O Outro Lado do Rio Detroit
Os longos braços da General Motors, já na década de 60, alcançavam os quatro cantos do mundo. Bem antes do termo globalização se tornar popular, a estrela maior de Detroit se via representada, praticamente, em todos os continentes. No seu vizinho do outro lado do rio Detroit, o Canadá, ao contrário do que se possa imaginar, a GM criou modelos próprios para o mercado daquele país graças as leis rígidas de importação. O mais notável deles, foi o Pontiac Beaumont SD.
A Pontiac canadense era uma espécie de “cruzamento” da marca com os Chevrolets. Os modelos usavam a carroceria e conjunto de transmissão / motor da marca engravatada, com interior e elementos estilísticos da divisão de nome indígena. Os nomes de alguns modelos também eram mais pomposos, como Parisienne e Laurentian. Bem ao gosto mais europeizado do canadense médio.

O Beaumont fez sua primeira aparição em 1964, ainda como uma versão do já estabelecido – Acadian – e usava a unidade de força ecãbio do vizinho, Chevelle SS. Já o painel era cortesia do Pontiac Tempest. Assim como os SS nos Estados Unidos, o comprador canadense podia optar pelo pacote SD (Super Deluxe) na concessionária Pontiac mais próxima, embora o manual ou material de divulgação pouco mencionasse o nome da divisão.

Em 1966, o Beaumont tornou-se um modelo único, usando a mesma carroceria base nos médios americanos daquele ano, como o Chevrolet Chevelle, Pontiac GTO, Buick Skylark e Olds Cutlass. O carro tornava ainda mais evidente a relação “incestuosa” entre as divisões americanas. Era uma mistura clara de Pontiac GTO com Chevrolet Chevelle.

No ano seguinte, com a ascensão das cilindradas em ambos os lados da fronteira, o Beaumont já podia ser encomendado com o V8 de 396 cilindradas cúbicas (6.4 L) de 350 hp junto com o câmbio manual Muncie M20 de quatro marchas. No entanto, os canadenses não podiam encomendar a versão desse motor com 375 hp, que era oferecida na terra do Tio Sam.

Para 1968, o Beaumont se tornou mais parecido com o Chevelle daquele ano, com diferenças mais sutis. A frente lembra muito a linha Pontiac daqueles tempos, mas o restante do carro é muito parecido com o Chevy médio. Os mesmo motor ainda era oferecido até o ano seguinte. A GM teve que criar esses carros únicos devido as leis de exportação e importação entre os dois Países. Com o relaxamento dessas normas em 1970, o Beaumont e toda sua “mistura” se tornaram desnecessários e o modelo foi descontinuado.
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O Obscuro Oldsmobile Rallye 350 1970
O apogeu dos Muscle Cars em 1970 gerou alguns efeitos colaterais no mercado americano. Além das regras rígidas de emissões e segurança que estavam por vir, outro fator determinante para torná-los economicamente inviáveis foram as empresas de seguro. E não é difícil entender o porquê.
Em um período de relativamente curto – se considerarmos o primeiro da espécie o Pontiac Tempest GTO 1965 – as montadoras passaram a oferecer cada vez mais carros de alta performance para um público jovem recém criado. Desse modo, as seguradoras passaram a taxar os Muscle Cars com as mais altas tarifas, fazendo o comprador pensar duas vezes antes de optar pelo motor top de linha na concessionária.
Uma saída encontrada pelas montadoras foi oferecer o visual de Muscle Car, com faixas e cores berrantes, mas com um motor mais manso, para atrair o público que preferia o visual sobre a substância. Esses sub-nicho foi chamado na época de “Muscle Car Light”. A General Motors ofereceu algumas opções, uma delas foi o Chevy Nova Rallye 1971. As primeiras versões do Ford Maverick Grabber também seguia a mesma filosofia. A resposta da luxuosa Oldsmobile foi o obscuro Rallye 350. O que, comercialmente, foi um fiasco.
A marca havia se estabelecido nesse nicho de mercado com o 442, que combinava performance e luxuosidade, qualidades ausentes no Rallye 350. Fãs do modelo apontam alguns fatores para a obscuridade 350, como ter que dividir a concessionária com modelos similares, porém superiores, a falta de divulgação e visual exagerado. Os parachoques na cor do carro, pelo menos naquela época, não agradavam o comprador conservador da marca. No fim das contas, era um Cutlass comum, com um visual super exagerado.
Em termos de performance, o Rallye não tinha muito do que se envergonhar, até para os números de hoje. São 310 hp do motor V8 5.7 padrão da GM. O 0-100 fica na casa dos 7 segundos enquanto que o quarto de milha era coberto em 15 segundos. As opções de câmbio eram de 3 marchas manual no assoalho, Muncie 4 marchas ou o Turbo Hydra-Matic 350 automático.
Foram produzidas 3.550 unidades e a maioria delas ficou encalhada nos estacionamentos das concessionárias até 1971. A maioria delas foi vendida para os próprios funcionários da GM e autorizadas. Os Muscle Cars Light foram extintos assim como os convencionais. O debate hoje em dia entre os entusiastas é se eles podem ser considerados verdadeiros Muscle Cars.
A História do Olds Cutlass
O sempre completo Best Cars está falando do Oldsmobile Cutlass e suas diversas fases. De quando foi um médio, um esportivo excitante e mais um modelo irrelevante de tração dianteira em seus últimos anos de vida. Vale a pena conferir clicando aqui.














