Christine, 28, Filmada, Destruída e Imortalizada

Se você gosta de carros antigos e é jovem,  talvez já tenha ouvido falar. Quem sabe, até assistido. Se cresceu nos anos 80, com certeza deve ter vibrado ao ver aquele Plymouth alvi-escarlate, com suas barbatanas majestadas e cara de mau. O filme Christine, de 1983 atingiu o status de cult, mesmo entre quem não curte carros. Isso graças a direção primorosa de John Carpenter, baseada no livro do mestre do suspense, terror e fantasia, Stephen King.

No ano passado, escrevi aqui sobre algumas diferenças entre os automóveis descritos no livro e os representados na versão cinematográfica. O site AllPar.com, em 2003, quando o filme completou 20 anos, entrevistou proprietários dos Christines que sobreviveram à filmagem. Ao todo, foram usados 23 carros, entre Furys, Savoys e Belvederes, destes, apenas três unidades restaram.

Martin Sanchez, resgatou um destes exemplares em 1984 por U$900. O carro estava encostado em depósito do estúdio e tinha data para ser destruído. “Meu Plymouth Fury 1958 foi um dos mais de vinte carros usados ​​no filme Christine. Ela era o carro dublê na cena do beco, perseguindo Moochie e o encurralando na doca de carregamento”, revelou o proprietário.

Por ser um carro usado em cenas mais agitadas, Sanchez conta que este exemplar tinha algumas diferenças curiosas. “Quando eu comprei o carro não tinha interior, apenas uma gaiola simples  e um assento de plástico tipo de corrida. As janelas estavam todas pintadas de preto por dentro com exceção de uma pequena parte coberta apenas por um pedaço de vidro fumê, por onde o dublê podia enxergar. A maioria dos frisos inoxidáveis e acabamento eram de borracha ou plástico”, conta.

Outras Curiosidades

  • Anúncios foram colocados em todo o Estados Unidos para comprar Plymouths 1958 disponíveis. Um total de 23 Plymouths 1958 foram comprados e personalizados para ficarem parecidos. Apenas 16 foram utilizados para a filmagem, os outros serviram para doar as peças. Belvederes e Savoys foram usados ​​junto com Furys para a filmagem. Todos foram pintados de vermelho e branco (quando necessário) e a grade dourada foi pintada de prata ou feita para os carros que não a usaram. O interior do Fury também foi alterado para combinar com o exterior. Não custa lembrar que foram produzidos apenas 5.300 Plymouth Furys em 1958.
  • A filmagem de abertura, com Christine sendo montada, a retrata como o único Fury vermelho. Esta cena teve que ser filmada primeiro, para que os outros carros adquiridos pelo estúdio pudessem ser re-pintados. Se você olhar atentamente, o Furys não tem frisos dourados ou a palavra “Fury” no rabo-de-peixe. A grade dos carros do filme já haviam sido pintadas de prata para a transformação que ocorreria após esta cena ser filmada.
  • A produção começou no dia 25 abril de 1983. O filme estreou com bastante rapidez, no dia 9 de dezembro de 1983. Foi descrito pela Time como “o melhor filme de John Carpenterdesde Halloween.”
  • Várias pessoas transformaram  Plymouths 1958 em clones de Christine. Alguns Furys foram pintadas de vermelho, enquanto alguns Belvederes tiveram seus motores substituídos pelos do Fury. É difícil diferenciar um Christine clone de ume Belvedere que saiu de fábrica vermelho e branco, a não ser que você conheça o Fury muito bem.
  • As letras na placa de Christine  são “CQB”, um acrônimo militar para “Close Quarters Battle”,  algo como Batalha em Quarteirões Fechados, onde os alvos estão muito próximos. Esse encontro é, geralmente, muito violentamento, deixando a vítima com pouca chance de retirada e / ou sobrevivência.
  • Em nenhum dos 23 veículos foram usados controles remotos. Ao se transformar na Christine má, os vidros eram pintados de preto. com apenas um filete fumê escuro no parabrisas para que os dublês pudessem enxergar. Os carros não tinham retrovisores e eram muito difíceis de serem pilotados nas cenas à noite, mostrando todo o valor dos profissionais que os dirigiram.
Fantasia versus Fatos
No livro, King descreve Christine como quatro portas quando, na realidade, em 1958, os Furys eram oferecidos apenas com duas portas. Outra discrepância está na cor. Apenas os Belvederes, modelo logo abaixo do Fury, era oferecido com as cores “vermelho toreador” e “branco iceberg”. No entanto, o livro menciona que Christine era uma encomenda especial. A publicação também chama a transmissão de Hydramatic, equipamento dos carros GM. Na Chrysler, os carros usavam o câmbio Torqueflite. E por fim, uma passagem diz: “Eu vi a alavanca de cãmbio de Christine mudar para Drive”. Em 1958, esses modelos da Chrysler usavam a tecnologia “Push Button Drive”, ou seja, não havia uma alavanca, mas sim botões. Perguntado porque há tantas diferenças, King disse que escreveu primeiro o meio do livro e, alguns anos mais tarde escreveu o começo e o fim. Ele precisava encontrar um modelo e achou o Fury 58′ adequado.
Refilmagem
Alguns sites publicaram este ano que uma refilmagem do clássico estaria em pré-produção. Os boatos contam que o responsável pelo roteiro, Cristopher Landon, tentará ser mais fiel ao livro do que Carpenter foi em 1983. No filme original, Christine é retratada como uma entidade com vida própria, que acaba por amaldiçoar seus eventuais proprietários.
Já Lanon, segundo boatos, quer se concentrar na história da publicação, onde o Plymouth Fury 1956 é hospedeiro do espírito maligno de Roland D. LeBay, seu primeiro proprietário. Será que valerá a pena destruir mais algumas dezenas desse clássico da Chrysler e manchar o nome de um filme Cult? Tenho minhas dúvidas.

19 comentários Adicione o seu

  1. Jander disse:

    Pelo que sei há alguns anos atras estavam querendo uma continuação desse filme e não um remake,acho que remakes não ficam muito bons pelo menos a maioria,principalmente envolvendo carros classicos tanto na historia do filme em sí quanto em refazer as cenas de destruição envolvendo os veiculos um exemplo e o remake do vanishing point de 1997 que na minha opinião não supera em nada o filme original principalmente na historia,sou fá do filme christine e dos carros da plymouth e espero que não destruam tantos carros quanto no primeiro filme,mas Daniel ja que estão fazendo tantos remakes e verdade que estão querendo fazer um do filme bullit? E oque voce acha de fazer um do dirty mary crazy larry,eu acho que os efeitos especiais vão estragar muita coisa,um abraço.

    1. Concordo com tudo Jander. Dificilmente uma refilmagem faz justiça ao original, salvo raríssimas excessões, geralmente quando há um grande intervalo de tempo entre as duas versões.

      Imagine você que quase 30 anos atrás já foi difícil encontrar os Furys, hoje então deve ser quase impossível. Acredito que até os Savoys e Belvederes, que fabricaram em maior quantidade, sejam escassos atualmente.

      A refilmagem do Vanishing foi bem cruel mesmo, principalmente com o Dodge Charger 1968. A cena foi tão chocante que meu irmão custou a acreditar que eles fizeram aquilo. Hollywood tem um fetiche macabro com a destruição de carros antigos.

      O remake do Bullit ouvi falar anos atrás, inclusive o boato colocou Brad Pitt, depois Paul Walker como possíveis nomes pra fazerem o papel do Frank Bullit. Até agora, nada.

      Quanto ao Dirty Mary Crazy Larry, sou muito a favor, desde que só sejam usados carros modernos. Que usem o novo “Charger” que, ao contrário do clássico de segunda geração, não sofreu um arranhão sequer na telona. Dizem que é por causa dos altos preços dos seguros que não se usam mais tanto dublês em cenas ousadas. Outro fator é que os grandes nomes das perseguições já passaram dessa pra melhor. Hoje só restaram um bando de ‘maricas’.

      Abraço!

  2. Juan disse:

    Realmente,o que me deixa incomodado por demais nesses filmes é ver a destruição real que fazem nesses carros…

    1. Pois é Juan, mas tem o o outro lado. Quando o filme é bom, cria uma onda de restauração do modelo principal. mas, realmente, é duro vê-los sendo destruídos.

  3. Jander disse:

    E verdade depois que aquele ford gran torino apareceu em velozes e furiosos 4 todos procuraram o modelo,tanto nas revendedoras quanto para restauro aconteceu o mesmo com christine.

    1. Juan Carlos disse:

      Aliás…o lado bom pelo menos é que depois que passaram a fazer mais filmes com carros antigos,a galaera saiu mais dessa alienação dos automotivos asiáticos e super esportivos europeus luxuosos…mas o meu medo mesmo foi qdo soube que o Fast and Furious 5 seria feito no Brasil…orei muito,mas muito p/que não aparecesse e não destruíssem nenhum Opala…rsrs

      Imagina só…depois do lançamento do filme…ia ter um bando de mané que nem curte antigo,querendo ter Opala do nada…e eu,que sou apaixonado desde guri???Como ia comprar o meu???Assim ia aumentar a procura,iam subir os preços de forma grotesca…kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…

      Mas ainda bem que isso só foi boato…enquanto isso,vou sonhando com o meu coupê anos 1970…rsrs

  4. Alexandre Zamariolli disse:

    Só uma correçãozinha. O nome da transmissão automática da Chrysler era Torqueflite.

    1. Alexandre,

      Você está absolutamente correto!
      Já corrigido. Obrigado por ler e me atentar ao erro.

      Abraço!

  5. Jander disse:

    Este e um site que mostra posters de filmes antigos estou mandando o link que fala de filmes envolvendo carros,vale a pena dar uma conferida http://www.wrongsideoftheart.com/category/action/carsploitation/ .

  6. Mateus Luiz disse:

    Acho que não compensaria destruir mais um monte de Fury’s ou outros antigos parecidos com o tal Plymouth, pois isso é o que ajuda ou faz carros ficarem tão raros, se já tem o de época já está bom para mim. Até hoje não tive coragem de assistir esse filme pelas mortes de tantos carros antigos. E ainda descaracterizaram Savoys e Belvederes para ficarem parecidos com o Fury, o que o filme ajuda a tornar não apenas um carro mais raro, e depois, eles que foram tão lindos e conservados antes de fazer o filme, depois são destruídos, que se não fosse por Martin Sanchez, teria destruído um dos lindos exemplares desses. Acho que para filme, seriado ou algo parecido devim usar apenas replicas feitas em fibra de vidro, porque perder carros raros para destruí-los em um filme, que corre o risco de ser odiado ao invés de amado, e um puro desperdício.
    E Daniel, sobre esses carrinhos da Hot Wheels, eu estou começando até a colecionar alguns. Tem uns que são tão bem feitinhos, que eu acabo comprando, agora eu comprei um Charger 1963, mas ainda não desisti do SP2.
    Abraços!

    1. Charger 63? Como? Carro conceito? abs.

      1. Mateus Luiz disse:

        Opa, desculpa Daniel, é 1967, foi erro de digitação, é comprei um teclado novo e não ,me acostumei com ele ainda, ele é novo e é bem macio, diferente do meu velho, de 2003, que era meio duro. Mas lembrando do lobo mau, o Chevy Nova, achei na internet um Opala V6, herdado de uma S10. O dono fez modificações no motor do carro, colocou peças de Opala e peças da marca Holley também, e colocou as rodas Cragar do Opala SS com pintura perolizada. O carro parece um pacato Chevettinho mimado. Acho que seria legal para um post futuro ou algo parecido, pois gostei muito do carro, mas quem posta no blog é você. Tem um vídeo mostrando o ronco do Chevette. Deve ser alguma passeata ou algo assim, pois repare que no vídeo aparece um Dodge Charger, um Dart, outro Chevette. Leia você mesmo o texto, falando do carro: http://novoblogdolargartixa.blogspot.com/2011/02/um-elegante-chevette-v6-vortec-update.html
        Abraços!

  7. Paullo disse:

    Quem ja assistiu o filme pode reparar que a Christine e tida como um carro careta , pesado o que nao deixava de ser verdade para a época. Eu acharia bem mais sensato uma continuaço ao inves de um remake masse optarem pela segunda opçao do remake eu tenho uma sugestao…Tire o Plymouth Fury de cena e substitua pelos ´´horrendos´´ Charger´s Daytona (mastodontes de duas cores) garanto que ninguem se incomodara de se detruirem muitos carros, rsrs…(ironic mode on)…abraço

  8. Diego disse:

    Sinceramente Paullo , Eu não compartilho da sua opinião…
    É exatamente ai o sentido do Filme e dos carros realmente “bons” da vida real, quando você subestima um carro sem conhecer de verdade acaba se dando mal, esse carro pesado e careta que você fala estava a frente do seu tempo, para começar ele tinha pouco mais de 1500KG, qualquer muscle dos anos 60 e 70 tem mais de 1700KG, possuia um dos motores mais potentes da época e foi utilizado também ns décadas de 60 e 70. o famoso motor Golden Commando um V8 de 315 cavalos de potencia com Injeção de combustível, de 0 a 100km/h em 6.8segundos, porra estamos falando de um carro de 1958, muitos muscles dos anos 60 e 70 não tinham essa potência e demoravam bem mais para chegar nos 100km/h, somente os V8 Big Block de 5.0 e 7.0 litros como o lendário Hemi 426, ou o 7.4 litros 454 do chevelle poderiam ser mais velozes, é com esse pensamento(“De carro mais novo e com mais tecnologia”) que Eu vivo dando pau em neginho com celta, palio, gol, corsa tudo 2008, 2009, 2010 etc com o meu Escort 1.8 XR3 1992, o negócio é o seguinte “Quem foi Rei, nunca perde a majestade”.

    Abraço

  9. Discordo de destruirem um único exemplar pra um remake!Usem um carro recente,um camaro ou mustang novo,por exemplo…Assisti esse filme nos anos 80 e li o livro nos anos 90 e achei um dos melhores de King!Imagina se usassem o fantasma de Roland D. LeBay no filme?Sem dúvidas,um filme marcante,um carro lindíssimo!Quanto ao opala,concordo!Adoro os opala e já tive uns cinco!

    1. Lopes,

      Belo site o seu! Estou me divertindo com a lembrança de alguns filmes!

      Abraço e obrigado pela visita!

  10. Julio Carlo disse:

    Eu tenho uma ideia para a sequencia, vou falar aqui só de brincadeira🙂. No final do filme, Christine é destruída por completo, nem servindo para sucata, pois nada mais é um cubo de metal. Digamos que esse cubo fique la no ferro velho por uns trinta e poucos anos, ficando cada vez mais escondido em alguma montanha de sucata e lixo. Um belo dia o ferro velho é vendido para dar espaço para construção de apartamentos (sei lá, qualquer coisa para que o ferro velho deixe de existir).

    Bom a partir dai é dado o processo de remoção das montanhas de sucata, e ‘de repente não mais que de repente’ alguém vê um carro velho ali embaixo todo arrebentado mas ‘inteiro’ (dai fica a primeira cena de tensão para os saudosistas, é obvio que o carro não deveria estar do jeito que eu descrevi, mas ai é que esta a graça).

    Algum responsável pela obra, ou dono a nova propriedade se apaixona e resolve restaurar a ‘Chris’.

    Bom pra ser sincero não pensei em desenvolver os personagens, mas eu queria que a primeira cena de tensão fosse assim, o primeiro ato impossível – ma não para a Christine – do carro ali, pronto para infernizar novamente.

    Até mais, abraços!

    1. maggie cadena disse:

      ate que a tua ideia foi genial sabia?, gostei heim😉

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