que você possa imaginar. É uma sensação muito legal quando você encontra muitas pessoas com interesses comuns aos seus. Reunida a galera, fomos, sem ressaltos ao evento, que naquela data, segundo os organizadores, havia batido o recorde de carros participantes.

Tirei muitas fotos e, imagino que por essa razão, a bateria do meu celular ficou por um fio. Lembro que o Guerra, Akira e Ferri, saíram mais cedo do que eu e o Renne, que decidimos ficar mais um pouco. Decidimos, depois de mais uma hora lá ir embora e fui tentando acompanhar o Renne com seu Sedã 91. Digo tentando porque havia algo de estranho com o meu carro na volta. A partir dos 100 km/h ele começava a vibrar todo. O Renne ia na frente no limite de 120 da Bandeirantes, mas cada vez ia se distanciando mais. O meu Opala, entre 90 e 100 km/h,  vibrava mais do que ônibus coletivo e de forma gradativa. Naquela altura eu estava pensando em reduzir ainda mais, para uma velocidade que não prejudicasse os demais usuários, mas não deu tempo. Quando tirei o pé do acelerador, ouvi um barulho alto, como de uma barra de ferro caindo no chão, seguido de outros sons de peças metálicas menores. Era um trecho de curva suave e só tive tempo de olhar no retrovisor interno e parar no acostamento.

A ida foi tranquila, mas a volta... (foto: Denis Akira)
A ida foi tranquila, mas a volta… (foto: Denis Akira)

Desci e vi embaixo do carro o eixo cardã caído. Puxei  o meu celular do bolso e já não tinha mais bateria fazia Tempo. O Renne já tinha desaparecido no horizonte. Como não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer naquele momento, mantive a calma. O que até me surpreendeu, na hora. A minha primeira ideia foi abrir o capô para sinalizar aos demais veículos que eu tinha problemas. O que poderia me ajudar era alguma câmera me flagrar e a concessionária mandar um guincho.

Fiquei encostado no carro, que acabou parando em cima de um trecho de ponte em curva, vendo outros veículos passarem. Pensei que minha sorte iria mudar quando avistei, de longe, um grupo de Opalas andando juntos. Acenei na mesma hora, mas eles passaram direto. A mesma cena se repetiu minutos depois. Desisti de acenar.

Um coupe bege claro, com três jovens e um senhor ao volante deu seta e parou atrás do meu carro. Eles estavam dispostos a ajudar, mas não tinham as ferramentas necessárias e se prontificaram a avisar no pedágio mais próximo que eu estava com problemas. Agradeci muito a eles e continuei na minha espera. Passaram outras duas carreatas de Opalas que me viram e seguiram viagem sem parar.

Foi quando um grupo com três Opalas e  duas Caravans pararam pra ajudar. Dois caras grandes desceram dos carros, um deles olhou pra mim e disse: “Foi o cardã né?”. Antes que eu pudesse responder, um estava abrindo a caixa de ferramentas no porta malas da Caravan e o outro estava se jogando embaixo do carro para ver o tamanho da encrenca.

A primeira coisa que pude dizer era “Não tenho como agradecer vocês, mas muito obrigado!”. A minha fé na humanidade estava restabelecida. Eles tiraram uma porca daqui, outra acolá, me deram uma outra e conseguiram, de forma provisória, montar de volta o eixo cardã. Perguntei o nome dele, ele disse “Zé Opaleiro. Só não perguntei o seu antes, porque a gente gosta de Opalas. Primeiro ajudamos o carro depois perguntamos sobre o dono”, brincou. Muito vagarosamente, os acompanhei até um trecho Marginal Pinheiros por onde eles prosseguiram e eu vim até a minha casa.

Rumo a Jundiaí, 2013.
Rumo a Jundiaí, 2013.

Proprietários de antigos sabem que é uma relação de amor e desgosto com o seu carro (nunca ódio).  Quando eles aprontam você pensa: “Putz, onde estava com a cabeça” ou “Porque não comprei um carro mais novo como diziam” ou ainda “Decidido, vou vender”.  Todas essas coisas passaram pela minha cabeça, menos vender. Mas até decidir o que iria fazer, eu não ia andar com o carro. Precisava dar um basta com os gastos e pensar melhor no futuro do “Jerê”, como o chamamos aqui em casa.

Por volta de cinco meses depois, um outro amigo, o Anderson Baldan, dono de uma belíssima F100 dos anos 50, me chamou para ir no encontro da Caixa D’água, que é organizado pelo Clube do Galaxie  e acontece no Bairro da Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. Contei pra ele todo o caso, do desgosto que tinha sido e que haviam meses que eu sequer mexia no carro.

(Um grande parenteses para situar vocês melhor. O Anderson é irmão gêmeo de outro amigo meu, o Adriano que teve mais Opalas do que você, provavelmente bebeu de copos d’água. Por causa deste blog, acabei os conhecendo pessoalmente e, sempre que possível, íamos a ou nos encontrávamos nos eventos de carros antigos. Aliás, a família toda gosta de carros. O “seo” Dirceu, pai deles, carinhosamente chamado por eles de “Careca” também é fã de coisa velha e tem uma Kombi 1974. Parenteses fechado).

Na conversa,  Anderson me explicou que esse tipo de conserto era muito simples e disse que ajudaria. Ele indicou o irmão mais velho dele, o Alexandre, que até então eu não conhecia. Anderson me explicou que ele tem uma oficina na Zona Norte de São Paulo e que sempre curtiu e mexeu com Opalas. O Anderson nem precisava, mas se ofereceu para me acompanhar. Na semana em que havíamos combinado de levar o carro, descia um dia e outro não para funcionar o carro e deixar a bateria carregada. No dia em que combinei com o Anderson, quem disse que o Jeremias funcionava?

Este dia mudaria o destino do meu Opala.
Este dia mudaria o destino do meu Opala.

O combinado era eu pegar o Anderson em sua casa e de lá ir até a oficina. Mas com esse imprevisto, ele se prontificou em vir e, mais uma vez, ajudara ressuscitar o Opala moribundo. Feito isso, seguimos até a Zona Norte, mas o Jeremias não iria deixar barato os cinco meses de castigo. Na altura da Avenida Tiradentes o eixo cardão deu o ar da graça mais uma vez e caiu.  Desta vez, com celulares e em uma Avenida movimentada, foi fácil pedir ajuda pro Alexandre, que conseguiu ajeitar as coisas a tempo, antes do Marronzinho da CET que havia sido acionado pro causa do trânsito que começava a se formar.

Já na oficina, o conserto, como o Anderson havia dito, era bem simples. Aproveitando o ensejo, pedi pro Alexandre dar uma geral nos freios, já que não podia mais confiar no que o “profissional” anterior havia dito cinco meses antes. Após a solução do problema e  conversando com eles, o Alexandre diz: “Esse Opala tá legal, mas ficaria melhor com um seis cilindros”. Concordei com ele, mas eu poderia só falar na teoria, pois até aquele momento, a bem da verdade é que eu nunca tinha dirigido nada com mais de quatro cilindros.

Quando lia a respeito sobre essas trocas de motor, os valores mencionados eram de primeira divisão e o meu orçamento quase sempre foi de várzea. Então, sempre me pareceu um sonho distante ou uma paixão platônica ter uma unidade de força maior no cofre do Jerê.  Posso dizer também que, o motor quatro cilindros, embora não seja a primazia em performance, nunca me deixou na mão. As poucas panes que o meu carro teve foram uma troca de motor de arranque e um flexível entupido. Com o motor em si, nunca tive problemas. Então, de certa forma, eu estava satisfeito.

O Alexandre então me apresentou um orçamento para fazer essa troca que caberia no bolso, já incluso o motor e a mão de obra. Outros serviços teriam que ser feitos em outros locais. O orçamento da oficina me pareceu bem justo e fechamos o acordo. Aquele mês, depois de 37 anos, seria o último em que o Parachoques Cromados Móvel seria impulsionado pelo valente 151.

Esta foi a primeira lista que o Alexandre montou com o que seria necessário a princípio.
Esta foi a primeira lista que o Alexandre montou com o que seria necessário a princípio.

No mês seguinte começaram os trabalhos em cima do carro. O Alexandre já tinha experiência anterior em fazer essas conversões, então sabia todo o passo-a-passo de cabeça e fez uma lista com o que precisaria ser feito. O motor substituto é um seus cilindros 250-S que pertencia a uma Caravan 82. Já estava praticamente pronto e retificado. Para os testes finais, estava montado em Opala 80, que já está na oficina justamente para esse papel, testar os 4.1 adquiridos pelo Alexandre.

Chevrolet Opala 1980 ou Protótipo da Garagem Baldan. Foi a segunda e breve moradia do 250-S que equipa hoje o meu Opala 1977.
Chevrolet Opala 1980 ou Protótipo da Garagem Baldan. Foi a segunda e breve moradia do 250-S que equipa hoje o meu Opala 1977.
O 250-S ainda montado no Opala 80.
O 250-S ainda montado no Opala 80.

Na visita seguinte que fiz a garagem, o motor já estava funcionado no Opala 80. Estava pintando naquela cor laranja avermelhada típica dos motores Chevrolet da década de 60. Eu nem precisei pedir ao Alexandre, simplesmente já estava na cor que eu sempre quis. O coletor de escape 6×2 estava instalado, mas direto, sem o restante do sistema. Lembro que o carro estava estacionado no mesmo lugar da foto acima quando o motor foi ligado pela primeira vez.  Eu sorria que nem criança e o motor sequer estava instalado no meu carro ainda!

A última foto do motor quatro cilindros, depois de algumas centenas de milhares de quilômetros rodados.
A última foto do motor quatro cilindros, depois de algumas centenas de milhares de quilômetros rodados.
Clã Baldan no Momento histórico.  Alexandre (de azul) e Anderson fazendo a retirada do bom e velho 151.
Clã Baldan no Momento histórico. Alexandre (de azul) e Anderson fazendo a retirada do bom e velho 151.

Pude acompanhar todo o processo de desmonte do quatro cilindros enquanto o Alexandre me explicava quais eram as alterações estruturais necessárias para a adaptação. A primeira, logo de cara, foram os suportes do radiador. Logo quando ele retirou os suportes pensei comigo: “Foi lançada a pedra fundamental”.

Outra alteração era o sistema de suspensão dianteiro, próprio do 4.1. Era preciso que ele estivesse montado para a próxima etapa, o Alinhamento Técnico.  Talvez a parte mais importante da conversão, pois é feito o reforço das longarinas do Opala para suportar 1.600 cilindradas a mais. Além disso, foi feita a pintura de todo o Cofre.

Com o motor pronto e o carro alinhado, chegou a hora de fazer o casamento entre os dois. Neste momento eu não estava presente, mas as primeiras imagens foram registradas. Imaginem a minha expectativa quando as recebi pelo computador. Mas ainda faltavam ajustes finais como a colocação do sistema de escapamento. O carro estava apenas com o 6×2 fazendo aquele barulho característico do fins dos tempos.

Uma das primeiras fotos do 4.1 acomodado no seu cofre definitivo.
Uma das primeiras fotos do 4.1 acomodado no seu cofre definitivo.

A partir daí eu teria que escolher que tipo de notas musicais eu gostaria que saíssem do escapamento. Dei uma pesquisada, escutei os especialistas e o sistema final escolhido foi o 6×2 com dois abafadores JK e ponteira estilo escopeta. Antes de levar o carro até a loja de escapamentos, fomos buscá-lo do alinhamento e balanceamento. Como o local era próximo da oficina, fomos de um lugar até o outro com o 6×2 direto. Os 10 segundos iniciais é muito divertido, mas depois fica insuportável existir dentro do carro.  Não façam isso em casa (risos).

Em um outro dia, fomos buscar na MagooArt o Opala, agora, com as notas musicais do sistema de exaustão mais civilizadas. Ou quase isso.  Mesmo com o sistema já instalado, os decibéis dos agudos e graves, pelo que notei vendo o Alexandre dirigindo, estavam ao alcance da sola do seu pé direito. Vejam bem, faziam uns dois meses que eu não dirigia qualquer carro  e antes disso, mais cinco. Ou seja, eu estava cauteloso quanto a minha estreia atrás do volante.

Six In A Row Make it Go! #I6 #inliners #4100 #Chevrolet #Opala #1977

A video posted by Daniel Sanchez (@mrdanielsanchez) on

Não muito tempo depois dessa instalação chegou o grande dia da entrega. Me lembro que era uma quinta feira fria e estava garoando. Achei mais prudente o Anderson vir trazendo o carro de lá da Zona Norte até os bairros mais próximos da Zona Sul. Afinal, ele tinha mais experiência com motores grandes, já teve um Galaxie, 250S e atual F100.

Neste dia o carro ficou pronto. Era hora de voltar pra casa.
Neste dia o carro ficou pronto. Era hora de voltar pra casa.

A ficha começava a cair. O escapamento novo exalava um odor que tomava conta do interior, era  ora adocicado, ora parecido com plástico queimado. O som característico dos tuchos mecânicos, que lembram uma máquina de costura trabalhando, quando em baixas rotações. Na Avenida Indianópolis assumi o volante do Jerê pela primeira vez com o novo motor. Logo de cara a diferença era gritante, tanto na aceleração quanto na desaceleração. A resposta era imediata em qualquer uma das situações. As trocas de marchas já causavam um esboço de sorriso no canto da boca. Mas as condições do asfalto, ainda muito molhado, fez com que eu dirigisse com a cautela de quem leva a mãe pra missa.

A segunda vez que eu dirigi o carro, esta sim, foi a experiência completa. O melhor de tudo, pude compartilhar com a minha namorada Aline. O primeiro sorriso é arrancado logo quando você vira a chave. Uma leve acelerada e o escape ruge como um felino enfurecido enquanto a carroceria chacoalha para os dois lados. Os comandos do carros parecem muto mais sensíveis. Então acariciava o pedal direito com o pé para mover o carro nas manobras ainda na garagem apertada do prédio onde moro.

Nas duas primeiras ruas conversávamos sobre amenidades e a única coisa notadamente diferente, em baixas velocidades, era o ronco grave, mas ainda contido. O Alexandre fez um trabalho muito bom na suspensão, trocando todas as buchas e terminais. Na segunda rua há duas lombadas muito próximas uma da outra. Foi o teste final do sistema que passou por elas silenciosamente. Antes, era aquele barulho incomodo de metal batendo. A terceira rua dá acesso á uma via paralela a avenida dos Bandeirantes. Como esse acesso fica na metade da via, você tem que tomar cuidado ao acessá-lo, pois os carros que saem da Bandeirantes sobem essa via em velocidade considerável. Enquanto a Aline falava sobre o dia, aguardei a via ficar totalmente livre e alinhei o carro. Antes que ela pudesse concluir a frase, pressional o acelerador até a metade, soltei a embreagem mais rápido que o normal e o carro reagiu na mesma hora.  As notas dos escapamentos subiam seus decibéis alternando do grave para o agudo, misturando com o som dos pneus rangendo contra o Asfalto. Rapidamente troco para a segunda marcha e sentimos nos costas serem pressionadas contra os assentos baixos novamente. Na terceira marcha já alivio o acelerador e ouvimos o som de estouros internos do escapamento. É uma experiência visceral e é impossível ficar indiferente a ela.

Desde o "swap", repintei as rodas e troquei as faixas brancas.
Desde o “swap”, repintei as rodas e troquei as faixas brancas.

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Você tem a certeza de que fez o investimento certo quando a sua namorada olha pra você e diz: “Eu sei lá o que você fez com esse carro, mas seja lá o que for, eu aprovei. Faz de novo!”.

Caso queria seu Opala bem tratado por alguém que gosta do modelo, ligue para o Alexandre: 2991-8552

Chrysler Newport 1969: Um Pequeno e Gigantesco Investimento

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Chrysler Newport 1969: Uma Rara espécie. Foto: Clayton Seams

O mundo da ciência mudou radicalmente quando Charles Darwin escreveu o livro “A Origem da Espécies”. Em seu estudo, basicamente, Darwin propõe que as espécies que melhor se adaptam ao ambiente irão passar seu DNA adiante e, desse modo, garantir a sua preservação. Os seres que não se adaptassem, estariam fadados a extinção. É possível dizer que a indústria americana passou pelo mesmo processo. O que a natureza leva milhões de anos para executar, foram algumas décadas para que os Full Size americanos fossem extintos.

Se você não está familiarizado com o termo, Full Size, nada mais é do que o maior carro disponível na linha. Em português popular, são as barcas, banheiras, prédios sobre rodas, ou seja, automóveis com dimensões continentais. No fim da década de 60, este segmento reinava absoluto nas ruas e estradas retas da America do Norte. Os yankees entendiam que o carro deveria ser uma extensão de sua casa, ou sala de estar.

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Prestes a ser ressuscitado. Foto: Clayton Seams

Embora não sejam famosos como os Cadillacs ou  Lincolns, os Chrysler Newport são um perfeito exemplo de gigantismo desenfreado desse segmento, especialmente a  quinta geração que vai de 1969 e 1973. Para estes modelos a Chrysler apresentava ao mundo a sua linguagem de estilo chamada de ‘Fuselage’, que buscava inspiração na aviação, com grandes porções de metal na lateral do carro.

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Dono orgulhoso. Foto: Clayton Seams

Enquanto que ‘Cudas e Chargers da mesma época atingem valores estratosféricos e ainda geram interesse das novas gerações, os Newport sequer são reconhecidos nas ruas. Mas um modelo em particular não passou desapercebido por Clayton Seams, um jovem canadense de apenas 22 anos. Seams é uma espécie rara (ou a beira da extinção) hoje em dia. A sua geração, conhecida demograficamente como Geração Z, demonstram pouco ou nenhum interesse em carros. 

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Quatro dias de limpeza e ajustes e Voi La. Foto: Clayton Seams

Clayton, diferentemente de seus contemporâneos, é um ávido fã de automóveis desde muito cedo. Uma de suas primeiras lembranças quando criança era ter um Belair 1957. Com pouco mais de duas décadas, ele já foi proprietário dos seguintes modelos: Datsun 280ZX 1983, Pontiac Firebird Formula 1988, Suzuki Swift GTi 1989 e um Chevrolet Impala 1966.

Sofa Feelings. O passageiro em outro fuso horário. Foto: Clayton Seams
Sofa Feelings. O passageiro em outro fuso horário. Foto: Clayton Seams

No caso da sua última aquisição, o Chrysler Newport 1969, Seams conta que a princípio queria um carro antigo por um preço baixo.  “O Chrysler estava anunciado no site kijiji.ca na seção clássicos. Ele só tinha duas fotos e uma descrição muito vaga. Liguei para o proprietário do anúncio e negociamos um valor, comprei no momento em que o vi”, relata. Foi uma verdadeira barganha, Clayton pagou míseros US$ 1.700. Segundo ele, nestas condições, normalmente um carro destes vale em torno de US$ 4.000.

Motor V8 383 polegadas cúbicas.
Motor V8 383 polegadas cúbicas. Foto: Clayton Seams.

A apenas duas semanas com o modelo, Seams conta que não foi preciso fazer muita coisa com o carro.”Passei quatro dias fazendo a limpeza e corrigindo pequenos defeitos para fazê-lo funcionar perfeitamente. Agora ele precisa de alguma atenção no diferencial traseiro. Depois, pretendo rodar com ele durante todo o verão!”. Seams pretende deixar o carro todo original enquanto for o dono.

Com 5.70m de comprimento e 2m de largura, o Newport chama muito atenção por onde passa e Clayton notou isso na primeira vez em que dirigiu. “Eu voltava pra casa sem placas (o que é ilegal) logo depois que eu comprei e um policial me viu, mas apenas acenou! As pessoas sorriem quando vêem este carro. Chega a ser completamente hilário de tão grande que é! Tenho um uma Chevrolet Suburban de uso diário e o Chrysler é ainda maior!”.

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Foto: Clayton Seams.

O custo de manter um carro destes, segundo Seams é basicamente o do seguro, US$ 225 por mês. O proprietário conta que as pessoas da sua idade, de fato, demonstram pouco interesse. Perguntam coisas como quantos anos tem e se é caro de manter. “Me entristece. Eu passo meus dias pregando as virtudes dos carros antigos. Na verdade, eu comprei-o (O Chrysler Newport) para que eu pudesse mostrar às pessoas o quão acessível um clássico pode ser”, conclui.

 

O Corvette de Don McNamara

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Fotos: Mecum.com

Se você curte carros antigos, frequenta encontros, lê a respeito, com certeza já ouviu falar em termos como “nunca restaurado” ou “quilometragem original”, mas nenhum desses adjetivos fazem justiça a esse Chevrolet Corvette 427 1967. Foram apenas 2996 milhas  (4.821 Km) percorridas nos últimos 47 anos pelo esportivo de bloco grande.

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O proprietário, Don McNamara era um sujeito quieto e solitário, segundo as poucas pessoas que o conheciam. Aos 30 anos de idade, quando deixou o Marine Corp. (divisão do exército americano), recebeu como presente, uma viagem para Las Vegas. Na cidade do pecado, acertou a sorte grande e ganhou US$ 5000 no caça níquéis, valor suficiente para comprar seu carro dos sonhos: O Chevrolet Corvette 427.

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O pedido foi feito para a Ray Motor Company, concecionária que ficava em Lamar, Colorado na cor Ermine White, interior em Vinil vermelho, câmbio M20 de quatro marchas, vidros levemente escurecidos, rodas de alumínio de 15 polegadas, motor V8 de 427 polegadas cúbicas (7.0) de 390 hp, direção telescópica, rádio AM/FM, escapamentos laterais e um diferencial com relação 3.36:1. Todos esses opcionais somaram US$5,504.55. A título de curiosidade, em valores atuais, seria o equivalente a US$38,550.97.

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No dia 20 de maio de 1967, Don recebeu o seu tão desejado sonho sobre rodas e o dirigiu apenas por alguns meses. As pessoas passaram então a perguntar sobre o Corvette e Don era dispersivo respondendo “Não é mais meu”, quando na verdade o carro estava guardado em sua garagem no Colorado. Quando o registro e seguro expiraram em 1968, Don nunca mais os renovou por não ter condições financeiras para tal.

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Isto não quer dizer que o carro ficou parado esse tempo todo. Don, eventualmente, na calada da noite, saiu pra passear com o carro por algumas milhas, tornando-se até uma lenda urbana da região. Quando odômetro atingiu a marca das 3000 mil milhas, em meados dos anos 80, Don parou de dirigir o carro e o guardou cuidadosamente em uma garagem exclusiva. Em julho de 2011, Don McNamara faleceu e, como não tinha esposa ou parentes, deixou em seu testamento o carro para um casal de vizinhos mais sortudos do planeta, que se tornaram amigos no final de sua vida.

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O Corvette em estado virginal foi encontrado em sua garagem coberto com uma bandeira dos Estados Unidos e outra dos Marines. Os vizinhos que moravam a mais de duas décadas ao lado de Don, nunca tinham visto o carro. Acredita-se que não mais de uma dúzia de pessoas tenham avistado o carro, além das testemunhas dos passeios noturnos de Don. Apenas McNamara dirigiu o automóvel e o banco de passageiro nunca foi usado. Os cintos de segurança sequer foram puxados do sistema retrátil e toda a documentação, como seguro da época, manual e adesivos estavam imaculados.

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Don McNamara  deu alguns toques pessoais ao carro, como protetores de válvulas Offenhauser e um filtro com os dois emblemas do Corvette. O carro foi comprado dos vizinhos sortudos em 2012 pelo Dr. Mark Davis, que decidiu colocar em leilão pela Mecum em abril deste ano. O valor estimado a ser arrecadado no evento? De 600.000 a 800.000 dólares.

O Chevrolet Camaro 1968 de Tim Allen

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A grande maioria de nós tem na cabeça o nosso ideal de carro, ou projeto que gostaria de fazer. Infelizmente, pra maioria de nós também falta a grana. Ou levaria(m) uma(s) década(s) para que o seu sonho sobre rodas chegasse perto do que você idealizava nos seus sonhos mais selvagens.

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O que serve de alento, pelo menos para mim,  é quando encontramos projetos que compartilham dos mesmos princípios que eu prezo. Sempre pensei que caso fosse modificar um carro antigo , as alterações seriam sutis, quase que como se fossem feitas na fábrica. A fórmula parece começar a se consagrar, os Porsches Singers são os exemplos definitivos.

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O ator americano Tim Allen acertou em cheio ao montar um Chevrolet Camaro 1968 em tributo a dois modelos. O primeiro pilotado por Smokey Yunick na Trans AM e o COPO, uma espécie de “Cheat Code” que permitiu que se pedisse o maior motor disponível (o V8 427 que em teoria só poderia equipar camionetes e o Corvette) dentro do “pequeno” Camaro.

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Entre os detalhes que mais me chamaram a atenção, foram os paralamas sutilmente alargados para acomodar Pneus e Rodas maiores, estas, mesmo aumentadas para 17″ ante as 14″ originais, mantiveram o desenho íconônico das Rallyes, que equipavam os Camaros SS. O motor, V8 de 427 polegadas cúbicas e o interior tem o volante e o  painel customizados de tal forma, que os passam desapercebidos aos olhos dos menos atentos.

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O Resultado está no vídeo a seguir com outro Gear Head famoso, o Jay leno, que tem projetos de conepção similares que já tratamos aqui, como o Ford Galaxie de 7 Litros 1966. Não por acaso, esse Camaro foi uma das sensações do último SEMA SHOW.

A Invenção das Rodas que Gostamos

Dodge Dart Hemi 1968: Naqueles tempos, rodas Cragar era a escolha preferida em diversos segmentos. Foto: Mecum.com
Dodge Dart Hemi 1968: Naqueles tempos, rodas Cragar era a escolha preferida em diversos segmentos. Foto: Mecum.com

Quantas vezes você se deparou com a seguinte a cena:  O carro perfeito dos seus sonhos, mas com o conjunto rodas, pneus e altura (tanto pra alto como baixo demais) que arruinaram tudo, ou ainda, o inverso, um modelo que você nunca deu muita bola e foram justamente o esses três elementos que o salvaram do ostracismo.

Nos Estados Unidos essa preocupação com a estética do carro começou ainda em meados dos anos 50, conforme a febre por Hot Rods se espalhava por todo o País. Naqueles tempos, a escolha era limitada ao que poderia ser encontrado nas concessionárias e rodas para customização em larga escala ainda estavam distantes.  Sendo assim, os modelos com as calotas mais atraentes corriam o risco de ficar sem elas na calada da noite.

No começo não haviam muitas opções de rodas.
No começo não haviam muitas opções de rodas.

Com achegada dos anos 60, as modas, gostos e tendências evoluíram. Pela primeira vez, pneus com faixas brancas estavam disponíveis para o grande público, assim como os de linha fina. As rodas de fábrica cromadas eram uma forte tendência tanto nas ruas como em eventos de exibição. tetos recortados, paralamas modificados e pinturas cada vez mais ousadas. Foi nessa época em que percebeu-se que o mundo Hot Rod e Custom precisava desesperadamente de rodas em larga escala.

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Em 1964 chegava as ruas e pistas o modelo que, provavelmente, é a roda definitiva. O seu sucesso estrondoso, em um mercado que estava sedento por modelo que gerou cópias nos EUA (e até aqui no Brasil, via Mangels), estamos falando das Cragar S/S. A roda estrelada de cinco pontas e cromada em aço e alumínio era diferente de tudo que havia até então, além da beleza, a sua popularização foi graças ao seu preço razoável, R$2800 o jogo em valores atuais. Com o passar dos anos, diferentes tamanhos e materiais começaram a ser empregados, mas o desenho é basicamente o mesmo a exatos 50 anos.

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A popularidade da Cragar S/S  era tão grande que o modelo de roda agradava diferentes segmentos, tais como Muscle Cars, Hot Rods, Low Riders, Vans, Custom etc. Parte do segredo está na combinação com o conjunto certo de pneus, que torna a S/S uma roda quase que universal.

Mustang modificado na metade em diante dos anos 70.
Mustang modificado na metade em diante dos anos 70.

Outras rodas tiverem um sucesso relativo. As Astro Supreme surgiram um ano antes, em 1963, mas o formato cilíndrico dos seus raios não eram muito atraentes. Para o ano seguinte, o fabricante alterou este detalhe para um formato cônico, emulando o desenho das Cragar, que eram um sucesso absoluto.

Astros no Challenger.
Astros no Challenger.

Assim como Coca-Cola e Pepsi, Cragar S/S e Astro Supremes tinham desenhos semelhantes e travaram uma disputa durante os anos 60 e 70, com a primeira levando uma vantagem confortável. A licença para produção das Astro Supreme passaram por diversos fabricantes, variando o material e a qualidade durante essas décadas. Hoje as S ser a escolha principal dos primeiros Lowriders ainda na década de 60.

O Pneu correto também faz toda a diferença.
O Pneu correto também faz toda a diferença.

Outros fabricantes também procuravam destronar a Cragar S/S, como a Keystone Klassic, Rader Design, Fenton entre outras. Todas acabaram por lançar sua própria roda estrelada, de cinco pontas, a fim de ocupar um nicho que a Cragar criara sem inadvertidamente.

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Camaro com Slots na frente. Foto: Mecum.com
Nos anos 70, as rodas slots se tornaram populares. Este Chevelle 67 esta cercado por elas.
Nos anos 70, as rodas slots se tornaram populares. Este Chevelle 67 esta cercado por elas.

Na mesma época, a “Torq Thurst”, da American Racing, havia surgido, mas diferentemente da Cragar ou da Supreme, essas belas rodas, que calçaram carros lendários como o Cobra Daytona Coupe, eram direcionadas exclusivamente para carros de performance, limitando o alcance do seu público.

Torq Thurst era a favorita nas Pistas e não era tão vista nas ruas quanto a Cragar.
Torq Thurst era a favorita nas Pistas e não era tão vista nas ruas quanto a Cragar Foto: Mecum.com.
Lowriders em seu início também se renderam as Cragars.
Lowriders em seu início também se renderam as Cragars.

Portanto, dos anos 50 até o fim dos 70, a escolha das rodas, conjunto de pneus e altura podia determinar o estilo e a era a qual o carro pertence. Custom dos anos dos 50? Rebaixados, com rodas de aço (com ou sem calotas) com faixa brancas grossas. Hot Rods? Rebaixados, pneus finos na frente e largos atrás. Gassers? Bem altos, ligeiramente empinados, pneus finos na frente e largos atrás com rodas de aço. Primeiros Lowriders? Rebaixados, pneus com com linhas brancas finas e rodas Supremes ou Cragar. Muscle Cars? Altura de fábrica ou com a traseira bem mais alta, pneus letrados em branco, grandes atrás, menores na frente com Cragars, Slots, Keystone Klassics, Magnum 500.

Chevrolet Biscayne 409 1962

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Anos antes do surgimento do Pontiac GTO 1964, tido por historiadores e experts no assunto como o “primeiro Muscle Car”, já existiam modelos capazes de carregar tal classificação com louvor. O Chevrolet Byscaine 409 1962 destas fotos é o exemplo clássico que acalora este debate.

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As grandes de Detroit, no começo da década de 60, –  necessariamente – se envolviam com automobilismo (leia-se Arrancadas e Nascar) de forma quase simbiótica.  Cada montadora tratou de fabricar de forma limitada, apenas para atender os regulamentos da NHRA (National Hot Rod Association) modelos leves com os maiores motores V8 disponíveis. A Chrysler tinha os  motores Max Wedges, a Ford os 427 e a GM, por sua vez,  atacava em duas frentes: Chevrolet com os 409 e Pontiac com os 421.

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O Biscayne das imagens pertencia a equipe Ault & James Speed ​​Shop, era patrocinada pela Chevrolet, e o modelo usado era um Biscayne 409. O seu piloto – Dave Cates – ganhou notoriedade nacional nas corridas de Drag na classe Stock Eliminator , correndo contra outras lendas da categoria, como Bill “Grumpy” Jenkins, “Dyno Don” Nicholson , Ronnie Sox, Dave Strickler entre outros.

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Um aspecto que chama atenção nesse Biscayne, assim como nos “Proto-Muscles” desses período, é a proximidade – em termos de aparência e alguns aspectos técnicos –  com o modelo que saia de fabrica. O interior vermelho é original, assim como o câmbio Hurst de quatro marchas, que acompanhava a opção de motor de 409 polegadas cúbicas. Outro detalhe em comum com a versão de rua do 409 é o tacômetro acima da barra de direção.

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Todas as fotos pertencem a Mecum Auction.

Chevrolet El Camino SS 1968: De Filho Para Pai

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Fotos por Tom Bursian

No meio da década de 60, a Chevrolet americana (ao contrário das últimas décadas) parecia não dar uma bola fora. Pelo contrário, tudo o que a montadora fazia era na medida exata, tanto no aspecto técnico, como no mercadológico. Quando Detroit conseguiu decifrar que, o recém-formado publico jovem, também conhecido demograficamente como “baby-boomers”, queriam carros “pequenos” com motores grandes, a marca da gravata encaixou um V8 com mais de 5 litros em quase toda a sua linha de carros.

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Com a El Camino, que é uma picape (mas derivada de um carro) não foi diferente. Lançada em 1959, em resposta a Ford Ranchero, o utilitário leve teve boa aceitação do mercado, superando em vendas a sua concorrente, mas foi nove anos mais tarde que as coisas ficaram realmente interessantes. Inicialmente derivada do Impala, a El Camino passou, em 1963, a ser derivada do médio Malibu-Chevelle. Mas foi só em 1968 que – uma das picapes mais legais já feitas – recebeu os lendários emblemas SS. Naquele ano, as El Camino SS tinham a opção V8 Big Block de 396 polegadas cúbicas (6.4 Litros) com três opções de potência: 325, 250 e 375 hp.

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Três anos mais tarde e a mais de 7 mil kilômetros de distância de Detroit, nascia na Alemanha, terra onde foi inventado e onde são fabricados os melhores o automóveis, Tom Bursian. Mas foi viajando com seu pai para os Estados Unidos, aos sete anos de idade, que Tom descobriu sua paixão por carros estava na América. “Minha tia nos pegou no aeroporto com um carro clássico. Logo de cara me apaixonei pelo  carro,   um Ford, Grenada. Especialmente o banco  para três pessoas, era algo que eu nunca havia visto antes”, se recorda.

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De volta a Alemanha, muitos anos depois, a paixão de Tom pelos carros americanos permanecia a mesma, mas ainda tinha dúvidas sobre qual carro pretendia adquirir. Em março de 2010, a banda virtual Gorillaz lança o video clipe “Stylo”, no qual, Bruce Willys dirige uma El Camino 1968 e, a partir daquele momento em que viu o vídeo, Tom estava decidido que queria a picape em sua garagem para ter seu Pai, que havia ajudado a despertar sua paixão pelos carros americanos 32 anos antes, como co-piloto.

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Infelizmente, no meio tempo entre escolher um modelo em boas condições e importá-lo dos EUA para Alemanha, o maior incentivador de Bursian, seu pai, faleceu. Tom só pode concluir a compra do modelo bem depois. Por uma dessas coincidências carregadas de significados, a El Camino finalmente chegou no país europeu exatamente um ano depois da morte do Pai de Tom.

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Segundo a Motor Trend Classic, nos Estados Unidos, as El Caminos, como a de Tom (1968-72), ainda são fáceis de achar e baratas para se manter, com uma grande gama de peças novas e usadas disponíveis. Também costumam custar menos que os Chevelles coupes, dos quais, ela deriva.

Chevrolet Opala Especial 1973: A Obra Prima de Neimar Duarte

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Olhando a distância, parece “mais um” carro antigo, mas observando aos detalhes, os mais aficionados notarão que o dono desse Chevrolet Opala Especial 1973, além de bom gosto, é um grande entusiasta dos Muscle Cars. Foi o que me motivou a procurar o dono e descobrir qual era o conceito por trás do seu carro, além da influência óbvia do “Detroit Iron”.  A seguir, o depoimento de Neimar Duarte, artista gráfico de mão cheia, construtor nas horas vagas e dono desse belo exemplar.

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Paixão por Carros

Eu gosto de carros desde criança. Antes eram bem variados os tipos de carros que eu gostava, depois é que eu fui descobrindo as verdadeiras paixões. Como eu sempre desenhei, logicamente eu desenhava muitos carros e acabava sempre escolhendo algum carro antigo estiloso pra desenhar, mesmo que eu nem soubesse o que era. Ou até mesmo desenhava carros inexistentes, mas eles sempre pareciam com hot rods, muscle car. Era inconsciente ainda, fui descobrir os muscle cars por volta de 1998, quando fiz a minha mãe comprar uma revista na promoção 4 em 1 que tinha, em cada uma, um encarte de carros antigos, dentre eles um Mustang GT Fastback 1968 vermelho e um Pontiac GTO The Judge 1969. Foi aí que eu li e descobri o que eles eram e logo fiquei louco! Lembro que desenhei o Mustang várias vezes.

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Só depois de cinco anos é que eu fui ter acesso a internet – dial up, super limitada – e pude pesquisar muito sobre Muscle Cars e Hot Rods. Foi por aí que eu acabei conhecendo a aerografia, através dos carros. Veja bem, se não fossem os carros talvez eu não teria seguido esse caminho.

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Nesta época eu e meu amigo Guilherme que tem a historia bem parecida com a minha, já ficávamos caçando por Muscle Cars nas oficinas que descobríamos que mexia com isso. Desse modo, comecei a ver ao vivo alguns dos carros que só via em revistas. Tirava milhões de fotos, ainda de filme fotográfico. A gente ia a pé, de bike ou de ônibus, pois carteira de motorista ainda não tínhamos! Em torno de 2003, já frequentava  praticamente todos os encontros que aconteciam na cidade. Em seguida conheci o meu amigo “Japão” – um dos restauradores mais antigos da cidade – que ajudou a me introduzir no meio dos carros e depois a construir o meu.

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No inicio os carros eram inatingíveis pra mim. Alguns modelos americanos imaginava que nunca veria de perto. Hoje eu já pude ter o prazer de trabalhar em alguns deles, andar e até dirigi-los. Sonhava em ter um, mas não sabia que teria tão cedo.

Sempre admirei os Opalas, eram sempre mencionados pelas pessoas como um carro potente, bravo e tal. Achei o design dos coupês incrível! Queria um desses e sabia exatamente o modelo, mas sabia que não teria condições de comprar um coupê 6 cilindros da primeira geração, pois os poucos que vi a venda eram muito caros.

Chevrolet Opala “Especial” 1973.

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Em 2008, tive a oportunidade de conseguir o motor e caixa, com meu amigo Japão, em troca de alguns poucos trabalhos. Lá estava eu com um motor na garagem, sem um carro. O pessoal achava muito engraçado isso. Iria comprar um Opala pra por aquele motor. Mas também não tinha dinheiro ainda, sabia que precisava de um Opala de 72 a 79 coupê, de preferência 72, pois eu gostava dos “rabo de peixe” com luz de ré em baixo.

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Tinha que estar em condições de uso pois eu ia precisar usa-lo até ter condições de trocar o motor, e não poderia bancar restauração ainda. Em 2009,  meu amigo Eduardo TomBack comentou sobre um Opala à venda, mas era 4 cilindros, 1973 Especial. E eu já disse, “putz, mas é assim mesmo que eu preciso!” O 73′, por ser “Especial”, teria a luz de ré embaixo do jeito que eu queria! Nem queria ir olhar, pois não tinha dinheiro, mas Japão e Eduardo insistiram, então fui lá e fiquei doido! Eduardo ofereceu financiar pra mim, fiquei com medo, mas aceitei, pois tava doido pra ficar com o carro. 

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No outro dia busquei o Opala. Não tinha nem lugar pra guarda-lo, então pedi ao Guilherme pra guardar na casa dele por uns tempos. Convenci meu pai a trocar o nosso amado Ford Del Rey Ouro 1982, que tivemos por 15 anos, por um carro menor e modificar toda a garagem pra poder guardar o Opala em casa.

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Usei o Opala com o velho e cansado 4 cilindros 153 cid por um bom tempo, mas o motor estava nas últimas, gastava tanto óleo quanto combustível. Periodicamente falhava e eu tinha que parar na rua pra secar as velas! Enquanto isso, fui fazendo o 6 cilindros, com caixa de marchas, agregado e tudo novo. O próprio Opala ia levando e buscando suas futuras peças aos lugares necessários.

A Transformação

Em 26/12/2011 estava com tudo pronto pra fazer a troca, então nesse dia eu manobrei Opala pela última vez com o 4 cilindros na garagem pra ser desmontado. Do painel pra frente desmontei 100% do carro. Pro meu desgosto, a lataria estava bem pior do que  pensei e  já achava que estava ruim!

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Um amigo me emprestou uma maquina de solda TIG pra eu fazer os reparos na lataria do cofre do motor. Tirei umas férias forçadas depois do Natal e ano novo pra fazer o serviço todo, pois precisava do carro pronto pra uso. Lembrando que só tenho ele. 

Meu irmão Aloísio me ajudou com as soldas enquanto estava de férias. Depois tive que aprender a soldar pra terminar. Tive que substituir 60% do painel corta fogo pois estava todo podre e remendado, mas não usei chapas prontas ou pedaços de outros carros. Todas as estampas foram feitas a mão, no martelo e solda. Algumas das partes foram personalizadas, mas sempre seguindo a estética que seria de fábrica.

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A parte frontal deu um bom trabalho. Tinha que receber o radiador mais moderno do Opala 6 cilindros, que é bem grande e com ventoinha elétrica. Criei todas as peças recortes e estampas como imaginei que a fabrica criaria. Em todas as partes, segui esta ideia. As criações tem que parecer de fábrica, aos olhos de um leigo ou desatento.  E acabou dando certo. As pessoas olham, às vezes sabem que esta diferente, mas não sabem o que eu fiz. Fiz todo o serviço de modificações, funilaria e pintura no cofre. Montei o novo coração 250 e pronto, nem acreditei quando ligamos o carro!

Os Detalhes

Esteticamente, a minha ideia é realçar a tendência Muscle Car do Opala, ao estilo mais tradicional. Fiz as rodas personalizadas, com o visual das originais, porém agora com aro 15” com 8” de largura atrás e 7” na dianteira. Rodas calçadas com meus sonhados pneus com letras brancas, que eu nem sonhava que seriam os lendários BFG Radial T/A. Os retrovisores são do Chevrolet Camaro 1967, faixas do SS no capô e o friso entre as lanternas traseiras é do modelo 1969/70. O Volante é o Grant Classic, outro grande sonho.

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O Opala é orgulhosamente equipado com um trambulador Hurst Shifter, que sobrou de um dos Chevrolet Camaros 1971 que o Japão restaurou. Ainda instalei com juntas esféricas pra ficar ainda mais preciso. Tem direção hidráulica com setor de Opala e bomba do mesmo Camaro que doou o câmbio, que é mais compacta, mas tive que fabricar todos os suportes do alternador e bomba, e ainda usar uma configuração diferente de correias.

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O carburador é um Rochester Bijet que, curiosamente, é o mesmo que equipava o motor 250 americano quando saia de fábrica. Outra peça bacana é o coletor de escape longo 6×2 feito pelo Otavio Soffiatto que, junto com o seu pai, fizeram a maioria dos coletores da Stock Car. A estabilidade eu fiz questão de melhorar pois o carro tem que ser bom, e não só bonito! Além do conjunto de suspensão dianteira ser o mais moderno dos Opalas, usei barra estabilizadora de 25mm e estabilizador na barra de direção.

Firmando a frente a traseira ficaria “boba”, então depois de MUITA procura, consegui a barra estabilizadora inferior, que é raríssima. Muitos ainda dizem que ela não existe. A versão mais convincente da historia desta peça que encontrei foi que, saiu em alguns carros de 1976, para homologação da Stock Car. Tem também os batentes de espuma nos amortecedores que são simples, mas formam um efeito gradativo de endurecimento do amortecedor. Ajuda muito! O carro ficou incrível pra dirigir, muito estável e todos os comandos macios! Recentemente troquei o filtro de ar, que era o único item pendente no motor. Coloquei um parecido com o original, tem agora um Ram Air que suga o ar fresco por traz do farol esquerdo.

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Futuramente vou ter que restaurar este carro de verdade, mas por enquanto ele é assim! Em curto prazo pretendo instalar um conta-giros, pintar uma faixa lateral que criei, perigosamente, mas vou fazer. Instalar o radio original, nada de sonzão, pois ele já está debaixo do capô.  Aos poucos eu vou restaurando algumas peças.

“Especial”

Percebo que, normalmente, quando as pessoas tem um objeto por algum tempo, tendem a desgostar daquilo  e desejar outro, principalmente com carros. Mas a cada dia eu gosto mais desse Opala e fico mais impressionado como ele é carismático. Todos os tipos de pessoas gostam dele, eu não achava que fossem tantas! Elas dão os parabéns, param e pedem pra olhar, o tempo todo, acenam na rua… Mesmo ainda estando meio velho!

12 Gosto dos Muscle Cars pelo que eles são hoje e não somente pelo que foram antes. É legal ver eles em meio aos carros novos, com toda a imponência do visual e som do motor. Alguns acham que a historia deles já foi contada, mas na verdade a historia deles ainda esta longe de acabar.

Confira mais Fotos na Página do Parachoques Cromados no Facebook.

O Primeiro Chevrolet Impala 1967 Kustomizado

Na caça por histórias interessantes, fotos raras ou aquele modelo que desconhecido da grande parte do público, vejo diariamente centenas de fotos por dia.  Com um tempo, você começa a formar uma espécie de banco de dados na sua cabeça e começa a identificar modelos que mais chamam sua atenção. Foi assim que conheci o Charger do Scott e também foi o caso deste Chevrolet Impala 1967, o qual, já havia visto mais de uma vez no Tumblr, mas foi só muito recentemente que pude descobrir mais sobre sua história.

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Alimentando a página do Parachoques Cromados no Facebook, coloquei a foto deste belo Impala e um dos fãs o identificou como sendo o lendário carro de um senhor chamado Howard Gribble, o marcando na publicação. Curioso que sou, mandei uma mensagem para o sr. Gribble, perguntando qual era a história dele com aquele exemplar da Chevrolet. Depois de alguns dias, recebi uma resposta muito gentil, contando a história do carro, o que, pra minha surpresa, deve ter sido o primeiro Chevy Impala 1967 “Kustom” de que se tem notícia.

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“Comprei o carro novo em abril de 1967. Depois de 3 meses, já instalado suspensão hidráulico e instalado as rodas cromadas. Um ou dois meses depois, os frisos e as maçanetas foram removidos e o carro foi pintado numa cor fúcsia brilhante. Mais tarde, os painéis de renda foram adicionados e o esboço com pinstriping foi feito pelo meu amigo Walt Prey”, conta Gribble. O carro passou a chamar muita atenção e sua primeira exposição foi no centro de convenções Palladium, em Hollywood, Los Angeles.

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O carro ainda viria a participar de exposições em Long Beach e na arena de esportes de Los Angeles. “O carro nunca apareceu em nenhuma revista, porque não faziam muitos artigos sobre lowrider e/ou carros personalizados na época”, explica Gribble. A relação de Howard foi curta, u ano mais tarde, Gribble vendeu o Impala e comprou um Buick Riviera 1966, que também, foi personalizado.

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Ainda assim, mesmo quase meio século depois, aquele Impala 1967 desperta a curiosidade de qualquer um. Para mais imagens, acesse a página do Howard Gribble no Flickr, seu username lá é KID DEUCE.

Pontiac GTO 1969 The Judge: Sex Drive

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Ainda acho que o GTO merece um filme melhor, embora a fotografia dessa comédia adolescente, Sex Drive, não é das piores, pelo menos nos momentos em que o Pontiac foi retratado.

 

 

Um Herói Brasileiro: Puma GTB

 Fotos: Leandro Guilherme, Rafael Ziller e Puma Classic.

Modelo: Vanessa Mello

Você se lembra como começou sua paixão por carros? Para a grande maioria, essa sensação arrebatadora começa com os carros do pai. Nesse exato momento, você deve estar vasculhando a sua memória e enumerando por ordem cronológica os modelos que tinham lugar cativo na garagem de casa. Com o paranaense Leandro Guilherme não foi diferente. Seu pai teve nada menos que seis Opalas e duas Caravans. No entanto, foi uma marca verde e amarela que flechou o seu coração.

O entusiasmo por carros esportivos mais brutos e pela extinta fabricante de carros PUMA, fez com que o modelo GTB fosse uma escolha natural para Leandro, que já era proprietário de um GTC 1986. Pra quem não acredita em amor a primeira vista, em 28 de abril de 2001, o primeiro exemplar que Leandro viu ao vivo veio a se tornar o seu próprio carro. É uma daquelas oportunidades que não se pode perder, afinal de contas, esse modelo é um dos mais raros já fabricados no Brasil.

Segundo o Clube do GTB – o primeiro fruto da relação entre o modelo e Leandro, em 2002 – foram cerca de 710 a 720 GTB fabricados. Em 1971, a PUMA havia lançado um protótipo batizado de GTO que, dois anos mais tarde, entraria em produção com o nome de GTB (Gran Turismo Brasil). O bloqueio aos carros importados naquela época e o crescente apetite do publico brasileiro por carros esportivos, fez do GTB um dos mais desejados (e caros) modelos da sua época.

 O GTB era também um dos mais rápidos, graças a sua leve carroceria em fibra – cerca de 1.200 Kg – e conjunto motor / transmissão da Chevrolet de 4.1 litros, era capaz de atingir os 193 km/h. Inversamente proporcional a sua velocidade é a facilidade para se encontrar peças para um carro tão raro. “Fiquei 10 anos procurando o friso que contorna a grade. Só achei ano passado, em São Paulo, graças a um amigo”, conta Leandro.

A criação do Clube do GTB visa criar um banco de dados sobre modelos sobreviventes e facilitar a troca de informações sobre o carro. É o que relata Leandro. “Estamos catalogando os modelos existentes, como foi feito pelo Clube do Santa Matilde. Nos inspiramos na ideia deles e estamos registrando,  aos poucos, as três gerações do GTB”.

Em três meses de trabalho, o Clube já registrou 12 carros, uma marca expressiva, dada a raridade do carro e o receio inicial dos seus orgulhosos donos. Em parceria com o Site PUMA Classic, o clube quer encontrar outras informações técnicas como a codificação de cores da época.

Quanto ao seu exemplar, ano 1978, Leandro busca aos poucos conciliar o visual original com alguns aspectos agressivos, como os Pneus Cooper Cobra com letras brancas, nas rodas de desenho original, porém com diferentes especificações: 15×7 na frente e 15×10 na traseira.

Manter um PUMA não é uma tarefa das mais fáceis, pois além das peças raras, são incomuns também são os profissionais que sabem como lidar com a carroceria em fibra de todos os exemplares. É como Leandro gosta de brincar “Seja um Herói, tenha um PUMA”. Graças a esses super-heróis, parte da história automobilística nacional está preservada para as futuras gerações.

Oficina Rota V8

Quando estive no Salão Internacional de Veículos Antigos do ano passado, a convite da Tunneo Hot Volante Personalizados, não pude deixar de notar, em um dos estandes, um imponente Chevrolet Monte Carlo 1972. O clássico Chevy, era só mais um dos inúmeros projetos de restauração da Oficina de Restauração Rota V8. Ontem, finalmente a convite do Anderson Viana – um dos sócios proprietários juntamente com o Ricardo Alamazan e o Arley – pude conhecer o trabalho da empresa de perto e, se você é fã dos carros que roncam grosso, o lugar é um pedaço do paraíso na Rua Baltar 1103, na Vila Prudente, aqui em São Paulo.

Em seu início, a empresa era especializada na restauração dos queridos Ford Mavericks, mas com o passar do tempo, expandiu suas operações e hoje em dia são capazes de restaurar qualquer veículo antigo, nacional ou importado. Se o seu sonho está na na terra natal dos carros de grande cilindrada e consumo nada modesto, sem problemas, a divisão da empresa – Rota V8 Imports – também traz dos Estados Unidos virtualmente qualquer veículo com mais de 30 anos. Além de importar e restaurar – outro braço da Rota V8 – a Dreams Customs – é capaz de customizar o carro de acordo com o gosto do cliente.

Como eu dizia anteriormente, a visão ao adentrar nas dependências da oficina é de se encher os olhos. Graças a reputação adquirida com os Ford Mavericks, muitos donos confiam seus carros a oficina. É uma cena incrível ver uma dezena desses modelos reunidos, mesmo que em diferentes estágios de restauração.

Dividindo o espaço com os Mavericks estava alguns exemplares do  “primo rico”, o Ford Mustang. Logo na entrada, um belíssimo exemplar 1967 Fastback na cor preta, completamente restaurado por eles. Segundo Anderson, a restauração levou um ano inteiro para ser concluída. O resultado você pode conferir nas fotos.

Às portas da Oficina, um quarentão de sobrenome inconfundível chama a atenção de quem passar pela rua residencial com ares de subúrbio americano dos anos 70.

O Dodge Charger SE 1972 foi trazido pela empresa para restauração e, depois de pronto, ser comercializado. Anderson me explicou que o carro estava em Salt Lake, no estado de Utah, nos Estados Unidos e pertencia a um mecânico.

Se não fossem pelas rodas American Racing Torq Thurst e os monstruosos BF Goodrich 295 na traseira, este Charger seria um legítimo “Sleeper” (carros com uma aparência que oposta a sua performance). isto porque seu dono anterior substituiu o respeitável V8 383 (6.2L) pelo monstruoso, também V8 440 (7.2L).

Outro projeto interessante da Oficina, desta vez envolvendo envolvendo pessoas, é a formação de jovens especializados em funilaria de carros antigos. A ideia é passar para a próxima geração a paixão e o conhecimento necessário para manter viva a memória desses incríveis carros. Rota V8 – Rua Baltar, 1103 – Vila Prudente, São Paulo – SP. Telefones: (11) 9426-3024 / 6332-3992 / 9159-4545.

Os Muscle Cars da Buick

Buick GSX 1970 (Fonte: http://www.flickr.com/photos/jjjcirone/)

O termo Muscle Car invariavelmente estará sempre associado a nomes como Charger, Camaros e Mustangs. O lançamento desses modelos, mais de 40 anos atrás, mudaram pra sempre a história automobilística americana. Não por acaso esses nomes ressurgiram atualmente, tamanha a sua força em todos os sentidos.  No entanto, outros eventos interessantíssimos – e mais obscuros do grande público – aconteceram em Detroit entre 1964 e 1972. Um dos que mais gosto é a entrada da Buick para o mundo da alta performance.

O primeiro GS, 1965.

Antes, é preciso dizer que a Buick, em sua seus 99 anos da história, raramente – ou de forma muito pontual – esteve associada a performance. Nos Estados Unidos, naquela época e ainda hoje, a marca é associada a luxo e conforto, quase que o oposto do que se espera de um Muscle Car. Talvez isso tenha sido sua maldição e redenção.

1966: Público Jovem, sós queremos vocês.

Quando o GTO foi lançado em 1964, o mercado americano foi pego de surpresa, nem a própria Pontiac ou GM esperava tamanho sucesso do seu carro médio com excesso de potência no motor. As demais divisões da GM, assim como Chrysler e Ford, começariam ali um páreo para ver quem conseguia colocar mais cavalos dentro do capô de seus respectivos carros.  O frenesi foi tanto que até, a então conservadora e luxuosa Buick estava disposta a entrar na corrida mais divertida da história da indústria americana. Nascia assim, o pacote GS (Grand Sport).

Com $200 a mais, você adquiria o pacote GS que era oferecido, a princípio, para o médio Skylark, que compartilhava o A-Body da GM com o Chevelle, Tempest e Cutlass. Entre os itens de luxo que só a Buick poderia oferecer estava o V8 top de linha de 400 polegadas cúbicas (6.5L) e 375 hp. O pacote também chegou a ser oferecido para o intermediário Riviera, mas foi com os Skylarks é que ficou realmente popular. Talvez “popular” não seja o termo adequado, porque além de requintados, não eram exatamente baratos e, em 1965, as vendas do GS eram apenas 1/4 do número de GTOs comercializados.

1967.

Para 1966 o A-Body era remodelado, ganhando linhas mais harmoniosas e musculosas. Em 1967  mudanças estéticas sutis e campanhas de marketing um pouco mais ousadas. Mas a grande mudança estaria por vir na geração seguinte, que debutou em 1968, não só estéticamente como na engenharia. Além de receber uma belíssima carroceria, os Skylarks GS contavam também com os motores Stage I e II de 455 polegadas cúbicas ou escandalosos 7.4 Litros! Esses motores contavam com o carburador quádruplo rochester quadrijet.

Mas foi apenas em 1970 que a Buick entrou de cabeça e alma no jogo. A imagem do carro à aquela altura contava muitos pontos par se se construir uma reputação. Os GS, até então, embora com potência e performance respeitáveis, tinham um visual bem discreto. Muitas revistas da época o chamavam de “Sleeper” por causa de sua aparência nada condizente com o seu desempenho. Foi assim que nasceram os GS-X, o carro esporte definitivo da Buick. Naquele ano, era oferecido apenas em duas cores, Branco “Apollo White” e Amarelo “Yellow Saturn”, com faixas gigantes e tacômetro no Capô, spoiler na frente e aerofolio na traseira (ambos funcionais).

Dentro do capô, toda a brutalidade que você não esperava de um Buick. O 455 rende 360 hp e 510 lb-ft ou 690 nm de torque, o maior da história entre automóveis americanos. Maior até que o cultuado 426 Hemi com 430 hp e 472 lb/ft ou 639 nm. Outra vantagem em relação ao todo poderoso Mopar era o preço da apólice de seguros. Em 1970, para assegurar um Plymouth Barracuda Hemi, o orgulhoso comprador teria que desembolsar para a seguradora astronômicos US$ 12.ooo, já um Buick GS, apenas US$ 200. A fama de “carro de tiozão”, dessa vez foi mais que benéfica para os pessoal de Flint, em Michigan.

GS 1970.
1970.

Se por um lado o dono economizava no seguro, não poderia reinvestir no desempenho do seu “B(Q)uick”, pois era impossível melhorar a performance, já que não haviam peças de preparação para os seus motores. As modificações ficavam restritas a alguma coisa de comando e cabeçote.

1971.

A perseguição e alta taxação das seguradoras, juntamente com a escalada do preço do petróleo foram o tiro de misericórdia nos carros supra potentes da daquela época e um a um eles foram sendo descontinuados, a maioria de forma digna, como o caso dos GS em 1972.

Chevrolet Chevy II SS 1967

O segmento de compactos era algo novo na indústria automobilística americana dos anos 60. O primeiro carro a obter sucesso nesse terreno não explorado, até então, era o Ford Falcon. A GM, por sua vez, havia lançado o Corvair – seu primeiro e único carro com motor traseiro – inovação que não foi muito bem digerida pelo consumidor americano conservador. Além disso, o carrinho fora alvo de acusações de ser inseguro pelo senador Ralph Nader, o que acabou de vez com a sua reputação.

Enquanto acontecia a  polêmica, a Chevrolet voltou ao laboratório e, em 1962, criou o Chevy II, um carrinho que acompanhava as mães até o supermercado ou, como diziam, um carro de secretária. Ao invés de invencionices, o Chevy II tinha a velha concepção básica de motor longitudinal na frente e tração traseira. Nos primeiros anos, usavam motores de 4 e 6 cilindros de potência modestas.

Dois anos mais tarde os carros americanos passariam a ganhar potência de forma exponencial e o Chevy II não estava fora do jogo. O que pesava contra a sua imagem, ou a favor, dependendo do ponto de vista, era a sua fama anterior, de carro de Mãe de família. Esse esteriótipo fez dos Chevy II o “sleeper” perfeito em 1967. Naquele ano, foi possível encomendar os motores V8 327 de até 350 hp para o pequeno carrinho, desprovido de cores cítricas ou grandes faixas esportivas.   Ainda que normalmente era possível pedir o pacote SS, os Chevy II – a aquela altura também já chamados de Nova em suas versões mais completas – nunca atraiam muita atenção da concorrência.

Outro detalhe que fazia do pequeno Nova um “sleeper” (termo que quer dizer algo como “Lobo em pele de Cordeiro”) perfeito era as vistas grossas das companhias de seguro,  um dos principais inimigos dos Muscle Cars. O mercado jovem recém criado ansiava por potência e Detroit foi bem generosa durante seis anos, mas essa combinação de carros supra potentes e juventude era o pesadelo para as seguradoras, que diziam ter prejuízo com esses carros. Algumas empresas se recusavam a segurar alguns modelos, outras colocavam preços tão altos que tornavam quase impraticável pagar apólices que chegavam a quase 1/4 do preço do carro. Sendo assim, um corretor, ao avaliar um Nova, mesmo com um 327, não dava a mínima, afinal era só um “carro de Mãe”.

Nas ruas, onde se criavam as reputações, muitos colegiais que se exibiam com seus Muscles de cores berrantes e faixas decorativas, eram obrigados a ver os detalhes da traseira do “Deuce Coupe”, apelido carinhoso que o Chevy II Nova SS ganhara. Em 1967, cerca de 2.200 Chevy II Nova com o código L79 327 saíram de fábrica.

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