A idéia da matéria era comparar os modelos antigos com suas reeleituras atuais, criando um gancho com os filmes “Vanishing Point” (Corrida contra o Destino) e “Bullit”, nos quais, Challenger e Mustang eram as principais estrelas, respectivamente.
O repórter teve o privilégio de dirigir as quatro máquinas e, em seu texto, dá detalhes ricos e precisos sobre as impressões ao dirigir. O que sobrou de informações ao sentir a dirigibilidade os carros, faltou na hora de apurar, algumas informações básicas.
Leiam e desfrutem da matéria, realmente está muito boa, mas antes faço duas considerações. A primeira delas é em relação ao ano Challenger antigo. Diferente do que é dito na matéria, o modelo guiado pelo autor é 1974 e não 1970, como é informado pelo site.
Challenger 1974: Lateral frisada.
A principal diferença entre os dois modelos é a lateral. Em 1974, o Challenger ostentava quatro “furos” horizontais e retangulares. Não entendi como o repórter não percebeu essa diferença, pois na própria diagramação da matéria é mostrado a foto do modelo 1970, usado no filme “Vanishing Point”.
Challenger 1970: Lateral lisa como pneus slicks.
Tudo bem, erros acontecem, pensei comigo mesmo.
A matéria, depois dos Challengers, volta sua atenção aos Mustangs. O tom preciso de avaliação é o mesmo. No entando, leio outro deslize do autor. Ao falar sobre as alterações estéticas do carro usado no filme o repórter crava: “…alguns frisos foram removidos, colocadas rodas foscas mais largas usadas nos Mustang Shelby e sacaram o cavalo cromado da grade do radiador, já que a Ford não soltou grana de patrocínio para o filme”.
Sem o cavalo: Retaliação por ser uma montadora sovina?
Isso também está incorreto. É justamente o contrário.
“The bad guys’ car was supposed to be a different Ford model (the automotive company had a deal with the studio), but it couldn’t handle the pounding. Local car lots were searched and production started with two identical Mustangs and three sturdy Dodge Chargers.”
Em livre tradução livre algo como:
“O carro dos dois bandidos era para ser um modelo Ford diferente (Um Galaxie?) (a companhia de automóveis tinha um contrato com o estúdio), mas o modelo não manejava como o esperado. Revenda de carros locais foram procuradas e a produção começou com dois Mustangs idênticos e três Dodge Charges robustos.”
Já li em algum lugar que a remoção do cavalo da grade frontal do Mustang foi idéia do próprio Steve McQueen. A intenção era mostrar que o policial que usava seu próprio carro no serviço não tinha tempo nem dinheiro pra fazer os reparos necessários. Também é creditado a Steve a idéia da adoção dos Dodges Charges pois, com o patrocínio da Ford, ficaria inverossímel se todo carro mostrado no filme fosse mesma marca.
De qualquer forma, mesmo com esses dois delizes, sempre que tenho a oportunidade, leio a C/D Brasil. É uma das melhores revistas do mercado sobre automóveis em minha insignificante opinião.
Ainda criança, ouvia diversas histórias antigas, do começo da década de 70, envolvendo as peripécias – pouco prudentes – do meu pai ao volante de um Dodge Dart Coupe.
Uma delas envolvia toda a empolgação do coroa, na época um adolescente, ao sair da sala de cinema após assistir Vanishing Point (Corrida Contra o Destino título em terras tupiniquins).
Meu pai, na época ainda namorando minha mãe, que acabara de completar 18 anos, a levou para uma sala de cinema hoje extinta, na esquina da Brigadeiro com a Paulista. Atualmente, naquele espaço, funciona o Cartola Clube.
O filme, produzido em 1970 e lançado nos Estados Unidos em 15 de janeiro de 1971, é sobre um motorista de entrega de carros, James Kowalski (interpretado por Barry Newman).
James trabalha para a Argo’s Car Delivery Service e, após entregar um Chrysler Imperial preto, é sugerido pelo chefe que descanse. Mas Kowalski ignora a sugestão e insiste em fazer sua próxima tarefa na mesma noite: Entregar um Dodge Challenger R/T em São Francisco.
No caminho para Frisco, Kowalski para em um bar de motoqueiros para comprar Benzedrina do seu amigo Jake (interpretado por Lee Weaver) e diz ao mesmo que precisa entregar o Challenger às 3 horas do dia seguinte (embora, na verdade, ele tenha até segunda-feira da outra semana para fazê-lo).
Desacreditado na tarefa, Jake sugere uma pequena aposta, no valor das pílulas, de que Kowalski não seria capaz de fazer o trajeto em tão pouco tempo. Na mesma hora James aceita a aposta e é aí que o filme começa.
Barry Newman pilotando o clássico pônei da Dodge.
A produção do filme envolve algumas histórias interessantes. A escolha do modelo foi por conta de um trato da Twenty Century Fox e a Chrysler. O estúdio promoveria o carro no filme e, em troca, a montadora fornecia aluguel de carros por 1 dólar o dia.
A Chrysler cedeu quatro Dodges Challengers com o motor 440 para as filmagens. A única alteração feita, em dois deles, foi a suspensão reforçada para aguentar os pulos e solavancos durante as filmagens.
Newman e Challenger: Estrelas do filme.
A princípio, a Fox queria para o papel principal Gene Hackman que, no mesmo ano, seria protagonista no filme do post anterior, o French Connection.
Em 1997, o filme ganhou uma versão para TV com Viggo Mortensen interpretando Kowalski. Rumores indicam de que uma refilmagem está a todo vapor. Seria o novo Challenger SRT8 o protagonista? Provavelmente. Estou torcendo que tal fofocas sejam verdade.
Menos mal que trazer são em salvos minha mãe e o Dodge Dart para o bairro do Jabaquara, zona sul de São Paulo, com certeza, era uma missão bem mais fácil para o meu pai.
É difícil de imaginar que, ha mais de 40 anos, nomes como Challenger, Camaro e Mustang estariam sendo produzidos e comparados pela mídia especializada. Pois foi exatamente o que o site Edmunds Inside Line fez. Um interessante teste comparativo entre os principais Muscle Cars da atualidade: Challenger R/T 2009, Mustang GT 2010 e Camaro SS 2010.
O Mustang GT tem forte influência, em seu design, dos antepassados do final da década de 60. Para este ano foram feitas algumas alterações estéticas que o deixaram com um visual ainda mais agressivo.
Mustang GT: Resposta precisas nas curvas.
O Challenger R/T, por sua vez, dos três, é oque mais se assemelha com o original, mas sem perder apelo moderno em suas linhas. Uma reeinterpretação fiel, ao contrário das desastradas tentativas anteriores da Chrysler, vide Dodge Charger.
Já o Camaro SS é o que tem o visual mais contemporâneo de todos. Assim como no Mustang, seu visual é um tributo à primeira geração de Camaros que foi de 1967 a 1969.
Challenger R/T: O mais "lento" dos três.
O Pônei da GM também é o mais potente da contenda. É equipado com um motor 6.2 V8 de 426 hp. Faz de 0 a 100 km/h em cinco segundos cravados. O quarto de milha é feito em 13 segundos a 176Km/h.
Já o Challenger ficou engoliu poeira. Faz de o a 100 em 5.5 segundos e o quarto de milha em 13.9 segundos a 164 km/h. O Challenger também é o mais caro dos três.
O Mustang fica entre os dois anteriores quando o assunto é performance. Cravou 13,5 segundos no 1/4 de milha a 163km/h. Ficou a dois décimos do tempo do Camaro marcando 5.2 segundos dos 0 a 100 km/h.
Camaro SS: Estréia em grande estilo e, talvez, um adeus.
Segundo o site, o Mustang ficou em segundo lugar por sua dirigibilidade e o Challenger, em terceiro, pelo seu look retrô na medida certa. O Camaro fica em primeiro por reunir o que há melhor entre os dois concorrentes e ainda ter uma performance superior.
Torço para que a ameça de falência da GM não comprometa o lançamento do Camaro SS. O site informa que o modelo usado nos testes é exatamente igual ao que será fabricado. Mas será que vai mesmo? Esperamos que sim.
Challenger, Camaro e Mustang: Tradição americana perto de um novo fim.
Se você mora no planeta terra nos últimos seis meses já deve saber que estamos em uma crise financeira mundial. E se gosta do universo automobilístico deve saber também que as três grandes fábricas norteamericanas (GM, Ford e Chrysler) estão á beira da falência, infelizmente. Essas marcas apostaram alto no nicho de SUV’s do tamanho de rinocerontes e não conseguiram oferecer algo mais prático e eficiente quando o consumidor médio americano pediu. A consequência disso começa a ser sentida agora. Segundo esta reportagem da CNN, os dias dos novos Muscles Cars estão contados.
Mustang: Sobreviveu à crises e a invasão nipônica.
Dos três (Challenger, Mustang e Camaro), acredito que o Mustang é o único com chances de sobreviver, assim como aconteceu no passado. O modelo já está estabelecido a mais tempo no mercado americano. A Ford, das três, é a companhia que está em melhores condições financeiras, não que isso signifique muita coisa.
O Challenger, também como no passado, será o com a vida mais curta. A Chrysler recentemente anunciou a venda da marca Viper, um péssimo sinal pro “Desafiador”. A idéia da montadora é se desfazer da sua divisão esportiva pra se reestrutirar financeiramente.
Challenger: Como seu atepassado, uma sina triste.
Já o Camaro não está em situação muito melhor. A GM é a em piores condições financeiras e o carro sequer foi posto a venda. A reportagem da CNN menciona que o auto escalão da empresa recolocou todos os funcionários da divisão esportiva em outros setores. Ou seja, como bem colocou o repórter, “Mandou todos os seus Picassos para pintar casas”. Um bom argumento para manter o Camaro fabricando é seu consumo razoável para um esportivo de oito cilindros, 11 km/l.
Camaro: Oi e tchau?
No final das contas, concordo com o que foi dito pelo editorial da Year One sobre o fim eminente. “Fãs de carros sempre vão pedir por uma boa performance de seus veículos, mas todos concordamos que ter um veículo econômico pro dia-a-dia não é uma má diéia”. O artigo continua. “Os entusiastas são movidos pelo coração, e não serão ciclos economicos oua ocilação no preço dos combustíveis que irão mantê-los distantes de sua paixão por automóveis. Como sempre dizemos,é mais que um hobby, é um estilo de vida”, conclui o artigo.
Para não dar um fim melancólico, a já melancólica notícia, em breve postarei os resultados do teste comparativo entre os três, publicado no site Edmunds.com.
Boa companhia: À direita do Coronet, um Challenger. Também 426 Hemi.
Jay leno é um comediante e apresentador norteamericano do programa de entrevista “The Tonight Show”. Mas além de suas atividades no showbizz na terra do Tio Sam, Leno é conhecido também pela sua coleção de veículos, que vão de motores de barcos do século XIX, caminhões, motos e, é claro, carros.
O apresentador é um verdadeiro apaixonado por carros. Em algum ponto no sul da Califórnia, funciona a sua oficina ou a “Jay Leno’s Garage“ onde ele guarda, restaura e fabrica peças para as suas máquinas. Ao longo dos dias vou postar alguns carros interessantes bem como reproduzir parcialmente as histórias dos carros de Leno, como este Dodge Coronet Hemi 500 1966.
Não para. Não faz curvas. Mas ruge alto.
O apresentador tinha 17 anos quando o Coronet foi reestilizado em 1966. Com a opção do motor Hemi, passou a ser o carro a ser batido nas corridas de rua. Foi o primeiro carro com transmissão automática a vencer a opção manual no quarto de milha. A força do motor é tamanha que faz o carro cantar pneu em segunda marcha. O carro faz parte de uma era em que os opcionais eram bem simples: Sedan ou Station Wagon? Quantos cromados? Qual o tamanho do Motor?
Para mostrar elegantemente a que veio.
A versão top era o 500, com console central e bancos separados. A esposa de Jay leno gosta de lembrá-lo que o carro parece mais um taxi ou uma viatura de polícia. De fato, o Coronet daquele ano tinha um visual bem sóbrio, ao contrário do que estaria por vir com a efervecência da era dos Muscle Cars. O que intimidava os competidores potenciais não eram cores chamativas, scoops, ou faixas no capô, mas sim um pequeno emblema cromado nos paralamas lateriais com a inscrição “426 Hemi”.
Não diferente de seus contemporâneos, o modelo-médio (para os padrões americanos da época) com um motor do tamanho de um rinoceronte e um torque de envergar longarinas era difícil de ser guiado por pessoas comuns. Existia a dificuldade em parar, fazer curvas e, não raramente, com um pé mais pesado numa saída de uma curva resultava em uma visão muito rápida da paisagem em 360º.
O auge da era Muscle Car foi em 1970, quando o mundo testemunhou os maiores motores, a exemplo do Chevelle SS 454 e Challenger Hemi. Pelo menos até 1973, meados de 74, alguns modelos sobreviveram com uma motorização mais tímida e pinturas bem mais chamativas. Impossível não se deliciar com essa lista de acessórias para a linha Plymouth de 1972, como o Rádio AM, teto de vinil, retrovisores de corrida e as magníficas rodas Rallye Road que dá, como diz o anúncio, “um toque esportivo”.
Valeu a espera. De 1974 pra cá, o mundo assistiu duas crises energéticas e a decadência da indústria automobilística norte-americana. Trinta e quatro anos depois, Detroit ressussita um clássico dos tempos do barril de petróleo a US$ 100.O Challenger SRT-8 evidencia a tendência de ressurgimento dos Muscle Cars, pelo menos em parte do conceito. Com 425 cavalos e aceleração de 0-100 km/h em cerca de cinco segundos mostram que não se trata de mais um embuste comercial da Chryler, como o “novo” Charger. O Mustang agora tem séria concorrência. Agora só falta o Camaro.
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