O Futuro do Presente

19 07 2009

Leno, a Mãe Dinah dos futuros colecionáveis.

Leno, a Mãe Dinah dos futuros colecionáveis.

Quais são os carros que tem potencial para ser um futuro clássico? O que será colecionável daqui a 30 anos? O apresentador e colecionador de carros Jay Leno tem algumas opiniões muito interessantes sobre o que poderá vir a ser um modelo coleionável quando você ficar velho, rico e saudosista. Em sua coluna para o site Popular Mechanics, Jay analisa diversos aspectos que envolvem a transformação de um modelo em um carro colecionável. Isso pode variar desde aspectos técnicos, culturais e até sociais. Essa é a primeira parte. Em breve publicarei a segunda.

Carros, o melhores investimento

O apresentador – muito bem abonado por sinal – lembra que já investiu na bolsa e nunca se deu muito bem. “Eu não conheço muito elas (as ações). Na verdade eu não entendo nada. Já perdi dinheiro na bolsa de valores… Mas nunca perdi dinheiro com carros”, conta. A primeira lição de Jay é: “Sempre compre um carro que você realmente goste. Porque mesmo que um dia ele perca muito valor, você ainda irá gostar dele. Além do mais, todo carro perde valor e, eventualmente, com o tempo pode se tornar valioso novamente”.

O exemplo pessoal do apresentador é bem interessante. Dez anos atrás Jay teve a chance de comprar um Mclaren F1. O modelo zero kilômetro custava quase US$ 1 milhão. Jay teve a oportunidade de comprar um modelo usado que estava sendo vendido por U$800 mil. Ainda assim, achava que era muito dinheiro para se gastar em um carro. Jay fez o que todo homem casado faz nessas situações e consultou a esposa. “Você trabalhou duro. Se você quer, compre”, disse sua companheira. Jay então o comprou.

McLaren F1 1994: Pechincha de 800 mil dólares.

McLaren F1 1994: Pechincha de 800 mil dólares.

Recentente Leno percebeu que havia feito o maior investimento de sua vida. Ano passado, um Mclaren F1 foi vendida em um leilão por US$ milhões de dólares. Em menos de 10 anos ele quintiplicou seu dinheiro e o melhor de tudo, com um carro que ele realmente gosta, (Quem não gostaria de ter uma Mclaren F1 na garagem, Jay!??). Mas ele lembra que é há bastante carros modernos, com preços acessíveis e que são divertidos de se ter.

Frequentemente Jay é perguntado sobre qual modelo deve ser comprado como investimento. A resposta é simples. “Eu acho ridícula a idéia de comprar um carro só pra deixar armazenado. O combustível eventualmente estragará, todas as pertes móveis terão que ser lubrificadas e você ainda terá que fazer um seguro. Carros devem ser dirigidos. Se deixar um carro parado, terá que esvaziar todo o sistema de combustível, trocar o que for eletrônico entre outras coisas”, explica. Ou seja, para Jay Leno, comprar um carro e guardá-lo por anos não te dá nada e é uma péssima idéia. Segundo o apresentador você não estará comprando algo que gosta, estará apenas tentando ganhar dinheiro.

Isso aconteceu com o Dodge Viper, conta Jay. Segundo ele, muitas pessoas compraram os primeiros modelos, em 1992, pensando no carro como um investimento. Seus 400 cavalos era uma potância inimaginável para os padrões da época e as pessoas acharam que não fariam carros mais potentes do que aquele. O resultado é que muitos o adiquiriram e deixaram o Víbora quase que intocável em suas garagens. Hoje em dia frequentemente Leno recebe ligações do tipo: “Tenho um Viper 92 com apenas 1.200 kilômetros rodados…”. A resposta é simples para Leno. “Não estou interessado”. Mesmo porque Jay já é um feliz proprietário de um Viper 1993 preto. A diferença é que Jay comprou porque gosta do carro.

Não, Obrigado. Já tenho um.

Não, Obrigado. Já tenho um.

Futuros colecionáveis

Jay Leno acredita que existem modelos com o potencial de se tornarem colecionáveis, mas que hoje em dia são apenas carros comuns. Um exemplo citado por ele é a primeira geração do Toyota Prius. O modelo era muito moderno na época, mas hoje em dia é apenas bonitinho. Mesmo sendo lento e com uma autonomia duvidosa, o Prius foi único. O primeiro carro híbrido produzido em massa o que, para o apresentador, é simples e honesto. Quem manter o carrinho japonês original ouvirá daqui uns 15 anos as pessoas dizerem: “Eu tive um desses!”. E todos vão querer reavivar as memórias de ver o pequeno painel mudando do modo carregador para o modo consumo. Jay acredita que detalhes como esse irá inundar as pessoas com nostalgia.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/43/Toyota-Prius.jpg/800px-Toyota-Prius.jpg

Toyota Prius: O bonitinho que deixará de ser ordinário.

Jay volta no tempo e cita um exemplo de comportamento similar. “O mesmo aconteceu com as pessoas que, nos anos 60, tinham modelos da Chrysler com a transmissão ‘Push Buttons’. Eles costumam dizer ‘Aprendi a dirigir em um desses! Você aperta o botão ‘D’ para dirigir e ‘R’ para ré!’. Eles se lembram daquela sensação de liberdade e do progresso americano apenas por apertar botões para dirigir”, conta. Então, carros com opcionais inusitados ou que já não existem mais, podem ser colecionáveis.

Painel do Chrysler Imperial 1960 com a transmissão Push Button.

Painel do Chrysler Imperial 1960 com a transmissão "Push Button".

Certa vez, em visita a Inglaterra, um dos parentes de Jay Leno disse: “Você gosta de motos, deveria conversar com o vigário, ele tem uma”. Jay foi conhecê-lo então e o vigário tinha uma Honda 160 1966. Jay prguntou a quanto tempo ele tinha aquela moto. O vigário olhou, meio que o desafiando, e disse. “Eu comprei zero”. O vigário tinha aquela moto por mais de 40 anos. Para ele aquilo não era um item de coleção. Muito de nós diria “Eu tinha uma dessas e meu pai jogou fora” ou “Nós doamos para o vizinho” ou “Usei até jogar fora”. A diferença é que em alguns países os veículos não são vistos como aplicações, são tratados com respeito. Isso é um diferencial. Jay explica: “Nós queremos readiquirir o que costumavamos ter. Nos livramos e depois pagamos 10, até 15, vezes mais do valor original para ter de volta, geralmente pra recapturar algo perdido em nossa juventude”.

O vigário tinha uma dessas desde 0km.

O vigário tinha uma dessas desde 0km.

Jay acredita que, por essas razões, o Mazda Miata tem um valor acessível hoje em dia e será um colecionável em 2025. As primerias gerações do Miada são extremanete simples e é parte do seu charme. Jay conta que anos atrás, quando restaurava Mustangs os achava complicados em relação ao Ford Molelo A. Então, um miata sem controle de tração ou estabilidade – nada – será certamente um colecionável.

Miata, o espartano colecionável.

Miata, o espartano colecionável.

Outro exemplo para  o apresentador é a primeira geração do Taurus. Aquele visual aerodinâmico para um sedã será colecionável também. Jay acha que o modelo foi o triunfo do design no meio dos anos 80. Quase qualquer carro construído antes das leis de segurança do governo americano poderá ser um colecionável. No futuro, carros sem essas exigências parecerá exótico par as pessoas.

Taurus, mais um hit da Ford que, segundo Jay Leno, será colecionável.

Taurus, mais um hit da Ford que, segundo Jay Leno, será colecionável.

Fim da primeira parte.





Dodge Viper R/T 10

14 07 2009
Sucesso instantâneo: O Viper retomou a tradição esportiva norte-americana.

Sucesso instantâneo: O Viper retomou a tradição esportiva norte-americana.

Ele não tem parachoques cromados. Também não tem maçanetas ou vidros laterais. Putz, ele sequer tem um teto! Mas com certeza já entrou para a galeria dos clássicos. O Dodge Viper R/T 10, entre outras coisas, foi responsável pela retomada  da tradição da Chrysler, até então esquecida, em produzir carros esportivos capazes de fascinar o público.

Em 1979 a Chrysler passava por um momento financeiro nebuloso (que novidade) e, para sair da provável falência, recorreu ao governo americano (outra novidade) e a habilidade gerencial de Lee Iacocca. O executivo, que havia tido uma passagem de sucesso na Ford (o cara “só” criou um mito chamado Mustang), adotou como política a produção apenas de modelos práticos e lucrativos, dois aspectos antagônicos quando o assunto são carros esporte.

Difícil de acreditar que a mesma empresa que produzia o Viper também produzia isso.

Imperial 1990, com a plataforma K.

Logo, a solução óbvia da companhia para a década seguinte seria investir no mercado crescente (criado pela própria Chrysler) das minivans e, para baixar os custos, dividir a mesma plataforma, conhecida como ”K”,  entre seus modelos. Esses carros da Chrysler ficaram conhecidos como os “K-Cars” e muitos acreditam que eles salvaram a empresa nos anos 80.  Satisfeito com os resultados, o então presidente , Bob Lutz, decidiu no final daquela década brindar o sucesso comercial da montadora com um carro de verdade. Para tal, Lutz inspirou-se em um carro de sua própria coleção, o Shelby Cobra e convocou o designer Tom Gale. Em 1989, no North American International Auto Show de Detroit, era apresentado o protótipo do Dodge Viper.

Em 1989 nascia o mito.

Em 1989 nascia o mito.

Não é difícil de imaginar o furor que o modelo causou entre fãs e mídia especializada. O Estúdio de Design Avançado (Advanced Design Studios) da Chrysler não perdeu tempo e pediu para a sua subsidiária da época,  a Lamborghini, para que ajudasse a desenvolver um bloco de alumínio baseado no motor V10 que equipava algumas picapes Dodge.

Motorzão em alumínio V10, 8.0 de 400 cavalos.

Em números: V10, 8.0 e 400 cv.

Pesando 311 kilos, a usina produzia 400 cavalos a 4600 rpm. Para atingir a marca dos 100 km/h, o primeiro Viper levava apenas 4,6 segundos. A velocidade final é de 288 km/h. Com 488 c.i. este é o maior motor já produzido em Detroit. Todo esse poder de fogo nas rodas traseiras só poderia ser controlado por um motorista experiente. Os primeiros Vipers eram bem espartanos. Além das, já mencionadas, falta de maçanetas e vidros, esqueça também de artifícios como controle de tração ou freios ABS.

Quase 20 anos do lançamento e o design parece perfeito.

Quase 20 anos do lançamento e o design parece perfeito.

Em 1990, o Viper estava quase pronto e um ano mais tarde, seu Guru e Consultor Geral de Desenvolvimento, Carrol Shelby, o dirigiu como carro-madrinha nas 500 milhas de Indianapolis.

Em 1991, nas 500 milhas de Indianapolis, foi dirigido por Shelby.

Em 1991, nas 500 milhas de Indianapolis, foi dirigido por Shelby.

O Viper quebrou alguns paradigmas e reacendeu o mercado de esportivos americanos. Surgiu em uma época em que a maioria dos carros eram seis cilindros e com tração dianteira e forçou a Chevrolet a constantemente aumentar a potência do Corvette.

A ascendência com o Cobra não é casual. O conceito era justamente fazer uma versão moderna do lendário modelo anglo-americano. Apesar de mais de 20 anos separando um projeto do outro, o comportamento dinâmico, como a potência descomunal no eixo traseiro,  e até alguns aspectos de design eram bem semelhantes. Afinal, embora de “mães” diferentes, ambos são filhos do mesmo pai. 





Vanishing Point: Challenger R/T 1970

6 04 2009
Poster original.

Poster original.

Ainda criança, ouvia diversas histórias antigas, do começo da década de 70, envolvendo as peripécias – pouco prudentes – do meu pai ao volante de um Dodge Dart Coupe.

Uma delas envolvia toda a empolgação do coroa, na época um adolescente, ao sair da sala de cinema após assistir Vanishing Point (Corrida Contra o Destino título em terras tupiniquins).

Meu pai, na época ainda namorando minha mãe, que acabara de completar 18 anos, a levou para uma sala de cinema hoje extinta, na esquina da Brigadeiro com a Paulista. Atualmente, naquele espaço, funciona o Cartola Clube.

O filme, produzido em 1970 e lançado nos Estados Unidos em 15 de janeiro de 1971, é sobre um motorista de entrega de carros, James Kowalski (interpretado por Barry Newman).

James trabalha para a Argo’s Car Delivery Service e, após entregar um Chrysler Imperial preto, é sugerido pelo chefe que descanse. Mas Kowalski ignora a sugestão e insiste em fazer sua próxima tarefa na mesma noite: Entregar um Dodge Challenger R/T em São Francisco.

No caminho para Frisco, Kowalski para em um bar de motoqueiros para comprar Benzedrina do seu amigo Jake (interpretado por Lee Weaver) e diz ao mesmo que precisa entregar o Challenger às 3 horas do dia seguinte (embora, na verdade, ele tenha até segunda-feira da outra semana para fazê-lo).

Desacreditado na tarefa, Jake sugere uma pequena aposta, no valor das pílulas, de que Kowalski não seria capaz de fazer o trajeto em tão pouco tempo. Na mesma hora James aceita a aposta e é aí que o filme começa.

Barry Newman pilotando o clássico pônei da Dodge.

Barry Newman pilotando o clássico pônei da Dodge.

A produção do filme envolve algumas histórias interessantes. A escolha do modelo foi por conta de um trato da Twenty Century Fox e a Chrysler. O estúdio promoveria o carro no filme e, em troca, a montadora fornecia aluguel de carros por 1 dólar o dia.

A Chrysler cedeu quatro Dodges Challengers com o motor 440 para as filmagens. A única alteração feita, em dois deles, foi a suspensão reforçada para aguentar os pulos e solavancos durante as filmagens.

Newman e Challenger: Estrelas do filme.

Newman e Challenger: Estrelas do filme.

A princípio, a Fox queria para o papel principal Gene Hackman que, no mesmo ano, seria protagonista no filme do post anterior, o French Connection.

Hoje em dia, Vanishing Point adquiriu o status de Cult. Há algumas referências na cultura pop sobre o filme. A mais famosa delas, tavez, seja o clipe da banda Audioslave no clipe “Show Me How to Live”, que faz de forma brilhante, um crossover de imagens entre os integrantes da banda e cenas do filme.

Em 1997, o filme ganhou uma versão para TV com Viggo Mortensen interpretando Kowalski. Rumores indicam de que uma refilmagem está a todo vapor. Seria o novo Challenger SRT8 o protagonista? Provavelmente. Estou torcendo que tal fofocas sejam verdade. 

Menos mal que trazer são em salvos minha mãe e o Dodge Dart para o bairro do Jabaquara, zona sul de São Paulo, com certeza, era uma missão bem mais fácil para o meu pai. 





Chrysler Imperial Crown Coup 1967

30 03 2009

 

Este carro não é pra quem procura prestígio. É pra quem já tem.

Este carro não é pra quem procura prestígio. É pra quem já tem.

A história desse carro em particular é típica de colecionador. O rival menos conhecido dos Cadillacs e Lincolns veio parar na garagem do apresentador Jay Leno sem, ao menos, ele querer um. Em um certo dia, um produtor de cinema de 93 anos de idade, ligou para a garagem de Jay Leno e  disse possuir um Imperial 67 em perfeitas condições, sem nunca ter restaurado. 

Não se engane, com 350 hp esse carro é capaz de fazer Burnouts!

Não se engane, com 350 hp esse carro é capaz de fazer Burnouts!

O antigo dono dessa relíquia era cuidadoso ao ponto de ter adiquirido peças sobresalentes de quase todos os itens removíveis. E a coisa ia mais longe. Um representante da Chrysler visitava o automóvel duas vezes por mês desde quando foi comprado, mais de 40 anos atrás. Segundo Jay Leno, o antigo disse o seguinte. “Olha, tenho 93 anos e já não posso dirigí-lo. O representante da Chrysler está com 70 e quer se aposentar”.

Luxo em 1967: Comandos elétricos para todos os vidros.

Luxo em 1967: Comandos elétricos para todos os vidros.

O modelo em si, é o que Jay chama de “O último exemplo de tecnologia em carros luxuosos da velho escola norte-americana”. Era equipada com o motor 440 de 350 hp. Era o motor mais potente em um carro de luxo da época. O carro era equipado com muitos equipamentos que ainda não existem em carros nacionais de hoje em dia. Vários comandos eram elétricos, até seu quebra-vento. A direção hidráulica é tão macia que é possível guia-lo com apenas um dedo.

Com 230 mil kilometros originais e, sem nunca ter sido restaurado, Leno sentiu que foi escolhido pelo carro e não o contrário.