À Procura

31 07 2009

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À Procura da Felicidade

O ator Will Smith interpretou, em 2005, Chris Gardner, um aspirante a executivo que passa por diversas dificuldades com seu filho de cinco anos para ter sucesso em sua carreira e na vida. O nome do filme? “À Procura da Felicidade”. Já no campo da música, Afrika Bambaaataa – um dos percursores do Hip Hop – lançou uma música, em 1983, chamada de “Looking for the Perfect Beat”. Exatos 20 anos depois, Marcelo D2, fazendo referência à Bambaataa, lançou o “À Procrura da Batida Perfeita”.

Eu, em 2009, estou à procura da felicidade tentando encontrar o Opala perfeito. Depois de quase cinco anos juntando dinheiro, ou melhor, guardando o que  sobrava do auxílio estágio e mais recentemente do salário, comecei a pesquisar preços do modelo clássico da GM. Meus alvos são os as primeiras gerações, de 1969-70, 1971-74 e 1975-79. mas, por uma questão de praticidade, que envolve a quantidade de modelos fabricados e peças disponíveis, concentro meus esforços nos modelos de 75 a 79.

Propaganda Opala 1975.

Propaganda Opala 1975.

No começo de março visitei uma loja na famigerada Anhaia Mello. Lá tinha um Opala, que havia visto inicialmente no site Webmotors, mas nada como conferir pessoalmente. Era 1975, amarelo, câmbio na coluna e com banco inteiriço. As condições gerais do carro eram razoáveis. A lataria aparentemente alinhada, a maioria das peças originais estavam lá, como retrovisores, volante, calotas etc. Tinha outras coisas a serem feitas, como pintura (havia um rachado considerável no porta-malas), alguns frisos faltando e troca de algumas peças do motor.

O preço pedido era de R$ 7.500. Eram 6 pelo carro e 1,5 de documentos atrasados. Achei melhor esperar e procurar por algo melhor. No meio daquele mês fui ver um outro carro, dessa vez 1976. O dono era um colecionador e, segundo ele, queria vender algumas de suas jóias – entre eles o Opala – para levantar uma grana e comprar um Mustang 1968. Não botei muita fé quando vi as fotos no site. A cor não me agradava e as fotos não vendiam bem o carro. Mas em vista das melhorias feitas na parte mecância, achei que valeria a pena dar uma olhada ao vivo.

Opala 1976 em ótimo estado de conservação.

Opala 1976 em ótimo estado de conservação.

O carro estava excepcionalmente bem conservado. Na parte interna e externa. Olhando a cor de perto não parecia tão sem graça. O tom claro combinava com o marrom escuro do interior, bem típico dos anos 70 e bem ao meu gosto também. Por dentro ele estava impecável, olhei atentamente e não encontrei um detalhe a ser feito. Sob o capô, o confiável 4 cilindros tinindo, funcionando perfeitamente. Fiquei tão impressionado que perguntei ao dono porque ele não havia tentado colocar a placa preta. A resposta era a falta de tempo. E o melhor de tudo isso era o preço, R$ 9.500.

Infelizmente fui demitido uma semana antes de fechar negócio. O lado ruim é o óbvio, além da demissão, não comprei o carro ideal para as minhas pretensões. Não teria como mander um Opala desempregado. Mas, menos mal que isso aconteceu antes de comprar e enfrentar os problemas de se ter um filho de 34 anos pra cuidar.

Recentemente voltei ao mercado de trabalho e, por consequência, voltei também a procurar pela pedra preciosa da GM. Aos poucos me deparei com alguns bons modelos e com preços interessantes. O que mais me chamou a atenção foi um 1978 “Azul Hawaii”. Não cheguei a vê-lo de perto, mas nas fotos enviadas pelo dono, parece estar em ótimo estado.

Opala 1978 Azul Hawaii

Opala 1978 "Azul Hawaii"

Por enquanto não tenho a quantia pedida pelo dono – muito gente boa por sinal – mas quem sabe num futuro próximo. Aliás, conversando com o atual propietário, pretendo fazer a história breve desse Opala em particular. Saber quais foram / foi seu(s) dono(s) anterior(es), como chegou ao atual e o que pretende o seu futuro dono. Pretendo, também, postar alguns relatos sobre a minha saga, inspirado no ótimo Opala Adventure.

Enquanto isso, continuo à procura.





Carro & Música

30 07 2009

Já sei ler: Dodge Charger 1972

Ajudando acabar com o tédio dos jovens do subúrbio estadunidense.

Boa música e um convidado ilustre no clipe, um Dodge Charger 1972. A música em questão chama-se “1979″ da banda de rock Smashing Pumpkins. Foi lançada em 1996.





Prazer, Chevette

27 07 2009

Chevette 1974.

Chevette 1974.

Por Aurélio Oliveira

Você, com certeza, ja ouviu falar muito de mim. Eu sou o Chevette e o meu nome foi criado para que todos lembrassem que eu fui o primeiro carro pequeno da família Chevrolet fabricado no Brasil.

Aliás, a GM me lançou em maio de 73 fazendo uma ligeira provocação ao mercado de carros pequenos com uma propaganda que dizia que a GM não estava lançando apenas mais um carrinho!  Ah! Essa foi boa…

De fato! Eu cheguei com um design internacional, com bastante conforto interno, eu era fácil de dirigir, manobrar, era estável e, acima de tudo, eu era um carro seguro. Meu motor então… Nem se fala! Moderno, com comando de válvulas no cabeçote, suspensão firme e olha… Eu era despojado! Nem chave no tanque de gasolina eu tinha… Acredita?

Eu fui um carro à frente do meu tempo! Sabe porquê? Meus primeiros quatro protótipos foram testados à exaustão e chegaram a rodar cerca de 1.400 quilômetros por dia… É verdade! Rodamos um total de 750 mil quilômetros!  Isso… Antes de ser lançado, é mole? Por isso que dizem que eu fui um carro que nasceu e cresceu na estrada!

Economia, grande qualidade em tempos bicudos.

Definindo novos padrões.

Durante 20 anos eu fui um sucesso! Chegaram a fabricar uma versão de quatro portas, depois um modelo hatch, depois a perua Marajó e, finalmente, uma picape… A Chevy 500, lembra?

Chevy 500. Foto 4 Rodas.

Chevy 500. Foto 4 Rodas.

Mas aí a concorrência foi se modernizando… Lançaram o Uno da Fiat, o Gol da Volks com refrigeração a água e eu comecei a envelhecer!

Minha última unidade saiu da fábrica em novembro de 93… Mas eu saí de cena com um agradável sabor de vitória e uma doce sensação de missão cumprida!

Mas eu ainda posso ser visto por aí… Nas mãos e no coração de alguns brasileiros que nunca conseguiram se esquecer e se separar de mim… Nem eu deles!

Linha do tempo

1973 – Inicio produção
1973 – Especial
1975 – SL e GP
1978 – Reestilização
1979 – Chevette 4 portas e versão Jeans
1980 – Hatch e novos pára-choques
1981 – Novos faróis, Marajó, versão S/R com motor 1.6
1982 – Motor 1.6
1983 – Reestilização e câmbio 5 marchas
1984 – Pick-up Chevy
1985 – Câmbio automático opcional
1987 – Reestilização
1988 – Motor 1.6S
1989 – Fim da Marajó
1990 – Fim do Câmbio automático
1991 – Apenas a versão DL
1992 – Versão Júnior 1000
1993 – Término produção
1995 – Término produção Chevy

Unidades produzidas: 1.630.000

Fonte: Carros na Web





O Futuro do Presente II

23 07 2009

Para ler a primeira parte de “O Futuro do Presente“, clique aqui.

Corvettes e Ford GTs sempre serão desejáveis

Jay Leno acredita que carros como Ford GT e Corvettes são colecionáveis à partir do momento em que estão disponíveis nas concessionárias. “Nos anos 60 quem imaginaria um Corvette de 638 cavalos que faz 8,5 kilômetros com um litro? Inimaginável”, recorda.

Ford GT e Corvette: Desejáveis desde o 1° dia.

Corvette e Ford GT: Desejáveis desde o 1° dia.

Leno sugere também que alguns modelos inimagináveis hoje podem vir a ser colecionáveis. O Honda Insight, por exemplo, teve uma vendagem ínfima, de apenas 18 mil unidades mundialmente. “Olhando para eles agora você pensa: Nossa! Um carro de dois lugares que faz 29 kilômetros com um litro, tem um formato interessante e é muito aerodinâmico. Colecionadores querem carros que estejam a frente do seu tempo ou que tenha uma falha interessante.

Honda Insight.

Honda Insight 29km com um litro.

Carros que tenham um aspecto esquisito ou que foram comercialmente desastrosos também são alvo de colecionadores. Assim como o esquisitão Ford Edsel ou os carros de Nerd Ford Pinto ou AMC Gremilin são desejáveis hoje em dia o Pontiac Aztek será no futuro.  Jay Leno setencia “Estes carros tem personalidade”.

Pontiac Aztek: Feio + Fracasso = Prato cheio pros colecionadores.

Pontiac Aztek: Feio + Fracasso = Prato cheio pros colecionadores.

Outro modelo a ser observado é a versão mais recente do Cadillac CTS-V com um câmbio de seis marchas. Jay tem um palpite interessante. “No futuro, carros com câmbio manual serão quase uma curiosidade. Pessoas que conseguirem engatar uma marcha serão vistos como indivíduos talentosos que sabem dirigir um carro velho”. O apresentador continua exercitando a imaginação. “Em 2025 as pessoas perguntarão: Você consegue dirigir um Cadillac CTS-V 2009 de 556 cavalos e câmbio manual?” Se, em uma era onde os carros serão todos automáticos, até lá você possuir um Cadillac com um anacronismo parecerá inacreditável.

Cadillac CTS-V: Câmbio automático será coisa do passado.

Cadillac CTS-V: Câmbio automático será coisa do passado.

O próximo modelo é símbolo de tudo que possa ser mais politicamente e ambientalmente incorreto. Símbolo da era Bush, o Hummer tem tudo pra entrar na lista dos colecionadores. Hoje eles estão armagando a estadia nos pátios das revendas e são o símbolo do péssimo comportamento ecológico. Mas, Leno já consegue vislumbrar o que poderá acontecer daqui uns 15 anos. “Quando estivermos dirigindo nossos carros movido a hydrogênio em 2025, alguém vai olhar para o Hummer e dizer ‘O que é aquilo?!?’ O Hummer será o Cadillac Eldorado 1959 de 2025″ imagina o apresentador. Leno acredita que o Hummer foi de muito desejado pra muito odiado. Algum dia o pêndulo da história fará o caminho de volta.

Hummer: Consumo e dimensões indecorosos.

Hummer: Consumo e dimensões indecorosos, assim como o...

...Cadillac Eldorado 1959.

...Cadillac Eldorado 1959.

E por falar em Cadillac e SUV’s, esses Cadillacs Escalades no estilo DUB podem ser colecionávies um dia também. Os jovens que se exibem com esse tipo de veículo com rodas exageradas e cromados brilhantes podem desejar ter uma ‘Slade novamente quando tiverem nos seus 50, 60 anos. Segundo Jay haverão homens grisalhos nesses trapeizongas de exibindo pelo bairro daqui a alguns anos.

Cadillac Escalade: Rodas com mais polegadas do que sua TV.

Cadillac Escalade: Rodas com mais polegadas do que sua TV.

Para Leno, comprar uma Ferrari moderna como um carro de colecionador não é uma boa idéia. Do meio dos anos 90 até hoje é impossível você mesmo trabalhar no carro, só a montadora italiana tem o expertise pra isso, ao contrário dos modelos dos anos 50 / 60 nos quais os próprios donos podiam trabalhar. Em um carro comum, o diagnóstico de um problema eletrônico custa de US$ 600 a 1000. Para uma Ferrari, alerta Jay, é algo em torno de US$ 22,500, só a mão de obra. Então para alguém que faz a manutenção de seus próprios carros não é capaz de tocar em uma Ferrari atual. “Qualquer lucro que você acha queterá não vai acontecer”, conta Leno.

Ferrari California: Modelo mais recente da montadora italiana.

Ferrari California: Modelo mais recente da montadora italiana.

Um último Colecionável? Tudo o que sua namorada ou esposa achar bonitinho.Um Ford Fiesta 1979? Essas carrinhos urbanos bonitinhos sempre serão desejáveis, a exemplo do novo Mini e do Smart. “As coisas não mudam. Se uma mulher era bonita 20 atrás será bonita hoje. O mesmo acontece com carros”, completa Jay Leno.

Fiesta 1979: Carro Cuti-Cuti das mulheres.

Fiesta 1979: Carro Cuti-Cuti das mulheres.

Smart e Mini: Bonitinhos daqui a 20 anos.

Smart e Mini: Bonitinhos daqui a 20 anos.





Dodge Viper R/T 10

14 07 2009
Sucesso instantâneo: O Viper retomou a tradição esportiva norte-americana.

Sucesso instantâneo: O Viper retomou a tradição esportiva norte-americana.

Ele não tem parachoques cromados. Também não tem maçanetas ou vidros laterais. Putz, ele sequer tem um teto! Mas com certeza já entrou para a galeria dos clássicos. O Dodge Viper R/T 10, entre outras coisas, foi responsável pela retomada  da tradição da Chrysler, até então esquecida, em produzir carros esportivos capazes de fascinar o público.

Em 1979 a Chrysler passava por um momento financeiro nebuloso (que novidade) e, para sair da provável falência, recorreu ao governo americano (outra novidade) e a habilidade gerencial de Lee Iacocca. O executivo, que havia tido uma passagem de sucesso na Ford (o cara “só” criou um mito chamado Mustang), adotou como política a produção apenas de modelos práticos e lucrativos, dois aspectos antagônicos quando o assunto são carros esporte.

Difícil de acreditar que a mesma empresa que produzia o Viper também produzia isso.

Imperial 1990, com a plataforma K.

Logo, a solução óbvia da companhia para a década seguinte seria investir no mercado crescente (criado pela própria Chrysler) das minivans e, para baixar os custos, dividir a mesma plataforma, conhecida como ”K”,  entre seus modelos. Esses carros da Chrysler ficaram conhecidos como os “K-Cars” e muitos acreditam que eles salvaram a empresa nos anos 80.  Satisfeito com os resultados, o então presidente , Bob Lutz, decidiu no final daquela década brindar o sucesso comercial da montadora com um carro de verdade. Para tal, Lutz inspirou-se em um carro de sua própria coleção, o Shelby Cobra e convocou o designer Tom Gale. Em 1989, no North American International Auto Show de Detroit, era apresentado o protótipo do Dodge Viper.

Em 1989 nascia o mito.

Em 1989 nascia o mito.

Não é difícil de imaginar o furor que o modelo causou entre fãs e mídia especializada. O Estúdio de Design Avançado (Advanced Design Studios) da Chrysler não perdeu tempo e pediu para a sua subsidiária da época,  a Lamborghini, para que ajudasse a desenvolver um bloco de alumínio baseado no motor V10 que equipava algumas picapes Dodge.

Motorzão em alumínio V10, 8.0 de 400 cavalos.

Em números: V10, 8.0 e 400 cv.

Pesando 311 kilos, a usina produzia 400 cavalos a 4600 rpm. Para atingir a marca dos 100 km/h, o primeiro Viper levava apenas 4,6 segundos. A velocidade final é de 288 km/h. Com 488 c.i. este é o maior motor já produzido em Detroit. Todo esse poder de fogo nas rodas traseiras só poderia ser controlado por um motorista experiente. Os primeiros Vipers eram bem espartanos. Além das, já mencionadas, falta de maçanetas e vidros, esqueça também de artifícios como controle de tração ou freios ABS.

Quase 20 anos do lançamento e o design parece perfeito.

Quase 20 anos do lançamento e o design parece perfeito.

Em 1990, o Viper estava quase pronto e um ano mais tarde, seu Guru e Consultor Geral de Desenvolvimento, Carrol Shelby, o dirigiu como carro-madrinha nas 500 milhas de Indianapolis.

Em 1991, nas 500 milhas de Indianapolis, foi dirigido por Shelby.

Em 1991, nas 500 milhas de Indianapolis, foi dirigido por Shelby.

O Viper quebrou alguns paradigmas e reacendeu o mercado de esportivos americanos. Surgiu em uma época em que a maioria dos carros eram seis cilindros e com tração dianteira e forçou a Chevrolet a constantemente aumentar a potência do Corvette.

A ascendência com o Cobra não é casual. O conceito era justamente fazer uma versão moderna do lendário modelo anglo-americano. Apesar de mais de 20 anos separando um projeto do outro, o comportamento dinâmico, como a potência descomunal no eixo traseiro,  e até alguns aspectos de design eram bem semelhantes. Afinal, embora de “mães” diferentes, ambos são filhos do mesmo pai.