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O Último Mustang Boss da Trans-Am Racing

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O ano de 1970 foi o auge e o começo do declínio da categoria mais fantástica na opinião desse blog, a Trans Am Racing. Em uma América onde as competições automobilísticas eram dominadas por Ovais e Pistas retas de 400m, a Trans America era o Oásis ara quem gostava de fazer curvas pros dois lados e acelerar por mais de um quarto de milha.

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Dos meados dos anos 60 até o início da próxima década a Trans Am ganhou tanta popularidade que, em 1970, as três grandes (Chevrolet, Ford e Chrysler), além da American Motors, passaram a investir pesado na categoria com equipes oficiais. No fim daquela temporada a Ford se sagrou campeã e, junto com as concorrentes, deixou a categoria.

Stitched Panorama

A Kar Kraft, empresa contratada pela Ford para construir os carros de corrida de 1970, enviou para a equipe de Bud Moore, parceiro da Ford na campanha campeã,  quatro Mustangs daquele ano, todos brancos, para serem usados na temporada de 1971. Dois destes carros foram usados para corridas, o terceiro ficou semi montado de reserva e o quarto, permaneceu, literalmente em branco, até 2011.

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Conhecido com o codinome tag #4 – 1971, o último Mustang Boss feito pela Kar Kraft para a Ford, foi uma busca de três anos do atual dono que comprou o bólido, ainda em branco, só na carroceria, com as peças  originais para a montagem. Nada menos que o próprio Bud Moore deu toda a assistência para que o virginal carro de corrida (que na verdade nunca chegou a correr, de fato) fosse montado de acordo com as especificações da época.  Para garantir ainda mais a autenticidade da montagem, foi consultado também David Tom, autor do livro The Cars of Trans-Am Racing 1966-72.

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A montagem levou 18 meses e a escolha do número 15, que pertenceu ao piloto Parnelli Jones – embora  o próprio (ou qualquer outro corredor) nunca tenha – usado este carro, foi sugestão de Bud Moore. A própria Bud Moore Engeneering acabou providencuiando cabeçotes para o imaculado V8 de 460hp.

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Como outros achados desse calibre, o atual dono decidiu levar o carro a leilão nos dias 15 e 16 de janeiro, pela RM Auctions. Nessa época do ano, nos resta sonhar com a Mega da Virada pra trazer um cavalinho desse pra casa. Estima-se que este Boss valha algo entre 250 e 450 mil dólares.

Chevy 55 do filme “Corrida Sem Fim” será Leiloado

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Chevrolet 1955. Foto: Barrett Jackson.

Hoje com o status de “cult” o filme “Corrida Sem Fim” (Two-Lane Blacktop, 1971) é daquelas fitas obrigatórias se você curte o combo motores V8, Hot Rods e Muscle Cars. Embora divida opiniões quanto ao seu enredo ou ritmo não-hollywoodiano, em um quesito consegue agradar a todos: O Chevrolet 1955 Gasser em Primer Cinza, que tem um papel fundamental na trama.

Chevrolet 1955. Foto Barrett Jackson.
Chevrolet 1955. Foto Barrett Jackson.

No aniversário dos 40 anos do filme, este blog o dedicou algumas linhas. “O enredo é bem simples. Dois amigos, retratados apenas como “Motorista” (James Taylor, músico) e “Mecânico” (Dennis Wilson, baterista do Beach Boys), viajam pelo país – em um Chevy 55 preparado artesanalmente – e sua única forma de renda vem de apostas em corridas.

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Em uma dessas viagens, são desafiados por um corredor (Warren Oates) a bordo de um Pontiac GTO. Este personagem também é apenas retratado como “GTO”. O desafio consiste em uma corrida até Washington D.C., onde o perdedor, perde o carro.”

Bastidores da Filmagem. 1970-71.
Bastidores da Filmagem. 1970-71.

No total foram usados três exemplares do Chevy, dois Hero-Cars e um Stunt Car. Os dois primeiros foram usados em cenas mais calmas geralmente com os próprios atores. O terceiro foi usado em cenas de velocidade, na mãos de dublês.

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V8 454; Foto: Barret Jackson.
V8 454; Foto: Barret Jackson.

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O modelo a ser leiloado foi preparado pelo mecânico da Universal Studios Richard Ruth. Além de um motor V8 de 454 polegadas cúbicas (ou 7.4 litros), as modificações incluem suspensão de eixo rígido na traseira, tunel da transmissão adaptado para o câmbio M-22 Muncie Rock Crusher e diferencial de Oldsmobile do começo da década de 60.  Visualmente um dos carros mais Bad Ass  e subestimados de Hollywood mantém sua cor Cinza Primer, frente e vidros laterais corrediços em fibra.

Interior minimalista. Foto:  Barret Jackson.
Interior minimalista. Foto: Barret Jackson.

Após as filmagens o carro foi vendido para um membro da equipe de mecânicos e teve diferentes donos ao longo desses 43 anos. O último deles, Walt Bailey, é um fã e historiador do filme, que localizou o exemplar no Canadá em 2000.

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“Motorista” de joelhos (James Taylor, músico) e o “Mecânico” (Dennis Wilson, baterista do Beach Boys).

Com a ajuda de Richard Ruth, que certificou a autenticidade do veículo, realizou uma restauração que visou preservar ao máximo as peças originais. O modelo em questão foi usado para filmagens onboard  e ainda preserva a peça onde a câmera ficava presa, no banco do passageiro.

O Chevy será leiloado pela Barret-Jackson em janeiro de 2015.

Wing Cars em 1971?

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Até o final da década de 60, vencer corridas no automobilismo era uma estratégia importante para se vender carros. A Chrysler levou isso até as últimas consequências com a criação dos Wing Cars. Enormes, com um uma frente em cunha e um enorme aerofólio traseiro, estes carros (Charger Daytona e Road Runner Superbird) foram muito bem sucedidos na Nascar.

Já tratamos sombre eles aqui no Parachoques Cromados. O irônico é que estes carros em particular foram um fiasco de vendas, pois a sua comercialização não atendia nenhuma demanda especifica do público, e sim, a uma regra da Nascar.

A categoria máxima do automobilismo americano acabaria por bani-los ao final de 1970, por usarem recursos aerodinâmicos (depois de uma enorme pressão da Ford, que inclusive ameaçou deixar a competição). Sendo assim, a Chrysler também abandonou o programa de carros aerodinâmicos naquele ano.

Para 1971, a empresa das cinco pontas reestilizou tanto o Dodge Charger e o Plymouth Road Runner, porém, suas versões de competição nunca tiveram acessórios aerodinâmicos como na geração anterior… Pelo menos até a empresa 71 Wing Cars aparecer.

A proposta da companhia é um divertido exercício de “E se” o programa de carros aerodinâmicos tivesse continuado? Ou seja, Eles transformam Chargers e Road Runners 1971 em Wing Cars, quase como se fossem de uma realidade paralela ou futuro alternativo. Veja mais em 71WINGCARS.COM

Chevrolet El Camino SS 1968: De Filho Para Pai

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Fotos por Tom Bursian

No meio da década de 60, a Chevrolet americana (ao contrário das últimas décadas) parecia não dar uma bola fora. Pelo contrário, tudo o que a montadora fazia era na medida exata, tanto no aspecto técnico, como no mercadológico. Quando Detroit conseguiu decifrar que, o recém-formado publico jovem, também conhecido demograficamente como “baby-boomers”, queriam carros “pequenos” com motores grandes, a marca da gravata encaixou um V8 com mais de 5 litros em quase toda a sua linha de carros.

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Com a El Camino, que é uma picape (mas derivada de um carro) não foi diferente. Lançada em 1959, em resposta a Ford Ranchero, o utilitário leve teve boa aceitação do mercado, superando em vendas a sua concorrente, mas foi nove anos mais tarde que as coisas ficaram realmente interessantes. Inicialmente derivada do Impala, a El Camino passou, em 1963, a ser derivada do médio Malibu-Chevelle. Mas foi só em 1968 que – uma das picapes mais legais já feitas – recebeu os lendários emblemas SS. Naquele ano, as El Camino SS tinham a opção V8 Big Block de 396 polegadas cúbicas (6.4 Litros) com três opções de potência: 325, 250 e 375 hp.

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Três anos mais tarde e a mais de 7 mil kilômetros de distância de Detroit, nascia na Alemanha, terra onde foi inventado e onde são fabricados os melhores o automóveis, Tom Bursian. Mas foi viajando com seu pai para os Estados Unidos, aos sete anos de idade, que Tom descobriu sua paixão por carros estava na América. “Minha tia nos pegou no aeroporto com um carro clássico. Logo de cara me apaixonei pelo  carro,   um Ford, Grenada. Especialmente o banco  para três pessoas, era algo que eu nunca havia visto antes”, se recorda.

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De volta a Alemanha, muitos anos depois, a paixão de Tom pelos carros americanos permanecia a mesma, mas ainda tinha dúvidas sobre qual carro pretendia adquirir. Em março de 2010, a banda virtual Gorillaz lança o video clipe “Stylo”, no qual, Bruce Willys dirige uma El Camino 1968 e, a partir daquele momento em que viu o vídeo, Tom estava decidido que queria a picape em sua garagem para ter seu Pai, que havia ajudado a despertar sua paixão pelos carros americanos 32 anos antes, como co-piloto.

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Infelizmente, no meio tempo entre escolher um modelo em boas condições e importá-lo dos EUA para Alemanha, o maior incentivador de Bursian, seu pai, faleceu. Tom só pode concluir a compra do modelo bem depois. Por uma dessas coincidências carregadas de significados, a El Camino finalmente chegou no país europeu exatamente um ano depois da morte do Pai de Tom.

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Segundo a Motor Trend Classic, nos Estados Unidos, as El Caminos, como a de Tom (1968-72), ainda são fáceis de achar e baratas para se manter, com uma grande gama de peças novas e usadas disponíveis. Também costumam custar menos que os Chevelles coupes, dos quais, ela deriva.

Plymouth Hemi ‘Cuda Conversível 1971: O Carro de Milhões de Dólares

O Plymouth Barracuda conversível 1971 com o mítico motor Hemi é um dos carros mais raros produzido nos EUA, com apenas 11 unidades fabricadas. Ao contrário do que o menos avisado possa pensar, ele não foi uma série especial e nem foi construído artesanalmente em uma oficina. Conhecidos pela sua eficiência na produção em massa, os americanos só fabricariam algo em tão pouca quantidade se algo desse errado. Esse foi o Caso do Hemi ‘Cuda conversível 71.

Voltando no tempo 43 anos, a era Muscle Car já vislumbrava seu fim. As vendas caíam ano a ano pois o custo de se ter um carro com muito mais potência do que o necessário estava quase impraticável. As companhias de seguro haviam criado tabelas com altos preços para determinados modelos com certos motores, o Hemi estava nessa lista. No caso do ‘Cuda em particular, a Chrysler enfrentou problemas pois superestimou as vendas dos seus Poneys Cars,

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O ‘Cuda 1971 conversível base custava US$ 3.291 e, para se ter o Hemi embaixo do capô, eram necessários mais US$ 883, somando um total de US$ 4.174. Para se ter uma ideia, um luxuoso Cadillac top de linha na época custava pouco mais de U$5000.

Em 1971, foram fabricados apenas 6602 Barracudas, números baixíssimos para, naquela altura, de longe o maior mercado de automóveis do planeta, com mais de 6 milhões de unidades comercializadas naquele ano.  A Plymouth sozinha havia vendido 702 mil carros. Dos 6602 ‘Cudas, saíram da linha de montagem 6228 hardtops e 374 conversíveis. Destes, apenas 108 hardtops eram Hemi e dos conversíveis, apenas 11 foram agraciados com o elefante laranja.

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Entusiastas afirmam que os planos da Chrysler era de que os Hemis já deveriam ter saído de cena ainda em 1970. Os carros que foram equipados com o V8 de 7.0 litros mais famoso de  todos os tempos, em 1971, na verdade, receberam sobras de produção do ano anterior.

Toda essa contextualização ajuda, em partes, a entender o porquê dos ‘Cudas, hoje em dia, chegar na casa dos milhões. Em 1999, especialistas avaliam o modelo já em salgados US$ 410.000. Poucos anos depois, uma unidade foi vendida por US$1 milhão. Mas foi em 2004, em que o peixe da Chrysler atingiu sua maior cifra. O colecionador Bill Weimann vendeu um de seus ‘Cudas Hemi conversível 71 por U$ 3.000.000 e recusou uma oferta de pouco mais de US$ 4.000.000 pelo outro.

Plymouth 'Cuda 1971

Depois da crise mundial financeira, esses valores baixaram, mas só um pouco. Em janeiro desse ano, um Hemi ‘Cuda 1971, que precisou de uma extensa restauração depois de ser encontrado em uma reserva indígena em estado avançado de decomposição, foi arrematado no leilão de Barret-Jackson por US$ 1.320.000.

Os Muscle Cars da Buick

Buick GSX 1970 (Fonte: http://www.flickr.com/photos/jjjcirone/)

O termo Muscle Car invariavelmente estará sempre associado a nomes como Charger, Camaros e Mustangs. O lançamento desses modelos, mais de 40 anos atrás, mudaram pra sempre a história automobilística americana. Não por acaso esses nomes ressurgiram atualmente, tamanha a sua força em todos os sentidos.  No entanto, outros eventos interessantíssimos – e mais obscuros do grande público – aconteceram em Detroit entre 1964 e 1972. Um dos que mais gosto é a entrada da Buick para o mundo da alta performance.

O primeiro GS, 1965.

Antes, é preciso dizer que a Buick, em sua seus 99 anos da história, raramente – ou de forma muito pontual – esteve associada a performance. Nos Estados Unidos, naquela época e ainda hoje, a marca é associada a luxo e conforto, quase que o oposto do que se espera de um Muscle Car. Talvez isso tenha sido sua maldição e redenção.

1966: Público Jovem, sós queremos vocês.

Quando o GTO foi lançado em 1964, o mercado americano foi pego de surpresa, nem a própria Pontiac ou GM esperava tamanho sucesso do seu carro médio com excesso de potência no motor. As demais divisões da GM, assim como Chrysler e Ford, começariam ali um páreo para ver quem conseguia colocar mais cavalos dentro do capô de seus respectivos carros.  O frenesi foi tanto que até, a então conservadora e luxuosa Buick estava disposta a entrar na corrida mais divertida da história da indústria americana. Nascia assim, o pacote GS (Grand Sport).

Com $200 a mais, você adquiria o pacote GS que era oferecido, a princípio, para o médio Skylark, que compartilhava o A-Body da GM com o Chevelle, Tempest e Cutlass. Entre os itens de luxo que só a Buick poderia oferecer estava o V8 top de linha de 400 polegadas cúbicas (6.5L) e 375 hp. O pacote também chegou a ser oferecido para o intermediário Riviera, mas foi com os Skylarks é que ficou realmente popular. Talvez “popular” não seja o termo adequado, porque além de requintados, não eram exatamente baratos e, em 1965, as vendas do GS eram apenas 1/4 do número de GTOs comercializados.

1967.

Para 1966 o A-Body era remodelado, ganhando linhas mais harmoniosas e musculosas. Em 1967  mudanças estéticas sutis e campanhas de marketing um pouco mais ousadas. Mas a grande mudança estaria por vir na geração seguinte, que debutou em 1968, não só estéticamente como na engenharia. Além de receber uma belíssima carroceria, os Skylarks GS contavam também com os motores Stage I e II de 455 polegadas cúbicas ou escandalosos 7.4 Litros! Esses motores contavam com o carburador quádruplo rochester quadrijet.

Mas foi apenas em 1970 que a Buick entrou de cabeça e alma no jogo. A imagem do carro à aquela altura contava muitos pontos par se se construir uma reputação. Os GS, até então, embora com potência e performance respeitáveis, tinham um visual bem discreto. Muitas revistas da época o chamavam de “Sleeper” por causa de sua aparência nada condizente com o seu desempenho. Foi assim que nasceram os GS-X, o carro esporte definitivo da Buick. Naquele ano, era oferecido apenas em duas cores, Branco “Apollo White” e Amarelo “Yellow Saturn”, com faixas gigantes e tacômetro no Capô, spoiler na frente e aerofolio na traseira (ambos funcionais).

Dentro do capô, toda a brutalidade que você não esperava de um Buick. O 455 rende 360 hp e 510 lb-ft ou 690 nm de torque, o maior da história entre automóveis americanos. Maior até que o cultuado 426 Hemi com 430 hp e 472 lb/ft ou 639 nm. Outra vantagem em relação ao todo poderoso Mopar era o preço da apólice de seguros. Em 1970, para assegurar um Plymouth Barracuda Hemi, o orgulhoso comprador teria que desembolsar para a seguradora astronômicos US$ 12.ooo, já um Buick GS, apenas US$ 200. A fama de “carro de tiozão”, dessa vez foi mais que benéfica para os pessoal de Flint, em Michigan.

GS 1970.
1970.

Se por um lado o dono economizava no seguro, não poderia reinvestir no desempenho do seu “B(Q)uick”, pois era impossível melhorar a performance, já que não haviam peças de preparação para os seus motores. As modificações ficavam restritas a alguma coisa de comando e cabeçote.

1971.

A perseguição e alta taxação das seguradoras, juntamente com a escalada do preço do petróleo foram o tiro de misericórdia nos carros supra potentes da daquela época e um a um eles foram sendo descontinuados, a maioria de forma digna, como o caso dos GS em 1972.

Dodge Challenger R/T 1971 “Mr. Norm”

Fotos: Darin Schnabel.

Mr. Norm está para a Chrysler assim como Shelby está pra Ford ou Yenko para Chevrolet. Possuia uma concessionária em Chicago chamada Grand Spaulding Dodge, que ficou conhecida por todo os Estados Unidos graças as modificações que promovia nos já bem apimentados . O exemplo acima é mais uma das obras de Mr. Norm. Em 1971 o cerco já estava bem fechado para os carros de alta cilindrada cúbica e, aquele ano, marca o fim dos Hemi. Por essas razões, os modelos 1971 da Chrysler, que são equipados com o elefante laranja, são muito bem valorizados hoje em dia, chegando a marca dos quatro dígitos.