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Daniel Sanchez

Chevrolet Monte Carlo 1971(2) do Fast and Furious: Tokyo Drift Está a Venda

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A cine-série Velozes e Furiosos divide opiniões com os fãs mais ferrenhos de automóveis, por outro lado, é um sucesso estrondoso com o público em geral.  Já foram 7 filmes e um oitavo está em pré-produção enquanto escrevo este texto.

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Independente de sua opinião como obra cinematográfica, não da pra negar a influência sobre o mundo automotivo.  Embora eu não vá no cinema assistir um dos episódios dede a terceira versão, sempre vou conferir o elenco automotivo da série.

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Esqueçam o Charger, presente em quase todos filmes, o Ford Mustang 1969, do 6° ou o Chevrolet Camaro Yenko 1969 e Dodge Challenger 1970 do 2°, o meu favorito sempre foi o Chevrolet Monte Carlo 1972 (Caracterizado como 1971) do 3° Filme. Recentemente descobrimos que também é o carro favorito do Dennis MacCarthy, o coordenador de veículos da série.

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Um dos, 11 modelos produzidos, para a curta cena de ação tinha o gigantesco V8 de 572 polegadas cúbicas (9.3 litros), mas todos os outros tinham simples V8 small blocks para manter o custo baixo. Um dos motivos para McCarthy eleger este Monte Carlo como o seu favorito é o fato de todos eles serem funcionais.

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O atual proprietário, David Martino, colocou o “Hero Car” (Carro do Herói) que não se envolve nas cenas mais perigosas a venda no Hemmings. Dos 11 carros feitos, estima se quatro ou cinco tenham sobrevivido a filmagem.

O Primeiro e Único Ford Mustang de Motor Central

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Algumas histórias da indústria automobilística ficam ocultas por décadas. Afinal de contas, nenhuma grande empresa gosta acha estratégico divulgar projetos que não deram certo. Este foi o curioso caso do Ford Mustang 1970 de motor central.

No ano de 1969, em meio a efervescência da era Muscle Car, a Ford já planejava lançar um Mustang com o maior motor disponível na época, o V8 de 429 polegadas cúbicas. Mas uma das questões apontadas desde o início era a distribuição de peso do carro, já que uma pesada unidade de força de 7.0 litros montado na frente poderia comprometer o manejo deste cavalo selvagem.

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Diante desta situação, a Ford recorreu a Kar Kraft, empresa associada que construía os modelos de performance, (os 1358 modelos BOSS entre 1969 e 70 foram montados lá) para uma missão inusitada: construir um Mustang com motor central com o menor orçamento possível.

O projeto ficou conhecido internamente como LID (Low Investment Drivetrain) em tradução livre “Unidade de Tração de Baixo Investimento”.  A ideia era fazer esta transformação inusitada apenas com peças disponíveis para manter os custos baixos.

Em linhas gerais, que foi tecnicamente realizado foi inverter a transmissão C6 automática junto com o motor padrão Boss 429. Ambos instalados em um sub-chassis traseiro removível, com o motor centrado diretamente sobre o eixo traseiro.

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Externamente não havia nada que denunciasse se tratar de carro com um configuração tão diferente. Era idêncito ao Mustang Sportsroof 1969. Já por dentro, o assento traseiro foi retirado e a área coberta com carpete preto, enquanto no compartimento do motor abrigava a bateria, radiador, e condensador de climatização, com ventiladores elétricos para fornecer refrigeração.

Para o acesso ao enorme V8,  o vidro traseiro foi substituído por um conjunto de persianas esportivas montadas sobre dobradiças e suportes dobráveis. O projeto LID foi um sucesso completo no ponto de vista da construção. A distribuição de peso do Boss 429 foi alterada de 60/40 na frente para 40/60 atrás.

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Diferente das expectativas dos engenheiros, com exceção de uma uma melhora na tração, não houve mudanças significativas no desempenho. A partir destas conclusões, o programa Mustang LID cancelado.

Assim como nós, você deve estar se perguntando: E o que aconteceu com esta única unidade produzida? Bem, segundo um artigo da Motor Trend em 1970, o modelo aguardava ser destruído em um ferro velho na área de Detroit.  Após 45 anos, o modelo não ressurgiu na mão de um colecionador ou escondido em algum celeiro, provavelmente deve ter tido este fim fatídico.

Primeiro e Único?

Em 1967, a Ford fez um protótipo de dois lugares e motor traseiro que poderia ser um substituto, mercadologicamente , do Cobra. O Modelo foi chamado de Ford Mustang MACH II, mas nunca saiu dos salões de automóveis.

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Em 2012 a empresa de customização Eckerts Rod and Custom apresentou no SEMA um projeto semelhante, mas o Mustang 69 deles recebeu o motor do Ford GT 2006. Embora ainda lembre o Mustang, houveram muitas mudanças na altura do teto que, na nossa opinião, deformaram o carro.

Perfil de uma Restauração

Foto: Hemmings
Antes…

O portal Hemmings é um dos maiores sites de carros antigos dos Estados Unidos, talvez do mundo. Além de matérias e notícias no blog, o site conta com uma enorme seção de compra e venda de veículos. Sério, se você curte carros antigos, principalmente americanos, vale a pena fazer uma visita, pois é atualizado diariamente pela equipe.

Foto: hemmings
…Depois.

O site promove ainda suas publicações impressas, a que mais me enche os olhos é a Muscle Machines, que conta com seções como “Carro Destaque”, “Muscle Modificado” e uma das minhas favoritas “Perfil de uma Restauração”, que ilustra esse post com um Plymouth ‘Cuda 340 1971 . Leitura obrigatória.

Dodge Daytona: Quase Um Milhão de Dólares

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Fotos: Cortesia Mecum Auctions

Os antes rejeitados, Dodge Chargers Daytona 1969 / Plymouth Road Runner Superbird 1970 tem crescido em popularidade e, principalmente, preço na última década. No último fim de semana, esses valores chegaram a novos patamares na casa de leilões Mecum Auctions. Um exemplar, dos apenas 20 Daytonas encomendados com câmbio manual de quatro marchas e motor 426 Hemi, foi vendido por 900 mil dólares.

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A Dodge construiu 503 Daytonas em 1969 para homologar a participação desses modelos na Nascar. Naqueles tempos, a categoria exigia das montadoras que os modelos apresentados nas pistas tivessem versões de rua para o consumidor. A Chrysler fabricou o número mínimo exigido. Destes, apenas 70 modelos eram 426 Hemi, 50 com câmbio automático e outros 20 com câmbio manual, como já havia mencionado.

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O exemplar do leilão sofreu algumas alterações no decorrer dos últimos 46 anos, tirando-o de suas características originais. Isto pode ter sido sua salvação, pois a customização o transformou em um modelo mais de exposição do que de uso.

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Em 1988 este Daytona recebeu uma restauração completa, abandonando o estilo Street Machine dos anos 70 para original de fábrica. Graças ao seus dias de “Show Car” hoje estão registrados apenas 6435 milhas ou 10.356 km rodados, possivelmente o mais bem conservado Daytona Hemi que se tem notícia.

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Segundo o site de fofocas TMZ, foi o ator David Spade, que interpretou o protagonista no filme Joe Dirt (que na fita também dirige um Daytona) o feliz novo proprietário que desembolsou quase um milhão de dólares.

Shelby Cobra 427 “Super Snake” 1966

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(foto: Barrett Jackson)

Street Legal. Essas duas palavras em inglês dão  um re-significado da frase “Plena Felicidade”. Em termos técnicos, geralmente é converter (e/ou) permitir que um carro de corrida possa rodar em  ruas públicas.

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(foto: Barrett Jackson)

O lendário piloto e construtor Carrol Shelby havia construído 23 Cobras de semi-competição para promovê-los pela Europa. Cansado de levar “vareio” de Mullin, seu amigo que dirigia uma Ferrari, Carrol queria que o 427 tivesse mais velocidade final. Para tal, instalou um par de superchargers Paxton. O câmbio era o do Lincoln Cruise-O-Matic. nascia assim, o primeiro, de apenas 2 fabricados, “Super Snake”.

(foto: barret Jackson)
(foto: Barrett Jackson)

No livro World Registry of Cobras and GT40s, 4thEdition o amigo de Carrol que costumava ganhar fácil do Cobra com sua Ferrari descreve.  “Após os 225km/h aquela coisa explodia, na verdade a aceleração em movimento era maior do que partindo da imobilidade. Engolia a minha Ferrari viva”.

(foto: Barrett Jackson)
(foto: Barrett Jackson)

O seguindo Super Snake foi construído para o comediante Bill Cosby, que certa vez, disse a Carrol Shelby que só compraria um Cobra se ultrapassasse as 200mph (320km/h). Ambos testaram a veracidade disso e Cosby, após um único test drive, voltou para concessionária apavorado e criou um número de stand up chamado “200mph“.

(foto: Barrett Jackson)
(foto: Barrett Jackson)

Shelby colocou o seu Cobra Super Snake a venda em 1968 e apenas no final de 1970 conseguiu um comprador, o compositor James Webb. Naquela altura aquele Super Snake era o único sobrevivente. A outra unidade, que já havia assustado Bill Cosby, sofreu um acidente grave com o seu dono Tony Maxley. O carro ficou completamente destruído e Maxley não resistiu aos ferimentos.

A única unidade restante ficou com James Webb até 1995. O compositor já havia rejeitado ofertas de 1.2 milhões, mas após problemas coma receita federal americana, teve que vender por “míseros” 375 mil. O carro teve outros donos, passou por uma restauração e foi arrematado em 2007 por 5.1 milhões de dólares pelo colecionador Ron Pratt. Neste mês, Pratt leiloou o Super Snake pela Barret Jackson, que foi arrematado por 400 mil dólares a menos que o preço pago por ele no leilão de 2007.

Performance Icons: Ford Galaxie 1965

Ned Jarret, Charlotte 400, 1965 (Foto: Ford Motor Company)

A Ford americana começou uma série de homenagens chamada Performance IconsO primeiro deles é Ned Jarret que, entre seus grandes feitos, tem o recorde (que provavelmente nunca será batido) 14 voltas dadas no 2º colocado na Southern 500 de 1965.

O Último Mustang Boss da Trans-Am Racing

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O ano de 1970 foi o auge e o começo do declínio da categoria mais fantástica na opinião desse blog, a Trans Am Racing. Em uma América onde as competições automobilísticas eram dominadas por Ovais e Pistas retas de 400m, a Trans America era o Oásis ara quem gostava de fazer curvas pros dois lados e acelerar por mais de um quarto de milha.

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Dos meados dos anos 60 até o início da próxima década a Trans Am ganhou tanta popularidade que, em 1970, as três grandes (Chevrolet, Ford e Chrysler), além da American Motors, passaram a investir pesado na categoria com equipes oficiais. No fim daquela temporada a Ford se sagrou campeã e, junto com as concorrentes, deixou a categoria.

Stitched Panorama

A Kar Kraft, empresa contratada pela Ford para construir os carros de corrida de 1970, enviou para a equipe de Bud Moore, parceiro da Ford na campanha campeã,  quatro Mustangs daquele ano, todos brancos, para serem usados na temporada de 1971. Dois destes carros foram usados para corridas, o terceiro ficou semi montado de reserva e o quarto, permaneceu, literalmente em branco, até 2011.

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Conhecido com o codinome tag #4 – 1971, o último Mustang Boss feito pela Kar Kraft para a Ford, foi uma busca de três anos do atual dono que comprou o bólido, ainda em branco, só na carroceria, com as peças  originais para a montagem. Nada menos que o próprio Bud Moore deu toda a assistência para que o virginal carro de corrida (que na verdade nunca chegou a correr, de fato) fosse montado de acordo com as especificações da época.  Para garantir ainda mais a autenticidade da montagem, foi consultado também David Tom, autor do livro The Cars of Trans-Am Racing 1966-72.

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A montagem levou 18 meses e a escolha do número 15, que pertenceu ao piloto Parnelli Jones – embora  o próprio (ou qualquer outro corredor) nunca tenha – usado este carro, foi sugestão de Bud Moore. A própria Bud Moore Engeneering acabou providencuiando cabeçotes para o imaculado V8 de 460hp.

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Como outros achados desse calibre, o atual dono decidiu levar o carro a leilão nos dias 15 e 16 de janeiro, pela RM Auctions. Nessa época do ano, nos resta sonhar com a Mega da Virada pra trazer um cavalinho desse pra casa. Estima-se que este Boss valha algo entre 250 e 450 mil dólares.

Pontiac Firebird Trans-Am 1977: Bandit Vai a Leilão

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Ainda na semana passada informamos que o Chevy 1955 do filme Two Lane Blacktop (Corrida sem Fim) vai a leilão em 2015. Agora é a vez de outro ícone do cinema ser vendido

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É nada mais nada menos que o Pontiac Firebird Trans Am 1977 usado na promoção do filme Smokey and The Bandit (Agarra-me Se Puderes), que atualmente pertence ao próprio, Burt Reynolds, ator protagonista da fita, será leiloado em Las Vegas junto com outros pertences do artista.

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Após o lançamento do filme, em um 1º de janeiro de 1977, este exemplar viajou os Estados Unidos para promover a película. É equipado com o motor V8 de 400 polegadas cúbicas (6.5 Litros) e 12 mil milhas (pouco mais de 19 mil kilômetros). Possui ainda uma placa dourada com os dizeres “1977 Pontiac Trans Am Owned By Burt Reynolds” (Pontiac Trans Am 1977 propriedade de Burt Reynolds).

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O leilão acontece no próximo dia 11 de dezembro, em Las Vegas. Além do automóvel, outros itens pessoais de Reynolds, como roupas, troféis , brinquedos etc serão vendidos.

Vai um Mopar aí?

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Enquanto o grupo FCA (Fiat Chrysler Autmobiles) orquestra a morte lenta da PentaStar, vale a pena relembrar porque amamos tanto os Mopars, especialmente no ventre das Cegonhas.

Chevy 55 do filme “Corrida Sem Fim” será Leiloado

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Chevrolet 1955. Foto: Barrett Jackson.

Hoje com o status de “cult” o filme “Corrida Sem Fim” (Two-Lane Blacktop, 1971) é daquelas fitas obrigatórias se você curte o combo motores V8, Hot Rods e Muscle Cars. Embora divida opiniões quanto ao seu enredo ou ritmo não-hollywoodiano, em um quesito consegue agradar a todos: O Chevrolet 1955 Gasser em Primer Cinza, que tem um papel fundamental na trama.

Chevrolet 1955. Foto Barrett Jackson.
Chevrolet 1955. Foto Barrett Jackson.

No aniversário dos 40 anos do filme, este blog o dedicou algumas linhas. “O enredo é bem simples. Dois amigos, retratados apenas como “Motorista” (James Taylor, músico) e “Mecânico” (Dennis Wilson, baterista do Beach Boys), viajam pelo país – em um Chevy 55 preparado artesanalmente – e sua única forma de renda vem de apostas em corridas.

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Em uma dessas viagens, são desafiados por um corredor (Warren Oates) a bordo de um Pontiac GTO. Este personagem também é apenas retratado como “GTO”. O desafio consiste em uma corrida até Washington D.C., onde o perdedor, perde o carro.”

Bastidores da Filmagem. 1970-71.
Bastidores da Filmagem. 1970-71.

No total foram usados três exemplares do Chevy, dois Hero-Cars e um Stunt Car. Os dois primeiros foram usados em cenas mais calmas geralmente com os próprios atores. O terceiro foi usado em cenas de velocidade, na mãos de dublês.

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V8 454; Foto: Barret Jackson.
V8 454; Foto: Barret Jackson.

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O modelo a ser leiloado foi preparado pelo mecânico da Universal Studios Richard Ruth. Além de um motor V8 de 454 polegadas cúbicas (ou 7.4 litros), as modificações incluem suspensão de eixo rígido na traseira, tunel da transmissão adaptado para o câmbio M-22 Muncie Rock Crusher e diferencial de Oldsmobile do começo da década de 60.  Visualmente um dos carros mais Bad Ass  e subestimados de Hollywood mantém sua cor Cinza Primer, frente e vidros laterais corrediços em fibra.

Interior minimalista. Foto:  Barret Jackson.
Interior minimalista. Foto: Barret Jackson.

Após as filmagens o carro foi vendido para um membro da equipe de mecânicos e teve diferentes donos ao longo desses 43 anos. O último deles, Walt Bailey, é um fã e historiador do filme, que localizou o exemplar no Canadá em 2000.

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“Motorista” de joelhos (James Taylor, músico) e o “Mecânico” (Dennis Wilson, baterista do Beach Boys).

Com a ajuda de Richard Ruth, que certificou a autenticidade do veículo, realizou uma restauração que visou preservar ao máximo as peças originais. O modelo em questão foi usado para filmagens onboard  e ainda preserva a peça onde a câmera ficava presa, no banco do passageiro.

O Chevy será leiloado pela Barret-Jackson em janeiro de 2015.

O Incrível Dodge Charger 1968 “Concept” da Pure Vision Design

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Foto: Hot Rod Magazine

Quem gosta de astrofísica, ficção científica ou quadrinhos deve está bem familiarizado com termos do tipo “Multiversos” e / ou “Futuro Alternativo”.  E você, depois de um parágrafo, deve estar se perguntando o que isso tem a ver com um Dodge Charger 1968 “Concept”. Bom, ao que parece, Steve Strope, da Pure Vision Design tem assistido muito Cosmos ou lido muito quadrinhos, pois alguns dos seus projetos mais interessantes, tem abordagens incríveis dentro do hipotético mundo do “e se”. Este Dodge Charger 1968 é o mais novo capítulo.

Foto: Hot Rod Magazine
Foto: Hot Rod Magazine

Como na teoria Quântica que sugere a existência mais de um universo onde a nossa realidade se repete, mas de forma sutilmente diferente, a Pure Vision Design exercita sua criatividade criando carros que poderiam ter existido.  O mais famoso projeto deles, Mustang Martini, por exemplo explora a ideia do “e se” a Ford tivesse investido nos Rallyes na década de 60, colocando seu principal modelo pra competir com um motor de Fórmula Indy?

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Foto: Hot Rod Magazine

O mesmo acontece com este belíssimo Dodge Charger, mas em um contexto diferente. No final dos anos 60 a principal forma de promover um carro esportivo nos Estados Unidos era associando sua performance às provas de arrancada. O famoso mantra “Race on Sunday, Sell on Monday” (Corra no Domingo, Venda na Segunda) ajudou a vender V8 aos milhares.

Fto: Hot Rod Magazine
Fto: Hot Rod Magazine

É dentro deste cenário Strope construiu este Charger que, a princípio, seria um Pro-Touring devorador de curvas entre cones, se o dono não tivesse desistido desta abordagem.  Steve pensou então, em um Charger “Conceito” que a Chrysler poderia  ter criado para promover na principal vitrine da época: o circuito de arrancadas da NHRA (National Hot Rod Association) em 1967.

Foto: Hot Rod Magazine
Foto: Hot Rod Magazine

Se o diabo está nos detalhes, este Charger é o carro oficial do capeta. Externamente, o Scoop no capô é do legendário Dodge Coronet W023 1967. Rodas do tipo Slot da Real Rodders, aro 15, imitando magnésio, muito populares na época. Internamente foi feito a alteração dos instrumentos, movendo o velocímetro e conta-giros mais para o centro, ao invés do canto esquerdo. O console central é o mesmo dos Chargers da geração anterior, que contempla , de forma contínua, os passageiros da frente e de trás.

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Foto: Hot Rod Magazine

Embaixo do capô, não poderia haver nada menos do que um V8 Hemi, mas ao invés do clássico 426 (7.0 Litros), se trata de um 572 de absurdos 9.3 Litros! Embora o stance deste Charger seja de um típico Street Machine, com pneus grandes e largos na traseira  e emborrachados menores na frente, o sistema de suspensão foi todo atualizado para conseguir o melhor da dirigibilidade no dia-a-dia e bons tempos no 400m.

Foto: Hot Rod Magazine
Foto: Hot Rod Magazine

Para dar uma atmosfera ainda mais verossímil, a Pure Vision Design criou displays inspirados nas propagandas da época. Para 1968, a Dodge havia criado o Scat Pack, uma espécie de “clube” o qual faziam parte todos os modelos esportivos da marca. O objetivo era fidelizar os amantes da Dodge. Além dos displays, a empresa faz referência ao seleto clube com as faixas duplas na traseira, conhecida como Bumbble Bee Stripes e decalques no filtro.

Dukes of Trader

Cerva de 300 Dodge Chargers 1969 tiveram um fim trágico na série original.
Cerva de 300 Dodge Chargers 1969 tiveram um fim trágico na série original.

Quem acompanha o blog a mais tempo sabe o que eu penso sobre a série “The Dukes of Hazzard”, aqui no Brasil chamada de “Os Gatões”. Sempre que eu imagens de Dodge Chargers 1969 caracterizados como “General Lee” é um misto de emoções.

Charger fazendo que faz de melhor. Encantando Gerações a quatro décadas.
Charger fazendo que faz de melhor. Encantando Gerações a quatro décadas.

Não nego que é incrível ver o clássico americano fugindo da polícia e fazendo drift – muito antes da gente sonhar que essa palavra existia – ao som de um V8 no fundo. O problema é quando aparecem as cenas de saltos, que nas edições, são sempre bem sucedidas, mas que na verdade sabemos que aquele modelo foi severamente danificado. Em muitos casos, de forma irreversível.

Uma das frentes mais emblemáticas da história do automóvel.
Uma das frentes mais emblemáticas da história do automóvel.

Ou seja, a experiência de assistir Dukes of Hazzards – ou suas recriações – é emocionante como ver seu filho dar os primeiros passos mas e cima do parapeito de um prédio de 50 andares. Algo está prestes a dar muito errado.

O resultado se repete, seja na série, filme ou propaganda.
O resultado se repete, seja na série, filme ou propaganda.

Tudo isso se repete na campanha publicitária da Auto Trader, site compra e venda de automóveis dos Estados Unidos. A empresa contratou a dupla de atores original da  série, Tom Wopat e John Schnider como, Luke e Bo Duke, respectivamente.

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Foram usados também dois Dodge Chargers 1969 originais da série e outros quatro para serem sacrificados em manobras mais arriscadas e nos famigerados saltos. Outros seis Chargers da geração atual marcaram presença como carros de Polícia.

Saltos são legais... Não espera.
Saltos são legais… Não espera.

Todos os saltos mostrados nas propagandas e nos bastidores foram feitos com os carros de verdade, sem qualquer auxílio de computação gráfica.  Em um desses saltos , uma rampa de madeira com 1.80m de altura foi construída para que o Charger saltasse a 80 km/h. Foram usadas 200 caixas de papelão grandes para amortecer a queda.

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Já na segunda rampa, feita de terra, O charger atingiu 3.55 metros de altura e outros 15 de distância., mas desta vez, sem qualquer tipo de amortecimento externo.

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O terceiro e último salto é feito dentro de uma concessionária a 40km/h.  Em todos esses pulos é possível notar que, mais uma vez, um Charger é sacrificado para o entretenimento das pessoas.

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A segunda geração do Dodge Charger foi lançada em 1968 e teve um facelift no ano seguinte.  Em 1969, ano do modelo usado na série, foram fabricados pouco mais 89 mil unidades. Não se sabe ao certo quantos sobreviveram aos anos 80. Este fórum de donos de Chargers especula sobre a quantidade de sobreviventes. Os mais otimistas acreditam que 2/3 tenham sobrevivido, já os pessimistas chutam que apenas 1/3 ainda estão por aí rodando. Um fato é concreto e triste: esta contagem está em regressão há 45 anos. Nos resta é torcer para que empresas como a Dynacorn se anime em produzir novas carrocerias B-Body.

Colecionador Leiloa Parte de Seu Acervo de 130 Clássicos

Chevrolet Chevelle SS 396 Conversível 1969. (Foto: RM Auctions)
Chevrolet Chevelle SS 396 Conversível 1969. (Foto: RM Auctions)

Nos próximos dias 14 e 15 de novembro, Sam Pack, respeitado homem de negócios do Texas irá leiloar, parte se sua imensa coleção de carros. São nada menos que 130 carros! Em sua grande maioria clássicos americanos das décadas de 40, 50 e 60.

Mercury Wagon Kustom 1951.  (Foto: RM Auctions)
Mercury Wagon Kustom 1951. (Foto: RM Auctions)

Dono de diversas concessionárias na região, Sam não é daqueles acumuladores que deixa suas relíquias longe dos olhares do público. Pelo contrário, tem um Museu, para exibir  ao grande público todo o seu acervo.

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Ford Mustang Shelby GT 350H Race Spec 1966. (Foto: RM Auctions)

A ideia de Pack é ter um uma quantidade de modelos mais gerenciável para se manter ativo no hobby. O site da RM Auctions, empresa responsável por esse e outros leilões incríveis, não especifica a quantidade total de automóveis do empresário.

Chevrolet Kustom 1952  (Foto: RM Auctions)
Chevrolet Kustom 1952 (Foto: RM Auctions)

“Eu tenho um caso de amor com os carros desde que eu era um adolescente. Está no meu DNA ” , diz Pack. “Felizmente, no meu caso, este caso de amor tem continuado através de minha carreira profissional e empresarial. É uma paixão compartilhada e apoiada pela minha família, os carros trazem tantas alegrias para eles como para mim” explica.

 

Performance Insuspeita

Chevrolet Biscayne 1968

Não é um Impala. Antes que vocês perguntem. Este é um Chevrolet Biscayne 1968 muito peculiar. Entre os grandes sedans da Chevrolet, este era o mais simples que se podia comprar.

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Era comum, nesse nível de acabamento e preço mais baixo, que o Biscayne fosse o favorito entre frotistas e carros de serviço, como Polícia e Taxis, na versão quatro portas. Por ser o modelo de entrada entre os sedans, muitos eram equipados com o motor 6 cilindros.

Chevrolet Biscayne 1968

No entanto, na América dos anos 60, os carros eram altamente configuráveis. Na concessionária era possível encomendar itens como vidros elétricos (já disponíveis desde a década de 50), teto de vinil, rodas e pneus mais esportivos, bancos individuais e o mais importante: o tamanho do motor,  tudo  ao alcance de um simples “X” dentro do quadrado no folheto.

Chevrolet Biscayne 1968.

Portanto, ainda que pouco comum ou economicamente não tão vantajoso, era possível escolher o acabamento de carroceria mais simples, como o Biscayne, deixar todos os outros opcionais em branco e, no folheto dos opcionais, selecionar “apenas” o maior motor disponível na época.

Chevrolet V8 L72

No caso da linha Chevrolet, o V8 L72 de 427 polegadas cúbicas ou 7.0 Litros e 435 cv. Simplificando, era possível encomendar um sleeper de fábrica. Pra quem não está familiarizado com o termo “Sleeper” é um carro cuja aparência sugere que ele seja lento,mas na realidade é o extremo oposto.

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A lenda em torno do exemplar das fotos é um tanto quanto curiosa. O carro foi comprado na Georgia em 1968, mas seu dono não teve muito tempo para aproveitar a aquisição. pois foi parar na cadeia. Todo o inventário do meliante foi confiscado na época, menos o carro, que permaneceu escondido das garras da lei.

Chevrolet Biscayne 1968

Contos a parte, o fato é que se trata de um carro raríssimo. Para se ter uma ideia, em 1968, a Chevrolet produziu, só nesse segmento de sedans gigantes (Entre Impalas, BelAirs e Biscaynes), 1.2 milhões de carros. Como essa configuração pé-de-boi / motorzão não era a escolha mais economicamente “racional”, estima-se que apenas 124 unidades foram encomendadas dessa forma.

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O Biscayne dessas fotos tem apenas 720 milhas rodadas (ou 1158km). Possivelmente o modelo mais bem preservado que se tem notícia. (Fotos: Mecum Auction)

Chevrolet Opala Especial 1977: Ano V & Atualização 4.1

Chegou o grande dia. A última foto como o 151.
Chegou o grande dia.

No último dia 19 de setembro completaram se cinco anos desde que comprei meu primeiro, único e atual carro. Um Chevrolet Opala Especial 1977.  Nessa meia década tive experiências boas e ruins, passei por péssimos e bons profissionais e o melhor de tudo: conheci muita gente, em sua maioria, amigos que pretendo preservar por muitos anos. Graças a eles hoje posso escrever hoje e compartilhar sobre o tema deste post: Atroca de motores de 4 para 6 cilindros do meu Opala, também conhecido como “Jeremias” ou “Parachoques Cromados-Móvel”.

Mas antes de falar da troca em si, voltemos no tempo, mais precisamente, 11 meses atrás. Tido como o maior encontro de Opalas do País, realizado pelo clube Opaleiros de Jundiaí, o evento é muito conhecido entre os proprietários dos modelos e geralmente acontece em novembro. A minha ideia era marcar presença, pois, nos anos anteriores, havia sempre um compromisso ou ajuste do carro que impedia a minha participação. Em 2013 foi diferente. Conseguimos reunir uma galera para ir até o encontro, eram Daniel Guerra, dono da Caravan 78, Renato Ferri de um 74 Coupe, Victor Renne, de um sedã 91 e Dennis Akira, que na oportunidade foi de Ford Ranger pois o seu 78 estava na funilaria. Combinamos o encontro no primeiro posto da Rodovia dos Bandeirantes. No meu caminho até o local, eu já havia percebido que haviam mais Opalas que o costume desfilando nas avenidas que dão acesso ao local.

No dia anterior me ocorreu que eu nunca havia percorrido, até então, uma distância tão grande com o carro de uma vez só, cerca de 100 km, somando ida e volta. Não cheguei a me preocupar pois, duas semanas antes, o carro havia passado no mecânico e me lembro de ter especificamente perguntado sobre a situação dos freios e o eixo cardã. O “profissional” (pelas aspas vocês já podem concluir o que pensaram ao ler) disse que estava tudo bem. Os flexíveis haviam sido trocados a pouco tempo e o eixo estava em ordem.

Naquela madrugada não consegui dormir bem e teria que acordar bem cedo. Com o alarme do celular, ainda me perguntei se deveria ir, como já havia combinado e nunca tinha prestigiado o evento, me arrumei e fui até o ponto de encontro. No posto, já haviam vários Opalas de todos os anos e estado de conservação que você possa imaginar. É uma sensação muito legal quando você encontra muitas pessoas com interesses comuns aos seus. Reunida a galera, fomos, sem ressaltos ao evento, que naquela data, segundo os organizadores, havia batido o recorde de carros participantes.

Tirei muitas fotos e, imagino que por essa razão, a bateria do meu celular ficou por um fio. Lembro que o Guerra, Akira e Ferri, saíram mais cedo do que eu e o Renne, que decidimos ficar mais um pouco. Decidimos, depois de mais uma hora lá ir embora e fui tentando acompanhar o Renne com seu Sedã 91. Digo tentando porque havia algo de estranho com o meu carro na volta. A partir dos 100 km/h ele começava a vibrar todo. O Renne ia na frente no limite de 120 da Bandeirantes, mas cada vez ia se distanciando mais. O meu Opala, entre 90 e 100 km/h,  vibrava mais do que ônibus coletivo e de forma gradativa. Naquela altura eu estava pensando em reduzir ainda mais, para uma velocidade que não prejudicasse os demais usuários, mas não deu tempo. Quando tirei o pé do acelerador, ouvi um barulho alto, como de uma barra de ferro caindo no chão, seguido de outros sons de peças metálicas menores. Era um trecho de curva suave e só tive tempo de olhar no retrovisor interno e parar no acostamento.

A ida foi tranquila, mas a volta... (foto: Denis Akira)
A ida foi tranquila, mas a volta… (foto: Denis Akira)

Desci e vi embaixo do carro o eixo cardã caído. Puxei  o meu celular do bolso e já não tinha mais bateria fazia Tempo. O Renne já tinha desaparecido no horizonte. Como não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer naquele momento, mantive a calma. O que até me surpreendeu, na hora. A minha primeira ideia foi abrir o capô para sinalizar aos demais veículos que eu tinha problemas. O que poderia me ajudar era alguma câmera me flagrar e a concessionária mandar um guincho.

Fiquei encostado no carro, que acabou parando em cima de um trecho de ponte em curva, vendo outros veículos passarem. Pensei que minha sorte iria mudar quando avistei, de longe, um grupo de Opalas andando juntos. Acenei na mesma hora, mas eles passaram direto. A mesma cena se repetiu minutos depois. Desisti de acenar.

Um coupe bege claro, com três jovens e um senhor ao volante deu seta e parou atrás do meu carro. Eles estavam dispostos a ajudar, mas não tinham as ferramentas necessárias e se prontificaram a avisar no pedágio mais próximo que eu estava com problemas. Agradeci muito a eles e continuei na minha espera. Passaram outras duas carreatas de Opalas que me viram e seguiram viagem sem parar.

Foi quando um grupo com três Opalas e  duas Caravans pararam pra ajudar. Dois caras grandes desceram dos carros, um deles olhou pra mim e disse: “Foi o cardã né?”. Antes que eu pudesse responder, um estava abrindo a caixa de ferramentas no porta malas da Caravan e o outro estava se jogando embaixo do carro para ver o tamanho da encrenca.

A primeira coisa que pude dizer era “Não tenho como agradecer vocês, mas muito obrigado!”. A minha fé na humanidade estava restabelecida. Eles tiraram uma porca daqui, outra acolá, me deram uma outra e conseguiram, de forma provisória, montar de volta o eixo cardã. Perguntei o nome dele, ele disse “Zé Opaleiro. Só não perguntei o seu antes, porque a gente gosta de Opalas. Primeiro ajudamos o carro depois perguntamos sobre o dono”, brincou. Muito vagarosamente, os acompanhei até um trecho Marginal Pinheiros por onde eles prosseguiram e eu vim até a minha casa.

Rumo a Jundiaí, 2013.
Rumo a Jundiaí, 2013.

Proprietários de antigos sabem que é uma relação de amor e desgosto com o seu carro (nunca ódio).  Quando eles aprontam você pensa: “Putz, onde estava com a cabeça” ou “Porque não comprei um carro mais novo como diziam” ou ainda “Decidido, vou vender”.  Todas essas coisas passaram pela minha cabeça, menos vender. Mas até decidir o que iria fazer, eu não ia andar com o carro. Precisava dar um basta com os gastos e pensar melhor no futuro do “Jerê”, como o chamamos aqui em casa.

Por volta de cinco meses depois, um outro amigo, o Anderson Baldan, dono de uma belíssima F100 dos anos 50, me chamou para ir no encontro da Caixa D’água, que é organizado pelo Clube do Galaxie  e acontece no Bairro da Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. Contei pra ele todo o caso, do desgosto que tinha sido e que haviam meses que eu sequer mexia no carro.

(Um grande parenteses para situar vocês melhor. O Anderson é irmão gêmeo de outro amigo meu, o Adriano que teve mais Opalas do que você, provavelmente bebeu de copos d’água. Por causa deste blog, acabei os conhecendo pessoalmente e, sempre que possível, íamos a ou nos encontrávamos nos eventos de carros antigos. Aliás, a família toda gosta de carros. O “seo” Dirceu, pai deles, carinhosamente chamado por eles de “Careca” também é fã de coisa velha e tem uma Kombi 1974. Parenteses fechado).

Na conversa,  Anderson me explicou que esse tipo de conserto era muito simples e disse que ajudaria. Ele indicou o irmão mais velho dele, o Alexandre, que até então eu não conhecia. Anderson me explicou que ele tem uma oficina na Zona Norte de São Paulo e que sempre curtiu e mexeu com Opalas. O Anderson nem precisava, mas se ofereceu para me acompanhar. Na semana em que havíamos combinado de levar o carro, descia um dia e outro não para funcionar o carro e deixar a bateria carregada. No dia em que combinei com o Anderson, quem disse que o Jeremias funcionava?

Este dia mudaria o destino do meu Opala.
Este dia mudaria o destino do meu Opala.

O combinado era eu pegar o Anderson em sua casa e de lá ir até a oficina. Mas com esse imprevisto, ele se prontificou em vir e, mais uma vez, ajudara ressuscitar o Opala moribundo. Feito isso, seguimos até a Zona Norte, mas o Jeremias não iria deixar barato os cinco meses de castigo. Na altura da Avenida Tiradentes o eixo cardão deu o ar da graça mais uma vez e caiu.  Desta vez, com celulares e em uma Avenida movimentada, foi fácil pedir ajuda pro Alexandre, que conseguiu ajeitar as coisas a tempo, antes do Marronzinho da CET que havia sido acionado pro causa do trânsito que começava a se formar.

Já na oficina, o conserto, como o Anderson havia dito, era bem simples. Aproveitando o ensejo, pedi pro Alexandre dar uma geral nos freios, já que não podia mais confiar no que o “profissional” anterior havia dito cinco meses antes. Após a solução do problema e  conversando com eles, o Alexandre diz: “Esse Opala tá legal, mas ficaria melhor com um seis cilindros”. Concordei com ele, mas eu poderia só falar na teoria, pois até aquele momento, a bem da verdade é que eu nunca tinha dirigido nada com mais de quatro cilindros.

Quando lia a respeito sobre essas trocas de motor, os valores mencionados eram de primeira divisão e o meu orçamento quase sempre foi de várzea. Então, sempre me pareceu um sonho distante ou uma paixão platônica ter uma unidade de força maior no cofre do Jerê.  Posso dizer também que, o motor quatro cilindros, embora não seja a primazia em performance, nunca me deixou na mão. As poucas panes que o meu carro teve foram uma troca de motor de arranque e um flexível entupido. Com o motor em si, nunca tive problemas. Então, de certa forma, eu estava satisfeito.

O Alexandre então me apresentou um orçamento para fazer essa troca que caberia no bolso, já incluso o motor e a mão de obra. Outros serviços teriam que ser feitos em outros locais. O orçamento da oficina me pareceu bem justo e fechamos o acordo. Aquele mês, depois de 37 anos, seria o último em que o Parachoques Cromados Móvel seria impulsionado pelo valente 151.

Esta foi a primeira lista que o Alexandre montou com o que seria necessário a princípio.
Esta foi a primeira lista que o Alexandre montou com o que seria necessário a princípio.

No mês seguinte começaram os trabalhos em cima do carro. O Alexandre já tinha experiência anterior em fazer essas conversões, então sabia todo o passo-a-passo de cabeça e fez uma lista com o que precisaria ser feito. O motor substituto é um seus cilindros 250-S que pertencia a uma Caravan 82. Já estava praticamente pronto e retificado. Para os testes finais, estava montado em Opala 80, que já está na oficina justamente para esse papel, testar os 4.1 adquiridos pelo Alexandre.

Chevrolet Opala 1980 ou Protótipo da Garagem Baldan. Foi a segunda e breve moradia do 250-S que equipa hoje o meu Opala 1977.
Chevrolet Opala 1980 ou Protótipo da Garagem Baldan. Foi a segunda e breve moradia do 250-S que equipa hoje o meu Opala 1977.
O 250-S ainda montado no Opala 80.
O 250-S ainda montado no Opala 80.

Na visita seguinte que fiz a garagem, o motor já estava funcionado no Opala 80. Estava pintando naquela cor laranja avermelhada típica dos motores Chevrolet da década de 60. Eu nem precisei pedir ao Alexandre, simplesmente já estava na cor que eu sempre quis. O coletor de escape 6×2 estava instalado, mas direto, sem o restante do sistema. Lembro que o carro estava estacionado no mesmo lugar da foto acima quando o motor foi ligado pela primeira vez.  Eu sorria que nem criança e o motor sequer estava instalado no meu carro ainda!

A última foto do motor quatro cilindros, depois de algumas centenas de milhares de quilômetros rodados.
A última foto do motor quatro cilindros, depois de algumas centenas de milhares de quilômetros rodados.
Clã Baldan no Momento histórico.  Alexandre (de azul) e Anderson fazendo a retirada do bom e velho 151.
Clã Baldan no Momento histórico. Alexandre (de azul) e Anderson fazendo a retirada do bom e velho 151.

Pude acompanhar todo o processo de desmonte do quatro cilindros enquanto o Alexandre me explicava quais eram as alterações estruturais necessárias para a adaptação. A primeira, logo de cara, foram os suportes do radiador. Logo quando ele retirou os suportes pensei comigo: “Foi lançada a pedra fundamental”.

Outra alteração era o sistema de suspensão dianteiro, próprio do 4.1. Era preciso que ele estivesse montado para a próxima etapa, o Alinhamento Técnico.  Talvez a parte mais importante da conversão, pois é feito o reforço das longarinas do Opala para suportar 1.600 cilindradas a mais. Além disso, foi feita a pintura de todo o Cofre.

Com o motor pronto e o carro alinhado, chegou a hora de fazer o casamento entre os dois. Neste momento eu não estava presente, mas as primeiras imagens foram registradas. Imaginem a minha expectativa quando as recebi pelo computador. Mas ainda faltavam ajustes finais como a colocação do sistema de escapamento. O carro estava apenas com o 6×2 fazendo aquele barulho característico do fins dos tempos.

Uma das primeiras fotos do 4.1 acomodado no seu cofre definitivo.
Uma das primeiras fotos do 4.1 acomodado no seu cofre definitivo.

A partir daí eu teria que escolher que tipo de notas musicais eu gostaria que saíssem do escapamento. Dei uma pesquisada, escutei os especialistas e o sistema final escolhido foi o 6×2 com dois abafadores JK e ponteira estilo escopeta. Antes de levar o carro até a loja de escapamentos, fomos buscá-lo do alinhamento e balanceamento. Como o local era próximo da oficina, fomos de um lugar até o outro com o 6×2 direto. Os 10 segundos iniciais é muito divertido, mas depois fica insuportável existir dentro do carro.  Não façam isso em casa (risos).

Em um outro dia, fomos buscar na MagooArt o Opala, agora, com as notas musicais do sistema de exaustão mais civilizadas. Ou quase isso.  Mesmo com o sistema já instalado, os decibéis dos agudos e graves, pelo que notei vendo o Alexandre dirigindo, estavam ao alcance da sola do seu pé direito. Vejam bem, faziam uns dois meses que eu não dirigia qualquer carro  e antes disso, mais cinco. Ou seja, eu estava cauteloso quanto a minha estreia atrás do volante.

Six In A Row Make it Go! #I6 #inliners #4100 #Chevrolet #Opala #1977

A video posted by Daniel Sanchez (@mrdanielsanchez) on

Não muito tempo depois dessa instalação chegou o grande dia da entrega. Me lembro que era uma quinta feira fria e estava garoando. Achei mais prudente o Anderson vir trazendo o carro de lá da Zona Norte até os bairros mais próximos da Zona Sul. Afinal, ele tinha mais experiência com motores grandes, já teve um Galaxie, 250S e atual F100.

Neste dia o carro ficou pronto. Era hora de voltar pra casa.
Neste dia o carro ficou pronto. Era hora de voltar pra casa.

A ficha começava a cair. O escapamento novo exalava um odor que tomava conta do interior, era  ora adocicado, ora parecido com plástico queimado. O som característico dos tuchos mecânicos, que lembram uma máquina de costura trabalhando, quando em baixas rotações. Na Avenida Indianópolis assumi o volante do Jerê pela primeira vez com o novo motor. Logo de cara a diferença era gritante, tanto na aceleração quanto na desaceleração. A resposta era imediata em qualquer uma das situações. As trocas de marchas já causavam um esboço de sorriso no canto da boca. Mas as condições do asfalto, ainda muito molhado, fez com que eu dirigisse com a cautela de quem leva a mãe pra missa.

A segunda vez que eu dirigi o carro, esta sim, foi a experiência completa. O melhor de tudo, pude compartilhar com a minha namorada Aline. O primeiro sorriso é arrancado logo quando você vira a chave. Uma leve acelerada e o escape ruge como um felino enfurecido enquanto a carroceria chacoalha para os dois lados. Os comandos do carros parecem muto mais sensíveis. Então acariciava o pedal direito com o pé para mover o carro nas manobras ainda na garagem apertada do prédio onde moro.

Nas duas primeiras ruas conversávamos sobre amenidades e a única coisa notadamente diferente, em baixas velocidades, era o ronco grave, mas ainda contido. O Alexandre fez um trabalho muito bom na suspensão, trocando todas as buchas e terminais. Na segunda rua há duas lombadas muito próximas uma da outra. Foi o teste final do sistema que passou por elas silenciosamente. Antes, era aquele barulho incomodo de metal batendo. A terceira rua dá acesso á uma via paralela a avenida dos Bandeirantes. Como esse acesso fica na metade da via, você tem que tomar cuidado ao acessá-lo, pois os carros que saem da Bandeirantes sobem essa via em velocidade considerável. Enquanto a Aline falava sobre o dia, aguardei a via ficar totalmente livre e alinhei o carro. Antes que ela pudesse concluir a frase, pressional o acelerador até a metade, soltei a embreagem mais rápido que o normal e o carro reagiu na mesma hora.  As notas dos escapamentos subiam seus decibéis alternando do grave para o agudo, misturando com o som dos pneus rangendo contra o Asfalto. Rapidamente troco para a segunda marcha e sentimos nos costas serem pressionadas contra os assentos baixos novamente. Na terceira marcha já alivio o acelerador e ouvimos o som de estouros internos do escapamento. É uma experiência visceral e é impossível ficar indiferente a ela.

Desde o "swap", repintei as rodas e troquei as faixas brancas.
Desde o “swap”, repintei as rodas e troquei as faixas brancas.

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Você tem a certeza de que fez o investimento certo quando a sua namorada olha pra você e diz: “Eu sei lá o que você fez com esse carro, mas seja lá o que for, eu aprovei. Faz de novo!”.

Caso queria seu Opala bem tratado por alguém que gosta do modelo, ligue para o Alexandre: 2991-8552

Chrysler Newport 1969: Um Pequeno e Gigantesco Investimento

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Chrysler Newport 1969: Uma Rara espécie. Foto: Clayton Seams

O mundo da ciência mudou radicalmente quando Charles Darwin escreveu o livro “A Origem da Espécies”. Em seu estudo, basicamente, Darwin propõe que as espécies que melhor se adaptam ao ambiente irão passar seu DNA adiante e, desse modo, garantir a sua preservação. Os seres que não se adaptassem, estariam fadados a extinção. É possível dizer que a indústria americana passou pelo mesmo processo. O que a natureza leva milhões de anos para executar, foram algumas décadas para que os Full Size americanos fossem extintos.

Se você não está familiarizado com o termo, Full Size, nada mais é do que o maior carro disponível na linha. Em português popular, são as barcas, banheiras, prédios sobre rodas, ou seja, automóveis com dimensões continentais. No fim da década de 60, este segmento reinava absoluto nas ruas e estradas retas da America do Norte. Os yankees entendiam que o carro deveria ser uma extensão de sua casa, ou sala de estar.

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Prestes a ser ressuscitado. Foto: Clayton Seams

Embora não sejam famosos como os Cadillacs ou  Lincolns, os Chrysler Newport são um perfeito exemplo de gigantismo desenfreado desse segmento, especialmente a  quinta geração que vai de 1969 e 1973. Para estes modelos a Chrysler apresentava ao mundo a sua linguagem de estilo chamada de ‘Fuselage’, que buscava inspiração na aviação, com grandes porções de metal na lateral do carro.

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Dono orgulhoso. Foto: Clayton Seams

Enquanto que ‘Cudas e Chargers da mesma época atingem valores estratosféricos e ainda geram interesse das novas gerações, os Newport sequer são reconhecidos nas ruas. Mas um modelo em particular não passou desapercebido por Clayton Seams, um jovem canadense de apenas 22 anos. Seams é uma espécie rara (ou a beira da extinção) hoje em dia. A sua geração, conhecida demograficamente como Geração Z, demonstram pouco ou nenhum interesse em carros. 

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Quatro dias de limpeza e ajustes e Voi La. Foto: Clayton Seams

Clayton, diferentemente de seus contemporâneos, é um ávido fã de automóveis desde muito cedo. Uma de suas primeiras lembranças quando criança era ter um Belair 1957. Com pouco mais de duas décadas, ele já foi proprietário dos seguintes modelos: Datsun 280ZX 1983, Pontiac Firebird Formula 1988, Suzuki Swift GTi 1989 e um Chevrolet Impala 1966.

Sofa Feelings. O passageiro em outro fuso horário. Foto: Clayton Seams
Sofa Feelings. O passageiro em outro fuso horário. Foto: Clayton Seams

No caso da sua última aquisição, o Chrysler Newport 1969, Seams conta que a princípio queria um carro antigo por um preço baixo.  “O Chrysler estava anunciado no site kijiji.ca na seção clássicos. Ele só tinha duas fotos e uma descrição muito vaga. Liguei para o proprietário do anúncio e negociamos um valor, comprei no momento em que o vi”, relata. Foi uma verdadeira barganha, Clayton pagou míseros US$ 1.700. Segundo ele, nestas condições, normalmente um carro destes vale em torno de US$ 4.000.

Motor V8 383 polegadas cúbicas.
Motor V8 383 polegadas cúbicas. Foto: Clayton Seams.

A apenas duas semanas com o modelo, Seams conta que não foi preciso fazer muita coisa com o carro.”Passei quatro dias fazendo a limpeza e corrigindo pequenos defeitos para fazê-lo funcionar perfeitamente. Agora ele precisa de alguma atenção no diferencial traseiro. Depois, pretendo rodar com ele durante todo o verão!”. Seams pretende deixar o carro todo original enquanto for o dono.

Com 5.70m de comprimento e 2m de largura, o Newport chama muito atenção por onde passa e Clayton notou isso na primeira vez em que dirigiu. “Eu voltava pra casa sem placas (o que é ilegal) logo depois que eu comprei e um policial me viu, mas apenas acenou! As pessoas sorriem quando vêem este carro. Chega a ser completamente hilário de tão grande que é! Tenho um uma Chevrolet Suburban de uso diário e o Chrysler é ainda maior!”.

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Foto: Clayton Seams.

O custo de manter um carro destes, segundo Seams é basicamente o do seguro, US$ 225 por mês. O proprietário conta que as pessoas da sua idade, de fato, demonstram pouco interesse. Perguntam coisas como quantos anos tem e se é caro de manter. “Me entristece. Eu passo meus dias pregando as virtudes dos carros antigos. Na verdade, eu comprei-o (O Chrysler Newport) para que eu pudesse mostrar às pessoas o quão acessível um clássico pode ser”, conclui.

 

O Corvette de Don McNamara

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Fotos: Mecum.com

Se você curte carros antigos, frequenta encontros, lê a respeito, com certeza já ouviu falar em termos como “nunca restaurado” ou “quilometragem original”, mas nenhum desses adjetivos fazem justiça a esse Chevrolet Corvette 427 1967. Foram apenas 2996 milhas  (4.821 Km) percorridas nos últimos 47 anos pelo esportivo de bloco grande.

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O proprietário, Don McNamara era um sujeito quieto e solitário, segundo as poucas pessoas que o conheciam. Aos 30 anos de idade, quando deixou o Marine Corp. (divisão do exército americano), recebeu como presente, uma viagem para Las Vegas. Na cidade do pecado, acertou a sorte grande e ganhou US$ 5000 no caça níquéis, valor suficiente para comprar seu carro dos sonhos: O Chevrolet Corvette 427.

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O pedido foi feito para a Ray Motor Company, concecionária que ficava em Lamar, Colorado na cor Ermine White, interior em Vinil vermelho, câmbio M20 de quatro marchas, vidros levemente escurecidos, rodas de alumínio de 15 polegadas, motor V8 de 427 polegadas cúbicas (7.0) de 390 hp, direção telescópica, rádio AM/FM, escapamentos laterais e um diferencial com relação 3.36:1. Todos esses opcionais somaram US$5,504.55. A título de curiosidade, em valores atuais, seria o equivalente a US$38,550.97.

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No dia 20 de maio de 1967, Don recebeu o seu tão desejado sonho sobre rodas e o dirigiu apenas por alguns meses. As pessoas passaram então a perguntar sobre o Corvette e Don era dispersivo respondendo “Não é mais meu”, quando na verdade o carro estava guardado em sua garagem no Colorado. Quando o registro e seguro expiraram em 1968, Don nunca mais os renovou por não ter condições financeiras para tal.

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Isto não quer dizer que o carro ficou parado esse tempo todo. Don, eventualmente, na calada da noite, saiu pra passear com o carro por algumas milhas, tornando-se até uma lenda urbana da região. Quando odômetro atingiu a marca das 3000 mil milhas, em meados dos anos 80, Don parou de dirigir o carro e o guardou cuidadosamente em uma garagem exclusiva. Em julho de 2011, Don McNamara faleceu e, como não tinha esposa ou parentes, deixou em seu testamento o carro para um casal de vizinhos mais sortudos do planeta, que se tornaram amigos no final de sua vida.

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O Corvette em estado virginal foi encontrado em sua garagem coberto com uma bandeira dos Estados Unidos e outra dos Marines. Os vizinhos que moravam a mais de duas décadas ao lado de Don, nunca tinham visto o carro. Acredita-se que não mais de uma dúzia de pessoas tenham avistado o carro, além das testemunhas dos passeios noturnos de Don. Apenas McNamara dirigiu o automóvel e o banco de passageiro nunca foi usado. Os cintos de segurança sequer foram puxados do sistema retrátil e toda a documentação, como seguro da época, manual e adesivos estavam imaculados.

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Don McNamara  deu alguns toques pessoais ao carro, como protetores de válvulas Offenhauser e um filtro com os dois emblemas do Corvette. O carro foi comprado dos vizinhos sortudos em 2012 pelo Dr. Mark Davis, que decidiu colocar em leilão pela Mecum em abril deste ano. O valor estimado a ser arrecadado no evento? De 600.000 a 800.000 dólares.

Big Willie Robinson: Paz Por Meio das Corridas

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Em cidades violentas, a Sociedade Civil e o Estado já tentaram de quase tudo para amenizar o problema, mas duvido que você já tenho ouvido falar em usar o automobilismo, mais especificamente arrancadas, para lidar com a questão. Foi exatamente com essa ideia que Big Willie Robinson criou uma pista de arrancadas e um clube para ajudar a combater a violência entre gangues e a tensão racial na cidade de Los Angeles, nos anos 70.

Robinson começou a lidar com um problema que vinha desde a década de 20. Negros e descendentes de latinos foram relegados a morar em áreas distantes, graças a uma lei local que não permitia a venda de imóveis para não-brancos. Nos anos 50, grupos armados, formados por pessoas brancas, intimidavam de forma violenta famílias que moravam em bairros fronteiriços. Em algumas ocasiões, bombas incendiárias eram lançadas para mandar uma mensagem a aqueles que “ousavam” sobrepujar o apartheid Angelino.

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O resultado disso, foi a organização de grupos de auto-defesa entre as minorias, que assim como a mafia italo-americana, que a principio tinha o objetivo de se proteger dos ataques das gangues irlandesas, cresceram e se organizaram. Com a injeção do dinheiro das drogas, se tornaram gangues, como os Bloods, Crips e Wah Ching. Ao longo dos anos 60, 70 e 80, esses grupos envolveram toda a cidade e até o país numa escalada de violência.

Mas não só pelas gangues, Los Angeles era conhecida. É também uma das cidades mais motorizadas do mundo onde, independente da condição social ou raça, as pessoas restauravam, envenenavam e / ou customizavam seus carros. A partir desse interesse em comum, Big Willie pensou em dar sua contribuição com o lema “Paz por meio
das Corridas”.

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A saga de Big Willie começa em 1966, quando as autoridades já vivam uma situação muito delicada. Um ano antes, haviam acontecido protestos no bairro negro de Watts e uma nova manifestação seria um desastre político para os governantes da época. A polícia de Los Angeles haviam notado que as corrida de arrancadas ilegais reuniam uma audiência integrada de brancos, negros, latinos e asiáticos e Robinson era o mais popular entre os rachadores.

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Os oficiais então, pediram ajuda ao Big Willie, um veterano da guerra do Vietnã que faz parte das Forças Especiais, para organizar, as sextas feiras durante a noite, encontros de arrancadas. Na primeira noite chegou a reunir cerca de 10 mil pessoas e “Boas e Ruins” diria Robinson mais tarde. Na segunda edição, o dobro, segundo relatos da época.

Natural de Nova Orleans, Big Willie era respeitado pelos chefes das Gangues bem como as autoridades policiais, o que permitiu que os participantes seguissem certas regras durante os eventos, como não consumir álcool, drogas ou se exibir de forma perigosa com os seus carros. Surgia assim a National and International Bortherhood of Racers.

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O programa foi tão bem sucedido que preveniu futuras tensões raciais que outras cidades enfrentaram. Há quem diga que Los Angeles reagiu de forma mais pacífica ao assassinato do Dr. Martin Luther King, graças a esses eventos. O que não aconteceu em outras cidades como Nova Iorque ou Chicago.

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No começo dos anos 70, Willie e sua esposa Tomiko, que também era sua assistente e secretária, com frequência participavam das corridas, ambos, com Dodge Chargers Daytonas Hemi 1969. Juntos ele criaram uma pista chamada Brotherhood Park Raceway. Nas décadas seguintes Robinson administrou o local, que acabou virando referência e um marco zero para a crescente cena de carros japoneses. A pista foi fechada em 1995. Sua esposa Tomiko faleceu em 2007.

“Quando se trata de carros, não há barreira racial”, Willie disse certa vez a um programa do Discovery nos anos 90. “Chefes de gangues vinham até mim e diziam ‘Willie, você criou um espaço onde podemos vir, correr e se divertir, nós te ajudaremos a manter a paz”.

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Obviamente, um problema tão complexo não seria resolvido apenas com corridas de carro, mas Big Willie deu sua importante contribuição. Ele conseguiu, por meio do amor mutuo que as pessoas tinham pelos carros, reconciliar, pelo menos durante aqueles eventos, os grupos sociais até então mais antagônicos. William “Big Willie” Robinson Andrew III faleceu em Maio de 2012.

O Chevrolet Camaro 1968 de Tim Allen

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A grande maioria de nós tem na cabeça o nosso ideal de carro, ou projeto que gostaria de fazer. Infelizmente, pra maioria de nós também falta a grana. Ou levaria(m) uma(s) década(s) para que o seu sonho sobre rodas chegasse perto do que você idealizava nos seus sonhos mais selvagens.

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O que serve de alento, pelo menos para mim,  é quando encontramos projetos que compartilham dos mesmos princípios que eu prezo. Sempre pensei que caso fosse modificar um carro antigo , as alterações seriam sutis, quase que como se fossem feitas na fábrica. A fórmula parece começar a se consagrar, os Porsches Singers são os exemplos definitivos.

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O ator americano Tim Allen acertou em cheio ao montar um Chevrolet Camaro 1968 em tributo a dois modelos. O primeiro pilotado por Smokey Yunick na Trans AM e o COPO, uma espécie de “Cheat Code” que permitiu que se pedisse o maior motor disponível (o V8 427 que em teoria só poderia equipar camionetes e o Corvette) dentro do “pequeno” Camaro.

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Entre os detalhes que mais me chamaram a atenção, foram os paralamas sutilmente alargados para acomodar Pneus e Rodas maiores, estas, mesmo aumentadas para 17″ ante as 14″ originais, mantiveram o desenho íconônico das Rallyes, que equipavam os Camaros SS. O motor, V8 de 427 polegadas cúbicas e o interior tem o volante e o  painel customizados de tal forma, que os passam desapercebidos aos olhos dos menos atentos.

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O Resultado está no vídeo a seguir com outro Gear Head famoso, o Jay leno, que tem projetos de conepção similares que já tratamos aqui, como o Ford Galaxie de 7 Litros 1966. Não por acaso, esse Camaro foi uma das sensações do último SEMA SHOW.

A Invenção das Rodas que Gostamos

Dodge Dart Hemi 1968: Naqueles tempos, rodas Cragar era a escolha preferida em diversos segmentos. Foto: Mecum.com
Dodge Dart Hemi 1968: Naqueles tempos, rodas Cragar era a escolha preferida em diversos segmentos. Foto: Mecum.com

Quantas vezes você se deparou com a seguinte a cena:  O carro perfeito dos seus sonhos, mas com o conjunto rodas, pneus e altura (tanto pra alto como baixo demais) que arruinaram tudo, ou ainda, o inverso, um modelo que você nunca deu muita bola e foram justamente o esses três elementos que o salvaram do ostracismo.

Nos Estados Unidos essa preocupação com a estética do carro começou ainda em meados dos anos 50, conforme a febre por Hot Rods se espalhava por todo o País. Naqueles tempos, a escolha era limitada ao que poderia ser encontrado nas concessionárias e rodas para customização em larga escala ainda estavam distantes.  Sendo assim, os modelos com as calotas mais atraentes corriam o risco de ficar sem elas na calada da noite.

No começo não haviam muitas opções de rodas.
No começo não haviam muitas opções de rodas.

Com achegada dos anos 60, as modas, gostos e tendências evoluíram. Pela primeira vez, pneus com faixas brancas estavam disponíveis para o grande público, assim como os de linha fina. As rodas de fábrica cromadas eram uma forte tendência tanto nas ruas como em eventos de exibição. tetos recortados, paralamas modificados e pinturas cada vez mais ousadas. Foi nessa época em que percebeu-se que o mundo Hot Rod e Custom precisava desesperadamente de rodas em larga escala.

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Em 1964 chegava as ruas e pistas o modelo que, provavelmente, é a roda definitiva. O seu sucesso estrondoso, em um mercado que estava sedento por modelo que gerou cópias nos EUA (e até aqui no Brasil, via Mangels), estamos falando das Cragar S/S. A roda estrelada de cinco pontas e cromada em aço e alumínio era diferente de tudo que havia até então, além da beleza, a sua popularização foi graças ao seu preço razoável, R$2800 o jogo em valores atuais. Com o passar dos anos, diferentes tamanhos e materiais começaram a ser empregados, mas o desenho é basicamente o mesmo a exatos 50 anos.

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A popularidade da Cragar S/S  era tão grande que o modelo de roda agradava diferentes segmentos, tais como Muscle Cars, Hot Rods, Low Riders, Vans, Custom etc. Parte do segredo está na combinação com o conjunto certo de pneus, que torna a S/S uma roda quase que universal.

Mustang modificado na metade em diante dos anos 70.
Mustang modificado na metade em diante dos anos 70.

Outras rodas tiverem um sucesso relativo. As Astro Supreme surgiram um ano antes, em 1963, mas o formato cilíndrico dos seus raios não eram muito atraentes. Para o ano seguinte, o fabricante alterou este detalhe para um formato cônico, emulando o desenho das Cragar, que eram um sucesso absoluto.

Astros no Challenger.
Astros no Challenger.

Assim como Coca-Cola e Pepsi, Cragar S/S e Astro Supremes tinham desenhos semelhantes e travaram uma disputa durante os anos 60 e 70, com a primeira levando uma vantagem confortável. A licença para produção das Astro Supreme passaram por diversos fabricantes, variando o material e a qualidade durante essas décadas. Hoje as S ser a escolha principal dos primeiros Lowriders ainda na década de 60.

O Pneu correto também faz toda a diferença.
O Pneu correto também faz toda a diferença.

Outros fabricantes também procuravam destronar a Cragar S/S, como a Keystone Klassic, Rader Design, Fenton entre outras. Todas acabaram por lançar sua própria roda estrelada, de cinco pontas, a fim de ocupar um nicho que a Cragar criara sem inadvertidamente.

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Camaro com Slots na frente. Foto: Mecum.com
Nos anos 70, as rodas slots se tornaram populares. Este Chevelle 67 esta cercado por elas.
Nos anos 70, as rodas slots se tornaram populares. Este Chevelle 67 esta cercado por elas.

Na mesma época, a “Torq Thurst”, da American Racing, havia surgido, mas diferentemente da Cragar ou da Supreme, essas belas rodas, que calçaram carros lendários como o Cobra Daytona Coupe, eram direcionadas exclusivamente para carros de performance, limitando o alcance do seu público.

Torq Thurst era a favorita nas Pistas e não era tão vista nas ruas quanto a Cragar.
Torq Thurst era a favorita nas Pistas e não era tão vista nas ruas quanto a Cragar Foto: Mecum.com.
Lowriders em seu início também se renderam as Cragars.
Lowriders em seu início também se renderam as Cragars.

Portanto, dos anos 50 até o fim dos 70, a escolha das rodas, conjunto de pneus e altura podia determinar o estilo e a era a qual o carro pertence. Custom dos anos dos 50? Rebaixados, com rodas de aço (com ou sem calotas) com faixa brancas grossas. Hot Rods? Rebaixados, pneus finos na frente e largos atrás. Gassers? Bem altos, ligeiramente empinados, pneus finos na frente e largos atrás com rodas de aço. Primeiros Lowriders? Rebaixados, pneus com com linhas brancas finas e rodas Supremes ou Cragar. Muscle Cars? Altura de fábrica ou com a traseira bem mais alta, pneus letrados em branco, grandes atrás, menores na frente com Cragars, Slots, Keystone Klassics, Magnum 500.

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