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O Primeiro Chevrolet Impala 1967 Kustomizado

Na caça por histórias interessantes, fotos raras ou aquele modelo que desconhecido da grande parte do público, vejo diariamente centenas de fotos por dia.  Com um tempo, você começa a formar uma espécie de banco de dados na sua cabeça e começa a identificar modelos que mais chamam sua atenção. Foi assim que conheci o Charger do Scott e também foi o caso deste Chevrolet Impala 1967, o qual, já havia visto mais de uma vez no Tumblr, mas foi só muito recentemente que pude descobrir mais sobre sua história.

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Alimentando a página do Parachoques Cromados no Facebook, coloquei a foto deste belo Impala e um dos fãs o identificou como sendo o lendário carro de um senhor chamado Howard Gribble, o marcando na publicação. Curioso que sou, mandei uma mensagem para o sr. Gribble, perguntando qual era a história dele com aquele exemplar da Chevrolet. Depois de alguns dias, recebi uma resposta muito gentil, contando a história do carro, o que, pra minha surpresa, deve ter sido o primeiro Chevy Impala 1967 “Kustom” de que se tem notícia.

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“Comprei o carro novo em abril de 1967. Depois de 3 meses, já instalado suspensão hidráulico e instalado as rodas cromadas. Um ou dois meses depois, os frisos e as maçanetas foram removidos e o carro foi pintado numa cor fúcsia brilhante. Mais tarde, os painéis de renda foram adicionados e o esboço com pinstriping foi feito pelo meu amigo Walt Prey”, conta Gribble. O carro passou a chamar muita atenção e sua primeira exposição foi no centro de convenções Palladium, em Hollywood, Los Angeles.

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O carro ainda viria a participar de exposições em Long Beach e na arena de esportes de Los Angeles. “O carro nunca apareceu em nenhuma revista, porque não faziam muitos artigos sobre lowrider e/ou carros personalizados na época”, explica Gribble. A relação de Howard foi curta, u ano mais tarde, Gribble vendeu o Impala e comprou um Buick Riviera 1966, que também, foi personalizado.

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Ainda assim, mesmo quase meio século depois, aquele Impala 1967 desperta a curiosidade de qualquer um. Para mais imagens, acesse a página do Howard Gribble no Flickr, seu username lá é KID DEUCE.

Os Muscle Cars da Buick

Buick GSX 1970 (Fonte: http://www.flickr.com/photos/jjjcirone/)

O termo Muscle Car invariavelmente estará sempre associado a nomes como Charger, Camaros e Mustangs. O lançamento desses modelos, mais de 40 anos atrás, mudaram pra sempre a história automobilística americana. Não por acaso esses nomes ressurgiram atualmente, tamanha a sua força em todos os sentidos.  No entanto, outros eventos interessantíssimos – e mais obscuros do grande público – aconteceram em Detroit entre 1964 e 1972. Um dos que mais gosto é a entrada da Buick para o mundo da alta performance.

O primeiro GS, 1965.

Antes, é preciso dizer que a Buick, em sua seus 99 anos da história, raramente – ou de forma muito pontual – esteve associada a performance. Nos Estados Unidos, naquela época e ainda hoje, a marca é associada a luxo e conforto, quase que o oposto do que se espera de um Muscle Car. Talvez isso tenha sido sua maldição e redenção.

1966: Público Jovem, sós queremos vocês.

Quando o GTO foi lançado em 1964, o mercado americano foi pego de surpresa, nem a própria Pontiac ou GM esperava tamanho sucesso do seu carro médio com excesso de potência no motor. As demais divisões da GM, assim como Chrysler e Ford, começariam ali um páreo para ver quem conseguia colocar mais cavalos dentro do capô de seus respectivos carros.  O frenesi foi tanto que até, a então conservadora e luxuosa Buick estava disposta a entrar na corrida mais divertida da história da indústria americana. Nascia assim, o pacote GS (Grand Sport).

Com $200 a mais, você adquiria o pacote GS que era oferecido, a princípio, para o médio Skylark, que compartilhava o A-Body da GM com o Chevelle, Tempest e Cutlass. Entre os itens de luxo que só a Buick poderia oferecer estava o V8 top de linha de 400 polegadas cúbicas (6.5L) e 375 hp. O pacote também chegou a ser oferecido para o intermediário Riviera, mas foi com os Skylarks é que ficou realmente popular. Talvez “popular” não seja o termo adequado, porque além de requintados, não eram exatamente baratos e, em 1965, as vendas do GS eram apenas 1/4 do número de GTOs comercializados.

1967.

Para 1966 o A-Body era remodelado, ganhando linhas mais harmoniosas e musculosas. Em 1967  mudanças estéticas sutis e campanhas de marketing um pouco mais ousadas. Mas a grande mudança estaria por vir na geração seguinte, que debutou em 1968, não só estéticamente como na engenharia. Além de receber uma belíssima carroceria, os Skylarks GS contavam também com os motores Stage I e II de 455 polegadas cúbicas ou escandalosos 7.4 Litros! Esses motores contavam com o carburador quádruplo rochester quadrijet.

Mas foi apenas em 1970 que a Buick entrou de cabeça e alma no jogo. A imagem do carro à aquela altura contava muitos pontos par se se construir uma reputação. Os GS, até então, embora com potência e performance respeitáveis, tinham um visual bem discreto. Muitas revistas da época o chamavam de “Sleeper” por causa de sua aparência nada condizente com o seu desempenho. Foi assim que nasceram os GS-X, o carro esporte definitivo da Buick. Naquele ano, era oferecido apenas em duas cores, Branco “Apollo White” e Amarelo “Yellow Saturn”, com faixas gigantes e tacômetro no Capô, spoiler na frente e aerofolio na traseira (ambos funcionais).

Dentro do capô, toda a brutalidade que você não esperava de um Buick. O 455 rende 360 hp e 510 lb-ft ou 690 nm de torque, o maior da história entre automóveis americanos. Maior até que o cultuado 426 Hemi com 430 hp e 472 lb/ft ou 639 nm. Outra vantagem em relação ao todo poderoso Mopar era o preço da apólice de seguros. Em 1970, para assegurar um Plymouth Barracuda Hemi, o orgulhoso comprador teria que desembolsar para a seguradora astronômicos US$ 12.ooo, já um Buick GS, apenas US$ 200. A fama de “carro de tiozão”, dessa vez foi mais que benéfica para os pessoal de Flint, em Michigan.

GS 1970.
1970.

Se por um lado o dono economizava no seguro, não poderia reinvestir no desempenho do seu “B(Q)uick”, pois era impossível melhorar a performance, já que não haviam peças de preparação para os seus motores. As modificações ficavam restritas a alguma coisa de comando e cabeçote.

1971.

A perseguição e alta taxação das seguradoras, juntamente com a escalada do preço do petróleo foram o tiro de misericórdia nos carros supra potentes da daquela época e um a um eles foram sendo descontinuados, a maioria de forma digna, como o caso dos GS em 1972.

Buick Riviera 1971

1971 Buick Riviera: Característica marcante é a traseira.

A indústria automobilística americana dos anos 50, 60 e começo dos 70 é marcada pela abundância de cromados, consumo de combustível e grandes extensões de metal. Carros extravagantes é o que não faltavam naqueles tempos. Podemos citar o Cadillac Eldorado 1959, com suas enormes barbatanas, desenho inspirado na era espacial e dimensões de foguete, o Buick Elektra – do mesmo ano – e sua frente de carro mau humorado, os Wing Cars da Chrysler com sua silhueta náutica e, por último, a terceira geração do Buick Riviera (1971-73) e seu famoso rabo-de-barco.

Com a largura de um jogador de basquete deitado (2m), o Riviera não estacionava, atracava.

O Riviera, até então, era um cupe full-size com o formato que marcaria a década de 60, o coke bottle ou garrafa de Coca-Cola. Mas em 1971, o modelo sofreu grandes mudanças e o responsável pelo design era Bob Mitchell.

As linhas, principalmente da traseira, eram inspirada no Corvette Stingray 1963. Era apenas uma opção de motor, o V8 de 455 cilindradas cúbicas ou 7.4 L de 255 hp e 265 hp na versão Grand Sport.

O interior era luxuoso e espaçoso. Faltava apenas uma lareira.

Um avanço que o modelo apresentou foi o Max Trac, um sistema de controle de tração que impedia que as rodas girassem em falso durante a aceleração em superfícies escorregadias.

Max Trac: O Subaro Impreza que se cuide...

Outra novidade, não tão bem sucedida , era um sistema de ventilação chamado Full-Flo, que eram duas grades no porta malas. O aparato, em algumas condições, criava um vácuo e sugava a água da chuva para dentro do carro. O tal sistema foi remodelado e as grades traseiras foram removidas em 1972.

Na próxima vez que você andar de ônibus, repare na semelhança entre os painéis.

A terceira geração do coupe da Buick teve uma recepção ruim, com números baixos de venda no ano de estréia com o novo visual. As vendas em 1971 foram as piores da marca até então. Em 1972, a potência caiu para 225 e 250 hp na Gran Sport e o carro ganhou mais 2 cm em sutis mudanças estéticas. Ainda assim, o modelo não decolou nas vendas. Para 1973 houve nosvas mudanças estéticas, a principal delas, um rabo-de-barco menos proeminente em relação aos anos anteriores. No cofre do motor, um ganho substancial de potência, 250 hp na versão standart e 260 hp na versão Gran Sport.

Esqueça Ipods e Pen drives, a cartucheira era a opção para sonorizar a sala de estar.

Antes tido como uma opção esportiva ao elenco de modelos da Buick, o Riviera agora ganhava peso, metal e perdia potência. Esse processo foi acelerado graças as novas leis de emissão de poluentes, que obrigou as montadoras a baixarem as taxas de compressão dos motores. Adicione também a equação, a primeira grande crise do petróleo. Quase quarenta anos depois, o desenho do Riviera 71 é um dos mais reconhecido, polêmico, carismático e ultrajantes entre os carros Yankees.

Buick Riviera 1966

O Ricardo que, aparentemente, acompanha o blog com alguma assiduidade comentou no post anterior, sobre a linha 1966 da Buick, que o Riviera é o mais bonito. De fato, o modelo tem linhas limpas e musculares, misturando refinamento com algum toque de esportividade e modernidade, pelo menos, para os padrões da época. Pesquisando mais sobre o modelo, achei essa campanha impressa. Alguns detalhes chamam a atenção, talvez, o mais peculiar é o velocímetro em forma de rolo. O acabamento também vale uma menção, trata se de uma época onde a principal força motriz da economia americana era a indústria do automóvel e, naquele tempo, os carros eram concebidos e construídos por engenheiros e não pelo departamento de Marketing.

Buick, 1966

Linha Buick para 1966

A linha Buick para 1966 é qualquer coisa de fantástica. Linhas limpas, carros do tamanho de um país pequeno e uma jóia rara no topo da cadeia alimentar, chamada Riviera. Naquele ano, toda a linha Buick vendeu 553,870 unidades. Um dado interessante é a diferença de produção de carros em 44 anos. Em 1966 a indústria americana produziu 8.588.560 unidades, ou seja, 6 milhões de unidades a mais do que os números do ano passado, quando foi, inclusive, superada pela indústria nacional.