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O Primeiro e Único Ford Mustang de Motor Central

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Algumas histórias da indústria automobilística ficam ocultas por décadas. Afinal de contas, nenhuma grande empresa gosta acha estratégico divulgar projetos que não deram certo. Este foi o curioso caso do Ford Mustang 1970 de motor central.

No ano de 1969, em meio a efervescência da era Muscle Car, a Ford já planejava lançar um Mustang com o maior motor disponível na época, o V8 de 429 polegadas cúbicas. Mas uma das questões apontadas desde o início era a distribuição de peso do carro, já que uma pesada unidade de força de 7.0 litros montado na frente poderia comprometer o manejo deste cavalo selvagem.

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Diante desta situação, a Ford recorreu a Kar Kraft, empresa associada que construía os modelos de performance, (os 1358 modelos BOSS entre 1969 e 70 foram montados lá) para uma missão inusitada: construir um Mustang com motor central com o menor orçamento possível.

O projeto ficou conhecido internamente como LID (Low Investment Drivetrain) em tradução livre “Unidade de Tração de Baixo Investimento”.  A ideia era fazer esta transformação inusitada apenas com peças disponíveis para manter os custos baixos.

Em linhas gerais, que foi tecnicamente realizado foi inverter a transmissão C6 automática junto com o motor padrão Boss 429. Ambos instalados em um sub-chassis traseiro removível, com o motor centrado diretamente sobre o eixo traseiro.

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Externamente não havia nada que denunciasse se tratar de carro com um configuração tão diferente. Era idêncito ao Mustang Sportsroof 1969. Já por dentro, o assento traseiro foi retirado e a área coberta com carpete preto, enquanto no compartimento do motor abrigava a bateria, radiador, e condensador de climatização, com ventiladores elétricos para fornecer refrigeração.

Para o acesso ao enorme V8,  o vidro traseiro foi substituído por um conjunto de persianas esportivas montadas sobre dobradiças e suportes dobráveis. O projeto LID foi um sucesso completo no ponto de vista da construção. A distribuição de peso do Boss 429 foi alterada de 60/40 na frente para 40/60 atrás.

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Diferente das expectativas dos engenheiros, com exceção de uma uma melhora na tração, não houve mudanças significativas no desempenho. A partir destas conclusões, o programa Mustang LID cancelado.

Assim como nós, você deve estar se perguntando: E o que aconteceu com esta única unidade produzida? Bem, segundo um artigo da Motor Trend em 1970, o modelo aguardava ser destruído em um ferro velho na área de Detroit.  Após 45 anos, o modelo não ressurgiu na mão de um colecionador ou escondido em algum celeiro, provavelmente deve ter tido este fim fatídico.

Primeiro e Único?

Em 1967, a Ford fez um protótipo de dois lugares e motor traseiro que poderia ser um substituto, mercadologicamente , do Cobra. O Modelo foi chamado de Ford Mustang MACH II, mas nunca saiu dos salões de automóveis.

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Em 2012 a empresa de customização Eckerts Rod and Custom apresentou no SEMA um projeto semelhante, mas o Mustang 69 deles recebeu o motor do Ford GT 2006. Embora ainda lembre o Mustang, houveram muitas mudanças na altura do teto que, na nossa opinião, deformaram o carro.

Shelby Cobra 427 “Super Snake” 1966

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(foto: Barrett Jackson)

Street Legal. Essas duas palavras em inglês dão  um re-significado da frase “Plena Felicidade”. Em termos técnicos, geralmente é converter (e/ou) permitir que um carro de corrida possa rodar em  ruas públicas.

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(foto: Barrett Jackson)

O lendário piloto e construtor Carrol Shelby havia construído 23 Cobras de semi-competição para promovê-los pela Europa. Cansado de levar “vareio” de Mullin, seu amigo que dirigia uma Ferrari, Carrol queria que o 427 tivesse mais velocidade final. Para tal, instalou um par de superchargers Paxton. O câmbio era o do Lincoln Cruise-O-Matic. nascia assim, o primeiro, de apenas 2 fabricados, “Super Snake”.

(foto: barret Jackson)
(foto: Barrett Jackson)

No livro World Registry of Cobras and GT40s, 4thEdition o amigo de Carrol que costumava ganhar fácil do Cobra com sua Ferrari descreve.  “Após os 225km/h aquela coisa explodia, na verdade a aceleração em movimento era maior do que partindo da imobilidade. Engolia a minha Ferrari viva”.

(foto: Barrett Jackson)
(foto: Barrett Jackson)

O seguindo Super Snake foi construído para o comediante Bill Cosby, que certa vez, disse a Carrol Shelby que só compraria um Cobra se ultrapassasse as 200mph (320km/h). Ambos testaram a veracidade disso e Cosby, após um único test drive, voltou para concessionária apavorado e criou um número de stand up chamado “200mph“.

(foto: Barrett Jackson)
(foto: Barrett Jackson)

Shelby colocou o seu Cobra Super Snake a venda em 1968 e apenas no final de 1970 conseguiu um comprador, o compositor James Webb. Naquela altura aquele Super Snake era o único sobrevivente. A outra unidade, que já havia assustado Bill Cosby, sofreu um acidente grave com o seu dono Tony Maxley. O carro ficou completamente destruído e Maxley não resistiu aos ferimentos.

A única unidade restante ficou com James Webb até 1995. O compositor já havia rejeitado ofertas de 1.2 milhões, mas após problemas coma receita federal americana, teve que vender por “míseros” 375 mil. O carro teve outros donos, passou por uma restauração e foi arrematado em 2007 por 5.1 milhões de dólares pelo colecionador Ron Pratt. Neste mês, Pratt leiloou o Super Snake pela Barret Jackson, que foi arrematado por 400 mil dólares a menos que o preço pago por ele no leilão de 2007.

O Último Mustang Boss da Trans-Am Racing

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O ano de 1970 foi o auge e o começo do declínio da categoria mais fantástica na opinião desse blog, a Trans Am Racing. Em uma América onde as competições automobilísticas eram dominadas por Ovais e Pistas retas de 400m, a Trans America era o Oásis ara quem gostava de fazer curvas pros dois lados e acelerar por mais de um quarto de milha.

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Dos meados dos anos 60 até o início da próxima década a Trans Am ganhou tanta popularidade que, em 1970, as três grandes (Chevrolet, Ford e Chrysler), além da American Motors, passaram a investir pesado na categoria com equipes oficiais. No fim daquela temporada a Ford se sagrou campeã e, junto com as concorrentes, deixou a categoria.

Stitched Panorama

A Kar Kraft, empresa contratada pela Ford para construir os carros de corrida de 1970, enviou para a equipe de Bud Moore, parceiro da Ford na campanha campeã,  quatro Mustangs daquele ano, todos brancos, para serem usados na temporada de 1971. Dois destes carros foram usados para corridas, o terceiro ficou semi montado de reserva e o quarto, permaneceu, literalmente em branco, até 2011.

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Conhecido com o codinome tag #4 – 1971, o último Mustang Boss feito pela Kar Kraft para a Ford, foi uma busca de três anos do atual dono que comprou o bólido, ainda em branco, só na carroceria, com as peças  originais para a montagem. Nada menos que o próprio Bud Moore deu toda a assistência para que o virginal carro de corrida (que na verdade nunca chegou a correr, de fato) fosse montado de acordo com as especificações da época.  Para garantir ainda mais a autenticidade da montagem, foi consultado também David Tom, autor do livro The Cars of Trans-Am Racing 1966-72.

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A montagem levou 18 meses e a escolha do número 15, que pertenceu ao piloto Parnelli Jones – embora  o próprio (ou qualquer outro corredor) nunca tenha – usado este carro, foi sugestão de Bud Moore. A própria Bud Moore Engeneering acabou providencuiando cabeçotes para o imaculado V8 de 460hp.

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Como outros achados desse calibre, o atual dono decidiu levar o carro a leilão nos dias 15 e 16 de janeiro, pela RM Auctions. Nessa época do ano, nos resta sonhar com a Mega da Virada pra trazer um cavalinho desse pra casa. Estima-se que este Boss valha algo entre 250 e 450 mil dólares.

O Incrível Dodge Charger 1968 “Concept” da Pure Vision Design

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Foto: Hot Rod Magazine

Quem gosta de astrofísica, ficção científica ou quadrinhos deve está bem familiarizado com termos do tipo “Multiversos” e / ou “Futuro Alternativo”.  E você, depois de um parágrafo, deve estar se perguntando o que isso tem a ver com um Dodge Charger 1968 “Concept”. Bom, ao que parece, Steve Strope, da Pure Vision Design tem assistido muito Cosmos ou lido muito quadrinhos, pois alguns dos seus projetos mais interessantes, tem abordagens incríveis dentro do hipotético mundo do “e se”. Este Dodge Charger 1968 é o mais novo capítulo.

Foto: Hot Rod Magazine
Foto: Hot Rod Magazine

Como na teoria Quântica que sugere a existência mais de um universo onde a nossa realidade se repete, mas de forma sutilmente diferente, a Pure Vision Design exercita sua criatividade criando carros que poderiam ter existido.  O mais famoso projeto deles, Mustang Martini, por exemplo explora a ideia do “e se” a Ford tivesse investido nos Rallyes na década de 60, colocando seu principal modelo pra competir com um motor de Fórmula Indy?

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Foto: Hot Rod Magazine

O mesmo acontece com este belíssimo Dodge Charger, mas em um contexto diferente. No final dos anos 60 a principal forma de promover um carro esportivo nos Estados Unidos era associando sua performance às provas de arrancada. O famoso mantra “Race on Sunday, Sell on Monday” (Corra no Domingo, Venda na Segunda) ajudou a vender V8 aos milhares.

Fto: Hot Rod Magazine
Fto: Hot Rod Magazine

É dentro deste cenário Strope construiu este Charger que, a princípio, seria um Pro-Touring devorador de curvas entre cones, se o dono não tivesse desistido desta abordagem.  Steve pensou então, em um Charger “Conceito” que a Chrysler poderia  ter criado para promover na principal vitrine da época: o circuito de arrancadas da NHRA (National Hot Rod Association) em 1967.

Foto: Hot Rod Magazine
Foto: Hot Rod Magazine

Se o diabo está nos detalhes, este Charger é o carro oficial do capeta. Externamente, o Scoop no capô é do legendário Dodge Coronet W023 1967. Rodas do tipo Slot da Real Rodders, aro 15, imitando magnésio, muito populares na época. Internamente foi feito a alteração dos instrumentos, movendo o velocímetro e conta-giros mais para o centro, ao invés do canto esquerdo. O console central é o mesmo dos Chargers da geração anterior, que contempla , de forma contínua, os passageiros da frente e de trás.

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Foto: Hot Rod Magazine

Embaixo do capô, não poderia haver nada menos do que um V8 Hemi, mas ao invés do clássico 426 (7.0 Litros), se trata de um 572 de absurdos 9.3 Litros! Embora o stance deste Charger seja de um típico Street Machine, com pneus grandes e largos na traseira  e emborrachados menores na frente, o sistema de suspensão foi todo atualizado para conseguir o melhor da dirigibilidade no dia-a-dia e bons tempos no 400m.

Foto: Hot Rod Magazine
Foto: Hot Rod Magazine

Para dar uma atmosfera ainda mais verossímil, a Pure Vision Design criou displays inspirados nas propagandas da época. Para 1968, a Dodge havia criado o Scat Pack, uma espécie de “clube” o qual faziam parte todos os modelos esportivos da marca. O objetivo era fidelizar os amantes da Dodge. Além dos displays, a empresa faz referência ao seleto clube com as faixas duplas na traseira, conhecida como Bumbble Bee Stripes e decalques no filtro.

Colecionador Leiloa Parte de Seu Acervo de 130 Clássicos

Chevrolet Chevelle SS 396 Conversível 1969. (Foto: RM Auctions)
Chevrolet Chevelle SS 396 Conversível 1969. (Foto: RM Auctions)

Nos próximos dias 14 e 15 de novembro, Sam Pack, respeitado homem de negócios do Texas irá leiloar, parte se sua imensa coleção de carros. São nada menos que 130 carros! Em sua grande maioria clássicos americanos das décadas de 40, 50 e 60.

Mercury Wagon Kustom 1951.  (Foto: RM Auctions)
Mercury Wagon Kustom 1951. (Foto: RM Auctions)

Dono de diversas concessionárias na região, Sam não é daqueles acumuladores que deixa suas relíquias longe dos olhares do público. Pelo contrário, tem um Museu, para exibir  ao grande público todo o seu acervo.

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Ford Mustang Shelby GT 350H Race Spec 1966. (Foto: RM Auctions)

A ideia de Pack é ter um uma quantidade de modelos mais gerenciável para se manter ativo no hobby. O site da RM Auctions, empresa responsável por esse e outros leilões incríveis, não especifica a quantidade total de automóveis do empresário.

Chevrolet Kustom 1952  (Foto: RM Auctions)
Chevrolet Kustom 1952 (Foto: RM Auctions)

“Eu tenho um caso de amor com os carros desde que eu era um adolescente. Está no meu DNA ” , diz Pack. “Felizmente, no meu caso, este caso de amor tem continuado através de minha carreira profissional e empresarial. É uma paixão compartilhada e apoiada pela minha família, os carros trazem tantas alegrias para eles como para mim” explica.

 

Chrysler Newport 1969: Um Pequeno e Gigantesco Investimento

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Chrysler Newport 1969: Uma Rara espécie. Foto: Clayton Seams

O mundo da ciência mudou radicalmente quando Charles Darwin escreveu o livro “A Origem da Espécies”. Em seu estudo, basicamente, Darwin propõe que as espécies que melhor se adaptam ao ambiente irão passar seu DNA adiante e, desse modo, garantir a sua preservação. Os seres que não se adaptassem, estariam fadados a extinção. É possível dizer que a indústria americana passou pelo mesmo processo. O que a natureza leva milhões de anos para executar, foram algumas décadas para que os Full Size americanos fossem extintos.

Se você não está familiarizado com o termo, Full Size, nada mais é do que o maior carro disponível na linha. Em português popular, são as barcas, banheiras, prédios sobre rodas, ou seja, automóveis com dimensões continentais. No fim da década de 60, este segmento reinava absoluto nas ruas e estradas retas da America do Norte. Os yankees entendiam que o carro deveria ser uma extensão de sua casa, ou sala de estar.

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Prestes a ser ressuscitado. Foto: Clayton Seams

Embora não sejam famosos como os Cadillacs ou  Lincolns, os Chrysler Newport são um perfeito exemplo de gigantismo desenfreado desse segmento, especialmente a  quinta geração que vai de 1969 e 1973. Para estes modelos a Chrysler apresentava ao mundo a sua linguagem de estilo chamada de ‘Fuselage’, que buscava inspiração na aviação, com grandes porções de metal na lateral do carro.

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Dono orgulhoso. Foto: Clayton Seams

Enquanto que ‘Cudas e Chargers da mesma época atingem valores estratosféricos e ainda geram interesse das novas gerações, os Newport sequer são reconhecidos nas ruas. Mas um modelo em particular não passou desapercebido por Clayton Seams, um jovem canadense de apenas 22 anos. Seams é uma espécie rara (ou a beira da extinção) hoje em dia. A sua geração, conhecida demograficamente como Geração Z, demonstram pouco ou nenhum interesse em carros. 

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Quatro dias de limpeza e ajustes e Voi La. Foto: Clayton Seams

Clayton, diferentemente de seus contemporâneos, é um ávido fã de automóveis desde muito cedo. Uma de suas primeiras lembranças quando criança era ter um Belair 1957. Com pouco mais de duas décadas, ele já foi proprietário dos seguintes modelos: Datsun 280ZX 1983, Pontiac Firebird Formula 1988, Suzuki Swift GTi 1989 e um Chevrolet Impala 1966.

Sofa Feelings. O passageiro em outro fuso horário. Foto: Clayton Seams
Sofa Feelings. O passageiro em outro fuso horário. Foto: Clayton Seams

No caso da sua última aquisição, o Chrysler Newport 1969, Seams conta que a princípio queria um carro antigo por um preço baixo.  “O Chrysler estava anunciado no site kijiji.ca na seção clássicos. Ele só tinha duas fotos e uma descrição muito vaga. Liguei para o proprietário do anúncio e negociamos um valor, comprei no momento em que o vi”, relata. Foi uma verdadeira barganha, Clayton pagou míseros US$ 1.700. Segundo ele, nestas condições, normalmente um carro destes vale em torno de US$ 4.000.

Motor V8 383 polegadas cúbicas.
Motor V8 383 polegadas cúbicas. Foto: Clayton Seams.

A apenas duas semanas com o modelo, Seams conta que não foi preciso fazer muita coisa com o carro.”Passei quatro dias fazendo a limpeza e corrigindo pequenos defeitos para fazê-lo funcionar perfeitamente. Agora ele precisa de alguma atenção no diferencial traseiro. Depois, pretendo rodar com ele durante todo o verão!”. Seams pretende deixar o carro todo original enquanto for o dono.

Com 5.70m de comprimento e 2m de largura, o Newport chama muito atenção por onde passa e Clayton notou isso na primeira vez em que dirigiu. “Eu voltava pra casa sem placas (o que é ilegal) logo depois que eu comprei e um policial me viu, mas apenas acenou! As pessoas sorriem quando vêem este carro. Chega a ser completamente hilário de tão grande que é! Tenho um uma Chevrolet Suburban de uso diário e o Chrysler é ainda maior!”.

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Foto: Clayton Seams.

O custo de manter um carro destes, segundo Seams é basicamente o do seguro, US$ 225 por mês. O proprietário conta que as pessoas da sua idade, de fato, demonstram pouco interesse. Perguntam coisas como quantos anos tem e se é caro de manter. “Me entristece. Eu passo meus dias pregando as virtudes dos carros antigos. Na verdade, eu comprei-o (O Chrysler Newport) para que eu pudesse mostrar às pessoas o quão acessível um clássico pode ser”, conclui.