Dodge Charger R/T 1971: 40 Anos

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São pouquíssimos os carros que conseguem transcender a barreira do tempo e continuar desejáveis para o mesmo público que foram direcionados em seu lançamento, mesmo anos depois. O Dodge Charger R/T 1971 brasileiro é um dos melhores exemplos e, neste ano, completa quatro décadas de sua primeira versão. No entanto sua jornada, até o status de lenda, não foi fácil.

A prosperidade vivida pelo nosso país no começo da década de 1970, bem como o surgimento de um mercado jovem e mais exigente, permitiu com que as montadoras diversificassem mais seus produtos e oferecessem versões esportivas de seus modelos. A resposta da Chrysler do Brasil, estabelecida no nosso país desde 1969, foi modificar e “envenenar” o Dodge Dart, modelo até então, de linhas sóbrias e com um viés de luxuosidade.

O Charger foi lançado em novembro de 1970 como modelo do ano seguinte. O público pode conhecê-lo melhor no Salão do Automóvel de São Paulo, em dezembro de 1970. O modelo também ganhou destaque nas capas das revistas Auto Esporte e Quatro Rodas daquele mês. A manchete no interior da segunda publicação não deixava dúvidas do que o modelo era capaz: “Charger RT. Êle faz 190 km/h e é o carro mais veloz do Brasil“.

Aliás, alguns números do modelo se mantêm insuperáveis até hoje. Seu gigantesco motor para os padrões tupiniquins, de 318 polegadas cúbicas (5.2 litros) e 215 hp é a maior e mais potente unidade de força já instalada em carro de passeio fabricado no País. Marcas que dificilmente serão superadas, dada a realidade atual do nosso mercado.

O nome e sobrenome – Charger e R/T (Road and Track, em tradução livre Estrada e Pista) – vieram emprestados do modelo de maior prestígio da marca americana. O visual do Dojão, apelido carinhoso dos fãs – era bem agressivo e típico dos modelos esportivos da época. Além de cores berrantes, contava com faixas negras laterais, teto de vinil e prolongamento das colunas C. Frisos paralelos horizontais mantinham suas lanternas frontais quase que ocultas por completo.

O Charger, assim como todos os carros de grande cilindrada, viram sua sorte deteriorar com a crise mundial do petróleo, no fim de 1973. As vendas do modelo começaram a declinar dramaticamente durante a década  e, em 1979 – depois de uma segunda crise energética – deixou de ser fabricado. Em 1981, a própria Chrysler encerrou suas operações no país e vendeu suas instalações para a Volkswagen.

Os tempos bicudos da década de 80 foi decisiva para a dizimação dos Chargers e Darts. A desvalorização mercadológica – de um carro de consumo alto de combustível e fabricante que já não existia em território nacional – contribuiu para que milhares desses carros fossem vandalizados, abandonados e sucateados.

O colecionador e autor do livro Dodge: História de uma Coleção, Alexandre Badolato, estima em sua publicação que, dos 92.500 Dodges fabricados –  incluindo todas as variações e níveis de acabamento – algo em torno de 5 a 8 mil carros tenham sobrevivido. Badolato acredita que 90% foram destruídos, desmanchados ou sucateados.

Rogério Simone, um dos autores do livro Dodge: Esportividade e Potência, lembra – em entrevista a Livraria da Folha – que os carros valiam menos que eletrodomésticos. “…os Dodges não tinham valor algum. Chegavam a ser trocados por uma geladeira ou uma TV”.  Diante desse cenário estarrecedor, as poucas unidades remanescentes, hoje são bem valorizadas. “O valor de um Charger R/T 1971 (primeiro ano de fabricação do modelo), em estado original, pode ser de até 100 mil reais”, concluiu Rogério.

14 comentários Adicione o seu

  1. Charlinho disse:

    Do panteão de carros mais bacanas já feitos aqui na Brasilândia, esses “Mopar” nacionais, junto com os FNM/Alfa Romeo, Simca, Uirapuru, Interlagos, Hoffsteter, Puma…mas paixões boas, ás vezes, são paixões bandidas; essa potência da ordem de 200cv atribuída aos 318 nacionais, eram medida com o motor fora do carro e sem os “periféricos”, como bombas e alternador montados, a tal “potência bruta”; em “potência líquida”, medida com o motor já devidamente montado e “pronto no carro”, o 318 tinha algo por volta de 140cv, a mesma coisa valendo pro 302 da Ford, ao 250s da GM, etc. Mas isso são apenas números, pouco importa. Hoje em dia, o prazer só de ver uma barca dessas passando na rua, não se mede em meros e e frios números; essa frieza, deixemos pros compradores de Hyundais e populares flex “completinhos”.

    1. Pois é Charlinhos,

      Ainda debatia com meu irmão sobre esses métodos de aferição de potência são confusos. Resolvi deixar o número divulgado pela fábrica. Já li em alguns lugares que era mais, outros defende a aferição nas rodas, mas enfim. Um número incontestável, ao menos, é o de maior motor pra carro de passeio. 5.2 litros é pra pouquíssimos!

      Grande abraço!

  2. Mateus Luiz disse:

    Meu sonho é um Charger brasileiro 1971, que carro lindo ele é! não existe nada melhor que carros antigos, pra mim esse novo Charger não” é bem” um Charger de verdade, só possui o nome, acho que ele não transmitiria toda a diversão desse brasileirinho 1971, com rodas rellye ele fica perfeito, com um bege e listras R/T e teto de vinil nas cor preto fica perfeito!
    Abraços pra você Daniel e pro Jerê

    1. Valeu Mateus,

      Passe sua paixão adiante,

      Abraço!

  3. Mateus Luiz disse:

    Quem sabe eu com um futuro 71 comigo…

  4. Jander disse:

    Os chargers tanto os americano quanto os brasileiros são carros incriveis são bem construidos potentes,com belo acabamento tanto interno quanto externo maquinas assim não deviam ter passado pela terrivel desvalorização pela qual eles sofreram e por esses motivos pelo qual hoje em dia eles são tao caros hoje em dia,Daniel parabens pelo post,abraço.

  5. 220289 disse:

    É uma pena saber que a maioria dos exmplares foram abandonados,sucateados e se perderam…pow,o Chevrolet Opala foi fabricado por 23 anos,com 1 milhão de exemplares(ou mais segundo especulações…)e já ficou raro de ser ver um desses nas ruas…Imagina então um Dodge Charger???Gostei do comentário do mano acima sobre medir potência,deixa isso mesmo p/os asiáticos completinhos…rsrs

    Só esses antigos como o Charger são capazes de despertar emoção e nostalgia,até mesmo em caras como eu,que não viveram essa época de ouro!xD

  6. Eduardo disse:

    Os Dodge Chargers eram perfeitos, eu era criança na época mas me lembro bem daqueles carrões, hoje o recordo assistindo ao filme do Roberto Carlos que, de certa forma, eternizou o modelo. Não me canso de assisti-lo somente para vê-lo acelerar nas retas e curvas de Interlagos. Parabéns pra vocês do blog.

    1. Olá Eduardo, obrigado pela visita e elogios!

      De fato, o Charger é um dos carros mmais marcantes da nossa indústria.
      Não atôa, a palavra “Charger” é um dos termos mais procurados aqui do blog.

      Abraço!

  7. Paullo disse:

    Meu avô teve um Dodge Chager 1972 que foi comprado em 1973 em estado de praticamente 0km. Foi vendido em 1981 e ele sempre repetiu que foi e sera um dos grandes arrependimentos da vida dele, apos a venda ele comprou um Opala 4 cilindros. Infelizmente muitas das estimadas 90.000 unidades estao em estado de sucata pura e nem investindo muito dinheiro tem como restaurar. Uma das causas apontadas por ele ter vendido o carro foram: Dificuldades de encontrar peças de reposiçao, alta desvalorizaçao, alto consumo sem contar a dificuldade na revenda ja que como ele mesmo conta foram quase sete meses para consegui-lo vende-lo, sendo que muitas das proprias concessionarias Chrysler que existiam ja haviam fechado como a propria ex-revenda Chrysler aki de Goiania a G.E.D.A. Por volta de 1985 ele descobriu que o carro estava abandonado na frente no quintal de uma casa e apos isso nunca mais se teve noticias…Um triste fim para um carro que vendo por meio de fotos era lindo e esbanjava robustes e imponencia pelas ruas e por onde passava.

    1. Nossos Avós tinham bom gosto!

      O meu foi feliz proprietário de um sedan e um Coupe, ambos 1971.
      Neles, meu pai, ainda adolescente, fazia barbaridades pelas ruas da Zona Sul de SP.
      Até bloqueio da Polícia já furou! Em tempos da ditadura, quase um suicídio! rs
      Mas nada demais aconteceu. Isto porque na blitz só tinha Fusquinha! rs

      Abraço!

  8. Paullo disse:

    Bons tempos em que nossos pais imploravam pra pegar esses carros para um ´´bate e volta´´ no sabado a noite. Quando meu avo vendeu esse carro meu pai tinha ainda 17 anos o que nao impedia dele pegar o carro as vezes para andar perto de casa. Hoje nao que eu tenha vergonha ate mesmo por que tenho o meu, mas se fosse preciso pegar o carro do meu pai emprestado nao teria graça, muitos dos carros de hoje em dia nao transmitem emoçao ao rodar…abraço

  9. André disse:

    Olá Amigos! Gostaria que alguém me informasse se a matéria de capa da revista Auto Esporte nº74 ilustrada nesta postagem é um teste (com numeros de vel. máxima, aceleração, frenagem e consumo) ou uma apresentação do modelo exposto no salão do automóvel?

  10. Pílade Camargo disse:

    Os charger RT ano 1972 foi o mais velos, conhecido como papador de opala e maverick, ficou na saudades

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