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A História de uma Foto

1967 Plymouth GTX - 1968 Dodge Charger - 1969 Dodge Super Bee

Os Muscle Cars parecem viver sua redenção nos dias de hoje. Primeiro foram objeto de desejo dos baby boomers, viraram vilões para as empresas de seguro, dos lobistas e vítimas da crise do petróleo. Vendidos a preço de banana no começo dos anos 80, tiveram uma valorização exponencial na última década. Ter um Muscle Car clássico hoje na garagem passou a ser um sonho para poucos. Já pensou em ter três de uma só vez? Essa foi a realidade de Scott Crawford, que já esteve aqui no Parachoques Cromados contando um pouco sobre a sua história com um dos mais belos Dodge Charger R/T 1968 que se tem notícia. Confiram abaixo a deliciosa história sobre a foto que ilustra esse post:

“Houve um período de 4 anos, de 1986 a 1990, quando esses 3 carros foram mantidos em companhia, escondido em um edifício de armazenamento recluso perto de uma área industrial em Yakima, no estado de Washignton.

Este terrível granulado da imagem (e impagável) narra o conto sobre como o Charger, um Super Bee 1969 ½ 440 Six-Pack e um Plymouth GTX 1967 440, de 4 marchas  estavam em um armazenamento juntos enquanto eu voltei para a faculdade, que ficava à milhas de distância.

No início de 1983 eu convenci meu pai que precisavamos de um projeto familiar, no qual  nós podíamos usar ferramentas juntos e, possivelmente, conseguir um lucro no final. Eu encontrei um Plymouth GTX 1967 em condições “difíceis”, mas que depois de 2 anos de suor, dinheiro e esforço, ficou excelente.

Inesperadamente, encontrei um antigo piloto de arrancada velho com um Dodge Super Bee 1969  ½ – bem conservado – 440 Six-Pack  (fazia o 1/4 de milha em 11s) em 1985, e com alguma sorte o convenci a vendê-lo para nós. Um ano mais tarde, com mais suor, mais dólares e mais esforço, ele também ficou excelente.

Este trio incrível permaneceram juntos, empoeiradando e congelados no tempo, até o início de 1991, quando tanto o Super Bee quanto o GTX foram vendidos.

Penso muitas vezes nesses tempos de glória, quando eu possuía, pelo menos parcialmente, quatro muscle cars clássicos, (meu carro de uso diário era um GTO 1969), mas algumas das minhas melhores lembranças são da época do meu pai e eu ficamos juntos restaurando o GTX e o Super Bee”.

Scott Crawford

Scat Pack & Rapid Transit System

A simpática abelhinha do Super Bee simbolizava todo o Scat Pack.

No auge da era Muscle Car, a Chrysler não estava totalmente satisfeita, mesmo com seus motores potentes e o sucesso nas pistas. Afinal de contas, o Tio Sam que saber do lucro e a marca da estrela de cinco pontas buscava a liderança em vendas no segmento. A fim de fidelizar os consumidores e diferenciar do restante, o departamento de marketing da Dodge, criou o Scat Pack, uma espécie de clube de seus modelos esportivos. A ideia foi tão bem sucedida que a Plymouth fez o mesmo e criou o Rapid Transit System.

O trio parada dura que inaugurou o clube.

O Scat Pack, criado em 1968, não fazia alterações nos carros de alta performance da Dodge, apesar das faixas Bumblebee presente em todos eles, o decalque duplo poderia ser excluído pelo comprador, caso optasse. No início daquele ano, faziam parte do grupo o Charger R/T, Coronet R/T, Dart GTS e Swinger 340 e o Super Bee. O “clube” fazia sua divulgação por meio de propagandas em revistas, adesivos e até vestimentas.

Em 1970, com o reposicionamento mercadológico de alguns e o lançamento de novos modelos, houveram mudanças nos “sócios” do Scat Pack. Eram eles o Dart Swinger 340, Coronet Super Bee, Charger R/T, Challenger e o Charger Daytona. No ano seguinte o Charger Super Bee assumiu e substituiu essa versão do Coronet e o Demon 340 passou a ser sócio. O ano de 1971 marca também o último ano do Scat Pack.

Assistindo ao sucesso da Dodge, que aquela altura já havia vendido cerca de 100.ooo Chargers, a outra divisão da Chrysler, a Plymouth, também criou uma lista de carros que passariam a fazer parte de um “clube”. Nascia assim o Rapid Transit System, que se presumia ter uma relação com a nomenclatura R/T (Road/Track), mas não passava de um jogo de palavras. A terminação R/T pertencia exclusivamente aos modelos da co-irmã Dodge.

Já no Scat Pack, o ponto alto foi em 1970, quando a Dodge criou incrementou o Clube, com uma Newsletter. Também foi criada uma mala direta, por meio de um catálogo, disponível aos membros sem custo e um pacote exclusivo “Scat Package” de peças da Mopar. Isso incluía o Showboat (Roupas), Read Out (Medidores), cartão de membro, emblemas para bordar em jaqueta, um guia de 40 páginas sobre automobilismo, um informativo mensal Dodge Performance News, e um quinzenal Dodge Scat News. O custo total de todas essas regalias eram 3 dólares por ano, o que em dinheiro de hoje, seria algo em torno de 17 dólares.

No outro lado do muro, a Plymouth descrevia o Rapit Transit System da seguinte forma:

Nós da Plymouth que, projetamos e construímos carros de alto desempenho, temos sido inspirados a ir além da simples oferta de carros com motores grandes, suspensões e freios bons com  pneus gordos.

Agora temos um sistema (System). Um programa integrado… É um conceito de alta performance de transporte total, que combina as lições aprendidas nas competições, uma rede de informação, de pessoas que entendem de alta performance, peças e produtos de alta gama. O Rapid Transit System são anos de experiência de corrida em Daytona, Indianapolis, Riverside, Irwindale, Cecil County. São os próprios carros de corrida, de Drag,  Grand National, rally e modelos campeões. É toda experiência adquirida em todas estas corridas.

O Rapid Transit System é a informação – um canal direto de nós com você – sobre como ajustar e modificar o seu carro, qual o equipamento a utilizar e como configura-lo para corridas. (Isso inclui tudo, desde catálogo com peças alta performance, Clínicas com Super Carros, decalques para o Road Runner e dicas para os Hemis de corrida). … O System são peças de alta performance – Coletores especiais, escapes, pistões, rolamentos, etc – que estão agora mais facilmente disponível por meio de autorizadas localizados estrategicamente em todo o país.

O Sistema é mesmo um pouco da ação para os iniciantes. Vamos dizer que você ainda está alguns anos longe de uma carteira de motorista, mas isso não diminuiu seu entusiasmo por carros. O seu desenho animado favorito é o Road Runner (Papa-Léguas), o seu carro favorito é Road Runner e você só queria que sua garagem fosse um pouco maior. Bem, talvez você não tem idade suficiente para dirigir, mas com certeza você pode vestir um Jaqueta de corrida Plymouth. E você também pode pegar – ou enviar para alguém – vários de nossos decalques, etiquetas, catálogos e informatios…

Acima de tudo, o Rapid Transit System é o produto, que abrange tudo para um “subestimado” Plymouth Duster V8 com 340 polegadas cúbicas, passando pelo gigante V8 de 440 polegadas cúbicas  do Sport Fury GT, até o Hemi-‘Cuda com um tremendo Air Grabber exposto.

E, entre eles, há Road Runners e os GTXs, disponíveis com  tripla carburação dipla, e sistemas de vácuo, de indução. Os ‘Cudas com baixo pesoe V8 340. Cada um é um carro de alta performance completa. Com suspensão, freios, transmissão e pneus para corresponder. (O System não permite que um carro que não faça curva, não pare ou não corresponda quando ficar sob pressão quando você está nele.)

Assim como o Scat Pack, 1971 seria o último ano do Rapid Transit System. Faziam parte do clube  os, mais que felizes, proprietários de Road Runners, ‘Cudas, GTXs, Dusters 340 e o Sport Furys GT.

XV Motorsports

Por fora Vintage, por dentro Hi-Tech. (foto: Mopar Muscle)

Que tal ter um carro que tenha a aparência de 1970 e a dirigibilidade de 2010? Basicamente é isso que promete a XV Mortorsports, XV de Xtreme Velocity. A empresa é especializada em restaurar E-Body (Cuda e Challenger) e B-Body (Charger, Road Runner, GTX e Super Bee) com esse conceito em mente.

Que venham as curvas! (Foto: Mopar Magazine)

Deixá-los o mais próximo da aparência original e atacando os pontos dos Muscle Cars, ou seja, frenagem e (a ausência de) dinâmica nas curvas.

Com a troca de quase todos os componentes mecânicos por peças mais modernas, a empresa ainda ressalta a possibilidade do uso diário desses carros sem maiores problemas.

Se não fossem pelas rodas, você diria que é um Challenger "comum". (Foto: Mopar Magazine)

Você pode pedir um carro inteiro, restaurado pela companhia e com toda a parafernália inclusa. Pode ainda, comprar só o que for do seu interesse. Isso vai de uma simples máscara de painel até os modernos V8 Hemi de 5.7 e 6.1 litros, que podem gerar de 440 a 600 hp, respectivamente.

São 440 hp de saída. Com algumas modificações é possível chegar aos 600.

Há os dois lados da moeda em casos como esses. Os mais puristas dirão que são, na maioria, carros raros e que deve se manter a originalidade. Outros argumentarão que são empresas como esta que salvam carrocerias, condenadas à ferrugem eterna, de um celeiro no meio-oeste americano.

No site, não encontrei o preço dos carros lá anunciados. O Challenger 1970 das fotos acima é o primeiro carro deles e está a venda. Acredito, puro palpite, que deva ser quase uma centena de milhares de dólares.

Os 20 Muscle Cars Mais Rápidos

A revista Muscle Car Review, espécie de bíblia sobre o assunto, ranqueou os esportivos americanos clássicos mais rápidos. Para isso, compilou os números dos testes da época, feitos pelas principais revistas. A disposição do Ranking está de acordo com o tempo nos 402 metros.

20º: Torino Cobra 1970

Tempo: 13.63 segundos a 169,44 km/h.

Motor: 429 Cobra Jet de 370 hp.

Transmissão: Automático.

Revista: Super Stock, março de 1970.

19º: Challenger R/T 1970

Tempo: 13.62 segundos a 166.8 km/h.

Motor: 440 Six Pack de 390 hp.

Transmissão: Automático.

Revista: Car Craft, novembro de 1969.

18º: Mustang Boss 1970

Tempo: 13.60 segundos a 169.6 km/h.

Motor: 429 Boss de 375 hp.

Transmissão: 4 marchas.

Revista: Hi Performance Cars, setembro de 1969.

17º: Dodge Super Bee 1969

Tempo: 13.56 segundos a 169.6 km/h.

Motor: 440 Six Pack de 390 hp.

Transmissão: Automático.

Revista: Hot Rod, agosto de 1969.

16º: Corvette 1969

Tempo: 13.56 segundos a 177,76 km/h.

Motor: 427 L88 de 430 hp.

Transmissão: Automático.

Revista: HotRod, abril de 1969.

15º: Pontiac Trans Am 1973

Tempo: 13.54 segundos a 166,86 km/h.

Motor: 455 SD de 310 hp.

Transmissão: Automático.

Revista: Hot Rod, junho de 1973.

14º: Plymouth Road Runner 1968

Tempo: 13.54 segundos a 169.14 Km/h.

Motor: 426 Hemi de 425 hp.

Transmissão: Automático.

Revista: Car and Driver, janeiro de 1969.

13º: Plymouth Superbird 1970

Tempo: 13.50 segundos a 168,98 Km/h.

Motor: 426 Hemi de 425 hp.

Transmissão: ?

Revista: ?

12º: Dodge Charger R/T 1968

Tempo: 13.50 segundos a 168,98 km/h.

Motor: 426 Hemi de 425 hp.

Transmissão: Automático.

Revista: Car and Driver, novembro de 1967.

11º: Dodge Charger 500 1969

Tempo: 13.48 segundos a 175 km/h.

Motor: 426 Hemi de 425 hp.

Transmissão: 4 marchas.

Revista: Hot Rod, fevereiro de 1969.

10º: Corvette 1968

Tempo: 13.41 segundos a 175 km/h.

Motor: L 72 427 de 425 hp.

Transmissão: 4 marchas.

Revista: Car and Driver, junho de 1968.

09º: Buick GS-X 1970

Tempo: 13.38 segundos a 169,7 km/h.

Motor: 455 Stage I de 360 hp.

Transmissão: Automático.

Revista: Motor Trend, janeiro de 1970.

08º: Road Runner 1970

Tempo: 13.34 segundos a 173 km/h.

Motor: 426 Hemi de 425 hp.

Transmissão: Automático.

Revista: Super Stock, dezembro de 1969.

07º: Corvette 1968

Tempo: 13.30 segundos a 173.8 km/h

Motor: 427 6v de 435 hp.

Transmissão: 4 marchas.

Revista: Hi Performance Cars, maio de 1968.

06º: Camaro 1969

Tempo: 13.16 segundos a 177 km/h.

Motor: 427 ZL1 de 430 hp.

Transmissão: 4 marchas.

Revista: Hi Performance Cars, junho de 1969.

05º: Chevrolet Chevelle SS 1970

Tempo: 13.12 segundos a 172 km/h.

Motor: 454 LS6 de 450 hp.

Transmissão: 4 marchas.

Revista: Car Craft, novembro de 1969.

04º: Plymouth Barrcuda 1970

Tempo: 13.10 segundos a 172,39 km/h.

Motor: 426 Hemi de 425 hp.

Transmissão: 4 marchas.

Revista: Car Craft, novembro de 1969.

03º: Plymouth Road Runner 1969

Tempo: 12.91 segundos a 178 km/h.

Motor: 440 Six Pack de 390 hp.

Transmissão: 4 marchas.

Revista: Super Stock, junho de 1969.

02º: Corvette 1966

Tempo: 12.8 segundos a 180 km/h.

Motor: L 72 427 de 425 hp.

Transmissão: 4 marchas.

Revista: Car and Driver, novembro de 1965.

01º: A/C Shelby Cobra 1966

Tempo: 12.20 segundos a 189 km/h.

Motor: 427 8V de 425 hp.

Transmissão: 4 marchas.

Revista: Car Craft, novembro de 1965.

A lista com os 50 mais rápidos pode ser vista aqui.