Dragster Familiar

85 é o ano, tanto desta Caravan, quanto suas rodas de Corvette C4 e também do nascimento de Renato Magalhães, dono desta incrível perua aspirada

Texto: Ricardo 37
Fotos: Rafael Micheski

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Só se for para toda a família acordar! Era uma noite de segunda-feira e fomos ao encontro do Renato para fotografar a Caravan. Após umas giradas no motor com a bomba de combustível desligada, apenas para dar uma boa lubrificada, jogo um pouco de gasolina nos carburadores, o suficiente para que o carro pegue no ato. É nessa hora que eu, Micheski e Samantha começamos a rir, mas uma risada meio sem graça, pois nas casas e prédios do bairro todos saíam para olhar o que estava acontecendo. Não que fosse tão tarde, mas o ronco do carro é muito alto, por mais discreto que o Renato tentasse ser, quebrou a paz daquele ambiente tão silencioso. Eu adoraria escutar aquele seizão saudável de vez em quando na minha rua, quero acreditar que uma parte das pessoas que saíram estavam admirando!

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Clean pero no mucho
Não precisa nem dar a partida, na primeira olhada o carro já te prende. Meio rebaixadinha e com aquelas rodas, não tem como!
Trata-se de um jogo de rodas originais de Corvette geração C4, da mesma época desta Caravan, ou seja, se lá em 1985 você quisesse montar um carro exatamente assim, visualmente falando, até poderia! Menos o Renato, ele teve que esperar bastante pois por coincidência é o ano em que ele nasceu.

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Além das rodas e da altura da suspensão, o carro tem um visual bem clean e lisão! Agora está sendo estudada uma modificação no capô, pois com ele fechado o primeiro carburador era “afogado”, com sua entrada um pouco obstruída pelo pequeno espaço entre ele e o capô. Você pode reparar nas fotos que foi feita uma abertura que percorre os três carburadores e quando são colocadas as cornetas, no primeiro carburador, elas chegam a dar um “oi” para o ar livre. E é este também o motivo para que faltem duas das seis cornetinhas, antes era impossível usar as duas mais próximas da frente do carro.

Apelona
Um dos seis cilindros mais fortes que vi ultimamente em um carro de rua, a Caravan tem uma preparação bem pesada. Nem precisa abrir o capô para saber que é uma tripla de Weber, mas olhando melhor se nota que tratam-se de três IDF com borboletas 48, a maior opção de tamanho disponível para os carburadores IDF. A maldade fica ainda maior quando, ao abrir o capô, pode-se ver que estes são retrabalhados, eliminando as bombas de aceleração rápida para ganhar volume de câmara. Como se não fosse o bastante, os coletores ABP tem uma inscrição dizendo que eram do carro de Ingo Hoffman na Stock Car, o piloto que mais acumula títulos de campeão na categoria até hoje. Inclusive foram retrabalhados para serem usados com os carburadores 48 (maiores que os utilizados na época) pelo Sylvinho, que é o mesmo preparador dos tempos do Ingo.

O cabeçote preparado conta com válvulas de 2 polegadas na admissão e 1,60 no escape. A taxa de compressão do motor está em 15,4:1, bem alta. Mas em giros baixos a taxa dinâmica não fica estratosférica, pois o comandão é bem bravo. Falando nele, o escolhido neste caso foi um Iskenderian 595a, que apesar de ser a mesma marca dos usados na Old Stock, é uma opção mais agressiva, com 298 graus no escape e na admissão e 106 graus de separação entre os lobes. Soma-se a isso os balanceiros com a alta razão 1,85 pra 1 e isso indica que a brincadeira é bem séria, quase nada nesse motor é modesto. Eu digo quase nada, pois bielas permanecem originais de 5,7” e pistões Mahle que foram os primeiros forjados a serem usados na Stock Car, conjunto que está dando conta da tarefa tranquilamente!


A ignição é reforçada com componentes MSD, bomba de combustível e dosador são Holley. Um detalhe bem legal para o pessoal que valoriza história: o motor deste carro foi o último fechado pelo Sylvinho dentro da oficina da Equipe Lobo! A famosa oficina do lendário Camilo Christófaro.

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Você não consegue nem piscar os olhos
Voltando para casa encontramos uma rua bem vazia, deserta, sem fluxo e sem casas. Renato deu uma acelerada bruta que deveríamos ter filmado!

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Os pneus traseiros, medida 255/50, deixaram duas grandes marcas no chão, graças ao blocante importado Dana, enquanto o carro teimava em andar torto. Após dosar muito o pé e segurar no braço por alguns bons segundos, o carro finalmente tracionou, e nessa hora o câmbio Muncie M21 vindo de um Chevelle mostrou que é um dos grandes destaques do carro. Seu escalonamento no melhor estilo close-ratio, mantém a rotação do motor sempre dentro da faixa útil, permitindo que o motorzão empurre forte e assim emendou as marchas tão rápido que logo já estava na quarta.


Para frear com segurança, o freio é a disco nas 4 rodas, contando também com uma bomba de vácuo que resolve o problema de falta de eficiência no hidrovácuo devido ao overlap do comando.

Relato do dono
“Eu comprei a Caravan de um amigo depois de um racha que fomos fazer a noite contra um Jetta turbo tsi desses novos. A Caravan tinha uma preparação simples, com carburador dfv 446, giclês maiores, comando Iskenderian, e pouca coisa a mais… Depois do racha o meu amigo deixou o carro em casa e disse pra eu ir pagando como pudesse. A Caravan por coincidência é do ano que nasci (85) então adotei ela como uma irmã gêmea. O que eu mais gosto nela, como em todos os outros modelos de Opala e Caravan, é a frente né, gosto do modelinho da perua também. A cara do carro quadrada é feliz e ao mesmo tempo malvada. Ela é muito boa de andar, muito mesmo. Estável, nem dura nem macia,com a suspensão que eu fiz. Muito bem calçada com os pneus que são bem largos. O plano daqui pra frente é montar ela turbo e sempre fazendo com o Sylvio e com o Marcelo. Jamais vou trocar de preparador, o Sylvio além de ser meu amigo, eu confio muito nele.”

Ficha técnica – Chevrolet Caravan
Modelo: Comodoro 1985
Carburador: 3 weber 48 IDF
Pistões: Mahle
Taxa de compressão: 15,4:1
Combustível: álcool
Bielas: originais 5,7”
Virabrequim: original
Válvulas: Manley 2,00”x1,60”
Coletor de admissão: ABP
Coletor de escape German: 6×2
Distribuidor: MSD
Módulo de ignição: MSD 6AL
Bobina: MSD Blaster SS
Balanceiros: Harland Sharpe 1,8:1
Comando: Iskenderian 595a
Bomba de óleo: Melling
Bomba de combustível: Holley Black
Dosador: Holley
Câmbio: Muncie m21 de Chevelle
Diferencial: Dana 30 4,10:1
Freios: a disco nas 4 rodas com hidrovácuo
Bomba de direção: elétrica
Instrumentação: Autometer
Rodas de Corvette C4
Pneus dianteiros BF Goodrich 205/55/15
Pneus traseiros BF Goodrich 255/50/16
Molas: originais cortadas
Amortecedores: retrabalhados

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