A Cultura Lowrider

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Impala 1964: Ícone entre os Lowriders.

A Costa Oeste dos Estados Unidos é o berço de importantes tendências quando o assunto é modificação de carros. Talvez a mais famosa delas entre os entusiastas sejam os Hot Rods. Mas é de lá também que vem um outro tipo de modificação que cresce muito em popularidade, os Lowriders.

Chevrolet 1947: No começo, os carros eram só rebaixados.

Em meados dos anos 50, “rodar baixo”, ao pé da letra, era o que os descendentes de mexicanos que moravam na periferia de Los Angeles, faziam para, entre outras coisas, chamar a atenção das garotas. No princípio as modificações eram simples, como a remoção de alguns elos da suspensão. Os corpulentos carros do começo da década de 40 eram os escolhidos. Do ponto de vista social, os lowriders, passaram a representar parte da cultura chicana nos Estados Unidos.

Ilustração mostra como era a cultura em seu começo.

Com o passar dos anos, as modificações começaram a ficar cada vez mais complexas e a principal delas foi a adição de dispositivos hidráulicos às suspensões, tecnologia proveniente da aviação. Um sistema elétrico, alimentado por algumas baterias de carros instaladas no porta malas, era ligado a esses dispositivos independentes e hidráulicos em cada roda. Um dispositivo, com interruptores, era instalado no painel para que o motorista tivesse o controle de todo o sistema ligado às suspensões.

O sistema de baterias que alimenta os cilindros hidráulicos fica no porta-malas.

A escolha de modelos então, passou a ser bem mais abrangente e também eram utilizados carros dos anos 50 e 60. Os Impalas da década de 60 passaram a ser um dos modelos mais usados, talvez “o” mais usado devido a característica do seu seu chassis, que é em “X”. Isso permite uma maior flexibilidade do carro para fazer as estripulias que as suspensões hidráulicas são capaz de fazer, como andar em três rodas e fazer o carro saltar parado.

Impala 1964 Lowrider com muitas características originais preservadas.

Os Lowriders passaram a ganhar mais notoriedade mundial graças, em parte, a cena de Rap de Los Angeles. No final da década de 80, começo de 90, uma tendência no gênero conhecida como Gangsta Rap foi muito popular nas paradas de sucesso dos Estados Unidos. Um dos nomes mais populares era Dr. Dre, ex-integrante do grupo NWA. Em seu disco solo de estréia, The Chronic (1992), Dre produziu clipes  que faziam referências explícitas aos Lowriders que, aquela altura, já eram bem popular nas periferias de Los Angeles, e rodaram o mundo.

No clipe da música “Let Me Ride”, Dre desfila pelas ruas de Los Angeles à bordo de um Impala 1964. O refrão, com ajuda de outro tubarão do gênero Snoop Dogg diz: “Rodando no meu ’64. E meus manos dizem. Dre pare e me dê uma carona”. A partir daí, Dre abriu um precedente, e virou uma espécie de tendência no Rap do Oeste americano a aparição das barcas lowriders.

Ice Cube, também ex-NWA, é outro rapper da região que imortalizou um Impala 1964 em um dos seus clipes. Na música “Today Was a Good Day”, o outrora bad boy, roda pelos subúrbios de Los Angeles em um belo exemplar verde.

O filme “Dia de Treinamento” (Training Days – 2001) ajudou também a cultura Lowrider ficar popular. O policial corrupto Alonzo, interpretado magnificamente por Denzel Washington, é dono de um Monte Carlo 1977 equipado com as suspensões que fazem o carro dançar. A cena a seguir, é a mais emblemática do filme ao som de Dr. Dre.

As gerações mais novas entraram em contato com toda essa cultura por meio do video game. O terceiro jogo da série Grand Theft Auto, o San Andreas (2004), ajudou a consolidar de vez os Lowriders na cultura pop mundial. Por se tratar de um jogo polêmico, a produtora do GTA não tinha a licença para reproduzir os carros fielmente. Mas, no mundo virtual, é possível colocar os ‘hydraulics‘ em veículos que lembram muito os Impalas dos anos 60.

Imagem do promocional do jogo GTA: San Andreas, mostra o típico Chicano com um carro que lembra um Impala 1963.

Os estusiastas de carros antigos mais puristas torcem o nariz ao ver um clássico da indústria americana saltitando pelas ruas. Sou da opinião de quando um trabalho é bem feito e sem exageros, porque não? A cultura lowrider ajuda na restauração e ressucitação desses carros e, a não ser pelas rodas  de 13″, as vezes 12″, a suspensão e a pintura, procura manter a maioria das características originais do carro o que, pra mim, é bastante positivo.

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13 comentários Adicione o seu

  1. Guilherme Farias disse:

    adivinha quem ia comprar um Landau, pintar de lilás com rodas douradas, ou um Opala coupê azul da Ranger com rodas cromadas e fazer lowrider? mas faz anos…

    1. Orale, ese, que pasa Homs…rs

  2. grapiglia disse:

    eu ia comenta que tinha carros desse tipo no GTASA,só não tem o impala ali da foto como tem uma parecido com o monte carlos c/ hydraulics,tinha também uma carro bem parecido com o da segunda foto,sempre com mexicanos dentro Hombre!

    1. Então, o legal desse GTA é que ele faz referências a alguns filmes de gang de LA. Os Monte Carlos são inspirados no Dia de Treinamento .

      Você já deve ter reparado também nuns caras andando de camisa amarela com uma bola preta. É outra referência, ao filme Boyz N’ Tha Hood que marcou época. Se Liga: http://static.tvtropes.org/pmwiki/pub/images/boyz_n_the_hood.jpg

      O carro dos chicanos é inspirado num Cadillac. tem tambpem o Impala 64 e outro 1960, que já aparecia no Vice City.

      Abs

  3. grapiglia disse:

    aham,já tinha visto o tiozinho com essa camisa

    1. Só falta ver o filme agora…rs

      Abs.

  4. ederson disse:

    pode cre pelo trabalho tambem gosto dos low raider e carro pra quem e de verdade nao e pra comerçio picareta de carro isso e uma cultura ta no sangue um abraço

  5. renato tattoo disse:

    eu renato tattoo conhecidão em sampa guerreiro da sul sei o valor da cultura pois tambem faço parte de ser mais 1 amante desta cultura low rider!

  6. C.J. - Carl Johnson disse:

    Curti muito a matéria, sempre curti muito também os Lowriders. Já existe aqui no Brasil alguma oficina que monte um lowrider completo??? Se alguem souber me avise. Valeu.

    1. Nelson disse:

      tem sim uma oficina e a vida real se eu nao to enganado fica no lado leste de sao paulo

  7. Rafael disse:

    uma pena que aqui no brasil a cultura lowrider é tao pequena…….morei no japao muitos anos e lá tem bastante ! eu ia tirar carta de motoristalá e tava querendo (pensando muito) em comprar um……pena q a vida da voltas e tive q volta antes ! mas ainda sou apaixonado por lowriders ! vivo brincando com de low no GTA SA ! rss

  8. O Dre não foi o maior em termos de Lowrider, quem realmente sempre esteve ligado a isso foi Eazy E. Quanto ao jogo, existem muitos filmes que serviram de base pra o GTA: San Andreas, e também muitos atores. Outro filme alem do grande “Boyz N’ Tha Hood” é o “Menace II Society” mas não ha nada sobre Lowriders.

    1. Não disse em nenhum momento que “Dre foi o maior dos Lowriders”. O album The Chronicle, lançado em junho de 1992, atingiu o nº3 na parada da Billboard, com dois dos seus clipes com lowriders – Dre Day e Let Me Ride passando exaustivamente no Yo! MTV Raps americano como no resto da programação, contribuindo para a popularização desse tipo de carro na cultura pop. Não há registros de clipes de Eazy-E com o mesmo sucesso ou mesmo antes de 1992 com a aparição de Lowriders. Não estou dizendo que um é mais comprometido que outro com a cultura, e sim que o sucesso de Dre contribuiu para a disseminação desse tipo de modificação.

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