A tal da internet é um saco sem fundo. Esses dias, bisbilhotando no Youtube atrás de algumas perseguições de carro, me deparei com a excelente sequência do gênero no filme “Seven-Ups”. Não me lembro de ter visto este, embora não me pareça de todo estranho.
Numa rápida pesquisa descobri que se trata de um filme policial estrelado por Roy Scheider, o mesmo que atuou em “Tubarão”. Scheider é um tira renegado que faz parte da “Seven-Ups”, uma força paralela da polícia que usa táticas não ortodoxas.
Resumos à parte, vamos ao que interessa. A cena é protagonizada por dois Pontiacs, ambos 1973. O ‘rato’ é um Grand Ville e o ‘gato’ é um Ventura coupe. Toda a sequência foi filmada em Nova York e há uma semelhança com as cenas em Bullit e não é por acaso.
O Rato Fujão: Pontiac Grand Ville 1973
A qualidade e realismo da perseguição deve ser creditada a Philip D’Antoni. O produtor e diretor desse filme, tem em seu currículo, a produção das cenas de perseguição em Bullit e French Connection (Operação França).
O Gato Caçador: O Pontiac Ventura 1973
O Grand Ville, o “rato”, vinha de fábrica com o V8 de 400 cilindradas cúbicas com o 455 como opcional. Já o Ventura, o “gato”, desde 1971 derivava sua carroceria mais compacta – pros padrões americanos da época – do Chevy Nova. O motor base era o velho conhecido V8 de 350 cilindradas cúbicas com carburador duplo.
A perseguição em “Seven-Ups” mostra uma outra Hollywood, mais ousada, com carros e dublês de verdade e sem o seu atual vício em Computação Gráfica.
A idéia da matéria era comparar os modelos antigos com suas reeleituras atuais, criando um gancho com os filmes “Vanishing Point” (Corrida contra o Destino) e “Bullit”, nos quais, Challenger e Mustang eram as principais estrelas, respectivamente.
O repórter teve o privilégio de dirigir as quatro máquinas e, em seu texto, dá detalhes ricos e precisos sobre as impressões ao dirigir. O que sobrou de informações ao sentir a dirigibilidade os carros, faltou na hora de apurar, algumas informações básicas.
Leiam e desfrutem da matéria, realmente está muito boa, mas antes faço duas considerações. A primeira delas é em relação ao ano Challenger antigo. Diferente do que é dito na matéria, o modelo guiado pelo autor é 1974 e não 1970, como é informado pelo site.
Challenger 1974: Lateral frisada.
A principal diferença entre os dois modelos é a lateral. Em 1974, o Challenger ostentava quatro “furos” horizontais e retangulares. Não entendi como o repórter não percebeu essa diferença, pois na própria diagramação da matéria é mostrado a foto do modelo 1970, usado no filme “Vanishing Point”.
Challenger 1970: Lateral lisa como pneus slicks.
Tudo bem, erros acontecem, pensei comigo mesmo.
A matéria, depois dos Challengers, volta sua atenção aos Mustangs. O tom preciso de avaliação é o mesmo. No entando, leio outro deslize do autor. Ao falar sobre as alterações estéticas do carro usado no filme o repórter crava: “…alguns frisos foram removidos, colocadas rodas foscas mais largas usadas nos Mustang Shelby e sacaram o cavalo cromado da grade do radiador, já que a Ford não soltou grana de patrocínio para o filme”.
Sem o cavalo: Retaliação por ser uma montadora sovina?
Isso também está incorreto. É justamente o contrário.
“The bad guys’ car was supposed to be a different Ford model (the automotive company had a deal with the studio), but it couldn’t handle the pounding. Local car lots were searched and production started with two identical Mustangs and three sturdy Dodge Chargers.”
Em livre tradução livre algo como:
“O carro dos dois bandidos era para ser um modelo Ford diferente (Um Galaxie?) (a companhia de automóveis tinha um contrato com o estúdio), mas o modelo não manejava como o esperado. Revenda de carros locais foram procuradas e a produção começou com dois Mustangs idênticos e três Dodge Charges robustos.”
Já li em algum lugar que a remoção do cavalo da grade frontal do Mustang foi idéia do próprio Steve McQueen. A intenção era mostrar que o policial que usava seu próprio carro no serviço não tinha tempo nem dinheiro pra fazer os reparos necessários. Também é creditado a Steve a idéia da adoção dos Dodges Charges pois, com o patrocínio da Ford, ficaria inverossímel se todo carro mostrado no filme fosse mesma marca.
De qualquer forma, mesmo com esses dois delizes, sempre que tenho a oportunidade, leio a C/D Brasil. É uma das melhores revistas do mercado sobre automóveis em minha insignificante opinião.
Na América, os únicos Mustangs que levantavam voo eram os P-51, na Segunda Grande Guerra. Isso mudou um pouco, quando, em 1968, a Warner Bros convocou Steve McQueen para ser o protagonista do filme policial Bullit. Na película, Mcqueen atua na perseguição mais famosa da história do cinema, onde seu Mustang Fastback 68 caça um Dodge Charger do mesmo ano, pelas ruas íngrimes de São Francisco. Sessenta anos depois do fim da Segunda Guerra mundial, 40 depois do filme, um Mustang volta a desafiar a gravidade. A Ford anunciou ontem o Mustang Bullit 2008. Serão apenas cerca de 7.000 unidades produzidas. Para mantê-lo fiel ao filme, todos os logos do “GT” e inclusive o Cavalo, marca registrada dos Mustangs, foram retirados, mas as rogas da American Racing Torq Thurst estão lá. Para dar ainda mais autenticidade para o novo ‘pégasus’, engenheiros da Ford analisaram cópias restauradas do filme e desenvolveram um sistema de exaustão que reproduz o mesmo som de escapamento do Mustang usado nas filmagens. Debaixo do capô, o motor 4.6 desenvolve 315 hp, segundo dados da própria montadora. Em 2003, correu um boato sobre a refilmegem do filme e que no papel de Frank Bullit estaria Brad Pitt. Segundo esta notícia, mais recente, Pitt já teria aceitado. Duvido, mas não custa sonhar.
Mustang antes do encontro com o Charger: Em torno de 750 hps duelando nas ruas de São Francisco. Intenso.
Em 2001, a Ford lançou esta versão do Bullit que, convenhamos, lembra muito pouco o original.
Novembro de 2007 a Mustang Airlines volta à operação.
Detalhe da placa de identificação: Bullit legítimo.
V8 - 4.6 Litros - 315 hp - 44,9 m,kgf.
Crossover de imagens, interior do novo Mustang com a cena do filme original - Pelo visto, o Charger escapou. Cadê o motorista?
"Ele de novo?! Não!", diriam os bandidos no Charger
Reprodução de uma sequência clássica. Burnout de ré!
Na original cena original, McQueen evita colisão com motoqueiro e vai para o acostamento.
Outra reprodução de uma cena original, desta vez, sem o motoqueiro barbeiro
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