Ford Fairlane Holman Moody 1964

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Ford Galaxie H-M sendo abastecido "sem frescura", 1965.

Os nomes de John “Lee” Holman e Ralph Moody estão diretamente ligados a era de ouro do automobilismo da Ford. Os dois foram responsáveis por preparar todo o equipamento de corrida da montadora de 1957 a 1972.  Era bem simples, nos anos 60, se alguém quisesse correr em algo que tivesse o logo da Ford, era preciso encomendar a Holman Moody, ou simplesmente H-M.

Fred Lorenzen posa para a foto em seu Galaxie 1964, preparado pela H-M.

A área de trabalho da H-M era bem vasta, Fairlanes e GT40 disputavam corridas nos estreitos circuitos europeus, já os Galaxies e Torinos disputavam a Nascar e os Mustangs andavam em linha reta nas provas de arrancada da NHRA, sem esquecer dos Falcons, que disputavam provas de rally. Até barcos de competição com motores Ford, a H-M produzia.

O Fairlane original estacionado em frente a H-M, 1965.
Lanternas fechadas para competir no Oval de Daytona.

Para se ter uma idéia do prestígio da H-M antigamente, o time que pilotava para eles contava com nomes como  Mark Donohue, Parnelli Jones,  Al Unser Sr., Mario Andretti, Jim Clark, Richard Petty, Bobby Unser entre outros.

A "ressureição" do antigo Fairlane.

A empresa ainda está no ramo de corridas, claro que não como nos anos 60, mas ainda produz carros de competição, entre eles, uma recriação do Fairlane 1965 que competiu na europa em alguns eventos. O carro original era um experimento encomendado pela Nascar, que já naquela época queria saber como se saiam os modelos monoblocos nas corridas.

A usina de força produz um torque de 582 Nm a 3.500 rpm.

A H-M ficou incumbida da missão, que deu muito certo. O carro foi vendido para Alan Mann, que foi bem sucedido após ser vendido novamente. O paradeiro do Fairlane que excursionou pelo velho continente é desconhecido. “Provavelmente bateu, não sabemos o que aconteceu com ele”, diz Holman.

Rodas Basset 15x7 e Pneus Dunlop.

Para recriar o legendário Fairlane, era preciso encontrar um carro de rua o mais original possível. Holman encontrou uma jóia rara em Palm Springs, na Califórnia, em condições perfeitas, daqueles que moram em garagens e nunca tomaram chuva. Após a venda, Holman conta que o antigo dono segurou as lágrimas ao descobrir que o Fairlane se transformaria num carro de corrida.

O painel é idêntico ao original de rua, mas em alumínio.

Mas a nova missão ainda não estava completa. Para correr em circuitos e campeonatos europeus de clássicos  atualmente, é preciso seguir a risca as determinações da FIA, entre elas, respeitar a tecnologia da época do carro, ou seja, era preciso recriar o carro exatamente nas mesmas condições do original. Além disso, a entidade máxima do automobilismo mundial deu a permissão para que fossem construídos quatro exemplares. A H-M tirou isso de letra, pois em seu estoque ainda existia o blueprint  ou a  “planta” do Fairlane original, sem contar as inúmeras peças guardadas desde então. A única excessão feita às regras da FIA é a segurança, a gaiola de proteção foi projetada de acorodo com os padrões originais.

O abastecimento é feito como antigamente, exatamente como a primeira foto do post.

O Fairlane presente nas fotos em cores é a recriação perfeita do original e é equipado com o mtor V8 Ford (é claro) de 427 cilindradas cúbicas ou 7.0 L de 495 hp @ 6.500 rpm com dois carburadores Holley 750s. O monobloco é original de fábrica com a parte da frente -paralamas, capô e parachoques –  em fibra. Como as regras da FIA pribem freios a discos modernos, para frear a barca são usados rotores Ford de 12 polegadas e pastilhas dos Thunderbirds dos anos 60 na frente e freios a tambor originais de fábrica na traseira.

Este carro atualmente corre na Alemanha e está a venda. O preço não é nada convidativo, pelo menos para nós assalariados, cerca de US$ 270.000,00 ou R$ 455.000,00 (sem impostos). É o preço que se paga para ter um pedaço da história na garagem.

 

12 comentários Adicione o seu

  1. Pablo disse:

    Curioso esse sistema de abastecimento…
    A gasolina entra pelo gargalo e sai por trás????!!!!
    Confesso que não entendi!

    Abração

    1. Pablo,

      Pelo que entendi, com meu parco inglês, sim. O sistema de abastecimento é similar ao da Nascar, (igual ao da primeira foto) o corajoso (só faltou estar com um cigarro na boca) emborca o galão lá e, quando cheio, saia o excesso por uma pequena saída.

      Abraço!

      1. Pablo disse:

        Grande Daniel,

        Nada como gasolina (de verdade) barata!!!!!

        Abraço

  2. Pablo disse:

    Ah, e reparando no Fairlane renascido, embaixo tem um reservatório escrito “FUEL SAFE”…

    Até os Old School tem que se render aos novos tempos!

    Parabéns pelo excelente trabalho!

    1. Pô Pablo, obrigado pelo “Excelente” e quem dera esse fosse o meu trabalho… Seria muito mais feliz e menos amargo.

      Digressões à parte,

      Pelo que entendi é isso, espero não estar falando besteira. Imagino que o sistema rudimentar era pra evitar que o excesso de combustível não espirrasse no próprio mecânico que está fazendo o abastecimento.

      Abraço!

  3. Gian disse:

    Me senti na pele do antigo proprietário, ao entregar o carro em perfeitas condições, para recriarem um carro de corridas…..lamentável…..

    1. Realmente Gian,

      Essa é a parte bem polêmica dessa estória. Poderiam ter procurado em algum Ferro Velho ou um com peças de acabamento faltando, afinal, todas seriam retiradas de qualquer forma. O outro lado da história é que a H-M estava para a Ford em relação aos carros de corrida, assim como a Shelby está pros carros de produção. É como se eles tivessem uma “licença histórica” para fazer esse tipo coisa. De qualquer forma, entendo o que você quer dizer, mas se o cara realmente gostasse do carro, não venderia. Poderia ter acontecido algo 10x pior.

      Abraço.

      1. Gian disse:

        Pois pensei exatamente isso apos deixar meu comentário ! Se gostasse do carro não teria vendido ! Aproveitando a ocasião, acompanho semanalmente o teu blog, para mim ele é ótimo ! Abraço Opaleiro !

  4. Gian disse:

    Olá Daniel ! Por curiosidade, na foto onde aparece a roda calçada com pneu Dunlop, notei ao lado, um emblema semelhante ao do Thunderbird.
    Pergunta: Qual é o seu significado ? Eles compartilham alguma coisa ? Como motor, plataforma, etc ?
    Grande abraço !

    1. Oi Gian,

      Este carro recebeu freios frontais do T-Bird, mas não acredito que seja esse o motivo do tal logo. Sinceramente, eu não sei…rs

      Abs.

      1. Marcelo disse:

        O Logotipo é da “Holman Moody Competition Proven”, só se parece com o do thunderbird, mas não é?

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