Plymouth Road Runner 1970 no Brasil
Talvez tenham sido os quatro anos mais excitantes da indústria automobilística americana desde que a Pontiac lançou, em 1964, o Pontiac GTO. As três grandes (GM, Ford e Chrysler), mais a AMC, ano a ano, se empenhavam em envenenar cada vez mais seus carros. Mas nesse período, a ideia original dos Muscle Cars – carros médios com motores enormes – começava a se descaracterizar. Com o ganho de popularidade e principalmente vendas, as montadoras começavam a oferecer cada vez mais opcionais, o que fazia com que os carros ganhassem peso e principalmente um aumento no seu valor final.
A Chrysler por meio da, hoje extinta, Plymouth, foi a primeira grande montadora a identificar esse distanciamento ideológico dos Muscle Cars de suas raízes. A divisão sofisticou o conceito original. O seu novo modelo não seria mais um carro médio com um motor grande. Ele teria que atingir 160 km/h nos 400 metros e custar menos de US$ 3.000.
Para cumprir sua diretriz ousada, a divisão da Chrysler precisou retirar qualquer item “supérfluo” que adicionaria peso e preço ao produto final. Os carros teriam interior simples, somente com o essencial. Tapetes, bancos individuais e até o rádio foram retirados.
Para cruzar o quarto de milha em tal velocidade, eram oferecidos os motores V8 que iam do já exagerado 383 (6.3), passando pelo gigantesco 440 (7.2) até chegar no mítico 426 hemi (7.0).
Surgia assim, em 1968, um dos modelos mais importantes da era Muscle Car, o Plymouth Road Runner. O modelo era a epítome do hot Rod vindo de fábrica. A sua relevância para história dos Muscles está diretamente ligada a sua volta à fórmula original de modelos de desempenho, com preços acessíveis e imagem impactante.
Por falar em imagem, à escolha do nome é um capítulo à parte. A montadora pagou US$ 50 mil ao estúdio Warner Brothers para chamar seu carro de Road Runner (aqui no Brasil, esse é o nome do Papa-Léguas). Foram necessários outros US$10 mil para desenvolver uma buzina que fizesse o famoso “Beep-Beep”, som característico da veloz ave do desenho animado, quando acionada.
Foi um sucesso estrondoso que também se traduziu em vendas. Segundo o site MuscleCarClub.com, o modelo 1969 figura no quarto lugar entre os mais vendidos de todos os tempos, com 82.109 unidades vendidas.
A concorrência tentou captar a essência da imagem do Road Runner, mas sem o mesmo sucesso comercial. A Ford criou o Torino Cobra, cuja propaganda mostrava o Réptil atropelando uma ave. A Pontiac criou o The Judge, mas nenhum deles conseguiu igualar o sucesso do “Papa-Léguas”.
O paulista Maurício Fontanetti, grande entusiasta dos modelos antigos da Chrysler, se apaixonou pelo modelo após viagem aos Estados Unidos. “Fui à um encontro Mopar e, enquanto todos falavam sobre Chargers e Challengers, foi um Road Runner 1968 que chamou minha atenção”, conta. Fontanetti então começou uma cruzada para conseguir trazer um modelo para o Brasil.
Após muita pesquisa, Fontanetti encontrou um modelo 1970. Para aquele ano o Road Runner ganhava uma novo desenho na frente e traseira, além de um visual mais agressivo e cores mais chamativas, típicos da época. O carro estava em Ohio, nos Estados Unidos, e precisava de reparos na pintura e no seu motor big block 383, de 6.3 litros.
Foram necessários 12 meses para que o Road Runner de Fontanetti, depois de um banho de tinta e restauração do motor, voltasse à sua forma esplendorosa de 42 anos atrás. Aliás, o carro ficou pronto na semana do evento mais importante para modelos Chrysler antigos, o IX Mopar Nationals em Atibaia, realizado nos dias 28, 29 e 30 de setembro. “O último emblema, a inscrição “Plymouth” da grade frontal, chegou exatamente na semana do evento. Abri o sedex empolgado, mas estava partido. Fizemos uma solda e no fim deu tudo certo” explica Fontanetti. Não por acaso, o carro do Maurício foi eleito o destaque do evento.
O prêmio do evento é mais do que justo. A configuração do carro de Fontanetti é bem única. O primeiro dono optou pelo teto de vinil, acessório disponível pela primeira vez nos Road Runners daquele ano e pela cor “Vitamin C”, um laranja bem vivo. Por falar em exclusividade, o modelo já não é tão comum nos Estados Unidos pois as vendas declinaram em relação a 1968 e 69. No Brasil, o exemplar do Maurício é uma unidade, das duas que se tem notícia no País até o momento. O ronco do motor V8 383 de 6.3 litros e 340 cv, aliado aos escapamentos Flowmasters é o prenúncio de que quando você ouvir o “Papa-Léguas” dizer “Beep-Beep”, é hora de liberar a passagem.
- “A Voz do Papa-Léguas” diz o sistema de Buzina em inglês.
Miniaturas Ertl: American Muscle
Talvez esse blog não existiria se não fosse a Ertl Company, empresa especializada em miniaturas de veículos agrícolas. Explico, no começo da década de 90, mais precisamente em 1994, esse que vos escreve, então com 12 anos, passava na Rua Augusta em frente a uma tabacaria no extinto Promocenter. Lá, vi um Ford Mustang 1964 1/2 em escala 1:18 que, mais tarde, seria meu presente de aniversário. O modelo era fabricado pela Mira, mas foi o ponto de partida para o início de minha coleção e, consequentemente, paixão pelos carros americanos, especialmente os Muscle Cars.
Pouco tempo depois começaram a aparecer os verdadeiros Muscle Cars, fabricados pela Ertl Company. Lembro que o meu irmão mais velho apareceu em casa com um Chevrolet Chevelle SS 454 1970. Não demorou muito, um Plymouth Road Runner 1969 se juntava a coleção. O meu primeiro exemplar do “Aço de Detroit” foi um Buick GSX 1970. Também fazem parte da coleção, um Shelby Cobra 1965, Chevrolet Corvette Stingray 1965, Pontiac GTO The Judge 1969, Chevrolet El Camino 1970, Chevrolet Impala SS 1964, Dodge Challenger 1970, Chevrolet Monte Carlo 1970, Ford Torino GT 1971, Pontiac Trans Am Firebird 1973, Plymouth Duster 1973, Oldsmobile 442 1970, Chevrolet Chevelle 1867 e um Chevrolet Bel Air 1955 (Ufa, acho que me lembrei de todos dessa fabricante. A maioria está guardada). Me recordo de ficar fascinado com o “novo” mundo automobilístico que se revelava para nós naqueles tempos. Veja bem, hoje qualquer garoto de 12 anos acessa a Internet e, ao alcance de alguns cliques, consegue toda a história e põe um Charger como papel de parede em seu LapTop. Mas há 17 anos, nossas fontes era um dicionário português-inglês e as informações que estavam verso da caixa desses “carrinhos”.
Mas e as revistas? Naqueles tempos, a Quatro Rodas só falava de carros de mercado. Eu e, principalmente meu irmão mais velho costumávamos ler as publicações que, muito raramente, dedicavam algumas linhas para os V8 americanos. Houve uma edição, da extinta, mas muito boa, “Oficina Mecânica” que falava sobre um Dodge Challenger 1974 e um Coronet Super Bee 1970. Este último, se bem me recordo, adquirido pelo proprietário a preço de banana em um leilão da Receita Federal no fim dos anos 80. Uma publicação, mais tarde naquela década, que começou a dar destaque aos Muscle Cars e carros antigos em geral, chegando a criar uma publicação à parte, foi a excelente Auto & Técnica.
Mas voltando as miniaturas, com o passar dos anos, os espaços em casa bem como no bolso foram diminuindo em proporção inversa à escalada do dólar. Isso foi preponderante para que eu encerrasse por tempo indeterminado a minha coleção. No começo, com o Real recém lançado e mais forte que o poderoso dólar, as réplicas custavam entre R$ 50 e R$ 100, dependendo do modelo e fabricante. Hoje em dia, ultrapassam fácil os R$ 250. Muita grana pra quem tem um Chevrolet Opala 1977 em escala “1:1″. Os HotWheels ajudam a combater a “crise de abstinência”, mas ainda babo quando frequento sites como o Die Cast Muscle Cars. Vocês colecionam alguma coisa?
Rust Oleum’s Plymouth Satellite 1969
Fotos: Steve Strope / Hot Rod Magazine.
No final dos anos 70, era comum os jovens customizar seus carros, geralmente Muscle Cars do final da década anterior, na época, apenas carros usados e sem valor com latas de spray. Uma grande empresa de aerosóis americana – King Rust Oleum – decide entrar para o mundo dos Hot Rods e, para resgatar esses tempos áureos e mostrar suas qualidades, era preciso escolher um automóvel. Steve Strope, da Pure Vision Shop e responsável pelo projeto, viu em um Plymouth Satellite 1969 o candidato perfeito. É o que conta essa matéria do site da Hot Rod Magazine.
O dono anterior desse Satellite queria transformá-lo num clone de Road Runner e, mecanicamente, estava muito bem encaminhado, equipado com motor V8 de 440 polegadas cúbicas, quatro marchas e diferencial Dana 60. Foi adquirido por módicos US$ 16.500.
O gigante Mopar precisava de reparos, então, teve o seu conjunto motor-transmissão todo refeito com produtos da King Rust-Oleum. Quando um grande pedaço de tinta do Satellite caiu do painel lateral traseiro, a Pure Vision também refez toda a sua pintura, usando a cor B5 Mopar Blue misturada com Auto Body Paint.
Para mostrar toda a qualidade dos seus produtos, a King Rust-Oleum também inscreveu o Satellite para a Power Tour, tradicional evento da Hot Rod que reúne as tendências de modificação apresentadas na publicação. Com o prazo apertando, a equipe só conseguiu fazer o 440 funcionar momentos antes de embarcar o Plymouth no trailer. Durante o evento, “era como se fosse 1978 de novo”, conta David Freiburge em seu artigo.
“Não havia nada de errado, nem o atraso da embreagem, costas suadas, freios que levam um campo de futebol para desacelerar o carro e um 440 que funciona como o original” relata David. No evento, era comum uma pequena multidão se formar em torno do carro, elogiando a ausência de rodas de 18 polegadas e dizendo “é assim que tem que ser!”.
O editor Jerry Pittssenbarger resumiu bem do que se tratava esse carro. “O carro é uma merda! Ele dirige como um tanque e nas curvas parece um guardanapo molhado, as é exatamente isso que o torna incrível!” concluiu.
Dois Destaques do Sema 2011
Nos dias 01 e 04 de novembro, em Las Vegas, Estados Unidos, aconteceu o SEMA (Specialty Equipament Market Association) ou simplesmente SEMA Show, evento onde fabricante de automóveis, oficinas, preparadoras e empresas ligadas a modificação e restauração de carros reúnem o que há de novo nesse crescente mercados.
Entre centenas de carros modificados, sempre há alguns que se destacam, entre eles o Chevy Nova SS 1969, modificado pela Bill Thomas/Race Cars. Originalmente, este Chevy havia saído de fábrica com o respeitável V8 6.4 litros (396 polegadas cúbicas) e 375 hp que foi subistituído por outro V8 –ainda mais letal – de 7.6 litros (467 cubic inches) e 427 hp. No exterior, rodas Cragar Keystone Klassic e pneus redline. Uma modificação que não ficaria atrás de lendários nomes como Yenko ou Baldwin Motion.
Outro destaque, digno de nota, é o Plymouth Road Runner 1968 modificiado pela Hotchkis Suspension. Os Muscle Cars são conhecidos pela força desproporcional e velocidade… Em linha reta. Para mudar esse paradigma, a Hotchkis alterou e atualizaou todo o sistema de suspensão do carismático Papa-Léguas da difunta Plymouth. O resultado é uma dirigibilidade rápida e agressiva que pode fazer frente a qualquer carro moderno.
Scat Pack & Rapid Transit System
No auge da era Muscle Car, a Chrysler não estava totalmente satisfeita, mesmo com seus motores potentes e o sucesso nas pistas. Afinal de contas, o Tio Sam que saber do lucro e a marca da estrela de cinco pontas buscava a liderança em vendas no segmento. A fim de fidelizar os consumidores e diferenciar do restante, o departamento de marketing da Dodge, criou o Scat Pack, uma espécie de clube de seus modelos esportivos. A ideia foi tão bem sucedida que a Plymouth fez o mesmo e criou o Rapid Transit System.
O Scat Pack, criado em 1968, não fazia alterações nos carros de alta performance da Dodge, apesar das faixas Bumblebee presente em todos eles, o decalque duplo poderia ser excluído pelo comprador, caso optasse. No início daquele ano, faziam parte do grupo o Charger R/T, Coronet R/T, Dart GTS e Swinger 340 e o Super Bee. O “clube” fazia sua divulgação por meio de propagandas em revistas, adesivos e até vestimentas.
Em 1970, com o reposicionamento mercadológico de alguns e o lançamento de novos modelos, houveram mudanças nos “sócios” do Scat Pack. Eram eles o Dart Swinger 340, Coronet Super Bee, Charger R/T, Challenger e o Charger Daytona. No ano seguinte o Charger Super Bee assumiu e substituiu essa versão do Coronet e o Demon 340 passou a ser sócio. O ano de 1971 marca também o último ano do Scat Pack.
Assistindo ao sucesso da Dodge, que aquela altura já havia vendido cerca de 100.ooo Chargers, a outra divisão da Chrysler, a Plymouth, também criou uma lista de carros que passariam a fazer parte de um “clube”. Nascia assim o Rapid Transit System, que se presumia ter uma relação com a nomenclatura R/T (Road/Track), mas não passava de um jogo de palavras. A terminação R/T pertencia exclusivamente aos modelos da co-irmã Dodge.
Já no Scat Pack, o ponto alto foi em 1970, quando a Dodge criou incrementou o Clube, com uma Newsletter. Também foi criada uma mala direta, por meio de um catálogo, disponível aos membros sem custo e um pacote exclusivo “Scat Package” de peças da Mopar. Isso incluía o Showboat (Roupas), Read Out (Medidores), cartão de membro, emblemas para bordar em jaqueta, um guia de 40 páginas sobre automobilismo, um informativo mensal Dodge Performance News, e um quinzenal Dodge Scat News. O custo total de todas essas regalias eram 3 dólares por ano, o que em dinheiro de hoje, seria algo em torno de 17 dólares.
No outro lado do muro, a Plymouth descrevia o Rapit Transit System da seguinte forma:
Agora temos um sistema (System). Um programa integrado… É um conceito de alta performance de transporte total, que combina as lições aprendidas nas competições, uma rede de informação, de pessoas que entendem de alta performance, peças e produtos de alta gama. O Rapid Transit System são anos de experiência de corrida em Daytona, Indianapolis, Riverside, Irwindale, Cecil County. São os próprios carros de corrida, de Drag, Grand National, rally e modelos campeões. É toda experiência adquirida em todas estas corridas.
O Rapid Transit System é a informação – um canal direto de nós com você – sobre como ajustar e modificar o seu carro, qual o equipamento a utilizar e como configura-lo para corridas. (Isso inclui tudo, desde catálogo com peças alta performance, Clínicas com Super Carros, decalques para o Road Runner e dicas para os Hemis de corrida). … O System são peças de alta performance – Coletores especiais, escapes, pistões, rolamentos, etc – que estão agora mais facilmente disponível por meio de autorizadas localizados estrategicamente em todo o país.
O Sistema é mesmo um pouco da ação para os iniciantes. Vamos dizer que você ainda está alguns anos longe de uma carteira de motorista, mas isso não diminuiu seu entusiasmo por carros. O seu desenho animado favorito é o Road Runner (Papa-Léguas), o seu carro favorito é Road Runner e você só queria que sua garagem fosse um pouco maior. Bem, talvez você não tem idade suficiente para dirigir, mas com certeza você pode vestir um Jaqueta de corrida Plymouth. E você também pode pegar – ou enviar para alguém – vários de nossos decalques, etiquetas, catálogos e informatios…
Acima de tudo, o Rapid Transit System é o produto, que abrange tudo para um “subestimado” Plymouth Duster V8 com 340 polegadas cúbicas, passando pelo gigante V8 de 440 polegadas cúbicas do Sport Fury GT, até o Hemi-’Cuda com um tremendo Air Grabber exposto.
E, entre eles, há Road Runners e os GTXs, disponíveis com tripla carburação dipla, e sistemas de vácuo, de indução. Os ‘Cudas com baixo pesoe V8 340. Cada um é um carro de alta performance completa. Com suspensão, freios, transmissão e pneus para corresponder. (O System não permite que um carro que não faça curva, não pare ou não corresponda quando ficar sob pressão quando você está nele.)
Talladega x Daytona
A Nascar, há mais de 40 anos, rendia duelos muito interessantes dentro e fora das pistas. O mais notável deles acontecia entre a Ford e a Chrysler, representadas principalmente por Torinos e Chargers respectivamente. De 1962 a 1967, o Torino era um modelo intermediário que, até então era uma versão mais barata do Fairlane.
A partir de 1968, as coisas mudaram para o modelo que, mercadologicamente, trocou de lugar com o Fairlane. Nas pistas da Nascar, graças a aerodinâmica de seu desenho fastback, fez muito sucesso nos anos de 1968 e 69. O Torino foi tão dominante que a Chrysler precisava reagir no campeonato.
A Chrysler havia lançado um Charger totalmente remodelado em 1968. Suas novas e belíssimas formas eram muito pouco funcionais nos ovais. A começar pela grade frontal que, com sua grande abertura, sugava uma grande quantidade de ar, deixando o mais lento que seu principal adversário. Outro detalhe que atrapalhava o popular carro da Dodge eram as extensões de sua coluna C. Tal aparato estilístico causava turbulência em altas velocidades.
Diferente de hoje em dia, onde todos os carros são “bolhas” idênticas, com a mesma motorização que pouco lembram os carros de rua, a Nascar em 1969, para homologar a participação de um modelo específico, exigia que as montadoras fabricassem, pelo menos, 500 unidades para serem vendidas ao grande público naquele ano. para 1970, esse número saltaria para 3.000.
Amparada por essa regra, a Dodge, criou uma versão específica do Charger para a Nascar, “corrigindo” seus “defeitos” de design. Surgia assim, uma das versões mais belas – na humilde opinião de quem vos escreve – o Dodge Charger 500 1969. Esse modelo tinha uma grade fixa e sem as tais extensões em suas colunas. Essas mudanças surtiram pouco efeito dentro das pistas, e o Torino continuou dominante.
Não por acaso. além de seu desenho aerodinâmico, o modelo – cujo o nome era inspirado na cidade de Turim, na Itália, considerada a Detroit daquele país – era equipado, na versão Tallagega, com os gigantescos e poderosos V8 de 428 e 429 polegadas cúbicas (7.o).
A resposta definitiva da Chrysler veio do túnel de vento ainda em 69. A marca da estrela de cinco pontas instalou um nariz pontudo e um aerofólio enorme na traseira do Charger e lhe deu o nome de Daytona. No ano seguinte o mesmo aconteceu com o Roadrunner, que ganharia o sobrenome de Superbird.
À partir daí, a Chrysler se tornou tão dominante em 1969 e 1970 que a Ford ameaçou deixar a categoria, o que fez a Nascar proibir qualquer acessório aerodinâmico, matando assim, os Wing Cars (Carros Asa) da Dodge e Plymouth.
O curioso desse duelo é que, todos esses anos depois, o Torino não conseguiu, mesmo com toda sua tradição nas pistas, a mesma valorização de outros Muscle Cars sem esse pedigree. Especialistas creditam essa derrota à seus problemas de corrosão que vieram nos anos seguintes. Segundo publicações da época, o Torino era o intermediário mais desvalorizado da década de 70.
Os 10 Piores Muscle Cars
Tirem as crianças da frente do computador! Em janeiro de 1990, o jornalista da revista MUSCLECAR, Jim Campisano, elegeu os 10 piores carros do gênero. Tecnicamente falando, não se tratam mais de Muscle Cars, são modelos que usaram os mesmos emblemas, mas sem os requisitos para os credencia-los como tal.. Com muito humor, Jim expõe, na verdade, o que aconteceu com os carros esportivos americanos, depois da verdadeira era Muscle Car. Como ele bem explica “São 10 exemplos do porquê americanos dirigem carros japoneses hoje em dia”. Se os anos 60, e começo dos 70, foram o auge , o que viria a seguir seriam os tempos mais sombrios da indústria americana de automóveis. Os scans da matéria (em inglês) você pode ler aqui, aqui, aqui e aqui.
Ford Mustang II Cobra II 1976-78 ou King Cobra 1978: Segundo Jim, esses Ford Pintos disfarçados de Mustang com faixas do GT 350 afundaram o nome “Cobra’ na lama. Esses carros não andavam, muito menos controlavam. O seu interior era inadequado para um carro esportivo. Para o jornalista, esses Mustangs II disputavam com os Pontiac Trans AM quem tinham as maiores e piores decalques.
Pontiac Turbo 301 Trans Am 1980-81: Os carros da era Disco foram marcados pelo excesso de peso e motores fracos. Com os Trans Am não foi diferente. Ao invés da imponente Fênix no capô, ‘Galinha Gritando’ foi o apelido jocoso dado pelos americanos. Para Jim, esses modelos do começo da década de 80 deveriam ter um porco. Eram 1.800 quilos, (400 deles só em decalques). Segundo Jim, esses carros poderiam ser superados por qualquer Taxi Mopar com um 318.
Corvette 305 1980 (Vendido somente na California): “Ainda bem” disse Jim ao fato desse Corvette ter sido vendido somente naquele Estado americano. Graças a lei de emissões do Estado, o V8 350 foi reduzido para 305 polegadas cúbicas e 180 hp. Para Jim, Deus puniu os californianos por lançar modas demais, advogados e todo o resto. Os demais Estados americanos poderiam comprar o ainda decente L82. Segundo Jim, este Corvette marca o fundo do poço da indústria americana.
Pontiac GTO 1974: O carro símbolo da era Muscle Car, para aquele ano, apareceria sem a força e o charme de antes. O GTO 74 era Chevy Nova cheio de boas intenções, como a redução de peso para melhorar a performance. Mas para Jim lembra que a estrada para o inferno é feita de boas intenções. Há quem argumente “Não era tão ruim assim”, mas o jornalista rebate usando o GTO dez anos mais antigo como exemplo. “Será que alguem teria feio uma música ou nomeado um perfume em referência ao GTo 1974? Sem chance!”.
Plymouth Volare Road Runner / Dodge Aspen R/T Super Coupe 1976-80: Para Jim, estes são um dos piores do grupo. Assustador, para o jornalista (pra qualquer um, imagino), que cinco anos antes, 440 e Hemis equipavam estes sobrenomes. Estes modelos resumem o que foram aqueles anos, um festival de spoilers estranhos, excesso de peso, motores fracos e decalques de gosto duvidoso.
Dodge Charger Daytona 1976-77: “A única semelhança com os Daytonas 1969 é o nome”, sentencia Campisano. Basicamente eram Dodge Cordobas de dois tons com um esquema de pintura horrendo. Os motores eram os 318, 360 e 400, dos quais, nenhum era capaz de empurrar esse mastodonte obeso para qualquer coisa que lembrasse velocidade. Não havia opção de câmbio manual.
Mercury Montego GT 1972: A Mercury não era exatamente lembrada pelos seus carros de performance, salvo algumas excessões, como as versões do Cougar e Cyclone. Em 1972 a divisão da Ford colocou uma frente estilo Mark IV no seu modelo médio e lhe arrancou o máximo de potência que pode. O inadequado V8 302 era o motor padrão, mas havia ainda as opções do 351, 400 e 429. “Dali em diante, as palavras “Mercury” e “Desempenho” nunca mais seriam usadas na mesma frase”, disparou Jim.
AMC AMX 1979: “Gremlin Mutante” é só mais um dos ‘elogios’ de Jim ao carrinho da extinta American Motors. O motor básico, nem V8 era. Um 6 cilindros com 256 polegadas cúbicas e parcos 110 hp. Não que o oito cindros 304 fosse muito melhor, essa opção entregava incríveis 125 hp. O quarto de milha ficava na casa dos 17 para ambos. O jornalista diz: “Com esses tempos, eu poderia andar pela pista mais rápido e parecer menos constrangedor”. Para sorte da AMC o AMX que ficou na memória foram os dos começo da década.
Chevrolet Camaro Rally 1976-80: Este Camaro era tão lento que uma revista especializada, após o teste dos 400m, voltou para a concessionária achando que o carro tinha algum problema. No entando, mais tarde foi diagnosticado o problema: Os 155hp do V8 small block. Outro foguete de 17 segundos no quarto de milha.
Ford Maverick Stallion 1976: Mais um exemplo da péssima relação peso x potência que assolava Detroit em meados dos anos 70. Por incrível que pareça, essa versão “esportiva” do Maverick americano era mais fraca que o Nacional, com apenas 138 hp. O esquema de pinturas e decalques era, no mínimo, polêmico. Para o jornalista, o carro teve uma “boa e merecida morte em 1977″.
Oldsmobile 442 1978-79: E uma menção honrosa (ou desonrosa) vai para este carro, que é difícil de se acreditar que alguém, lúcido, teve a coragem de chamar de 442. “Os mais espertos se mantiveram longe das concessionárias Oldsmobile e restauraram os 442 dos anos 60 e começo dos 70″.
13 Razões
Treze razões para ganhar na Mega Sena e arrematar este Plymouth Road Runner 1968 no leilão da Mecum Auction.
- Em 68′ apenas 29,240 coupes 2 portas fabricados.
- Foi o primeiro ano do Road Runner.
- Todas as características originais que constam no nº do chassi preservadas.
- É um Muscle clássico.
- Restauração feita noss últimos 5 anos.
- O carro mantem toda a maior parte da lataria original.
- Sólido assoalhoe porta malas.
- O carro foi lixado até a lata e repintado em sua cor original.
- Tem o motor 383 (6.2L) e direção hidráulica.
- Sistema de adimissão e carburador novos da Edelbrock.
- Transmissão 727 Torqueflite 3 marchas automático.
- Sistema de escape da Flowmaster.
- Rodas de magnésio novas.
Dica do parceiro Luís Gustavo Martin. Eu e ele não ganhamos na Mega Sena.
Muscle Cars À Venda
A economia do nosso País deve estar muito melhor do que eu imagino. Explico. Não é raro nos comentários da seção “Vende-Se”, aqui do Parachoques Cromados, leitores perguntarem quanto eu quero, se aceito troca ou coisas do gênero. Hoje mesmo me foi perguntado isso. Muito desses comentários percebo que a pessoa não leu o Post, mas, para ajudar esses ávidos compradores de Muscle Cars que de vez em quando aparecem por aqui, vou indicar os dois principais sites que consulto, quando quero alimentar a seção de “Vende-Se”.
Localizada em Montana, ao norte dos Estados Unidos e, aparentemente com uma loja física, a Fast Lane Classics tem um grande inventário de carros clássicos americano, incluindo os muscle cars. Vou colocar abaixo alguns dos carros, das três grandes montadoras, que estão à venda:
Caso queira entrar em contato com eles, clique AQUI.
Como o nome mesmo sugere, a loja física está situada em Charlotte, na Carolina do Norte. A revendedora além de comercializar, restaura carros clássicos. Também é possível encontrar carros de alta performance mais recentes. E, é claro, muitos muscle cars, desde em seu estado original até os mais modificados. Abaixo, três exemplos do que se pode encontrar por lá:
Se você é rico, gosta de clássicos ou ganhou na Mega Sena recentemente, entre em contato com eles por AQUI.
Destaco ainda o Bring A Trailer, que é um site de indicações de carros à venda, em sua maioria no E-Bay Motors (Uma mistura de Web Motors e Mercado Livre gringo), de carros clássicos do mundo todo, separados por país. Se você tem a grana, a vontade e bom gosto, opções não faltam na web.
Plymouth Road Runner 1970 528 Hemi
Quem não gostaria de passar pela garagem toda manhã e se deparar com um Plymouth Road Runner 1970 Hemi em condições perfeitas? Para muitos já seria o sonho de uma vida, mas e se eu disser que o motor foi insanamente modificado? Pois é, foi o que os caras da BTO Cars (Better Than Original) – algo como “Melhor que o Original” – fizeram.
As já mosntruosas 426 cilindradas cúbicas (7.0 L) foram aumentadas para 528, absurdos 8.6 Litros! A potência, foi dos “módicos” 425 hp para ameaçadores 742 hp e o melhor de tudo, sem Scoops exagerados, vidros ou carrocerias em fibra ou qualquer artíficio de gosto duvidoso que denuncie a verdadeira natureza deste Plymouth.
O carro foi completamente desmontado e meticulosamente restaurado. Todas as chapas de metal foram jateadas e tratadas com substâncias para previnir ferrugem. O processo de recuperação foi documentado com um diário e fotos. No site há uma lista completa do que foi feito e, segundo o mesmo, desde que a restauração foi finalizada, o carro não rodou uma milha sequer.
A indústria de restauração de Muscle Cars no Estados Unidos movimenta milhões de dólares por ano. Por lá, não é difícil encontrar empresas que reúnem e fabricam peças, emblemas, motores ou até mesmo carrocerias inteiras.Com a competição ferrenha, algumas empresas ficam pelo caminho, e a a BTO Cars parece ter padecido desse mal.
O motivo de sua saída do mercado não é explicitada em seu site.
Dodge Charger Daytona 1969
Há tempos gostaria de ter colocado várias fotos do Dodge Daytona e finalmente encontrei algumas fotos para compartilhar com vocês. No processo, acabei me deparando com um site muito legal, chamado Carro de Corrida, onde retirei algumas das fotos abaixo. O Daytona, assim como seu co-irmão Superbird -derivados do Charger e Road Runner respectivamente – eram praticamente “Licenças Poéticas” da Chrysler para ganhar corridas na Nascar.
Nas pistas deu tão certo e foram tão dominantes que acabaram se tornando ilegais pela própria Nascar. Nas concessionárias, no entanto, tiveram vendas muito modestas. O fracasso comercial geralmente é creditado ao preço e o visual extravagante demais. Hoje em dia são modelos altamente valorizados, graças a sua história nas pistas e vendas escassas.
Salão do Automóvel dos Sonhos: Plymouth Road Runner 1968
Road Runner. Performance Brilhante. E o preço é justo. É o significado do “Fora de Série”. Entenda Isso. O Road Runner tem um motor tão exclusivo que você não encontrará em um outro Plymouth. É chamado de Road Runner 383. Tem um carburador quadrúplo. Tudo isso e muito mais num coupe de duas portas que é exclusivo entre os Plymouths. Se você optar pelo teto Hardtop, terá vidros laterais sem colunas e janelas traseiras que se abrem. Por pouco, você pode ter o emblema Road Runner no painel e no porta malas. Outro, nas portas. Mais um desenho do Road Runner (Papa Léguas) no porta malas, portas e painel de instrumentos.
Enquanto eu não tenho tempo (nem dinheiro) pra ir no Salão do Automóvel, fico imaginando quais carros gostaria de ver pessoalmente e ainda não vi. O Plymouth Road Runner 1968 é um desses casos. Qual carro você gostaria de ver pessoalmente e ainda não pôde?
Os 10 Muscle Cars Mais Vendidos
Ou deveria ser a Linha do Tempo entre GTO e Chevelle? Bom, já vimos qual foram os 10 mais valorizados e os 20 mais rápidos, mas quais foram os mais lucrativos? Segundo o site MuscleCarClub.com estes são os mais vendidos da história. Pela lista, dá pra notar a dominância da GM nesse nicho de mercado.
Somente Muscle Cars puros foram considerados, ou seja, carros médios (para o padrão da época) com motores de alta cilindrda. Os Poney Cars como o Camaro e o Mustang não foram inclusos. Incluí apenas os 10 primeiros. A lista original conta com 13.
Plymouth Satellite 1970
Foram nove anos, três carrocerias e alguns re-posicionamentos de mercado. Em 1970 o Satellite era uma versão intermediária entre o Road Runner e o GTX. Várias opções de motor V8 estavam disponíveis também, do calmo 318 ao gigantesco 440 “Comando”.

Magnum 500 e BF Goodrich: O café com leite, o arroz com feijão, o pão com manteiga... Bom, vocês entenderam.
Pequenos detalhes estéticos separavam o Satellite dos outros dois modelos da linha, tornando eles muito similares a primeira vista. Confundí-los entre si é comum, se você não se atentar as diferenças.
Há quarenta anos, quase todas as versões ofereciam algum pacote esportivo, com o Satellite não foi diferente. O diferencial é que o pacote “sport” para o modelo era oferecido tanto no coupe duas portas como no sedan 4 portas. As belas fotos do modelo foram retiradas daqui, aqui e aqui
.
AMC Hurst S/C Rambler 1969
Quando você ouve falar no termo “Muscle Car” qual modelo vem a sua cabeça? Não seria fora da realidade supor que você pensou em um Charger, Camaro ou algo do gênero. De certo mesmo, não foi o AMC Hurst S/C Rambler 1969 que veio à sua cabeça. Mas não se preocupe, a quarta força entre as montadoras americanas naqueles tempos (hoje já não existe mais), a American Motors Company ficou conhecida mesmo pelos carros econômicos.
O frenesi criado pela corrida de cavalos em Detroit fez com que até a AMC entrasse no páreo. Com alguma experiência em performance com o Javelin, a montadora decidiu que era hora de competir com carros de port médio. No seu elenco, quem fazia esse papel era o Rambler. A receita foi simples, mandaram esse carro (que pra mim lembra um Dart com o corpo do Chevy II) para a Hurst Performance Research Inc. e encaixaram nele o maior motor V8 disponível da American Motors, no caso, um de 390 polegadas cúbicas (6.3 L) e 315 hp.
O câmbio de quatro marchas era produzido pela Born Warner e completando o sistema, obviamente, a própria Hurst. O modelo ainda recebeu suspensões reforçadas de anti-rolagem, pneus Goodyear Polyglass e, como opcional, frios a disco na frente.
O carro estreou na metade daquele ano eficou longe de ser um sucesso de vendas. O seu esquema de cores – branco com uma grossa faixa vermelha na lateral, com uma outra fina cruzando o carro do capô ao porta malas – foi alvo de críticas nas revistas especializadas, assim como o seu alto nível de ruído. O público também pareceu não ter gostado, afinal apenas 1.512 foram produzidos.
Na pista, o Rambler não fazia feio. O 1/4 de milha ficava na casa dos 14 segundos baixos. O 0-100 era cumprido em 6.3 segundos. Nada mal para um Muscle Car obscuro de um uma montadora que nem existe mais. A revista Road Test disse na época “ele (o Rambler) vai mostrar seu emblema Hurst na traseira de alguns GTOs, Cobra Jets, Road Runners e Mach 1s”. Para ver fotos que não entraram nesse post, acesse nossa Página no Facebook.
As Fuselagens da Chrysler
Os automóveis podem representar muitas características de um únic proprietário, região e, até, de um país inteiro. Não é exagero dizer que os carros são a extensão da personalidade de um indivíduo ou de todo um coletivo. Nos Estados Unidos, em tempos de crise ou não, carros grandes sempre fizeram parte da história daquele país e do gosto do consumidor, fosse com os antigos Full Sizes ou com as atuais SUVs.
De 1969 a 1973 a Chrysler oferecia como modelos top de linha, modelos que exemplificam bem isso e, de tão grandes (quase 6 metros), poderiam ter seu próprio fuso-horário, língua e moeda corrente. Exageros a parte (no texto, não nas dimensões), o desenho desses modelos foram chamados, pela própria montadora, de Fuselage (Fuselagem) porque, assim como nas aeronaves, os carros mostravam grandes extensões de metal e, é claro, associar o conforto do carro com os aviões.
Internamente, eles era conhecidos como o C-Body, são eles Imperial, 300, Chrysler New Yorker, Monaco, Newport, Polara e Fury. A saber, os A-Body eram os modelos de entrada como o Dart e Valiant e os B-Body, intermediários, ficavam com o Road Runner, Charger e Coronet. O interessante é que os próprios anúncios já avisavam que a idéia desse novo design era fazer com que os carros parecessem mais longos e largos que os antecessores.
Se você cresceu nos anos 70 e 80, viu muitos desses modelos em cenas de ação em séries e filmes policiais, na maioria das vezes, como meio de transporte da lei. Recentemente, um desses jumbos sobre rodas – mais precisamente um Chrysler Newport 1971 – estrelou no filme “Perseguição” (Joy Ride -2001) com Paul Walker, Steve Zahn e Leelee Sobieski como “coadjuvantes”. A trama guarda muitas semelhanças com o clássico “Encurralado” (Duel -1971) que, basicamente, se trata de um caminhoneiro maluco perseguindo um carro da Chrysler.
Há um site gringo – Fuselage – dedicado apenas a esses modelos que marcaram época, com detalhes como números de produção, modelos ano a ano, entre outros. Vale a pena dar uns cliques.
Fica a Dica
Para ver essas fotos e outras tantas de carros europeus, acesse o Loudpop Voyager.
Os 10 Muscle Cars Mais Valorizados
É muito comum, anunciarem listas por aí. Qual os 10 albúns mais importantes da história? E os melhores jogadores de futebol? Os motivos e critérios são os mais variados, questionáveis e subjetivos possíveis. Geralmente, são feitas para se mostrar o quanto o veículo que as publica é influente. A lista a seguir, ao menos segue parâmetros mais lógicos e foi feita pela CNN Money, o braço para assuntos financeiros da gigante de comunicação, CNN, com sede em Atlanta. Com ajuda do especialista Phil Skinner – editor de uma publicação voltada para o mercado de coleção chamada Kelley Blue Book - para ajudar na credibilidade, e com um texto, ás vezes, pra lá de jocoso, a matéria, publicada em de 2006, mostra quais foram os Muscle Cars mais valorizados de 2000 até aquele ano.
Basicamente, a lógica de mercado é a mesma para qualquer objeto antigo, e com os brutos de Detroit não é diferente. Quanto menos unidades produzidas, maior o valor. O que impressiona é a escalada de preço de alguns modelos. Os mais valorizados já chegaram na casa do milhão, como é o caso do primeiro colocado. Mas sem mais enrolação, vamos a eles, por ordem decrescente.
No ano do auge da era Muscle Car, 1970, mesmo as divisões mais conservadoras e avessas a esportividade queriam sua fatia no bolo do mercado jovem, recém formado. A Oldsmobile que, tradicionalmente, produzia carros de tiozão, entrou no jogo com uma mistura de performance e luxo. O 442 era o seu representante e tinha essa alcunha numeral para representar seus quatro carburadores, as quatro marchas e o escapamento duplo. A opção W30, em números oficiais, adicionava cinco cavalos ao V8 de 455 cilindradas cúbicas e 365 hp. Mas há quem diga que esses números são bem modestos e não condizem com a realidade, talvez para driblar as companhias de seguro e o mala do Ralph Naider. Números ofisiosos dizem algo em torno de 410 na versão “comum” e 420 hp com o opcional. Os Olds, ainda, não desfrutam do mesmo prestígio que seus co-irmãos de GM, mas, segundo o especialista ouvido pela CNN Money, tem um grande potencial.
Preço em 2000: US$ 21.300,00
Preço em 2006: US$ 85.960,00
Tido, cinco anos antes, como o precursor de toda a brincadeira de carros médios (para os padrões da época, é bom que se diga) com motores enormes, em 1969, o GTO, pelo menos em vendas, já não obtinha o mesmo sucesso de seus predecessores. Parte da perda de credibilidade entre os compradores da época deve se a “luxurização” do modelo e pouco ganho de potência. Para reverter essa percepção, os caras da Pontiac lançaram o pacote “Judge” que, em sua versão de topo de linha, oferecia aversão Ram Air III, aumentando a potência de 350 para 366 hp. Naqueles tempos, pelo menos entre os Muscles Cars, as versões conversíveis eram pouco procuradas. Ao que parece, o comprador da época não gostava desembolsar uma boa grana a mais, para ter um teto, a menos. Essa raridade de modelos descapotados fazem os preços dessas versões muito mais caras do que se podia imaginar em 41 anos atrás.
Preço em 2000: US$ 36.750,00
Preço em 2006: US$ 205.200,00
O Torino Talladega 1969 faz parte de uma espécie especial de carro, daqueles que tem o DNA das corridas em sua engenharia. A começar pela aerodinâmica (sim alguém pensou nisso naquela época) que lhe trouxe muito sucesso nas corridas de Nascar, ficando com o título daquele ano. Na verdade, toda a produção do modelo era uma desculpa para atender as normas de homologação daquela competição, que exigia que os veículos competidores fossem modelos de fábrica, com um número mínimo de produção. Foram fabricados, 11 protótipos e 743 para o público. Destes, 286 na cor “White”, 258 “Royal Maroon” e 199 na “Presidential Blue”, todos equipados com o motor 428 Cobra Jet. O V8 da Ford é capaz de gerar -em números oficiais -335 hp, mas em uma aferição qualquer chega-se, fácil aos 410 hp. Embora tenha uma história rica de disputas com os “Aero Cars” da Chrysler – Superbird e Daytona – o Talladega ainda não chegou ao mesmo nível de valorização. Especula-se que isso não aconteceu, ainda, pela natureza espalhafatosa de seus rivais. Mesmo assim, é outro modelo com um grande potencial de valorização futura.
Preço em 2000: US$ 23.800,00
Preço em 2006: US$ 37.100,00
A resposta da Chrysler para o Torino Talladega foi quase uma apelação. Depois de enfrentar problemas nas pistas com o instável Charger R/T em 1968 e de tentar um paliativo pouco efetivo com o Charger 500 no ano seguinte, a marca das cinco pontas colocou seus Best-Sellers – Charger e Road Runner – no túnel de vento e apresentaram dois dos carros mais ultrajantes da história automobílistica dos Estados Unidos: o Daytona e o Superbird, derivados dos modelos acima, respectivamente. Mais uma vez, estes carros só chegaram as concessionárias para cumprir a tal homologação da Nascar. Com um número limitado de produção e vendas tímidas na época, fazem dos Aero Cars um dos mais valorizados. A matéria da CNN Money cita o exemplo de um Superbird que, sequer foi vendido e ficou “encalhado” em uma concessionária durante décadas, até ser leiloado. O jornalista ainda faz uma piada de mau gosto, comparando sua asa traseira a um “banco de ponto de ônibus para girafas”. Mal sabe ele que a piada oficial é chamar o aparato de “mesa de passar roupa”. As versões com o motor 426 Hemi, de 425 hp, mais raras, portanto, mais caras, estão no topo da cadeia alimentar.
Preço em 2000: US$ 39.000,00
Preço em 2006: US$ 170.000,00
Mais uma vez, a equação número baixo de produção, mais versão exclusiva e limitada, adicionada a ausência de um teto, faz do Shelby GT 500 KR (King of the Road, Rei da Estrada) um dos campões de supervalorização do seu preço. A parceria de sucesso entre a Ford e o texano Carrol Shelby vinha rendendo bons frutos, tanto nas pistas como comercialmente. Carrol, criado nos autódromos, torcia um pouco o nariz para o ganho de opcionais e, consequentemente, peso dos Mustangs que levavam o seu nome. Os modelos da segunda geração da era clássica, ainda tentavam balancear os dois conceitos. No cofre o mesmo V8 de sete litros que equipava o Torino citado acima. A potência? Cerca de 410 hp, mascarados oficialmente para 335. A geração seguinte ganhou ainda mais peso, tamanho, faixas decorativas, mas perdeu o mais importante: potência. Descontente com o rumo dos modelo, Carrol Shelby encerrou o acordo com a montadora de Dearborn em meados de 1969. Os Shelbys, vendidos em 1970, na verdade, eram sobras do ano anterior. A parceria voltaria com toda força em 2006, poucos anos depois da remodelação retrô do Pony da Ford.
Preço em 2000: US$ 64.500,00
Preço em 2006: US$: 191.000,00
Não há um consenso ou uma verdade definitiva sobre o termo Muscle Car. Geralmente, se refere aos carros americanos, produzidos entre os meados da década de 60 até o começo da década seguinte. Mas, mesmo dentro desse período de tempo, haviam outras designações como os Pony Cars, os Full Sizes que fogem das características clássicas da origem do termo Muscle Car como automóvel médio de quatro lugares, com motor grande e preço acessível. Para exemplificar, as revistas americanas da época classificavam o Camaro como “Pony”, o Chevelle como “Muscle” e o Impala como “Full Size”. O termo Muscle Car acabou ficando mais abrangente na medida em que os cavalinhos e as banheiras passaram a ganhar bastante potência também. Bom, coloquei toda essa ladainha de nomes e classificações porque há um debate sobre como classificar o Shelby Cobra. Há quem diga que ele é mais Inglês, pelo fato da carroceria ter sido desenhada pela AC e há a corrente que o trata como americano, porque todo o acabamento mecânico era feito nas entranhas da Ford, em Dearnborn, Michigan. As primeiras versões, “mais mansas”, equipadas com o mesmo V8 289 – que equipou também ‘nossos’ primeiros Galaxies – tem recebido uma valorização crescente. Mas pornográfico mesmo foi o preço pago por uma versão de corrida, que disputou a famosa corrida de Le Mans, estratosféricos US$ 1.647.000,00!
Preço em 2000: US$ 175.000,00
Preço em 2006: US$ 329.100,00
Por falar no Chevelle, olha o meninão aí. O modelo 1970 é considerado por muitos o ápice em termos de design e potência de toda aquela geração. O motor V8454, com a opção LS6 era, pelo menos declarado oficialmente, a unidade de força mais potente já produzida naqueles tempos, com impressionantes 450 hp. Para se ter uma idéia, nem a Lotus de F1, guiada por Emerson Fittipaldi naquele ano, chegava a essa quantidade de cavalaria. Guardada as proporções e mau comparando, era o Bugatti Veyron de seu tempo, com a vantagem de que você não precisava ser um rico e excêntrico morador do principado de Mônaco para ter um em sua garagem. Como não podia ser diferente, as rareadas versões conversíveis ganharam valor de mercado, quando equipadas com a versão top de motorização. Se os números do chassis condizerem com os opcionais, além de detalhes como rádio de 8 pistas de época, o preço pode alçar vôos ainda mais altos.
Preço em 2000: US$28.700,00
Preço em 2006: US$ 369.000,00
Criado com intuito de combater o Mustang, o Camaro com o tempo, adquiriu personalidade própria e muita popularidade. Você podia encomendar um com 6 cilindros e ter o visual esportivo ou podia engambelar a GM e sair dirigindo da concessionária com a estúpidez sobre rodas, chamada Camaro COPO. Enfim, o Camaro era o carro para todo mundo. A versão Z28 de 1969 era mais uma daquelas estórias sobre homologação. A diferença era que, ao invés de virar para a esquerda duas vezes por volta na Nascar, o Camaro encarava circuitos sinuosos na Trans-Am. O pacote Z28 contava com o V8 “Small Block” 302 de 290 hp e câmbio Muncie de quatro marchas no assoalho. O Camaro é um dos carros mais representativos de seu tempo e isso tem se refletido proporcionalmente na escalada do seu valor.
Preço em 2000: US$ 18.450,00
Preço em 2006: US$ 91.700,00
Se o Camaro é um dos modelos mais representativos da era Muscle Car, arrisco dizer que o Charger R/T (de 1968-70) é “O” mais representativo. Por que? Bom, basta lembrar das aparições dramáticas nas telas de cinema e seriados de TV, que lhe conferiu a eterna fama de anti-herói com o passar dos anos. Lembre também que a atuação do modelo nos cinemas só ganhou veracidade graças a sua performance nas ruas e pistas de arrancada. Some, ainda, a tudo isso um dos designs mais intimidadores que a indústria automobilística já produziu. Não é difícil de imaginar que todos elementos jogam a favor da valorização do rei dos Mopar. O pacote R/T (Road & Track, algo como Estada e Pista) oferecia duas motorizações, o gigantesco V8 de 440 cilindradas cúbicas e 375 hp ou o famoso e popular (em popularidade, não economia) 426 HEMI de 425 hp. Essa última opção de motorização, devidamente documentada, pode quase quadruplicar o preço do eterno Vilão.
Preço em 2000: US$ 39.000,00
Preço em 2006: US$ 170.000,00
As companhias de seguro no encalço dos V8, aliadas as vendas tímidas e a descontinuação em 1972, fazem do ‘Cuda HEMI 1971 conversível o cálice sagrado dos Muscle Cars. Foram produzidos apenas algumas centenas de ‘Cudas conversíveis. Com o opcional HEMI, esse número cai drasticamente. São míseras 11 dessas máquinas destruidoras de penteados, sendo que apenas sete foram vendidas dentro dos Estados Unidos. Isso o torna não só o Muscle Car mais valioso, mas também o carro americano mais caro de todos os tempos. Segundo a Forbes, um desses modelos, com apenas 282 milhas (453 km) no odômetro e toda a documentação de época, foi leiloado na RM Auctions a ridículos US$ 4.000.000,00! E pensar que há 39 anos ele custava módicos US$ 5.000,00… A própria publicação especula que, além da óbvia raridade do veículo, o fator ‘patriotismo’ acabou inflacionando seu valor final.
Preço em 2000: US$ 49.600,oo
Preço em 2006: (Começa a) US$ 2.000.000,00
Vende-Se: Plymouth Road Runner 528 HEMI 1969
“Lata, Couro e um Motorzão da Porra”. Ouvi a celebre de um senhor que trabalha no estacionamento onde guardo meu carro, certa vez, quando nos encontramos em um posto de gasolina, se referindo ao meu Opala. Apesar de simplório, nada sintetiza melhor, afinal, o que mais um carro precisa? O Plymouth Road Runner é “O” exemplo definitivo para essas sábias palavras. Porque tenho certeza que era mais ou menos isso que os engenheiros da Chrysler tinha em mente quando o desenvolveram. Algo como “Sheet Metal, Leather and a Big Ass Engine”.
E o modelo das fotos está jeito que eu gosto (não diga, só você?). Visual inteiramente original, incluindo os pneus diagonais, e com motor capaz de gerar energia para uma cidade de médio porte. O 528 HEMi deste Road Runner tem aproximadamente 660 hp, mas ainda mantém a aparência stock. O Road Runner foi inteiramente restaurado e, ainda assim, o hodômetro marca apenas 54.453 milhas, cerca de 87.633 km. Quando é o próximo sorteio da Mega Sena?
Seu por: US$69.900 (R$ 124.000 sem impostos)
Onde comprar: Best Of Show
Linha do Tempo: Plymouth Road Runner
Em 1968, a efervecência da era Muscle Car começava a criar algumas ‘distorções’ para os puristas. Os esportivos estavam começando a ganhar faixas, acessórios e opcionais demais e cavalos e performance de menos. Percebendo que os esportivos americanos começavam a perder sua essência, a Chrysler lançou um desafio para os seus engenheiros. Criar um carro de 14 segundos (nos 402m) por menos de US$3.000.
Para nomear o seu carro focado na performance, a montadora pagou ao estúdio de cinema e animação, Warner Brothers, US$ 50.000 para usar o nome e desenho do Papa-Léguas (conhecido por lá como Road Runner). Desembolsou mais US$ 10.000 para desenvolver uma buzina que tivesse o som característico do desenho animado, o famoso “Beep Beep”. Nascia o legendário Plymouth Road Runner, nosso carro do mês. O modelo teve uma vida relativamente curta, de 1968 a 1974.
- 1968
- 1968
- 1968
- 1968
- 1968
- 1969
- 1969
- 1969
- 1969
- 1969
- 1970
- 1970
- 1970
- 1970
- 1970
- 1971
- 1971
- 1971
- 1971
- 1972
- 1972
- 1972
- 1972
- 1972
- 1973
- 1973
- 1973
- 1973
- 1973
- 1974
- 1974
- 1974
- 1974
Após a crise, a Chrysler tentou emprestar o nome e prestígio do Road Runner para modelos poucos expressivos que, na verdade, eram carros antagônicos ao conceito original do Plymouth mais famoso a sair de Detroit.
Plymouth Superbird 1970
Sei que, as vezes, escrevemos muito, mas muito mesmo. Por isso, hoje vou deixar vocês apenas com as imagens destes belos Plymouth Superbird 1970, a versão anabolizada dos Road Runners. Lembrando que você pode clicar nas fotos para vê-las em um tamanho maior.























































































































































































































































































