Era dos Extremos

19 10 2009
Logo na entrada, um Maverick se destacava.

Logo na entrada, um Maverick se destacava.

Neste último sábado (17/10), fui conferir de perto a Xtreme Motorsports 2009. E como o nome sugere, o que se vê lá são extremos. É uma diferença tênue entre o bom e  mau gosto quando o assunto é a personalização de carros. Particularmente, tenho várias reservas em relação a isso. Partilho da opinião do colecionador Jay Leno. Para ele, quanto mais original melhor. Afinal, quando nos apaixonamos por um modelo de automóvel, precisamos lembrar que ele é fruto de anos de estudo e desenvolvimento dos engenheiros. Sendo assim, se for para alterar, que seja algo de bom gosto e que respeite as características do carro e sua época. Minha insignificante opinião.

Um Opala Comodoro simplesmente perfeito.

Um Opala Comodoro simplesmente perfeito.

Os nomes – nacionais e internacionais – de destaque nessa indústria multi-bilionária são profissionais que  respeitam aspectos como a identidade do carro e sua época Logo ao entrar na feira, me deparei com algumas obras de arte do construtor Batistinha. A melhor delas, um Opala Comodoro de extremo bom gosto, uma melhores projetos ali exposto.

Mais a frente, uma fila gigantesca circundava o estande da Pirelli. No começo dela estava o mais conhecido dos construtores, Chip Foose. Seu carisma parece ser do mesmo tamanho de seu talento. Pacientemente, o americano atendia a cada uma das pessoas, sempre com um sorriso e muita boa vontade. Gostaria muito de ter um autógrafo do ‘mestre’, mas uma moça – com uma cara de má vontade – disse que não poderiam entrar mais pessoas. Paciência.

Opala Foose

Detalhe das rodas Foose no Opala, ainda em construção, concebido pelo designer.

O impressionante é que, durante as duas horas e pouco que fiquei na feira, tudo o que Foose fez foi atender o público. Um comportamento louvável. Muito diferente daqueles proprietários arrogantes que aparecem no encontro da Luz. Humildade não faz mal a ninguém.

Opala de arrancada na cor mais bonita: Azul Hawaii.

Opala de arrancada na cor mais bonita: Azul Hawaii.

Mais ao centro, encontrei o Opala desenhado pelo Foose em construção. Gostei muito do resultado e da inspiração nos Muscle Cars americanos. Como havia dito no post anterior, Chip acerta em 99% de suas criações e com o Opala não foi diferente. Cheguei imaginar que um motor V8 seria o propulsor do carro, mas acabaram optando pelo 6cc. O que não foi uma má escolha, o motor também estava lindo. É uma pena o Discovery ter descontinuado o programa Overhaulin. Justo quando Chip tinha planos de expandi-lo para outros países.

Em outros estandes, muitos carros. Caros, importados, nacionais, antigos, enfim, cada um em sua característica. Extremo mau gosto também. Como não poderia ser diferente, apenas os antigos me chamavam a atenção. O meu saudosismo é virtual, pois não era vivo quando os carros que mais gosto foram lançados. Mas aqui, nesse espaço, isso é apenas um detalhe.





Opala by Foose

16 10 2009
Opala 1976, segundo Chip Foose. Foto: Quatro Rodas.

Opala 1976, segundo Chip Foose. Foto: Quatro Rodas.

Está rolando nesse fim de semana o X-Treme Motorsports, que reúne novidades na área de personalização de carros. A grande estrela é o designer Chip Foose, famoso por aqui por causa da ótima – e tão clonada –  série Overhaulin.

Em sua terceira visita ao país, Chip vai por a mão na massa, ou melhor, na lata. Foose desenhou e orientará na construção de um clássico da indústria nacional, o Chevrolet Opala. Inspirado nos Muscle Cars americanos, o carro só ficará pronto ao final do evento, mas já pra notar algumas das idéias de Foose.

Na traseira, a inspiração para o posicionamento das luzes de freio vem do Corvette Stingray, bem como a pintura. O volante também é típico dos chevys dos anos 60, muito semelhante ao usado no próprio Opala SS.

Resta saber qual motor preencherá o cofre do Opalão. Acho o uso do V8 350 já comum. Seria interessantíssimo vê-lo com um 454, já pensaram? A idéia é que eu apareça por lá e diga aqui o foi o evento. Quem sabe o tio Fosse goste da idéia e transforme o meu Opala 77 em algo especial.





Seja Bem Vindo

24 09 2009

O Opala tomando seus primeiros Drinks comigo. Dri acena lá de dentro.

O Opala tomando seus primeiros Drinks comigo. Dri acena lá de dentro.

A paixão é um sentimento arrebatador. Não há palavras em qualquer dicionário ou língua que consigam exprimir tal sensação. Comigo não é diferente quando o assunto são automóveis antigos ou qualquer uma de minhas paixões. Desde que decidi que seria um Opala, o meu primeiro carro, passei a pesquisar e visitar possíveis candidatos. Quando sentei ao volante do primeiro que vi, um Amarelo 1975, tive certeza de que era isso que queria. Acredito que  nem toda a dissuasão do planeta seria capaz de me impedir de comprar um.

Passado todo o processo de prospectar, escolher e realizar a compra (eu iria colocar a euforia também nesse rol, mas acho que essa nunca se dissipará totalmente) era hora de pensar na parte prática. Embora seja um apaixonado por carros, minha família nunca pôde ter um automóvel, pelo menos desde que me “juntei” a ela. Então, minha experiência ao volante, até aquela semana, resumia-se a a 25 aulas num Palio 1997 da auto-escola, onde tirei minha licença de motorista no, já distante, ano de 2002.

Como estava prestes a buscar o carro, tive que pedir a ajuda de um motorista mais experiente e confiável para trazê-lo até seu novo lar. Um dos meus melhores amigos, o Thiago, foi o responsável pela tarefa. Ouvimos atentamente às recomendações e dicas do Saulo, o ex-dono, sobre o funcionamento do Opalão e seus instrumentos.

“Reparem como as pessoas vão olhar na rua” disse Saulo para nós. Antes da partida, acho que como num ritual de despedida, o seu antigo dono nos levou até o posto mais próximo para encher os pneus. De lá em diante, Saulo deu “adeus” ao seu antigo amigo e Thiago assumiu a direção. Fomos rumo ao estacionamento onde o Opala repousaria.

Acredito que o Thiago nunca havia guiado um Opala ou qualquer carro com daquelas dimensões e características. Ele não pôde esconder a diversão que era dirigir um carro antigo azul turquesa no trânsito cinza-escuro de São Paulo e passou a reparar na reação das pessoas, assim como Saulo havia comentado, o carro chama muita atenção mesmo.

Outras coisas que reparamos também eram as características peculiares do carro. Por exemplo, seus espelhos retrovisores externos,muito bonitos por sinal, são quase inúteis. O espelho lado do motorista se enxerga com dificuldade enquanto que o do lado esquerdo é pura figuração. Outro detalhe

Já na Avenida Domingo de Morais, na metade do caminho, a Adriana, namorada do Thiago, ligou e ele me perguntou se podíamos buscá-la em seu trabalho. Respondi que sem problemas. Então ele disse a ela no celular: “Me espera aí na frente porque vou te buscar de Opalão!”.

Após buscá-la, voltamos a Domingos e cada vez mais ficava evidente o evento que é andar de Opala hoje em dia. Um careca, no ponto de ônibus, babava em seu sorvete de casquinha ao ver o carro passar. Thiago, palhaço que é, deu uma buzinada acenando pra aquela engraçada figura. A essa altura já havíamos reparado que o mostrador marcava que o combustível estava no fim. Paramos num posto BR para alimentar o faminto. Decidi completar o tanque, pois não queria ser surpreendido por uma pane seca ou reabastecer tão cedo.

A frentista colocou a bomba e os números do ‘total a pagar’ subiam mais rápido demais! O bicho estava faminto. Eram R$ 75, 76… 80, 85, quando eu disse: “Tá bom, tá bom, acho que já temos o suficiente”. A frentista, pro meu alívio, me avisou que havia completado o tanque. Menos mal. Enquanto eu pagava pela bebedeira do Opala, a Dri também pôde presenciar o fascínio que o carro exerce nas pessoas. Ela notou que um cara, que passava pela calçada do posto, abriu um sorriso e apenas disse “1977″.

Já próximos do destino, outra reação do tipo aconteceu. Um Del Rey, caindo aos pedaços e com dois grandes racks no teto, emparelhou do meu lado e o motorista perguntou algo que vai ser recorrente, o ano do carro: “É 79?”.

A resposta já vale um adesivo: “é 77″. Em breve espero colocar as minhas primeiras experiências ao volante, cheio de folga, do maior Chevrolet que o Brasil já fez.





Duelo de Gerações

21 09 2009

Todas as gerações do mítico Camaro.

Todas as gerações do mítico Camaro.

Já pensou se você fosse um jovem americano nos anos 60, lá pelos seus 20 e poucos anos, que tivesse acabado de entrar na faculdade e, por tal conquista, ganharia com um automóvel. Qual você escolheria? Um Mustang ou um Camaro? Essa era “a” dúvida  há exatos 43 anos – setembro de 1966 – quando os primeiros Camaros chegavam às concessionárias Chevrolet dos Estados Unidos, já como modelos do ano seguinte. Esse dilema entre os consumidores e disputa entre Ford e GM perduraria por quatro décadas. A FULLPOWER conta, na edição desse mês (nº89), um pouco sobre todas gerações do Camaro, uma resposta que virou um ponto de exclamação.





Arte Alfa

9 09 2009

Nessa não estou sozinho. Um dos carros mais bonitos já feito, na minha opinião e na do jeremy Clarkson também, foi testado pelo excelente Top Gear. A Alfa Romeo 8C recebeu elogios rasgados à sua aparência e foi também avaliada em seu desempenho e o resultado foi… Péssimo. Em outras palavras, é linda, porém ordinária. As melhores partes do vídeo é fruto da genialidade de Clarkson em fazer parábulas. “Comprar uma Alfa Romeo 8C pela sua funcionalidade é mesma coisa que comprar um filme pornô pela sua trama” e pra fechar “Se os fabricantes de automóveis fossem partes do corpo humano a Toyota seria o cérebro, a Aston Martin o rosto, a Cadillac o estômago e a Alfa Romeo o coração e a alma”.





À Procura

31 07 2009

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À Procura da Felicidade

O ator Will Smith interpretou, em 2005, Chris Gardner, um aspirante a executivo que passa por diversas dificuldades com seu filho de cinco anos para ter sucesso em sua carreira e na vida. O nome do filme? “À Procura da Felicidade”. Já no campo da música, Afrika Bambaaataa – um dos percursores do Hip Hop – lançou uma música, em 1983, chamada de “Looking for the Perfect Beat”. Exatos 20 anos depois, Marcelo D2, fazendo referência à Bambaataa, lançou o “À Procrura da Batida Perfeita”.

Eu, em 2009, estou à procura da felicidade tentando encontrar o Opala perfeito. Depois de quase cinco anos juntando dinheiro, ou melhor, guardando o que  sobrava do auxílio estágio e mais recentemente do salário, comecei a pesquisar preços do modelo clássico da GM. Meus alvos são os as primeiras gerações, de 1969-70, 1971-74 e 1975-79. mas, por uma questão de praticidade, que envolve a quantidade de modelos fabricados e peças disponíveis, concentro meus esforços nos modelos de 75 a 79.

Propaganda Opala 1975.

Propaganda Opala 1975.

No começo de março visitei uma loja na famigerada Anhaia Mello. Lá tinha um Opala, que havia visto inicialmente no site Webmotors, mas nada como conferir pessoalmente. Era 1975, amarelo, câmbio na coluna e com banco inteiriço. As condições gerais do carro eram razoáveis. A lataria aparentemente alinhada, a maioria das peças originais estavam lá, como retrovisores, volante, calotas etc. Tinha outras coisas a serem feitas, como pintura (havia um rachado considerável no porta-malas), alguns frisos faltando e troca de algumas peças do motor.

O preço pedido era de R$ 7.500. Eram 6 pelo carro e 1,5 de documentos atrasados. Achei melhor esperar e procurar por algo melhor. No meio daquele mês fui ver um outro carro, dessa vez 1976. O dono era um colecionador e, segundo ele, queria vender algumas de suas jóias – entre eles o Opala – para levantar uma grana e comprar um Mustang 1968. Não botei muita fé quando vi as fotos no site. A cor não me agradava e as fotos não vendiam bem o carro. Mas em vista das melhorias feitas na parte mecância, achei que valeria a pena dar uma olhada ao vivo.

Opala 1976 em ótimo estado de conservação.

Opala 1976 em ótimo estado de conservação.

O carro estava excepcionalmente bem conservado. Na parte interna e externa. Olhando a cor de perto não parecia tão sem graça. O tom claro combinava com o marrom escuro do interior, bem típico dos anos 70 e bem ao meu gosto também. Por dentro ele estava impecável, olhei atentamente e não encontrei um detalhe a ser feito. Sob o capô, o confiável 4 cilindros tinindo, funcionando perfeitamente. Fiquei tão impressionado que perguntei ao dono porque ele não havia tentado colocar a placa preta. A resposta era a falta de tempo. E o melhor de tudo isso era o preço, R$ 9.500.

Infelizmente fui demitido uma semana antes de fechar negócio. O lado ruim é o óbvio, além da demissão, não comprei o carro ideal para as minhas pretensões. Não teria como mander um Opala desempregado. Mas, menos mal que isso aconteceu antes de comprar e enfrentar os problemas de se ter um filho de 34 anos pra cuidar.

Recentemente voltei ao mercado de trabalho e, por consequência, voltei também a procurar pela pedra preciosa da GM. Aos poucos me deparei com alguns bons modelos e com preços interessantes. O que mais me chamou a atenção foi um 1978 “Azul Hawaii”. Não cheguei a vê-lo de perto, mas nas fotos enviadas pelo dono, parece estar em ótimo estado.

Opala 1978 Azul Hawaii

Opala 1978 "Azul Hawaii"

Por enquanto não tenho a quantia pedida pelo dono – muito gente boa por sinal – mas quem sabe num futuro próximo. Aliás, conversando com o atual propietário, pretendo fazer a história breve desse Opala em particular. Saber quais foram / foi seu(s) dono(s) anterior(es), como chegou ao atual e o que pretende o seu futuro dono. Pretendo, também, postar alguns relatos sobre a minha saga, inspirado no ótimo Opala Adventure.

Enquanto isso, continuo à procura.





O Futuro do Presente II

23 07 2009

Para ler a primeira parte de “O Futuro do Presente“, clique aqui.

Corvettes e Ford GTs sempre serão desejáveis

Jay Leno acredita que carros como Ford GT e Corvettes são colecionáveis à partir do momento em que estão disponíveis nas concessionárias. “Nos anos 60 quem imaginaria um Corvette de 638 cavalos que faz 8,5 kilômetros com um litro? Inimaginável”, recorda.

Ford GT e Corvette: Desejáveis desde o 1° dia.

Corvette e Ford GT: Desejáveis desde o 1° dia.

Leno sugere também que alguns modelos inimagináveis hoje podem vir a ser colecionáveis. O Honda Insight, por exemplo, teve uma vendagem ínfima, de apenas 18 mil unidades mundialmente. “Olhando para eles agora você pensa: Nossa! Um carro de dois lugares que faz 29 kilômetros com um litro, tem um formato interessante e é muito aerodinâmico. Colecionadores querem carros que estejam a frente do seu tempo ou que tenha uma falha interessante.

Honda Insight.

Honda Insight 29km com um litro.

Carros que tenham um aspecto esquisito ou que foram comercialmente desastrosos também são alvo de colecionadores. Assim como o esquisitão Ford Edsel ou os carros de Nerd Ford Pinto ou AMC Gremilin são desejáveis hoje em dia o Pontiac Aztek será no futuro.  Jay Leno setencia “Estes carros tem personalidade”.

Pontiac Aztek: Feio + Fracasso = Prato cheio pros colecionadores.

Pontiac Aztek: Feio + Fracasso = Prato cheio pros colecionadores.

Outro modelo a ser observado é a versão mais recente do Cadillac CTS-V com um câmbio de seis marchas. Jay tem um palpite interessante. “No futuro, carros com câmbio manual serão quase uma curiosidade. Pessoas que conseguirem engatar uma marcha serão vistos como indivíduos talentosos que sabem dirigir um carro velho”. O apresentador continua exercitando a imaginação. “Em 2025 as pessoas perguntarão: Você consegue dirigir um Cadillac CTS-V 2009 de 556 cavalos e câmbio manual?” Se, em uma era onde os carros serão todos automáticos, até lá você possuir um Cadillac com um anacronismo parecerá inacreditável.

Cadillac CTS-V: Câmbio automático será coisa do passado.

Cadillac CTS-V: Câmbio automático será coisa do passado.

O próximo modelo é símbolo de tudo que possa ser mais politicamente e ambientalmente incorreto. Símbolo da era Bush, o Hummer tem tudo pra entrar na lista dos colecionadores. Hoje eles estão armagando a estadia nos pátios das revendas e são o símbolo do péssimo comportamento ecológico. Mas, Leno já consegue vislumbrar o que poderá acontecer daqui uns 15 anos. “Quando estivermos dirigindo nossos carros movido a hydrogênio em 2025, alguém vai olhar para o Hummer e dizer ‘O que é aquilo?!?’ O Hummer será o Cadillac Eldorado 1959 de 2025″ imagina o apresentador. Leno acredita que o Hummer foi de muito desejado pra muito odiado. Algum dia o pêndulo da história fará o caminho de volta.

Hummer: Consumo e dimensões indecorosos.

Hummer: Consumo e dimensões indecorosos, assim como o...

...Cadillac Eldorado 1959.

...Cadillac Eldorado 1959.

E por falar em Cadillac e SUV’s, esses Cadillacs Escalades no estilo DUB podem ser colecionávies um dia também. Os jovens que se exibem com esse tipo de veículo com rodas exageradas e cromados brilhantes podem desejar ter uma ‘Slade novamente quando tiverem nos seus 50, 60 anos. Segundo Jay haverão homens grisalhos nesses trapeizongas de exibindo pelo bairro daqui a alguns anos.

Cadillac Escalade: Rodas com mais polegadas do que sua TV.

Cadillac Escalade: Rodas com mais polegadas do que sua TV.

Para Leno, comprar uma Ferrari moderna como um carro de colecionador não é uma boa idéia. Do meio dos anos 90 até hoje é impossível você mesmo trabalhar no carro, só a montadora italiana tem o expertise pra isso, ao contrário dos modelos dos anos 50 / 60 nos quais os próprios donos podiam trabalhar. Em um carro comum, o diagnóstico de um problema eletrônico custa de US$ 600 a 1000. Para uma Ferrari, alerta Jay, é algo em torno de US$ 22,500, só a mão de obra. Então para alguém que faz a manutenção de seus próprios carros não é capaz de tocar em uma Ferrari atual. “Qualquer lucro que você acha queterá não vai acontecer”, conta Leno.

Ferrari California: Modelo mais recente da montadora italiana.

Ferrari California: Modelo mais recente da montadora italiana.

Um último Colecionável? Tudo o que sua namorada ou esposa achar bonitinho.Um Ford Fiesta 1979? Essas carrinhos urbanos bonitinhos sempre serão desejáveis, a exemplo do novo Mini e do Smart. “As coisas não mudam. Se uma mulher era bonita 20 atrás será bonita hoje. O mesmo acontece com carros”, completa Jay Leno.

Fiesta 1979: Carro Cuti-Cuti das mulheres.

Fiesta 1979: Carro Cuti-Cuti das mulheres.

Smart e Mini: Bonitinhos daqui a 20 anos.

Smart e Mini: Bonitinhos daqui a 20 anos.





O Futuro do Presente

19 07 2009

Leno, a Mãe Dinah dos futuros colecionáveis.

Leno, a Mãe Dinah dos futuros colecionáveis.

Quais são os carros que tem potencial para ser um futuro clássico? O que será colecionável daqui a 30 anos? O apresentador e colecionador de carros Jay Leno tem algumas opiniões muito interessantes sobre o que poderá vir a ser um modelo coleionável quando você ficar velho, rico e saudosista. Em sua coluna para o site Popular Mechanics, Jay analisa diversos aspectos que envolvem a transformação de um modelo em um carro colecionável. Isso pode variar desde aspectos técnicos, culturais e até sociais. Essa é a primeira parte. Em breve publicarei a segunda.

Carros, o melhores investimento

O apresentador – muito bem abonado por sinal – lembra que já investiu na bolsa e nunca se deu muito bem. “Eu não conheço muito elas (as ações). Na verdade eu não entendo nada. Já perdi dinheiro na bolsa de valores… Mas nunca perdi dinheiro com carros”, conta. A primeira lição de Jay é: “Sempre compre um carro que você realmente goste. Porque mesmo que um dia ele perca muito valor, você ainda irá gostar dele. Além do mais, todo carro perde valor e, eventualmente, com o tempo pode se tornar valioso novamente”.

O exemplo pessoal do apresentador é bem interessante. Dez anos atrás Jay teve a chance de comprar um Mclaren F1. O modelo zero kilômetro custava quase US$ 1 milhão. Jay teve a oportunidade de comprar um modelo usado que estava sendo vendido por U$800 mil. Ainda assim, achava que era muito dinheiro para se gastar em um carro. Jay fez o que todo homem casado faz nessas situações e consultou a esposa. “Você trabalhou duro. Se você quer, compre”, disse sua companheira. Jay então o comprou.

McLaren F1 1994: Pechincha de 800 mil dólares.

McLaren F1 1994: Pechincha de 800 mil dólares.

Recentente Leno percebeu que havia feito o maior investimento de sua vida. Ano passado, um Mclaren F1 foi vendida em um leilão por US$ milhões de dólares. Em menos de 10 anos ele quintiplicou seu dinheiro e o melhor de tudo, com um carro que ele realmente gosta, (Quem não gostaria de ter uma Mclaren F1 na garagem, Jay!??). Mas ele lembra que é há bastante carros modernos, com preços acessíveis e que são divertidos de se ter.

Frequentemente Jay é perguntado sobre qual modelo deve ser comprado como investimento. A resposta é simples. “Eu acho ridícula a idéia de comprar um carro só pra deixar armazenado. O combustível eventualmente estragará, todas as pertes móveis terão que ser lubrificadas e você ainda terá que fazer um seguro. Carros devem ser dirigidos. Se deixar um carro parado, terá que esvaziar todo o sistema de combustível, trocar o que for eletrônico entre outras coisas”, explica. Ou seja, para Jay Leno, comprar um carro e guardá-lo por anos não te dá nada e é uma péssima idéia. Segundo o apresentador você não estará comprando algo que gosta, estará apenas tentando ganhar dinheiro.

Isso aconteceu com o Dodge Viper, conta Jay. Segundo ele, muitas pessoas compraram os primeiros modelos, em 1992, pensando no carro como um investimento. Seus 400 cavalos era uma potância inimaginável para os padrões da época e as pessoas acharam que não fariam carros mais potentes do que aquele. O resultado é que muitos o adiquiriram e deixaram o Víbora quase que intocável em suas garagens. Hoje em dia frequentemente Leno recebe ligações do tipo: “Tenho um Viper 92 com apenas 1.200 kilômetros rodados…”. A resposta é simples para Leno. “Não estou interessado”. Mesmo porque Jay já é um feliz proprietário de um Viper 1993 preto. A diferença é que Jay comprou porque gosta do carro.

Não, Obrigado. Já tenho um.

Não, Obrigado. Já tenho um.

Futuros colecionáveis

Jay Leno acredita que existem modelos com o potencial de se tornarem colecionáveis, mas que hoje em dia são apenas carros comuns. Um exemplo citado por ele é a primeira geração do Toyota Prius. O modelo era muito moderno na época, mas hoje em dia é apenas bonitinho. Mesmo sendo lento e com uma autonomia duvidosa, o Prius foi único. O primeiro carro híbrido produzido em massa o que, para o apresentador, é simples e honesto. Quem manter o carrinho japonês original ouvirá daqui uns 15 anos as pessoas dizerem: “Eu tive um desses!”. E todos vão querer reavivar as memórias de ver o pequeno painel mudando do modo carregador para o modo consumo. Jay acredita que detalhes como esse irá inundar as pessoas com nostalgia.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/43/Toyota-Prius.jpg/800px-Toyota-Prius.jpg

Toyota Prius: O bonitinho que deixará de ser ordinário.

Jay volta no tempo e cita um exemplo de comportamento similar. “O mesmo aconteceu com as pessoas que, nos anos 60, tinham modelos da Chrysler com a transmissão ‘Push Buttons’. Eles costumam dizer ‘Aprendi a dirigir em um desses! Você aperta o botão ‘D’ para dirigir e ‘R’ para ré!’. Eles se lembram daquela sensação de liberdade e do progresso americano apenas por apertar botões para dirigir”, conta. Então, carros com opcionais inusitados ou que já não existem mais, podem ser colecionáveis.

Painel do Chrysler Imperial 1960 com a transmissão Push Button.

Painel do Chrysler Imperial 1960 com a transmissão "Push Button".

Certa vez, em visita a Inglaterra, um dos parentes de Jay Leno disse: “Você gosta de motos, deveria conversar com o vigário, ele tem uma”. Jay foi conhecê-lo então e o vigário tinha uma Honda 160 1966. Jay prguntou a quanto tempo ele tinha aquela moto. O vigário olhou, meio que o desafiando, e disse. “Eu comprei zero”. O vigário tinha aquela moto por mais de 40 anos. Para ele aquilo não era um item de coleção. Muito de nós diria “Eu tinha uma dessas e meu pai jogou fora” ou “Nós doamos para o vizinho” ou “Usei até jogar fora”. A diferença é que em alguns países os veículos não são vistos como aplicações, são tratados com respeito. Isso é um diferencial. Jay explica: “Nós queremos readiquirir o que costumavamos ter. Nos livramos e depois pagamos 10, até 15, vezes mais do valor original para ter de volta, geralmente pra recapturar algo perdido em nossa juventude”.

O vigário tinha uma dessas desde 0km.

O vigário tinha uma dessas desde 0km.

Jay acredita que, por essas razões, o Mazda Miata tem um valor acessível hoje em dia e será um colecionável em 2025. As primerias gerações do Miada são extremanete simples e é parte do seu charme. Jay conta que anos atrás, quando restaurava Mustangs os achava complicados em relação ao Ford Molelo A. Então, um miata sem controle de tração ou estabilidade – nada – será certamente um colecionável.

Miata, o espartano colecionável.

Miata, o espartano colecionável.

Outro exemplo para  o apresentador é a primeira geração do Taurus. Aquele visual aerodinâmico para um sedã será colecionável também. Jay acha que o modelo foi o triunfo do design no meio dos anos 80. Quase qualquer carro construído antes das leis de segurança do governo americano poderá ser um colecionável. No futuro, carros sem essas exigências parecerá exótico par as pessoas.

Taurus, mais um hit da Ford que, segundo Jay Leno, será colecionável.

Taurus, mais um hit da Ford que, segundo Jay Leno, será colecionável.

Fim da primeira parte.





Encontro de Autos Antigos no Grande ABC

16 07 2009

Divulgação

Chegou no meu email, reproduzo aqui como serviço de utilidade pública. Eu vou.

Caro, segue em anexo release sobre o III ABC Old Car e Parts – Antigos no Campus, um evento de autos antigos que realizamos anualmente no Grande ABC, no Campus do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul. É a Detroit brasileira reverenciando sua história.

Guaraná Menezes, 1974.

Guaraná Menezes, 1974.

Este ano o tema central será os “50 Anos do Fusca no Brasil”, quando vamos organizar uma linha do tempo. A idéia é mostrar como o modelo despertou (e desperta) tanta paixão e as “criações” que nasceram sobre sua base mecânica. Será um belo programa cultural para as famílias no final das férias. O evento vai de 31 de Julho a 02 de Agosto.

Mas teremos vários outros veículos e marcas expostos

No total devemos ter em torno de 350 veículos expostos. Programamos quatro palestras entre elas a de Roberto Nasser (Simca), Bird Clemente (Histórias das Competições no Brasil), e José Luiz Vieira – Evolução da Mobilidade)





Abandonados

22 06 2009
Uma Renault Nevada pedindo por clemência, segudo o autor.

Uma Renault Nevada pedindo por clemência, segudo o autor.

O que fazer com algo  indesejável? Nas grandes cidades essa pergunta parecer ter apenas uma resposta. Simplesmente abandone.  Quantas vezes não vimos  móveis, elétrodomésticos, animais e até seres humanos, deixados ao relento? Com os carros não poderia ser diferente.

Atrocidade: Três futuros clássicos deixados a própria sorte.

Atrocidade: Três futuros clássicos deixados a própria sorte.

O blog Carros Órfãos é um registro fotográfico da cena melancólica que o nome sugere. Diversos modelos foram flagrados em diferentes estágios de decomposição como o trio de ófãos Omega Suprema, Mercedes 280s e Alfa Romeu 164 na triste imagem acima. Se você gosta muito de carros e anda a pé, assim como eu, sugiro que prepare o estômago para cenas fortes.