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Dodge Daytona: Quase Um Milhão de Dólares

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Fotos: Cortesia Mecum Auctions

Os antes rejeitados, Dodge Chargers Daytona 1969 / Plymouth Road Runner Superbird 1970 tem crescido em popularidade e, principalmente, preço na última década. No último fim de semana, esses valores chegaram a novos patamares na casa de leilões Mecum Auctions. Um exemplar, dos apenas 20 Daytonas encomendados com câmbio manual de quatro marchas e motor 426 Hemi, foi vendido por 900 mil dólares.

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A Dodge construiu 503 Daytonas em 1969 para homologar a participação desses modelos na Nascar. Naqueles tempos, a categoria exigia das montadoras que os modelos apresentados nas pistas tivessem versões de rua para o consumidor. A Chrysler fabricou o número mínimo exigido. Destes, apenas 70 modelos eram 426 Hemi, 50 com câmbio automático e outros 20 com câmbio manual, como já havia mencionado.

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O exemplar do leilão sofreu algumas alterações no decorrer dos últimos 46 anos, tirando-o de suas características originais. Isto pode ter sido sua salvação, pois a customização o transformou em um modelo mais de exposição do que de uso.

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Em 1988 este Daytona recebeu uma restauração completa, abandonando o estilo Street Machine dos anos 70 para original de fábrica. Graças ao seus dias de “Show Car” hoje estão registrados apenas 6435 milhas ou 10.356 km rodados, possivelmente o mais bem conservado Daytona Hemi que se tem notícia.

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Segundo o site de fofocas TMZ, foi o ator David Spade, que interpretou o protagonista no filme Joe Dirt (que na fita também dirige um Daytona) o feliz novo proprietário que desembolsou quase um milhão de dólares.

Vai um Mopar aí?

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Enquanto o grupo FCA (Fiat Chrysler Autmobiles) orquestra a morte lenta da PentaStar, vale a pena relembrar porque amamos tanto os Mopars, especialmente no ventre das Cegonhas.

O Incrível Dodge Charger 1968 “Concept” da Pure Vision Design

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Foto: Hot Rod Magazine

Quem gosta de astrofísica, ficção científica ou quadrinhos deve está bem familiarizado com termos do tipo “Multiversos” e / ou “Futuro Alternativo”.  E você, depois de um parágrafo, deve estar se perguntando o que isso tem a ver com um Dodge Charger 1968 “Concept”. Bom, ao que parece, Steve Strope, da Pure Vision Design tem assistido muito Cosmos ou lido muito quadrinhos, pois alguns dos seus projetos mais interessantes, tem abordagens incríveis dentro do hipotético mundo do “e se”. Este Dodge Charger 1968 é o mais novo capítulo.

Foto: Hot Rod Magazine
Foto: Hot Rod Magazine

Como na teoria Quântica que sugere a existência mais de um universo onde a nossa realidade se repete, mas de forma sutilmente diferente, a Pure Vision Design exercita sua criatividade criando carros que poderiam ter existido.  O mais famoso projeto deles, Mustang Martini, por exemplo explora a ideia do “e se” a Ford tivesse investido nos Rallyes na década de 60, colocando seu principal modelo pra competir com um motor de Fórmula Indy?

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Foto: Hot Rod Magazine

O mesmo acontece com este belíssimo Dodge Charger, mas em um contexto diferente. No final dos anos 60 a principal forma de promover um carro esportivo nos Estados Unidos era associando sua performance às provas de arrancada. O famoso mantra “Race on Sunday, Sell on Monday” (Corra no Domingo, Venda na Segunda) ajudou a vender V8 aos milhares.

Fto: Hot Rod Magazine
Fto: Hot Rod Magazine

É dentro deste cenário Strope construiu este Charger que, a princípio, seria um Pro-Touring devorador de curvas entre cones, se o dono não tivesse desistido desta abordagem.  Steve pensou então, em um Charger “Conceito” que a Chrysler poderia  ter criado para promover na principal vitrine da época: o circuito de arrancadas da NHRA (National Hot Rod Association) em 1967.

Foto: Hot Rod Magazine
Foto: Hot Rod Magazine

Se o diabo está nos detalhes, este Charger é o carro oficial do capeta. Externamente, o Scoop no capô é do legendário Dodge Coronet W023 1967. Rodas do tipo Slot da Real Rodders, aro 15, imitando magnésio, muito populares na época. Internamente foi feito a alteração dos instrumentos, movendo o velocímetro e conta-giros mais para o centro, ao invés do canto esquerdo. O console central é o mesmo dos Chargers da geração anterior, que contempla , de forma contínua, os passageiros da frente e de trás.

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Foto: Hot Rod Magazine

Embaixo do capô, não poderia haver nada menos do que um V8 Hemi, mas ao invés do clássico 426 (7.0 Litros), se trata de um 572 de absurdos 9.3 Litros! Embora o stance deste Charger seja de um típico Street Machine, com pneus grandes e largos na traseira  e emborrachados menores na frente, o sistema de suspensão foi todo atualizado para conseguir o melhor da dirigibilidade no dia-a-dia e bons tempos no 400m.

Foto: Hot Rod Magazine
Foto: Hot Rod Magazine

Para dar uma atmosfera ainda mais verossímil, a Pure Vision Design criou displays inspirados nas propagandas da época. Para 1968, a Dodge havia criado o Scat Pack, uma espécie de “clube” o qual faziam parte todos os modelos esportivos da marca. O objetivo era fidelizar os amantes da Dodge. Além dos displays, a empresa faz referência ao seleto clube com as faixas duplas na traseira, conhecida como Bumbble Bee Stripes e decalques no filtro.

Dukes of Trader

Cerva de 300 Dodge Chargers 1969 tiveram um fim trágico na série original.
Cerva de 300 Dodge Chargers 1969 tiveram um fim trágico na série original.

Quem acompanha o blog a mais tempo sabe o que eu penso sobre a série “The Dukes of Hazzard”, aqui no Brasil chamada de “Os Gatões”. Sempre que eu imagens de Dodge Chargers 1969 caracterizados como “General Lee” é um misto de emoções.

Charger fazendo que faz de melhor. Encantando Gerações a quatro décadas.
Charger fazendo que faz de melhor. Encantando Gerações a quatro décadas.

Não nego que é incrível ver o clássico americano fugindo da polícia e fazendo drift – muito antes da gente sonhar que essa palavra existia – ao som de um V8 no fundo. O problema é quando aparecem as cenas de saltos, que nas edições, são sempre bem sucedidas, mas que na verdade sabemos que aquele modelo foi severamente danificado. Em muitos casos, de forma irreversível.

Uma das frentes mais emblemáticas da história do automóvel.
Uma das frentes mais emblemáticas da história do automóvel.

Ou seja, a experiência de assistir Dukes of Hazzards – ou suas recriações – é emocionante como ver seu filho dar os primeiros passos mas e cima do parapeito de um prédio de 50 andares. Algo está prestes a dar muito errado.

O resultado se repete, seja na série, filme ou propaganda.
O resultado se repete, seja na série, filme ou propaganda.

Tudo isso se repete na campanha publicitária da Auto Trader, site compra e venda de automóveis dos Estados Unidos. A empresa contratou a dupla de atores original da  série, Tom Wopat e John Schnider como, Luke e Bo Duke, respectivamente.

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Foram usados também dois Dodge Chargers 1969 originais da série e outros quatro para serem sacrificados em manobras mais arriscadas e nos famigerados saltos. Outros seis Chargers da geração atual marcaram presença como carros de Polícia.

Saltos são legais... Não espera.
Saltos são legais… Não espera.

Todos os saltos mostrados nas propagandas e nos bastidores foram feitos com os carros de verdade, sem qualquer auxílio de computação gráfica.  Em um desses saltos , uma rampa de madeira com 1.80m de altura foi construída para que o Charger saltasse a 80 km/h. Foram usadas 200 caixas de papelão grandes para amortecer a queda.

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Já na segunda rampa, feita de terra, O charger atingiu 3.55 metros de altura e outros 15 de distância., mas desta vez, sem qualquer tipo de amortecimento externo.

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O terceiro e último salto é feito dentro de uma concessionária a 40km/h.  Em todos esses pulos é possível notar que, mais uma vez, um Charger é sacrificado para o entretenimento das pessoas.

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A segunda geração do Dodge Charger foi lançada em 1968 e teve um facelift no ano seguinte.  Em 1969, ano do modelo usado na série, foram fabricados pouco mais 89 mil unidades. Não se sabe ao certo quantos sobreviveram aos anos 80. Este fórum de donos de Chargers especula sobre a quantidade de sobreviventes. Os mais otimistas acreditam que 2/3 tenham sobrevivido, já os pessimistas chutam que apenas 1/3 ainda estão por aí rodando. Um fato é concreto e triste: esta contagem está em regressão há 45 anos. Nos resta é torcer para que empresas como a Dynacorn se anime em produzir novas carrocerias B-Body.

Big Willie Robinson: Paz Por Meio das Corridas

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Em cidades violentas, a Sociedade Civil e o Estado já tentaram de quase tudo para amenizar o problema, mas duvido que você já tenho ouvido falar em usar o automobilismo, mais especificamente arrancadas, para lidar com a questão. Foi exatamente com essa ideia que Big Willie Robinson criou uma pista de arrancadas e um clube para ajudar a combater a violência entre gangues e a tensão racial na cidade de Los Angeles, nos anos 70.

Robinson começou a lidar com um problema que vinha desde a década de 20. Negros e descendentes de latinos foram relegados a morar em áreas distantes, graças a uma lei local que não permitia a venda de imóveis para não-brancos. Nos anos 50, grupos armados, formados por pessoas brancas, intimidavam de forma violenta famílias que moravam em bairros fronteiriços. Em algumas ocasiões, bombas incendiárias eram lançadas para mandar uma mensagem a aqueles que “ousavam” sobrepujar o apartheid Angelino.

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O resultado disso, foi a organização de grupos de auto-defesa entre as minorias, que assim como a mafia italo-americana, que a principio tinha o objetivo de se proteger dos ataques das gangues irlandesas, cresceram e se organizaram. Com a injeção do dinheiro das drogas, se tornaram gangues, como os Bloods, Crips e Wah Ching. Ao longo dos anos 60, 70 e 80, esses grupos envolveram toda a cidade e até o país numa escalada de violência.

Mas não só pelas gangues, Los Angeles era conhecida. É também uma das cidades mais motorizadas do mundo onde, independente da condição social ou raça, as pessoas restauravam, envenenavam e / ou customizavam seus carros. A partir desse interesse em comum, Big Willie pensou em dar sua contribuição com o lema “Paz por meio
das Corridas”.

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A saga de Big Willie começa em 1966, quando as autoridades já vivam uma situação muito delicada. Um ano antes, haviam acontecido protestos no bairro negro de Watts e uma nova manifestação seria um desastre político para os governantes da época. A polícia de Los Angeles haviam notado que as corrida de arrancadas ilegais reuniam uma audiência integrada de brancos, negros, latinos e asiáticos e Robinson era o mais popular entre os rachadores.

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Os oficiais então, pediram ajuda ao Big Willie, um veterano da guerra do Vietnã que faz parte das Forças Especiais, para organizar, as sextas feiras durante a noite, encontros de arrancadas. Na primeira noite chegou a reunir cerca de 10 mil pessoas e “Boas e Ruins” diria Robinson mais tarde. Na segunda edição, o dobro, segundo relatos da época.

Natural de Nova Orleans, Big Willie era respeitado pelos chefes das Gangues bem como as autoridades policiais, o que permitiu que os participantes seguissem certas regras durante os eventos, como não consumir álcool, drogas ou se exibir de forma perigosa com os seus carros. Surgia assim a National and International Bortherhood of Racers.

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O programa foi tão bem sucedido que preveniu futuras tensões raciais que outras cidades enfrentaram. Há quem diga que Los Angeles reagiu de forma mais pacífica ao assassinato do Dr. Martin Luther King, graças a esses eventos. O que não aconteceu em outras cidades como Nova Iorque ou Chicago.

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No começo dos anos 70, Willie e sua esposa Tomiko, que também era sua assistente e secretária, com frequência participavam das corridas, ambos, com Dodge Chargers Daytonas Hemi 1969. Juntos ele criaram uma pista chamada Brotherhood Park Raceway. Nas décadas seguintes Robinson administrou o local, que acabou virando referência e um marco zero para a crescente cena de carros japoneses. A pista foi fechada em 1995. Sua esposa Tomiko faleceu em 2007.

“Quando se trata de carros, não há barreira racial”, Willie disse certa vez a um programa do Discovery nos anos 90. “Chefes de gangues vinham até mim e diziam ‘Willie, você criou um espaço onde podemos vir, correr e se divertir, nós te ajudaremos a manter a paz”.

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Obviamente, um problema tão complexo não seria resolvido apenas com corridas de carro, mas Big Willie deu sua importante contribuição. Ele conseguiu, por meio do amor mutuo que as pessoas tinham pelos carros, reconciliar, pelo menos durante aqueles eventos, os grupos sociais até então mais antagônicos. William “Big Willie” Robinson Andrew III faleceu em Maio de 2012.

A Invenção das Rodas que Gostamos

Dodge Dart Hemi 1968: Naqueles tempos, rodas Cragar era a escolha preferida em diversos segmentos. Foto: Mecum.com
Dodge Dart Hemi 1968: Naqueles tempos, rodas Cragar era a escolha preferida em diversos segmentos. Foto: Mecum.com

Quantas vezes você se deparou com a seguinte a cena:  O carro perfeito dos seus sonhos, mas com o conjunto rodas, pneus e altura (tanto pra alto como baixo demais) que arruinaram tudo, ou ainda, o inverso, um modelo que você nunca deu muita bola e foram justamente o esses três elementos que o salvaram do ostracismo.

Nos Estados Unidos essa preocupação com a estética do carro começou ainda em meados dos anos 50, conforme a febre por Hot Rods se espalhava por todo o País. Naqueles tempos, a escolha era limitada ao que poderia ser encontrado nas concessionárias e rodas para customização em larga escala ainda estavam distantes.  Sendo assim, os modelos com as calotas mais atraentes corriam o risco de ficar sem elas na calada da noite.

No começo não haviam muitas opções de rodas.
No começo não haviam muitas opções de rodas.

Com achegada dos anos 60, as modas, gostos e tendências evoluíram. Pela primeira vez, pneus com faixas brancas estavam disponíveis para o grande público, assim como os de linha fina. As rodas de fábrica cromadas eram uma forte tendência tanto nas ruas como em eventos de exibição. tetos recortados, paralamas modificados e pinturas cada vez mais ousadas. Foi nessa época em que percebeu-se que o mundo Hot Rod e Custom precisava desesperadamente de rodas em larga escala.

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Em 1964 chegava as ruas e pistas o modelo que, provavelmente, é a roda definitiva. O seu sucesso estrondoso, em um mercado que estava sedento por modelo que gerou cópias nos EUA (e até aqui no Brasil, via Mangels), estamos falando das Cragar S/S. A roda estrelada de cinco pontas e cromada em aço e alumínio era diferente de tudo que havia até então, além da beleza, a sua popularização foi graças ao seu preço razoável, R$2800 o jogo em valores atuais. Com o passar dos anos, diferentes tamanhos e materiais começaram a ser empregados, mas o desenho é basicamente o mesmo a exatos 50 anos.

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A popularidade da Cragar S/S  era tão grande que o modelo de roda agradava diferentes segmentos, tais como Muscle Cars, Hot Rods, Low Riders, Vans, Custom etc. Parte do segredo está na combinação com o conjunto certo de pneus, que torna a S/S uma roda quase que universal.

Mustang modificado na metade em diante dos anos 70.
Mustang modificado na metade em diante dos anos 70.

Outras rodas tiverem um sucesso relativo. As Astro Supreme surgiram um ano antes, em 1963, mas o formato cilíndrico dos seus raios não eram muito atraentes. Para o ano seguinte, o fabricante alterou este detalhe para um formato cônico, emulando o desenho das Cragar, que eram um sucesso absoluto.

Astros no Challenger.
Astros no Challenger.

Assim como Coca-Cola e Pepsi, Cragar S/S e Astro Supremes tinham desenhos semelhantes e travaram uma disputa durante os anos 60 e 70, com a primeira levando uma vantagem confortável. A licença para produção das Astro Supreme passaram por diversos fabricantes, variando o material e a qualidade durante essas décadas. Hoje as S ser a escolha principal dos primeiros Lowriders ainda na década de 60.

O Pneu correto também faz toda a diferença.
O Pneu correto também faz toda a diferença.

Outros fabricantes também procuravam destronar a Cragar S/S, como a Keystone Klassic, Rader Design, Fenton entre outras. Todas acabaram por lançar sua própria roda estrelada, de cinco pontas, a fim de ocupar um nicho que a Cragar criara sem inadvertidamente.

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Camaro com Slots na frente. Foto: Mecum.com
Nos anos 70, as rodas slots se tornaram populares. Este Chevelle 67 esta cercado por elas.
Nos anos 70, as rodas slots se tornaram populares. Este Chevelle 67 esta cercado por elas.

Na mesma época, a “Torq Thurst”, da American Racing, havia surgido, mas diferentemente da Cragar ou da Supreme, essas belas rodas, que calçaram carros lendários como o Cobra Daytona Coupe, eram direcionadas exclusivamente para carros de performance, limitando o alcance do seu público.

Torq Thurst era a favorita nas Pistas e não era tão vista nas ruas quanto a Cragar.
Torq Thurst era a favorita nas Pistas e não era tão vista nas ruas quanto a Cragar Foto: Mecum.com.
Lowriders em seu início também se renderam as Cragars.
Lowriders em seu início também se renderam as Cragars.

Portanto, dos anos 50 até o fim dos 70, a escolha das rodas, conjunto de pneus e altura podia determinar o estilo e a era a qual o carro pertence. Custom dos anos dos 50? Rebaixados, com rodas de aço (com ou sem calotas) com faixa brancas grossas. Hot Rods? Rebaixados, pneus finos na frente e largos atrás. Gassers? Bem altos, ligeiramente empinados, pneus finos na frente e largos atrás com rodas de aço. Primeiros Lowriders? Rebaixados, pneus com com linhas brancas finas e rodas Supremes ou Cragar. Muscle Cars? Altura de fábrica ou com a traseira bem mais alta, pneus letrados em branco, grandes atrás, menores na frente com Cragars, Slots, Keystone Klassics, Magnum 500.

Wing Cars em 1971?

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Até o final da década de 60, vencer corridas no automobilismo era uma estratégia importante para se vender carros. A Chrysler levou isso até as últimas consequências com a criação dos Wing Cars. Enormes, com um uma frente em cunha e um enorme aerofólio traseiro, estes carros (Charger Daytona e Road Runner Superbird) foram muito bem sucedidos na Nascar.

Já tratamos sombre eles aqui no Parachoques Cromados. O irônico é que estes carros em particular foram um fiasco de vendas, pois a sua comercialização não atendia nenhuma demanda especifica do público, e sim, a uma regra da Nascar.

A categoria máxima do automobilismo americano acabaria por bani-los ao final de 1970, por usarem recursos aerodinâmicos (depois de uma enorme pressão da Ford, que inclusive ameaçou deixar a competição). Sendo assim, a Chrysler também abandonou o programa de carros aerodinâmicos naquele ano.

Para 1971, a empresa das cinco pontas reestilizou tanto o Dodge Charger e o Plymouth Road Runner, porém, suas versões de competição nunca tiveram acessórios aerodinâmicos como na geração anterior… Pelo menos até a empresa 71 Wing Cars aparecer.

A proposta da companhia é um divertido exercício de “E se” o programa de carros aerodinâmicos tivesse continuado? Ou seja, Eles transformam Chargers e Road Runners 1971 em Wing Cars, quase como se fossem de uma realidade paralela ou futuro alternativo. Veja mais em 71WINGCARS.COM

Dodge Challenger R/T 1970 – “El Hemi”.

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Em 1970 foram produzidos 76.935 Dodge Challengers, destes, apenas 356 abrigavam o lendário motor 426 Hemi embaixo do capô. Mas, entre esta três centenas e meia desse raríssimo e cultuado modelo, apenas um tem uma história tão curiosa envolvendo um Dodge Dart 383 e viagens entre a Venezuela e os Estados Unidos.

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A saga começa no meio dos anos 60, em Caracas, na Venezuela, cidade de Jose Escalante, um jovem engenheiro amante de carros que sonhava trabalhar na indústria automobilística. Naquela época, Escalante conheceu o homem que, mais tarde, se tornaria seu melhor amigo, Gustavo Sandoval. Gustavo já trabalhava como engenheiro na Chrysler daquele país.

Prestes a entrar na Universidade, josé vendeu o carro dos seus sonhos até então, um Dodge Dart 383 1968 e guardou o dinheiro. No mesmo período, seu amigo Gustavo foi escalado pela Chrysler para se mudar para Detroit. Algum tempo depois, Sandoval convidou de José e a sua família para a viagem.

No outono de 1969, José, sua esposa e os dois filhos, chegaram em Michigan. Fãs de Mopars desde muito tempo, a visita ao Salão do Automóvel daquele ano era um evento obrigatório. Ao ver o novíssimo Dodge Challenger, Jpsé já sabia onde aplicar o dinheiro da venda do Dart .

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No dia 12 de dezembro de 1969, José Escalante trouxe pra casa um Dodge Challenger R/T Hemi na cor “Hemi Orange” para casa. Com a gasolina quase de graça. o clássico de motor 7.0 foi o carro de uso diário da família Escalante. Nos meses seguintes, José se apaixonou pelo capô preto fosco com scoop, spoiler e outros detalhes apenas oferecidos para a versão T/A. Graças as conexões do seu amigo Sandoval com os fornecedores de peças da Chrysler, Escalante conseguiu instalar esses detalhes no seu carro, tornando o único. A partir daí, o carro receberia o apelido de “El Hemi”.

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Em 1972, o departamento de compras da Chrysler Venezuelana oferece a José um emprego que, por sua vez decide, junto com  sua família, voltar para a América do Sul. Pouco tempo mais tarde, o Challenger fez a mesma viagem e se juntou ao resto da família. Naqueles tempos, as corridas de rua eram populares na Venezuela e José estava mais do que preparado. Entre uma ida e volta ao trabalho, seus desafiantes perderam muito dinheiro em apostas. A fama do “El Hemi” se espalhava pelas ruas.

No ano de 1980 “El hemi” foi guardado para uma revitalização, À aquela altura, constavam 93 mil quilômetros no seu odômetro. A indisponibilidade de peças impediu que José pudesse retificar o motor e o carro ficou parado por quatro anos. Um dos filhos de Escalante, chamado Juan, pôde, finalmente dirigir o carro que ele sempre sonhou durante sua infância, mas a alegria durou pouco. O carro foi novamente encistado e assim ficou por mais de 10 anos.

Foi apenas em meados da década de 90 que os filhos de José Escalante – Juan e Gustavo – puderam retomar o projeto da restauração do “El Hemi” em uma oficina nos EUA.  No entanto, eles levaram mais de seis anos lidando com questões burocráticas e corrupção para enviar o Challenger em um container, via navio, de volta ao país de origem para o seu renascimento.

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Na primavera de 2002, na companhia dos filhos, José Escalante entregou o carro nas mãos de Rick Kreuziger, da RestoRick, também conhecido como Mopar Doctor de Wisconsin. Com a restauração completada em 2005, “El-Hemi” finalmente foi trazido de volta a vida e à América do Sul. Para mais informações, detalhes e fotos acesse http://elhemi.com.

O Amor Nórdico pelos Carros da América do Norte

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Dodge Charger 1970 mostrando todo seu torque nas gélidas estradas suecas. (Foto: MoStuff Sthlm)

Responda rápido, qual país da Europa reúne o maior número de Muscle Cars per capita, regularmente organiza eventos, como encontros, arrancadas e importa modelos clássicos aos montes? Se a sua resposta foi “Suécia” (O que eu duvido), bingo, você acertou! Acredite ou não, o país Escandinavo que conhecemos pelos longos períodos de inverno e altos índices de desenvolvimento humano é o território Europeu onde a paixão por carros V8 americanos é um casamento longo e duradouro.

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Suécia: Uma paixão pelos motores de 8 cilindros em V que já dura meio século. (Foto: MoStuff Sthlm)

O Amor Nórdico pelos Carros da América do Norte

“A Suécia tem uma longa história de pessoas que importam, restauraram e personalizam carros americanos. Tudo começou ainda na década de 50, com jovens selvagens, de diferentes gangues, chamados raggare, que compraram carros velhos e os transformaram em Hot Rod. Apenas passeando ou correndo, a farra deles nunca acabava. Ainda hoje há uma porção de raggare e, mesmo se os originais já não estão mais por aí, o fenômeno  parece sempre atrair as novas gerações, especialmente no interior do país”, nos conta Anders, fã de Muscle Cars sueco e um dos quatro fundadores da MoStuff Sthlm .

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Tradição: Na Suécia eles não ficam só em Showrooms ou Coleções. Por lá, eles são usados para o propósito o qual foram contruídos: Correr. (Foto: MoStuff Sthlm)

Segundo Anders, o amor da Súecia por velhos carros americanos é um grande movimento e em algumas partes do país, é possível ver o “aço de Detroit” em quase toda entrada de garagem das residências. O país nórdico acompanha a cena Muscle Car desde os tempos de glória, chegando a abrigar eventos  de arrancada ainda na década de 60, na pista de Anderstorp. O site Race 1968 abriga algumas fotos desta época e mostra que por lá, a coisa era bem séria desde o primeiro dia. O sucesso na Suécia era tão grande que equipes americanas de arrancadas, como a Sox & Martin e Dick landy,  tinham grande impacto do outro lado do Atlântico.

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Em qualquer ligar do mundo é “Mopar Or No Car”. Na Suécia não é diferente. (Foto: MoStuff Sthlm)

Anders nos conta que até a primeira grande crise do petróleo, houve uma onda de importação de Muscle Cars para o seu país. Os suecos passaram a compra lotes de bons carros, incluindo um monte de Hemis, Yenkos e Shelbys, que mais tarde fizeram o caminho de volta para colecionadores ricos dos EUA. A segunda onda de importação foi durante a década de 80, quando a cena das corridas de rua foi um grande movimento e um monte de corridas ilegais estava acontecendo. A terceira onda foi entre 2000 e 2008. “O dólar estava baixo e a economia sueca estava em seu auge, desta forma, várias pessoas importaram não só um, mas talvez 3 ou 4 carros de uma vez!”, explica.

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Embora os Mopars são os preferidos, todos Muscle Cars são bem vindos. (Foto: MoStuff Sthlm)
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Os eventos geralmente vão além da pura e simples exposição. (Foto: MoStuff Sthlm)

“Como no resto do mundo há uma dominação de Chevys e Fords, mas a Suécia tem uma comunidade Mopar muito forte. Você pode ter notado que somos caras Mopar de coração, embora realmente amo toda a cena” conta Anders, cuja a paixão pelos supra potentes carros da Chrysler o motivou a rastrear todos os Mopars que residem agora na Suécia. Isso acontece no encontro de Mopars – Orsa Drag Fest –  que reúne  mais 500 exemplares, o que o  torna o maior encontro do gênero na Europa.

MoStuff Sthlm – Um Estilo de Vida

“Para nós, sempre foram os elementos que cercam os carros (anúncios, comerciais, promoção, roupas, música da época, a arquitetura, as pessoas, etc etc) como os próprios veículos übercool que capturaram nosso amor.” (Foto: MoStuf Sthlm)

Se você é um fã Hardcore de Mopars clássicos e busca na internet fotos desses carros tão fascinantes, como nós, invariavelmente já cruzou com o trabalho dos caras na web, principalmente no Flickr. Mas afinal, do que se trata a MoStuff Sthlm?  Foi o que perguntei a Anders, quando, pra minha agradável surpresa, eles também abriram uma página no Tumblr. Anders, gentilmente nos respondeu o seguinte.

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Dodge Charger SE 1969 é um dos integrantes do grupo. (Foto: MoStuf Sthlm)

“Nós somos um grupo de quatro rapazes obcecados por Muscle Cars  e drag racing de pista e de rua da década de sessenta e começo da setenta. Começamos este negócio em 1998. Para nós, sempre foram os elementos que cercam os carros (anúncios, comerciais, promoção, roupas, música da época, a arquitetura, as pessoas, etc etc) como os próprios veículos übercool que capturaram nosso amor.

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Quiosque da MoStuff Sthlm nos eventos pela Suécia.

Nosso fascínio estava no fato dos fãs de Muscle Cars não estar totalmente cientes do quão legal e incrível são os elementos que cercam esses carros. Então, nós que temos alguns, decidimos fazer uma tentativa séria de conscientizá-los, assim começou Sthlm MoStuff!

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Desde então, exportamos jaquetas de corrida vintage,  peças personalizadas, peças publicitárias promocionais, fizemos a nossa própria linha de camisetas que são comercializadas, além de outras coisas que temos julgamos ser legal, relevante e de qualidade que divulgamos em diferentes encontros por toda a Suécia”.

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Como havia mencionado acima, as fotos são de uma qualidade visual superior, literalmente de cair o queixo e foi o que me chamou a atenção inicialmente. Esse cuidado com a imagem delas está totalmente ligado ao conceito que a equipe MoStuff Sthlm tenta difundir. As imagens são feitas em diversos encontros e eventos de arrancadas pela Suécia. “Nós tentaremos o nosso melhor para não tirar fotos como qualquer outra pessoa faria e sim,  trazer um sentimento de época”. explica Anders.

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Mas e as estrelas do Show? Quais carros integram a equipe MoStuff Sthlm? É um verdadeiro “Dream Team”! Anders nos conta que a frota deles é composta por um Dodge Coronet 500 1968, um Dodge Charger 1969 SE, um Plymouth Duster 1970, um Dodge Dart 1975 Esporte Hang Ten e uma  Dodge A100 van 1968.

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Desde 2009 os caras tem uma loja sede em Odenplan, no centro de Estocolmo, onde tentam fazer em seu interior todo um tributo à era  Muscle Car. O próximo passo para eles é disponibilizar o site, bem como a página no Facebook em inglês, pois já comercializaram roupas e souvenirs para todo o planeta.

Embora tenham tido algum reconhecimento internacional com os artigos vendidos, Anders deixa claro que o que os move é a paixão. “É importante saber que Sthlm MoStuff é um estilo de vida, todos nós temos outros trabalhos e não lucramos absurdamente com o nosso negócio, nós o mantemos porque amamos!” Conclui.

Confira Mais Em:

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A Cena Muscle Car na Europa 

Uma das perguntas que fiz a Anders, em meu primeiro contato, foi qual era o panorama da cena Muscle Car no Velho Continente. Sabemos que a Europa tem uma longa tradição automobilística e geralmente (assim como nos EUA) são bem orgulhosos quanto a fabricação de seus próprios automóveis. Daí, partiu minha curiosidade em saber como era a relação da comunidade européia com o bom e velho “Detroit Iron”.

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Anders explicou que os vizinhos mais próximos da Suécia como Finlândia, Noruega e Dinamarca têm cenas muito fortes e que, muitos deles, visitam encontros suecos durante o verão. Já os alemães,têm um senso estético muito legal e vários modelos interessantes.

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Os britânicos, por sua vez, tem uma longa tradição em corridas de arrancada, com a abertura de Santa Pod Raceway, em 1966. O país tem uma cena de Muscle Car tão sólida que a versão européia do Mopar Nat é realizada em Pod Santa.

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França e Suíça tem uma comunidade pequena, mas entusiasta, com alguns carros realmente raros, mas a Suécia é, de longe, o país europeu com a maioria dos carros americanos per capita. Há um grande movimento por lá em restaurar, customizar e construir hot rods durante os longos invernos e sair a passeio e correr durante o verão.

A História de uma Foto

1967 Plymouth GTX - 1968 Dodge Charger - 1969 Dodge Super Bee

Os Muscle Cars parecem viver sua redenção nos dias de hoje. Primeiro foram objeto de desejo dos baby boomers, viraram vilões para as empresas de seguro, dos lobistas e vítimas da crise do petróleo. Vendidos a preço de banana no começo dos anos 80, tiveram uma valorização exponencial na última década. Ter um Muscle Car clássico hoje na garagem passou a ser um sonho para poucos. Já pensou em ter três de uma só vez? Essa foi a realidade de Scott Crawford, que já esteve aqui no Parachoques Cromados contando um pouco sobre a sua história com um dos mais belos Dodge Charger R/T 1968 que se tem notícia. Confiram abaixo a deliciosa história sobre a foto que ilustra esse post:

“Houve um período de 4 anos, de 1986 a 1990, quando esses 3 carros foram mantidos em companhia, escondido em um edifício de armazenamento recluso perto de uma área industrial em Yakima, no estado de Washignton.

Este terrível granulado da imagem (e impagável) narra o conto sobre como o Charger, um Super Bee 1969 ½ 440 Six-Pack e um Plymouth GTX 1967 440, de 4 marchas  estavam em um armazenamento juntos enquanto eu voltei para a faculdade, que ficava à milhas de distância.

No início de 1983 eu convenci meu pai que precisavamos de um projeto familiar, no qual  nós podíamos usar ferramentas juntos e, possivelmente, conseguir um lucro no final. Eu encontrei um Plymouth GTX 1967 em condições “difíceis”, mas que depois de 2 anos de suor, dinheiro e esforço, ficou excelente.

Inesperadamente, encontrei um antigo piloto de arrancada velho com um Dodge Super Bee 1969  ½ – bem conservado – 440 Six-Pack  (fazia o 1/4 de milha em 11s) em 1985, e com alguma sorte o convenci a vendê-lo para nós. Um ano mais tarde, com mais suor, mais dólares e mais esforço, ele também ficou excelente.

Este trio incrível permaneceram juntos, empoeiradando e congelados no tempo, até o início de 1991, quando tanto o Super Bee quanto o GTX foram vendidos.

Penso muitas vezes nesses tempos de glória, quando eu possuía, pelo menos parcialmente, quatro muscle cars clássicos, (meu carro de uso diário era um GTO 1969), mas algumas das minhas melhores lembranças são da época do meu pai e eu ficamos juntos restaurando o GTX e o Super Bee”.

Scott Crawford

Oficina Rota V8

Quando estive no Salão Internacional de Veículos Antigos do ano passado, a convite da Tunneo Hot Volante Personalizados, não pude deixar de notar, em um dos estandes, um imponente Chevrolet Monte Carlo 1972. O clássico Chevy, era só mais um dos inúmeros projetos de restauração da Oficina de Restauração Rota V8. Ontem, finalmente a convite do Anderson Viana – um dos sócios proprietários juntamente com o Ricardo Alamazan e o Arley – pude conhecer o trabalho da empresa de perto e, se você é fã dos carros que roncam grosso, o lugar é um pedaço do paraíso na Rua Baltar 1103, na Vila Prudente, aqui em São Paulo.

Em seu início, a empresa era especializada na restauração dos queridos Ford Mavericks, mas com o passar do tempo, expandiu suas operações e hoje em dia são capazes de restaurar qualquer veículo antigo, nacional ou importado. Se o seu sonho está na na terra natal dos carros de grande cilindrada e consumo nada modesto, sem problemas, a divisão da empresa – Rota V8 Imports – também traz dos Estados Unidos virtualmente qualquer veículo com mais de 30 anos. Além de importar e restaurar – outro braço da Rota V8 – a Dreams Customs – é capaz de customizar o carro de acordo com o gosto do cliente.

Como eu dizia anteriormente, a visão ao adentrar nas dependências da oficina é de se encher os olhos. Graças a reputação adquirida com os Ford Mavericks, muitos donos confiam seus carros a oficina. É uma cena incrível ver uma dezena desses modelos reunidos, mesmo que em diferentes estágios de restauração.

Dividindo o espaço com os Mavericks estava alguns exemplares do  “primo rico”, o Ford Mustang. Logo na entrada, um belíssimo exemplar 1967 Fastback na cor preta, completamente restaurado por eles. Segundo Anderson, a restauração levou um ano inteiro para ser concluída. O resultado você pode conferir nas fotos.

Às portas da Oficina, um quarentão de sobrenome inconfundível chama a atenção de quem passar pela rua residencial com ares de subúrbio americano dos anos 70.

O Dodge Charger SE 1972 foi trazido pela empresa para restauração e, depois de pronto, ser comercializado. Anderson me explicou que o carro estava em Salt Lake, no estado de Utah, nos Estados Unidos e pertencia a um mecânico.

Se não fossem pelas rodas American Racing Torq Thurst e os monstruosos BF Goodrich 295 na traseira, este Charger seria um legítimo “Sleeper” (carros com uma aparência que oposta a sua performance). isto porque seu dono anterior substituiu o respeitável V8 383 (6.2L) pelo monstruoso, também V8 440 (7.2L).

Outro projeto interessante da Oficina, desta vez envolvendo envolvendo pessoas, é a formação de jovens especializados em funilaria de carros antigos. A ideia é passar para a próxima geração a paixão e o conhecimento necessário para manter viva a memória desses incríveis carros. Rota V8 – Rua Baltar, 1103 – Vila Prudente, São Paulo – SP. Telefones: (11) 9426-3024 / 6332-3992 / 9159-4545.

Scott e o Charger

Scott Crawford e o seu Dodge Charger 1968.

Meu nome é Scott Crawford e fui  adolescente em um momento perfeito. Era um garoto da Força Aérea, (meu pai era piloto e voou no supersônico Convair B-58 Hustler, mas isso é outra história). Fui para 10 escolas diferentes  durante tantos anos e finalmente  desembarquei em Spokane, Estado de Washington, por causa da Base Aérea de Fairchild.

O pai de Scott na Força Aérea dos EUA. Duas gerações pilotando Super Máquinas.

Era muito jovem para ter experimentado os céus da primeira geração dos Muscle Cars. Entrei no colegial, no mesmo momento em que modelos de 1964 até 71 foram re-entrar no mercado como carros usados (incríveis).

Durante anos a jóia rara ficou guardada em muito boa companhia.

Eles variaram de destroços, com seu segundo ou terceiro motor, ostentando cada acessório maluco que a loja local tinha a oferecer, até jóias deslumbrantes, bem cuidadas e quase sem uso. Este último tipo normalmente exigia algum (bom) trabalho e bolsos bem profundos, já que o primeiro tipo poderia ser adquirido por tão pouco, cerca de $ 500,00, enquanto que um sleeper saia por US $ 1.500,00.

Eu adorava carros desde o primeiro momento em que pude andar e, como todo adolescente calouro, eu assisti com grande interesse, os alunos juniores e seniores desfilaram até a escola em seus Muscle Cars recém-adquiridos. Não demorou muito para que eu começasse a pensar em que a máquina seria a minha.

Foto tirada em 1977, na University High, logo após Scott ter terminado o High School.

Minha primeira visão do filme Bullitt, com Steve McQueen, selou minha decisão. Eu tinha que ter um Charger 1968. Comecei minha busca e após 6 meses,  encontrei e comprei o carro tenho até hoje. Foi alguns meses antes do meu aniversário de 17 anos e meu mundo mudou para sempre. Uma vez que o mundo do Muscle Car se abriu pra mim, apenas estar no carro tornou-se uma experiência espiritual. 

"Acho que ela me ama. Isso é o que acontece quando uma garota gosta de você e demonstra amassando e jogando jornais no seu carro". disse Scott, com 17 anos na foto.
O pai e a irmãzinha de Scott ajudam Scott a se livrar da demonstração de carinho.

Era um tempo onde aparentemente todos os outros carros nas ruas eram Muscle Cars. Pelo menos era o que acontecia quando eu cruzava a Avenida Riverside Spokane, o nosso point de encontro. O que hoje em dia equivaleria a uma participação insanamente impressionante de um encontro de carro nacional, era bem comum nas noites em Riverside.

Quando escolhi meu Charger, em 1977, já era um carro de nove anos de idade. Embora longe de novo quando eu cheguei, ele estava em excelente estado para a sua idade e eu nunca tive que fazer alguma coisa para ele, exceto mantê-lo em boas condições (nem sempre é fácil para um adolescente). 

Ele é uma cápsula do tempo do meu último ano no colégio por ser  tudo original (até hoje), exceto pelo sistema de som insano que coloquei nele alguns anos atrás e os itens de manutenção ocasionais, muito poucos ajustes, correções e substituições de acabamento. 

Também substituí as rodas e pneus dele em 2006 por Cragars e  BF Goodrich Radial T/A, que estão no mesmo tamanho das originais.

A História por trás da História

Quem gosta de carros antigos e tem um perfil no Facebook sabe que algumas pessoas são personagens tarimbados nesse mundo fascinante dos clássicos. Se você quiser ficar bem informado sobre eventos, história e receber atualizações religiosamente diárias, além de curtir certas páginas, precisa adicionar alguns desses “Gurus”.

Acredito que o mais prolífico é o “Mestre” Mário Cézar Buzian que,  involuntariamente (ao que parece) transformou seu perfil em uma verdadeira enciclopédia. Um espaço melhor que muito blog que há por aí. É impossível não aprender algo novo com suas atualizações. Basta ver um de seus albuns de fotos entenderá o que eu digo.

Lembrei do Buzian porque se não fosse ele, esse post não seria possível. Em uma dessas atualizações, Buzian compartilhou uma foto incrível de um Dodge Charger 1968. Notei a foto tinha como origem o perfil de Scott Crawford. Adicionei o sr. Crawford a lista de amigos sem muitas pretensões, afinal ele não me conhecia e não teria, a princípio, que aceitar meu pedido.

Não demorou muito para que a solicitação fosse aceita. O meu queixo caiu assim que vi o as inúmeras fotos do seu Mopar Clássico. Além de ser um belíssimo carro, na cor Medium Green Metallic com teto de vinil verde escuro, Scott tem um ótimo gosto para fazer seus cliques. Suas fotos não devem – em nada – às que você vê em revistas. Sua paixão pelo seu carro é tanta, que o seu perfil pessoal divide as atenções com o Charger.

Nem toda a tecnologia do mundo conseguiu distrair essas pessoas.

Como todo jornalista é meio cara-de-pau, mandei uma mensagem, perguntando se ele aceitaria dar uma entrevista para o nosso humilde espaço. O senhor Crawford aceitou na mesma hora. Aliás, vale ressaltar que Scott é uma  pessoa muito acessível. Observei que ele adiciona pessoas de todo mundo e sempre responde, pacientemente, às perguntas que pipocam entre os mais de 3.500 assinantes do seu perfil. Comigo não foi diferente. (Bem diferente de algumas “Prima Donnas” que costumam aparecer em encontro de antigos por aqui).

Mandei algumas perguntas e a respostas vieram em forma de depoimento, que vocês puderam conferir. Ao terminar a leitura, vocês entenderam porque decidi manter ele na íntegra, sem o intercalamento das perguntas. Ainda há algumas respostas que Scott ficou de mandar e atualizarei assim que elas chegarem. Para mais fotos do Charger acesse a página de Scott no Flickr, seu Perfil ou a Página  do Parcahoques Cromados Facebook.

Dodge Charger Bengal Tiger 1968

Um dos dois sobreviventes. A raridade é tanta que é difícil até encontrar fotos.

Hoje os olhos dos Estados Unidos estarão voltados para a grande final do Futebol Americano. Pros caras é o mais importante dia do calendário esportivo. Um amigo meu, americano, certa vez disse que, se o de coração dele (San Francisco 49ers) fosse pra final, seria como se o Brasil disputasse a Copa do Mundo.  Mas o que Futebol Americano tem a ver com carros antigos ou Muscle Cars? Bom, no começo de 1968, uma concessionária de Cincinnati produziu 50 unidades únicas para comemorar a formação do time da cidade, os Bengals.

Os carros foram pintados em um laranja único, chamado de “Tiger Orange”. Havia a opção de teto de vinil e as “Bengal Stripes” faixas na traseira, além de um emblema com a inscrição “Bengal”. Naquele ano, o Charger ganhava uma carroceria toda nova e o clima de euforia  foi tamanho que, as 50 unidades foram vendidas antes mesmo do time fazer sua estreia! Com o passar dos anos, esses carros caíram no esquecimento e, os fãs do modelo, afirmam que se tem notícia de apenas duas unidades sobreviventes.

Dodge Challenger R/T 1971 “Mr. Norm”

Fotos: Darin Schnabel.

Mr. Norm está para a Chrysler assim como Shelby está pra Ford ou Yenko para Chevrolet. Possuia uma concessionária em Chicago chamada Grand Spaulding Dodge, que ficou conhecida por todo os Estados Unidos graças as modificações que promovia nos já bem apimentados . O exemplo acima é mais uma das obras de Mr. Norm. Em 1971 o cerco já estava bem fechado para os carros de alta cilindrada cúbica e, aquele ano, marca o fim dos Hemi. Por essas razões, os modelos 1971 da Chrysler, que são equipados com o elefante laranja, são muito bem valorizados hoje em dia, chegando a marca dos quatro dígitos.

Os Mopars Trans-Am

Fotos: Matthew Litwin e Terry McGean.

Há mais de 40 anos, as três principais montadoras americanas ofereciam motores V8 gigantescos para os carros de passeio. As opções eram ditadas pelos consumidores e não pelas leis federais, companhias de seguro ou ainda a misteriosa “força de mercado”. Para se ter uma ideia, os V8 oferecidos hoje em dia, se comparados com o que era oferecido no auge da era Muscle Car em termos de litragem, se perderiam no abundante e vasto mar de Small Blocks daqueles tempos.

A Chevrolet hoje oferece o 6.3, o que seriam 376 polegadas cúbicas, a Ford recentemente ressuscitou o 302 (5.0) após anos alimentando o Mustang com o 289 (4.6) e o Hemi da Chrysler começa nas 350 (5.7). Nos dias de glória, para se pensar em competir de igual para igual com os adversários, a meta era, no mínimo, as 400 pol³. Ainda assim, os Small Blocks de 40 anos atrás receberam um tratamento diferenciado.

Como toda a política de marketing nos anos 60 era baseada nas corridas, as opções eram basicamente a expoente Nascar e a NHRA (Arrancadas). Em sua grande maioria, os modelos escolhidos para essas competições eram os modelos Mid-Sized (Médios) e os Full Sized (Grandes Top de Linha), todos com motores Big Blocks.  No mesmo período, a Ford havia tomado o mercado de assalto em 1964 com o Best-Seller Mustang, lançando o segmento de Pony-Cars (Compactos, pro padrão da época). A resposta da GM foi o Camaro e o Trans Am. A Chrysler, por sua vez, tardiamente, remodelou o Barracuda e lançou o Challenger.

Ambos motores produzem 290 hp...
...a 5.000 rpm.

Em 1966, o Mustang, além do sucesso de vendas, também encontrava êxitos em circuitos mistos da categoria Trans-America (Trans AM) organizado pela Sport Car Club of America (SCCA). Com o lançamento do Camaro e sua participação no ano seguinte, a Trans Am passou a ser a principal plataforma de publicidade para os Pony Cars. As montadora passaram a fabricar modelos de rua dentro das  especificações da categoria para homologar sua participação. A principal regra era o motor ter no máximo 305 pol³.

A ideia era sacrificar um pouco da potência em prol da dirigibilidade. O equilíbrio no peso era chave para vencer as curvas de circuitos como Laguna Seca e Road To America. Os Small Blocks aliviavam o  peso sobre  a coluna de direção, dando um pouco mais de precisão nas curvas, além dos freios a disco e barras estabilizadoras. Nasciam assim os lendários Ford Mustang Boss e o Chevrolet Camaro Z/28, ambos com 302 pol³. Mas a Chrysler pareceu pouco se importar com essa regra.

A resposta da marca das cinco pontas foram os, mão menos míticos, Dodge Challenger T/A e AAR ‘Cuda, fabricados apenas em 1970. A norma das 305 pol³ foi ignorada e foram instalados motores de 340 pol3. Não satisfeita, a montadora ainda instalou carburadores triplos de corpo duplo. Além de ignorar a regra da litragem (302 ou 5.0) com seus 340 5.5 , a Chrysler também ignorou a regra que permitia apenas carburadores simples de corpo quádruplo.

O resultado disso, pelo menos nas pistas, foi o insucesso de ambos os modelos, que perderam espaço até para a American Motors que, para a surpresa de todos, inclusive das três grandes, abocanhou vitórias e, mais tarde, um título. Isso também teve efeito sobre as vendas. Em 1970,  ano de lançamento do Challenger e do redesenhado Barracuda, as vendas não foram como o esperado. Aliás, apesar do status de lendas que esses carros tem hoje, naqueles tempos, foram retumbantes fracassos que deram muitos prejuízos a Chrysler.

Isso se reflete hoje, na super valorização dos Challengers e Barracudas clássicos. Drew Park, sortudo proprietário dos modelos aqui mostrados, conta para o site Hemmings que, o fato da Chrysler ser a menor das três grandes tem um custo até hoje.

“Quando eu olho para um carro para restaurar, eu sempre vou considerar o se o custo será maior que o valor de veículo quando finalizado. Você pode obter se dar mal bem rápido se restaurar um carro que tem pouco valor quando pronto. Os Mopars ocupavam um distante terceiro lugar em vendas durante a era dos Muscle Cars, por isso, peças para estes carros são caras e custa muito  reequipa-los com peças de pequenas tiragens. Não existem muitos fabricantes dispostos a gastar o dinheiro para um mercado tão pequeno. Eu poderia restaurar dois Camaros ou Mustangs pelo preço de um ‘Cuda ou Challenger”, conclui.

Miniaturas Ertl: American Muscle

Talvez esse blog não existiria se não fosse a Ertl Company, empresa especializada em miniaturas de veículos agrícolas. Explico, no começo da década de 90, mais precisamente em 1994, esse que vos escreve, então com 12 anos, passava na Rua Augusta em frente a uma tabacaria no extinto Promocenter. Lá, vi um Ford Mustang 1964 1/2 em escala 1:18 que, mais tarde,  seria meu presente de aniversário. O modelo era fabricado pela Mira, mas foi o ponto de partida para o início de minha coleção e, consequentemente, paixão pelos carros americanos, especialmente os Muscle Cars.

Pouco tempo depois começaram a aparecer os verdadeiros Muscle Cars, fabricados pela Ertl Company. Lembro que o meu irmão mais velho apareceu em casa com um Chevrolet Chevelle SS 454 1970. Não demorou muito, um Plymouth Road Runner 1969 se juntava a coleção. O meu primeiro exemplar do “Aço de Detroit” foi um Buick GSX 1970. Também fazem parte da coleção, um Shelby Cobra 1965, Chevrolet Corvette Stingray 1965, Pontiac GTO The Judge 1969, Chevrolet El Camino 1970, Chevrolet Impala SS 1964, Dodge Challenger 1970, Chevrolet Monte Carlo 1970, Ford Torino GT 1971, Pontiac Trans Am Firebird 1973,  Plymouth Duster 1973, Oldsmobile 442 1970, Chevrolet Chevelle 1867 e um Chevrolet Bel Air 1955 (Ufa, acho que me lembrei de todos dessa fabricante. A maioria está guardada). Me recordo de ficar fascinado com o “novo” mundo automobilístico que se revelava para nós naqueles tempos. Veja bem, hoje qualquer garoto de 12 anos acessa a Internet e, ao alcance de alguns cliques, consegue toda a história e põe um Charger como papel de parede em seu LapTop. Mas há 17 anos, nossas fontes era um dicionário português-inglês e as informações que estavam verso da caixa desses “carrinhos”.

Mas e as revistas? Naqueles tempos, a Quatro Rodas só falava de carros de mercado. Eu e, principalmente meu irmão mais velho costumávamos ler as publicações que, muito raramente, dedicavam algumas linhas para os V8 americanos. Houve uma edição, da extinta, mas  muito boa, “Oficina Mecânica” que falava sobre um Dodge Challenger 1974 e um Coronet Super Bee 1970. Este último, se bem me recordo, adquirido pelo proprietário a preço de banana em um leilão da Receita Federal no fim dos anos 80.  Uma publicação, mais tarde naquela década, que começou a dar destaque aos Muscle Cars e carros antigos em geral, chegando a criar uma publicação à parte, foi a excelente Auto & Técnica.

Mas voltando as miniaturas, com o passar dos anos, os espaços em casa bem como no bolso foram diminuindo em proporção inversa à escalada do dólar. Isso foi preponderante para que eu encerrasse por tempo indeterminado a minha coleção. No começo, com o Real recém lançado e mais forte que o poderoso dólar, as réplicas custavam entre R$ 50 e R$ 100, dependendo do modelo e fabricante. Hoje em dia, ultrapassam fácil os R$ 250. Muita grana pra quem tem um Chevrolet Opala 1977 em escala “1:1”. Os HotWheels ajudam a combater a “crise de abstinência”, mas ainda babo quando frequento sites como o Die Cast Muscle Cars. Vocês colecionam alguma coisa?

De Férias Com Os Antigos

Normalmente, as férias de verão estão associadas às viagens para praia ou campo, muito calor e momentos de descanso com toda a família e pé na estrada. Para encarar as rodovias está o principal companheiro dessas horas, o automóvel. Mas, o que fazem os proprietários de carros antigos nas tão aguardadas férias?

Mário César Buzian, proprietário de um impecável Dodge Dart 1979 – chamado carinhosamente apenas de “Sumatra”, nome de sua coloração marrom – aproveitará as férias para colocar a manutenção do clássico Chrysler do Brasil em dia. “Nessas férias eu pretendo desmontar o interior do Sumatra para lavar o carpete, depois limpar detalhadamente tudo no porta-malas e cofre do motor”, conta.

E isso é só o início, a seguir Mário explica qual será a próxima etapa: “Após essa faxina, um bom polimento externo, as verificações de praxe como troca de todos os filtros e fluídos e, se sobrar tempo (entenda “dinheiro”), mexer nas suspensões dianteira e traseira, trocar todas as buchas, borrachas, tensores, pivôs e amortecedores”.

Por fim, os últimos acertos. Um deles, para encarar o calor dessa época do ano. “Quero reinstalar o engate traseiro Turiscar e mandar dar uma revisada em todo o sistema de ar-condicionado”.

A preocupação com a manutenção também será prioriade para Raphael Banos, proprietário de três clássicos General Motors do Brasil. São eles: um Chevrolet Opala 1977, outro modelo SS4 1974 e uma Caravan, também esportiva, ano 1980. “No meu periodo de férias, normalmente procuro adequar meus horários com o de mecânicos, funileiros etc e levar os carros para fazer revisões preventivas ou manutenção de detalhes”.

Enquanto conversávamos, Raphael disse como já começou a cuidar da saúde de seus carros. “Agora mesmo aproveitei uma brecha na agenda para levar um dos carros para uma revisão na carburação e trocar alguns detalhes de acabamento do interior”. Banos lembrou em seguida que essa é uma preocupação constante. “Não que isso não seja feito durante o ano todo, mas na férias tenho mais tempo para matutar como fazer e também tempo de mexer eu mesmo, o que é raro de acontecer devido à falta de tempo”, explica.

Sobre viajar com um dos seus antigos, Raphael prefere a calmaria de outras épocas do ano. “Nunca viajo de antigo nas férias, pois só tiro um descansinho entre o Natal e o Ano novo, ou seja, é o período mais quente, mais lotado, com um volume de pessoas alcoolizadas muito maior. São fatores que me intimidam a arriscar os ‘meninos’ nas estradas”.

Outro elemento decisório para deixar os antigos “de férias nas férias” é o conforto. “Apesar de amar os antiguinhos, viajar com um carro moderno, com todas comodidades contemporâneas, é muito melhor e a mulher não reclama”. Mas isso não impede que Raphael coloque seus clássicos para rodar. “Eu adoro viajar com eles, mas em epócas mais vazias e menos perigosas”, conclui.

Dodge D100 Dude 1970-71

No auge da era Muscle Car, muitos modelos não escaparam do visual chamativo daqueles tempos. Nem mesmo a pacata e “trabalhadeira” Dodge D-100 americana, que também foi fabricada por aqui, diga-se. Em 1969 a Chrysler passou a oferecer ao pacote de aparência esportiva para a picape, chamado de “Dude Sport Trim Package”.  Era essencialmente uma D100 de 1/2 tonelada com as faixas em “C” laterais, semelhantes as exibidas em alguns Coronet Super Bee’s e no Dodge Charger R/T 1971 nacional, e calotas estilo Dog Dish  (vasilha de cachorro em tradução livre).

Outra diferença para a D100 comum, era a tampa traseira, que  também contava com um decalque, mas sem as letras em relevo típicas da picape. O teto era oferecido na cor das faixas e era pintado com uma tinta texturizada. Nos folders de divulgação da época, também era oferecido o revestimento em vinil.

Os números de produção para a D100  são bem baixos, em relação a GM e Ford. Isto torna a versão “Dude” desejável para alguns colecionadores, principalmente as que saíram em 1970. Naquele ano, foram  38.857  e, em 1971, 33.487 veículos. Estima-se que entre 1.500 e 2000 “Dudes” tenham sido encomendados entre as quase 73 mil picapes fabricadas nesses dois anos em que foi oferecido o pacote. As opções eram mais variadas no que dizia a respeito da aparência do que em avanços de engenharia. Os motores oferecidos eram o Slant 6, o small block V8 318 (5.2L) e o big block V8 383 (6.2L). Havia uma grande variedade de cores e o comprador podia optar por bancos separados, com um console ao meio, e ar condicionado.

Chevrolet Opala SS 1971: 40 Anos

Durante seus 24 anos de produção ele angariou consumidores fiéis. Quase 20 anos depois de sair das linhas de produção, deixou uma legião de fãs. Reza a lenda que, quando foi anunciado seu fim, devotos do modelo e trabalhadores da GM protestaram na porta da fábrica em São Caetano do Sul. O Chevrolet Opala deixou um legado na história da indústria nacional de automóveis e sua versão esportiva só ajudou a engrandecer o mito. O primeiro deles, o Opala SS produzido em 1971, completa 40 anos.

Em março daquele ano, a revista 4 Rodas convidou o legendário construtor, chefe de equipe e fundador da Lotus, Colin Chapman e o, não menos importante, na época campeão do mundo de F1, Emerson Fittipaldi para avaliar alguns esportivos nacionais, a saber: Dodge Charger, Puma, TL, Galaxie e Corcel. Chapman fez uma ressalva quanto aos freios do Opala, mas foi o modelo que mais lhe agradou.

“Deve ter havido alguma falha de ajuste na montagem dos freios”, comentou. Disse que o defeito pode ter sido eventual, mas ao dar nota, preferiu considerá-los “ruins”. Depois disso, entrou muito quente numa curva, mas sorriu satisfeito quando o carro obedeceu bem e fêz a curva sem problemas. Por fim disse que, se fosse comprar um dos carros que testou no Brasil, escolheria o Opala 4100. “Ele acelera muito bem, é macio, veloz e estável. Mas os fabricantes devem tomar mais cuidado na montagem do freio”.

Já Emerson gostou do desempenho e criticou as linhas sóbrias do Opala. O desempenho esportivo do Opala SS foi o que mais impressionou Emerson: chegou aos 180 km/h marcados no velocímetro e elogiou a estabilidade do carro. Gostou também da posição de dirigir, da alavanca de câmbio instalada no console e achou ótimos os freios (que não falharam, ao contrário do que ocorreu com Chapman). Mas achou muito alto o nível de ruído interno e fez outras restrições:

“Acho que o carro poderia ser um pouco mais baixo e ter rodas mais largas. Talvez isso melhorasse sua tendência de sair de frente, quando a gente entra muito quente nas curvas”. Também não gostou do estilo: achou que as linhas poderiam ser ” mais atuais” e que um carro com o desempenho do Opala SS deveria ter duas portas e não quatro: “Aquelas faixas pretas pintadas nos lados e no cofre do motor dão ao carro um jeito agressivo que não combina com as quatro portas”.

Hoje em dia pode parecer normal carros esportivos com quatro portas, mas em 1971, era algo inusitado. Naqueles tempos a preferência majoritária do público era pelos modelos 2p.  Por essa razão, os Opalas SS 1971 são especiais, pois foram os únicos  feitos em 4p, pois os Opalas coupes só seriam lançados no ano seguinte.

A aparência era chamativa, com listras no capô e laterais, como se tivesse saído do departamento de design da GM em Detroit. A grade frontal ostenta a lendária sigla “SS”, bem como o painel do porta malas. Aliás, não há um consenso sobre o que o duplo S significa. Alguns acreditam que seja “Separed Seats” (bancos separados, em inglês) outros, me incluo nesse grupo, defendem que as letras significam “Super Sport”. A primeira propaganda do modelo menciona o Chevelle e o Camaro, indicando que o Opala faz parte da “Escuderia SS”. Seguindo a lógica de que, lá na terra do Tio Sam, SS sempre quis dizer Super Sport, e levando em consideração a natureza esportiva do modelo, só posso concluir que seja isso mesmo.

Mas, falando em bancos separados e natureza esportiva, o interior é um dos mais belos e únicos entre todos os Opalas SS. A  combinação entre o volante e a manopla de câmbio em madeira só esteve presente naquele ano. Diferente dos primos americanos esportivos, de onde vem sua inspiração estética, o motor era o 6 cilindros em linha de 250 polegadas cúbicas e 138 hp, o que atendia mais do que o suficiente a necessidade do nosso mercado. Hoje, é um dos Opalas mais raros com poucas unidades sobreviventes. e a natureza esportiva do modelo, Confira a Linha do Tempo com os Opalas SS fabricados entre 1971 e 1980.

Chevrolet Corvette Baldwin Motion 1968

Em julho desse ano, falei aqui sobre a Baldwin Motion, uma concessionária Chevrolet que, entre 1968 e 1973, aprimorava a performance dos carros da marca da gravata. Só para relembrá-los, a revendedora, embora pouco conhecida como Shelby, Yenko e Mr. Norm, construiu alguns dos Muscle Cars mais poderosos que já rodaram no planeta. A fórmula era a mesma, colocar o maior motor disponível da GM em quase todos os carros da montadora.

Entre Novas, Camaros, Byscanes e Chevelles não poderia estar de fora o esportivo símbolo da Chevrolet, o Corvette. As modificações feitas pela Baldwin Motion não se limitavam a performance, a estética dos carros também era muito peculiar.

A começar com a pintura, onde faixas  tomam toda a traseira, lateral e capô. Os modelos contavam ainda com um Scoop e Escapes bem encorpados com saídas laterais. No caso do Corvette, havia uma mudança mais drástica, os característicos faróis escamoteáveis eram substituídos por outros no estilo “túnel”, semelhante aos carros europeus da época e do “nosso” Puma.

O modelo das fotos está a venda e é um dos primeiros fabricados. Está equipado o pacote Phase III, que além do V8 427, tinha como opção o 454 (7.4L)  com mais de 500 hp. O preço? US$ 139.900. Os três dígitos no preço deve-se as poucas unidades fabricadas. Segundo o site que o anuncia, a RK Motors, foram apenas 10 unidades.

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