Entre Mecânico e Mexânicos

Além do que foi dito vou tentar detalhar mais um pouco como foi o meu “começo” como ‘autodidata’. Minha paixão por Opalas vem de uma época quando, o meu avô, era um feliz proprietário de um Comodoro 1979, com o motor 6 cilindros 4100 e teto Las Vegas.  O meu, um “De Luxo” 1978 foi, adquirido no dia 1º de setembro de 2008. Desde então tenho trabalhado duro para trazê-lo de volta à vida.

Ao fundo, a razão deste post.

A Máquina e a Mecãnica

Comprei o meu com uma batida na lateral, que havia comprometido o paralamas, a caixa de pés, um pouco da caixa de rodas, uma longarina que rachou no meio, entortou todas as barras de baixo, bandeijas, pivôs, e desalinhou o agregado. Reforçando o que disse acima, o trabalho não foi pouco.

Nessa brincadeira foram gastos R$ 900 reais de peças mais 2500 de mão de obra só na suspensão e na funilaria.  Valeu a pena pela restauração do assoalho inteiro (substituídos por chapas novas da GM). Assim como a caixa de ar, barras bandejas e pivôs. Tudo novo. Feito isso, ainda faltava o motor, câmbio, diferencial e o interior do carro, o que resultaria num valor altíssimo por um veículo que, na hora de venda, não se recuperaria nem o que foi gasto com os pneus.

O carro saiu da funilaria dia 15 de janeiro desse ano. Com a lataria em dia, mas fumando igual ao cowboy da Marlboro e cuspindo óleo preto. Na mesma hora indaguei o mecânico da oficina / funilaria em que o carro estava sobre todo aquele pigarro automotivo. A resposta foi pouco esclarecedora. “É só trocar uma borrachinha que tem na válvula do cabeçote que para de fumar” disse o “Mexânico”. Bom, aqui já começo com os meus primeiros pitacos mecânicos para o blog. Achei estranho porque  só que o cabeçote e guias de válvulas do Opala não trabalham com vedadores, e sim, com precisão de fábrica.  O óleo ruim, seguido de alta rotação, com molas ‘duplas’, provocou um desgaste excessivo, além da tolerância máxima, de escape e admissão, por isso, o carro começou a fumar e consumir óleo sem parar.

Na funilaria, a Máquina retomava sua forma.

Uns 10 dias depois – de não aguentar mais a sauna, de tanta fumaça dentro do carro – resolvi pesquisar sobre o problema. Fui em vários fóruns, mas sempre me deparava com a mesma resposta. ‘Leva na retífica o cabeçote, são as válvulas’. Mas isso não entrava na minha cabeça, eu não podia aceitar esse fato. Se levasse na na retífica, gastaria mais ainda no motor, e o carro ficaria, obviamente mais caro do que eu havia planejado!

Estava na hora de tomar uma atitude definitiva. Ou eu gastava com retífica e “mexânicos” ou eu gastava com ferramentas específicas pra abrir e fechar um motor. A decisão, já era óbvia pra mim. Hojecoleciono chaves e ferramentas pra abrir qualquer motor em cerca de 10 minutos. Depois desses episódios achei que apenas uma limpeza resolveria o problema. Retirei o cabeçote, tratei-o com banhos químicos, deixei igual uma panela de inox novinha. Enfiei o cabeçote no motor, dei a primeira partida e a surpresa! Nada aconteceu. Fiquei nessa por uns 3 meses. Todo dia, ia até a garagem, regulava as válvulas, botava no ponto, dava partida, e nada. Até que simplesmente desisti.

A Ajuda

Como havia postado nos fóruns, fui ver como estava o andamento deles, antes de enrolar uma forca no pescoço. Até que apareceu que alguém deu sinal de vida. “Entre em contato comigo, acho que eu sei o seu problema!”, disse a boa alma. Feito isso, entrei em contato com a pessoa. A “Boa Alma”, além de serviços “celestiais” é um Mecânico de mão cheia e, hoje, é um dos meus melhores amigos. Adauto, o “Guru” me contou a história dele, que era parecida com a minha. “Os tuchos. Faça uma limpeza “somente” nos tuchos” disse Adauto em tom profético.

Como um bom pupilo, limpei um por um dos tuchos e constatei que estavam travados, por rodar todo dia em óleo ruim. Nem se moviam sequer. Sem contar que tinha um deles “aberto” sem nada dentro, cheio de arruelas e 100% travado, coisa de “mexânico”. Esse é um dos motivos pelo qual não levo meu carro oficina nem se for pra proteger de uma chuva de meteoros. Sim, generalizando 100%. Ou sou muito azarado em pegar o único Opala cheio de gambiarras de oficina.

Mas depois de montado, novamente, não pegava. Bom aí a forca já estava no pescoço, faltando apenas pular da cadeira. Foi aí que Adauto apareceu mais uma vez para salvar o dia e sugeriu a retirada do motor e desmonte os pistões. Bom, pra quem já estava com um pé na cadeira e outro prestes a saltar, carregar um pouco de peso antes do salto final não parecia tão ruim. Chamei um amigo, desparafusei todo o motor do cofre, o retiramos no braço por cima, usando cordas e pedaços de madeira. Sim, força de vontade levada ao sentido literal da coisa.

Força de vontade é tirar um motor "no braço".

Fora do “corpo”, o motor foi aberto na mesma hora e constatei  que o problema não era no cabeçote em si, mas sim, nos anéis e nas camisas do bloco. Havia também um pistão “pulverizado”. Quando retirado, começou a cair os pedaços dele no chão, só que, devido a alta precisão da camisa, manteve todos os pedaços intactos e firmes no local. As camisas estavam totalmente ovalizadas e com a famosa “crista” no topo, do atrito dos aneis e do óleo ruim, o que ocasionava abertura  excessiva dos anéis e então, a perda de compressão do motor a alta vazão de oleo pra cabeça do pistão, que queimava junto com o combustivel, e provocava a fumaça toda. Em suma, iria gastar com cabeçote na retífica, e o problema seria outro.

O motor hoje em dia está num “museu” pintado e quase montado. Não irei investir nele, mas sim em um 6 cilindros, o famigerado 3800 (que todos parecem odiar).

O Motor: Agora lindo, porém ordinário.

Este episódio serviu para aprimorar meus conhecimentos  com a ajuda do Adauto, “O Guru” e pesquisas em sites apropriados, e não mais em fóruns. Nada contra, mas quem tenta te ajudar, as vezes não está 100% certo do que está dizendo e, nessas horas, a certeza é fundamental para evitar o desperdício de dinheiro. Sou como um autodidata, pois acredito na frase: “Foi feito por homens, eu sou um homem.”

A Pintura

Walrod: Fiz a pintura e restauração.

Além da parte mecânica, também me acerto com as tintas. Comecei cedo, com 9 anos pintando brinquedos. O meu primeiro spray, foi um azul claro, parecido com o Opala do Daniel. Desde então não parei de pintar, quase tudo que compro, tenho ou já tive, foi ou será pintado um dia. E com essa técnica, o mesmo vem acontecendo, sempre me aprimorando mais com novos segredos de pintura, lixamento, tintas e ferramentas.

O Futuro

A meta: Opala SS 1975. (Foto: Opala Adventure)

O meu Opala receberá um motor novo, já retificado, como citei acima, o 3800. Originalmente o meu é Opala é prata, mas irá receber um banho de vermelho e as faixas do SS 1975 “tigrado”.  Serão removidas as meias longarinas, que serão substituídas por um chassi de cantoneira em “C”, de ponta-a-ponta do veículo, a fim de melhorar a estrutura, evitar trincas nas longarinas originais e, futuramente, suportar um conjunto motor/câmbio/diferencial de porte grande.

Apesar de ser um fã de ‘Muscle Cars’, não prezo por uma potência exorbitante no Opala. Afinal, o modelo não tem estrutura de fábrica para abrigar um motor realmente grande. Acho besteira aspirar e/ou turbinar o motor para descontar segundos numa prova de arrancada. A potência do Opala ja me é suficiente para tudo, tanto do 4 cil, como o do 6 cil.

Como um bom purista, abomino a maioria dos veículos modernos (existem exceções, claro) mas são muito poucos, não passam de três. Outras coisas que não suporto, principalmente em antigos, são rodas grandes, aerofólios, tapetes de chão de ônibus, neon, volantes xunning, motor muito colorido, faróis de “xenon” ou lâmpadas azuis, etc.

Se precisarem de alguma dica,  ajuda sobre mecânica, não só do Opala, mas de outros carros da época, podem entrar em contato a vontade que tentarei, ao máximo ajuda-los.

Um grande abraço a todos!

12 comentários Adicione o seu

  1. Russel disse:

    Bicho, eu cansei desta história de mecânicos etc.; o meu Opala branco entreguei num negócio… acho que não sairia mais da oficinal… perdi algum dinheiro… Deus haverá de me dar em dobro, pelo que creio… enquanto isso sigo trabalhando… Sigo com meu 73, este em casa aguardando uma restauração que dar-se-á aos poucos – nunca mais deixo desmontarem um carro meu. Vou fazer assim: hoje, uma porta, amanhã, a saia dianteira, depois os capô… e assim até chegar a pintura final…

    1. Guilherme Farias disse:

      caro Russel,

      é bom saber que não sou o único nesse meio, entre o stress causado pelos mecânicos/funileiros, e a vontade de fazer do seu gosto.

      eu também fiz o juramento “ninguém mais abre/fecha esse Opala, á não ser eu”

      como disse, se precisar de ajuda em algo, é só entrar em contato, que tentarei sanar todas as suas dúvidas de forma prática e não muito teórica.

      cordialmente

  2. Russel disse:

    Amigo, aqui iniciei um trabalho de postagens sobre a reforma do meu Luxo 1979; porém, há duas semanas, vendi-o no estado em que se encontrava… http://gmopala.wordpress.com/ Confira o trabalho que estava dando…

  3. Russel disse:

    Tenho um 1973, que neste exato momento vou ao Mercado Livre anunciar, pois também não terei saco nem dinheiro pra restaurá-lo como merece… Vou passar um final de ano estressado por causa destes malditos funileiros…

    1. Guilherme Farias disse:

      caro Russel,

      é pra tanto assim, a ponto de precisar se livrar do carro? no meu eu pensei diferente, posso estar errado, mas me ajudou.

      me livrar do carro, só iria me dar mais dores de cabeça, com reclamações de futuros compradores, não só com isso, mas com o baixo valor do carro que seria repassado, perderia mais do que investiria. nesse caso, eu ja estou numa ilha sozinho, só que tenho ferramentas (não sei se é o seu caso), ainda vejo uma luz no fim do túnel.

      você poderia enviar umas fotos do seu 73, as vezes é pouca coisa que se precisa. funilaria, você pode parar na metade ou nem começar.
      quando juntar dinheiro, continua, agora mecânica não. eu não sei como está a mecânica do seu, no caso, eu deixaria tudo “novo” e funcionando por dentro, andando perfeitamente, porém com a lataria ruim, pra depois me esquentar com isso.

      o seu 1979 do link, o que foi errado foi ter pago o preço dele. com todo respeito, era carro pra menos de 200 reais. é o que vale, não o que pedem…

      o meu eu cometi esse erro, paguei 3 mil nele, batido, ja gastei até agora 6 mil só com funilaria e pecinhas extras, e o carro não anda, falta motor, funilaria completa, diferencial, o cambio ja foi feito por mim.

      cordialmente

  4. Russel disse:

    Amigo, permita-me uma simples discordância no tocante ao preço, fato que se deve, talvez, dar-se em virtude de localizações distintas em que nos encontramos (estou no interior do RS): aqui, ao menos, 200 reais é preço de uma porta ou de uma capô de Opala 79! Pesquise no ML.
    Já vi venderem só os docs de Opala por 1.200.
    Uma carcaça (baixada no Detran) completa custa 1.000.
    O motor, mesmo o 4cc, sendo documentado, e estando completo, pode ser vendido a 800 reais.
    Acho que paguei o valor correto, considerando o carro estar com docs em dia e o recibo de transf. estar em branco.
    Saudações.

  5. Russel disse:

    Ah, o meu tinha bateria nova, que, conforme nota fiscal recente, o cara havia pago 180 reais! Então, jamais existiria esta possibilidade de pagar 200 reais por um carro. Aqui, pelo menos…

  6. Guilherme Farias disse:

    caro Russel,

    a vontade para discordar e debater, caso não haja isso não chegaremos a uma conclusão final do valor do mundo dos “antigos”.

    a primeira coisa que eu disse quando aprendí a calcular um carro foi isso:

    “mas olha no mercadolivre, uma porta custa R$500 reais, então o meu carro foi até barato por isso!”

    eu também, observando os estados, as cidades, os Opalas, acho 3 mil reais um valor bom pro carro. é um carro e tanto, vale o que custa. porém… o negócio funciona mais ou menos assim:

    em Bragança Paulista, se encontra motores V8, 4100, 3800, HEMI’s, 292, 261, por preços absurdos. um motor 261 (4200 chevrolet brasil) está a venda por incríveis R$200,00 “se funcionando”. um V8, claro, não vai ser esse valor, mas é muito abaixo do custo de qualquer outro lugar. o que encarece as peças, motores, carros, é o Mercadolivre/Internet. por exemplo; um senhor tem um Dodge Challenger a venda, não possúi internet, e quer se livrar do carro. é um V8 440 six pack, e ele não entende disso, pois na época era comum carros assim um tanto “exagerados”. ele anuncia o carro por R$5000,00 (cinco mil reais). é um preço justo é um carro antigo, saiu de linha, vendo com olhos “capitalistas”. você compra o carro por esse valor, só que você tem internet. vai no mercadolivre, e vê o mesmo Dodge Challenger, sendo vendido a R$150 mil Reais. na mesma hora você já poe o veículo anunciado por esse valor… quem não tem acesso as cidades “escondidas”, iguais as que você comprou o Challenger por 5 mil, paga R$150 mil a vista, e não reclama… o mesmo com o seu Opala, com o meu Opala, comprei ele por esse valor alto e baixo ao mesmo tempo, porém, em alguma cidade onde não há internet, se encontra andando, novo, pelo o quê eu gastei, ou então um podre, por R$200,00. no ferro velho é o que vale, não o que pedem. eu posso pedir 20 mil no meu, pelo estado, por estar restaurando cada parafuso dele, mas pra quem tem um desmanche, é só lataria que vai ser vendida aos pedaços.

    outro dia, eu estava precisando de uma “meia-lua” do alternador, fui ver no Mercadolivre o preço, e quase caí pra trás: R$40,00, laranja de ferrugem. fiz uma compra numa loja no RJ, e a mesma meia-lua, nova, na caixinha, zincada, foram gastos R$3,00…

    se não fosse pelo Mercadolivre, e por consumidores que aceitam pagar o que pedem, hoje em dia, não pagariamos quase nada referente ao valor atual de qualquer peça pro antigo.

    como você mesmo disse, R$200 reais uma porta pro Opala, quanto custaria uma porta de um Impala 1964, ou então a porta de um Cadillac El-dorado?

    cordiais saudações

  7. Vilson disse:

    Cara que conjuntinho filé de volante e manopla, gostei mesmo, parabéns!

    Qua volante é esse? Gosto de acessórios de época também, comprei um volante de madeira bem jóia pro meu, mas num acho cubo pra fazer o “adaptamento”, hehe, pois é estria fina, mas assim que eu tiver o cubo vou colocar, hehe.

    Abraço.

  8. Guilherme Farias disse:

    Vilson! o volante é um Walrod modelo Patrol, ele tava bem detonado, podre mesmo. a “madeira” não é bem madeira, é plastico pintado e aerografado pra imitar madeira, o mesmo com a bola do câmbio, ela é de resina. eu optei por não fazer nade de madeira, pois a minha testa ainda não é de ferro pra aguentar um volante pesado assim, caso haja alguma pancada. então a borracha do volante dá uma “amortecida”. esse cubo que veio junto com o volante, se encaixa perfeitamente na coluna do 78 estria grossa, não precisei fazer nenhuma adaptação. tem tornearias que troca apenas o miolo com estrias, cobra de 100 a 120R$, eles recortam e soldam no seu cubo original.

    um abraço!

  9. Vilson disse:

    Valew cara, abraço.

  10. willian disse:

    so mais um que gosta de um bom carro 1 diplomata 6 cilidro………..

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