Era dos Extremos

19 10 2009
Logo na entrada, um Maverick se destacava.

Logo na entrada, um Maverick se destacava.

Neste último sábado (17/10), fui conferir de perto a Xtreme Motorsports 2009. E como o nome sugere, o que se vê lá são extremos. É uma diferença tênue entre o bom e  mau gosto quando o assunto é a personalização de carros. Particularmente, tenho várias reservas em relação a isso. Partilho da opinião do colecionador Jay Leno. Para ele, quanto mais original melhor. Afinal, quando nos apaixonamos por um modelo de automóvel, precisamos lembrar que ele é fruto de anos de estudo e desenvolvimento dos engenheiros. Sendo assim, se for para alterar, que seja algo de bom gosto e que respeite as características do carro e sua época. Minha insignificante opinião.

Um Opala Comodoro simplesmente perfeito.

Um Opala Comodoro simplesmente perfeito.

Os nomes – nacionais e internacionais – de destaque nessa indústria multi-bilionária são profissionais que  respeitam aspectos como a identidade do carro e sua época Logo ao entrar na feira, me deparei com algumas obras de arte do construtor Batistinha. A melhor delas, um Opala Comodoro de extremo bom gosto, uma melhores projetos ali exposto.

Mais a frente, uma fila gigantesca circundava o estande da Pirelli. No começo dela estava o mais conhecido dos construtores, Chip Foose. Seu carisma parece ser do mesmo tamanho de seu talento. Pacientemente, o americano atendia a cada uma das pessoas, sempre com um sorriso e muita boa vontade. Gostaria muito de ter um autógrafo do ‘mestre’, mas uma moça – com uma cara de má vontade – disse que não poderiam entrar mais pessoas. Paciência.

Opala Foose

Detalhe das rodas Foose no Opala, ainda em construção, concebido pelo designer.

O impressionante é que, durante as duas horas e pouco que fiquei na feira, tudo o que Foose fez foi atender o público. Um comportamento louvável. Muito diferente daqueles proprietários arrogantes que aparecem no encontro da Luz. Humildade não faz mal a ninguém.

Opala de arrancada na cor mais bonita: Azul Hawaii.

Opala de arrancada na cor mais bonita: Azul Hawaii.

Mais ao centro, encontrei o Opala desenhado pelo Foose em construção. Gostei muito do resultado e da inspiração nos Muscle Cars americanos. Como havia dito no post anterior, Chip acerta em 99% de suas criações e com o Opala não foi diferente. Cheguei imaginar que um motor V8 seria o propulsor do carro, mas acabaram optando pelo 6cc. O que não foi uma má escolha, o motor também estava lindo. É uma pena o Discovery ter descontinuado o programa Overhaulin. Justo quando Chip tinha planos de expandi-lo para outros países.

Em outros estandes, muitos carros. Caros, importados, nacionais, antigos, enfim, cada um em sua característica. Extremo mau gosto também. Como não poderia ser diferente, apenas os antigos me chamavam a atenção. O meu saudosismo é virtual, pois não era vivo quando os carros que mais gosto foram lançados. Mas aqui, nesse espaço, isso é apenas um detalhe.





O Futuro do Presente

19 07 2009

Leno, a Mãe Dinah dos futuros colecionáveis.

Leno, a Mãe Dinah dos futuros colecionáveis.

Quais são os carros que tem potencial para ser um futuro clássico? O que será colecionável daqui a 30 anos? O apresentador e colecionador de carros Jay Leno tem algumas opiniões muito interessantes sobre o que poderá vir a ser um modelo coleionável quando você ficar velho, rico e saudosista. Em sua coluna para o site Popular Mechanics, Jay analisa diversos aspectos que envolvem a transformação de um modelo em um carro colecionável. Isso pode variar desde aspectos técnicos, culturais e até sociais. Essa é a primeira parte. Em breve publicarei a segunda.

Carros, o melhores investimento

O apresentador – muito bem abonado por sinal – lembra que já investiu na bolsa e nunca se deu muito bem. “Eu não conheço muito elas (as ações). Na verdade eu não entendo nada. Já perdi dinheiro na bolsa de valores… Mas nunca perdi dinheiro com carros”, conta. A primeira lição de Jay é: “Sempre compre um carro que você realmente goste. Porque mesmo que um dia ele perca muito valor, você ainda irá gostar dele. Além do mais, todo carro perde valor e, eventualmente, com o tempo pode se tornar valioso novamente”.

O exemplo pessoal do apresentador é bem interessante. Dez anos atrás Jay teve a chance de comprar um Mclaren F1. O modelo zero kilômetro custava quase US$ 1 milhão. Jay teve a oportunidade de comprar um modelo usado que estava sendo vendido por U$800 mil. Ainda assim, achava que era muito dinheiro para se gastar em um carro. Jay fez o que todo homem casado faz nessas situações e consultou a esposa. “Você trabalhou duro. Se você quer, compre”, disse sua companheira. Jay então o comprou.

McLaren F1 1994: Pechincha de 800 mil dólares.

McLaren F1 1994: Pechincha de 800 mil dólares.

Recentente Leno percebeu que havia feito o maior investimento de sua vida. Ano passado, um Mclaren F1 foi vendida em um leilão por US$ milhões de dólares. Em menos de 10 anos ele quintiplicou seu dinheiro e o melhor de tudo, com um carro que ele realmente gosta, (Quem não gostaria de ter uma Mclaren F1 na garagem, Jay!??). Mas ele lembra que é há bastante carros modernos, com preços acessíveis e que são divertidos de se ter.

Frequentemente Jay é perguntado sobre qual modelo deve ser comprado como investimento. A resposta é simples. “Eu acho ridícula a idéia de comprar um carro só pra deixar armazenado. O combustível eventualmente estragará, todas as pertes móveis terão que ser lubrificadas e você ainda terá que fazer um seguro. Carros devem ser dirigidos. Se deixar um carro parado, terá que esvaziar todo o sistema de combustível, trocar o que for eletrônico entre outras coisas”, explica. Ou seja, para Jay Leno, comprar um carro e guardá-lo por anos não te dá nada e é uma péssima idéia. Segundo o apresentador você não estará comprando algo que gosta, estará apenas tentando ganhar dinheiro.

Isso aconteceu com o Dodge Viper, conta Jay. Segundo ele, muitas pessoas compraram os primeiros modelos, em 1992, pensando no carro como um investimento. Seus 400 cavalos era uma potância inimaginável para os padrões da época e as pessoas acharam que não fariam carros mais potentes do que aquele. O resultado é que muitos o adiquiriram e deixaram o Víbora quase que intocável em suas garagens. Hoje em dia frequentemente Leno recebe ligações do tipo: “Tenho um Viper 92 com apenas 1.200 kilômetros rodados…”. A resposta é simples para Leno. “Não estou interessado”. Mesmo porque Jay já é um feliz proprietário de um Viper 1993 preto. A diferença é que Jay comprou porque gosta do carro.

Não, Obrigado. Já tenho um.

Não, Obrigado. Já tenho um.

Futuros colecionáveis

Jay Leno acredita que existem modelos com o potencial de se tornarem colecionáveis, mas que hoje em dia são apenas carros comuns. Um exemplo citado por ele é a primeira geração do Toyota Prius. O modelo era muito moderno na época, mas hoje em dia é apenas bonitinho. Mesmo sendo lento e com uma autonomia duvidosa, o Prius foi único. O primeiro carro híbrido produzido em massa o que, para o apresentador, é simples e honesto. Quem manter o carrinho japonês original ouvirá daqui uns 15 anos as pessoas dizerem: “Eu tive um desses!”. E todos vão querer reavivar as memórias de ver o pequeno painel mudando do modo carregador para o modo consumo. Jay acredita que detalhes como esse irá inundar as pessoas com nostalgia.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/43/Toyota-Prius.jpg/800px-Toyota-Prius.jpg

Toyota Prius: O bonitinho que deixará de ser ordinário.

Jay volta no tempo e cita um exemplo de comportamento similar. “O mesmo aconteceu com as pessoas que, nos anos 60, tinham modelos da Chrysler com a transmissão ‘Push Buttons’. Eles costumam dizer ‘Aprendi a dirigir em um desses! Você aperta o botão ‘D’ para dirigir e ‘R’ para ré!’. Eles se lembram daquela sensação de liberdade e do progresso americano apenas por apertar botões para dirigir”, conta. Então, carros com opcionais inusitados ou que já não existem mais, podem ser colecionáveis.

Painel do Chrysler Imperial 1960 com a transmissão Push Button.

Painel do Chrysler Imperial 1960 com a transmissão "Push Button".

Certa vez, em visita a Inglaterra, um dos parentes de Jay Leno disse: “Você gosta de motos, deveria conversar com o vigário, ele tem uma”. Jay foi conhecê-lo então e o vigário tinha uma Honda 160 1966. Jay prguntou a quanto tempo ele tinha aquela moto. O vigário olhou, meio que o desafiando, e disse. “Eu comprei zero”. O vigário tinha aquela moto por mais de 40 anos. Para ele aquilo não era um item de coleção. Muito de nós diria “Eu tinha uma dessas e meu pai jogou fora” ou “Nós doamos para o vizinho” ou “Usei até jogar fora”. A diferença é que em alguns países os veículos não são vistos como aplicações, são tratados com respeito. Isso é um diferencial. Jay explica: “Nós queremos readiquirir o que costumavamos ter. Nos livramos e depois pagamos 10, até 15, vezes mais do valor original para ter de volta, geralmente pra recapturar algo perdido em nossa juventude”.

O vigário tinha uma dessas desde 0km.

O vigário tinha uma dessas desde 0km.

Jay acredita que, por essas razões, o Mazda Miata tem um valor acessível hoje em dia e será um colecionável em 2025. As primerias gerações do Miada são extremanete simples e é parte do seu charme. Jay conta que anos atrás, quando restaurava Mustangs os achava complicados em relação ao Ford Molelo A. Então, um miata sem controle de tração ou estabilidade – nada – será certamente um colecionável.

Miata, o espartano colecionável.

Miata, o espartano colecionável.

Outro exemplo para  o apresentador é a primeira geração do Taurus. Aquele visual aerodinâmico para um sedã será colecionável também. Jay acha que o modelo foi o triunfo do design no meio dos anos 80. Quase qualquer carro construído antes das leis de segurança do governo americano poderá ser um colecionável. No futuro, carros sem essas exigências parecerá exótico par as pessoas.

Taurus, mais um hit da Ford que, segundo Jay Leno, será colecionável.

Taurus, mais um hit da Ford que, segundo Jay Leno, será colecionável.

Fim da primeira parte.





Chrysler Imperial Crown Coup 1967

30 03 2009

 

Este carro não é pra quem procura prestígio. É pra quem já tem.

Este carro não é pra quem procura prestígio. É pra quem já tem.

A história desse carro em particular é típica de colecionador. O rival menos conhecido dos Cadillacs e Lincolns veio parar na garagem do apresentador Jay Leno sem, ao menos, ele querer um. Em um certo dia, um produtor de cinema de 93 anos de idade, ligou para a garagem de Jay Leno e  disse possuir um Imperial 67 em perfeitas condições, sem nunca ter restaurado. 

Não se engane, com 350 hp esse carro é capaz de fazer Burnouts!

Não se engane, com 350 hp esse carro é capaz de fazer Burnouts!

O antigo dono dessa relíquia era cuidadoso ao ponto de ter adiquirido peças sobresalentes de quase todos os itens removíveis. E a coisa ia mais longe. Um representante da Chrysler visitava o automóvel duas vezes por mês desde quando foi comprado, mais de 40 anos atrás. Segundo Jay Leno, o antigo disse o seguinte. “Olha, tenho 93 anos e já não posso dirigí-lo. O representante da Chrysler está com 70 e quer se aposentar”.

Luxo em 1967: Comandos elétricos para todos os vidros.

Luxo em 1967: Comandos elétricos para todos os vidros.

O modelo em si, é o que Jay chama de “O último exemplo de tecnologia em carros luxuosos da velho escola norte-americana”. Era equipada com o motor 440 de 350 hp. Era o motor mais potente em um carro de luxo da época. O carro era equipado com muitos equipamentos que ainda não existem em carros nacionais de hoje em dia. Vários comandos eram elétricos, até seu quebra-vento. A direção hidráulica é tão macia que é possível guia-lo com apenas um dedo.

Com 230 mil kilometros originais e, sem nunca ter sido restaurado, Leno sentiu que foi escolhido pelo carro e não o contrário. 





Dodge Coronet 500 426 Hemi 1966

26 03 2009

 

Boa companhia: À direita do Coronet, um Challenger. Também 426 Hemi.

Boa companhia: À direita do Coronet, um Challenger. Também 426 Hemi.

Jay leno é um comediante e apresentador norteamericano do programa de entrevista “The Tonight Show”. Mas além de suas atividades no showbizz na terra do Tio Sam, Leno é conhecido também pela sua coleção de veículos, que vão de motores de barcos do século XIX, caminhões, motos e, é claro, carros.

O apresentador é um verdadeiro apaixonado por carros. Em algum ponto no sul da Califórnia,  funciona a sua oficina ou a “Jay Leno’s Garage onde ele guarda, restaura e fabrica peças para as suas máquinas. Ao longo dos dias vou postar alguns carros interessantes bem como reproduzir parcialmente as histórias dos carros de Leno, como este Dodge Coronet Hemi 500 1966.

Não para. Não faz curvas. Mas ruge alto.

Não para. Não faz curvas. Mas ruge alto.

O apresentador tinha 17 anos quando o Coronet foi reestilizado em 1966. Com a opção do motor Hemi, passou a ser o carro a ser batido nas corridas de rua. Foi o primeiro carro com transmissão automática a vencer a opção manual no quarto de milha. A força do motor é tamanha que faz o carro cantar pneu em segunda marcha. O carro faz parte de uma era em que os opcionais eram bem simples: Sedan ou Station Wagon? Quantos cromados? Qual o tamanho do Motor?

Para mostrar elegantemente a que veio.

Para mostrar elegantemente a que veio.

A versão top era o 500, com console central e bancos separados. A esposa de Jay leno gosta de lembrá-lo que o carro parece mais um taxi ou uma viatura de polícia. De fato, o Coronet daquele ano tinha um visual bem sóbrio, ao contrário do que estaria por vir com a efervecência da era dos Muscle Cars. O que intimidava os competidores potenciais não eram cores chamativas, scoops, ou faixas no capô, mas sim um pequeno emblema cromado nos paralamas lateriais com a inscrição “426 Hemi”.

Não diferente de seus contemporâneos, o modelo-médio (para os padrões americanos da época) com um motor do tamanho de um rinoceronte e um torque de envergar longarinas era difícil de ser guiado por pessoas comuns. Existia a dificuldade em parar, fazer curvas e, não raramente, com um pé mais pesado numa saída de uma curva resultava em uma visão muito rápida da paisagem em 360º.