Ele não tem parachoques cromados. Também não tem maçanetas ou vidros laterais. Putz, ele sequer tem um teto! Mas com certeza já entrou para a galeria dos clássicos. O Dodge Viper R/T 10, entre outras coisas, foi responsável pela retomada da tradição da Chrysler, até então esquecida, em produzir carros esportivos capazes de fascinar o público.
Em 1979 a Chrysler passava por um momento financeiro nebuloso (que novidade) e, para sair da provável falência, recorreu ao governo americano (outra novidade) e a habilidade gerencial de Lee Iacocca. O executivo, que havia tido uma passagem de sucesso na Ford (o cara “só” criou um mito chamado Mustang), adotou como política a produção apenas de modelos práticos e lucrativos, dois aspectos antagônicos quando o assunto são carros esporte.
Logo, a solução óbvia da companhia para a década seguinte seria investir no mercado crescente (criado pela própria Chrysler) das minivans e, para baixar os custos, dividir a mesma plataforma, conhecida como ”K”, entre seus modelos. Esses carros da Chrysler ficaram conhecidos como os “K-Cars” e muitos acreditam que eles salvaram a empresa nos anos 80. Satisfeito com os resultados, o então presidente , Bob Lutz, decidiu no final daquela década brindar o sucesso comercial da montadora com um carro de verdade. Para tal, Lutz inspirou-se em um carro de sua própria coleção, o Shelby Cobra e convocou o designer Tom Gale. Em 1989, no North American International Auto Show de Detroit, era apresentado o protótipo do Dodge Viper.
Não é difícil de imaginar o furor que o modelo causou entre fãs e mídia especializada. O Estúdio de Design Avançado (Advanced Design Studios) da Chrysler não perdeu tempo e pediu para a sua subsidiária da época, a Lamborghini, para que ajudasse a desenvolver um bloco de alumínio baseado no motor V10 que equipava algumas picapes Dodge.
Pesando 311 kilos, a usina produzia 400 cavalos a 4600 rpm. Para atingir a marca dos 100 km/h, o primeiro Viper levava apenas 4,6 segundos. A velocidade final é de 288 km/h. Com 488 c.i. este é o maior motor já produzido em Detroit. Todo esse poder de fogo nas rodas traseiras só poderia ser controlado por um motorista experiente. Os primeiros Vipers eram bem espartanos. Além das, já mencionadas, falta de maçanetas e vidros, esqueça também de artifícios como controle de tração ou freios ABS.
Em 1990, o Viper estava quase pronto e um ano mais tarde, seu Guru e Consultor Geral de Desenvolvimento, Carrol Shelby, o dirigiu como carro-madrinha nas 500 milhas de Indianapolis.
O Viper quebrou alguns paradigmas e reacendeu o mercado de esportivos americanos. Surgiu em uma época em que a maioria dos carros eram seis cilindros e com tração dianteira e forçou a Chevrolet a constantemente aumentar a potência do Corvette.
A ascendência com o Cobra não é casual. O conceito era justamente fazer uma versão moderna do lendário modelo anglo-americano. Apesar de mais de 20 anos separando um projeto do outro, o comportamento dinâmico, como a potência descomunal no eixo traseiro, e até alguns aspectos de design eram bem semelhantes. Afinal, embora de “mães” diferentes, ambos são filhos do mesmo pai.










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