Página da revista "Panorama", de circulação interna da GMB.
Não poderia passar em branco. Na última sexta-feira, dia 23 de outubro, completaram-se 43 anos do anúncio do Projeto 676, o embrião do que viria a ser o Opala.
A cerimônia aconteceu no Clube Atlético Paulistano em 1966 e marcava o início do primeiro Chevrolet fabricado inteiramente no Brasil.
O lançamento oficial do Opala aconteceria três anos mais tarde, no VI Salão do Automóvel de São Paulo em 23 de novembro de 1968.
Já pensou se você fosse um jovem americano nos anos 60, lá pelos seus 20 e poucos anos, que tivesse acabado de entrar na faculdade e, por tal conquista, ganharia com um automóvel. Qual você escolheria? Um Mustang ou um Camaro? Essa era “a” dúvida há exatos 43 anos – setembro de 1966 – quando os primeiros Camaros chegavam às concessionárias Chevrolet dos Estados Unidos, já como modelos do ano seguinte. Esse dilema entre os consumidores e disputa entre Ford e GM perduraria por quatro décadas. A FULLPOWER conta, na edição desse mês (nº89), um pouco sobre todas gerações do Camaro, uma resposta que virou um ponto de exclamação.
Quais são os carros que tem potencial para ser um futuro clássico? O que será colecionável daqui a 30 anos? O apresentador e colecionador de carros Jay Leno tem algumas opiniões muito interessantes sobre o que poderá vir a ser um modelo coleionável quando você ficar velho, rico e saudosista. Em sua coluna para o site Popular Mechanics, Jay analisa diversos aspectos que envolvem a transformação de um modelo em um carro colecionável. Isso pode variar desde aspectos técnicos, culturais e até sociais. Essa é a primeira parte. Em breve publicarei a segunda.
Carros, o melhores investimento
O apresentador – muito bem abonado por sinal – lembra que já investiu na bolsa e nunca se deu muito bem. “Eu não conheço muito elas (as ações). Na verdade eu não entendo nada. Já perdi dinheiro na bolsa de valores… Mas nunca perdi dinheiro com carros”, conta. A primeira lição de Jay é: “Sempre compre um carro que você realmente goste. Porque mesmo que um dia ele perca muito valor, você ainda irá gostar dele. Além do mais, todo carro perde valor e, eventualmente, com o tempo pode se tornar valioso novamente”.
O exemplo pessoal do apresentador é bem interessante. Dez anos atrás Jay teve a chance de comprar um Mclaren F1. O modelo zero kilômetro custava quase US$ 1 milhão. Jay teve a oportunidade de comprar um modelo usado que estava sendo vendido por U$800 mil. Ainda assim, achava que era muito dinheiro para se gastar em um carro. Jay fez o que todo homem casado faz nessas situações e consultou a esposa. “Você trabalhou duro. Se você quer, compre”, disse sua companheira. Jay então o comprou.
McLaren F1 1994: Pechincha de 800 mil dólares.
Recentente Leno percebeu que havia feito o maior investimento de sua vida. Ano passado, um Mclaren F1 foi vendida em um leilão por US$ milhões de dólares. Em menos de 10 anos ele quintiplicou seu dinheiro e o melhor de tudo, com um carro que ele realmente gosta, (Quem não gostaria de ter uma Mclaren F1 na garagem, Jay!??). Mas ele lembra que é há bastante carros modernos, com preços acessíveis e que são divertidos de se ter.
Frequentemente Jay é perguntado sobre qual modelo deve ser comprado como investimento. A resposta é simples. “Eu acho ridícula a idéia de comprar um carro só pra deixar armazenado. O combustível eventualmente estragará, todas as pertes móveis terão que ser lubrificadas e você ainda terá que fazer um seguro. Carros devem ser dirigidos. Se deixar um carro parado, terá que esvaziar todo o sistema de combustível, trocar o que for eletrônico entre outras coisas”, explica. Ou seja, para Jay Leno, comprar um carro e guardá-lo por anos não te dá nada e é uma péssima idéia. Segundo o apresentador você não estará comprando algo que gosta, estará apenas tentando ganhar dinheiro.
Isso aconteceu com o Dodge Viper, conta Jay. Segundo ele, muitas pessoas compraram os primeiros modelos, em 1992, pensando no carro como um investimento. Seus 400 cavalos era uma potância inimaginável para os padrões da época e as pessoas acharam que não fariam carros mais potentes do que aquele. O resultado é que muitos o adiquiriram e deixaram o Víbora quase que intocável em suas garagens. Hoje em dia frequentemente Leno recebe ligações do tipo: “Tenho um Viper 92 com apenas 1.200 kilômetros rodados…”. A resposta é simples para Leno. “Não estou interessado”. Mesmo porque Jay já é um feliz proprietário de um Viper 1993 preto. A diferença é que Jay comprou porque gosta do carro.
Não, Obrigado. Já tenho um.
Futuros colecionáveis
Jay Leno acredita que existem modelos com o potencial de se tornarem colecionáveis, mas que hoje em dia são apenas carros comuns. Um exemplo citado por ele é a primeira geração do Toyota Prius. O modelo era muito moderno na época, mas hoje em dia é apenas bonitinho. Mesmo sendo lento e com uma autonomia duvidosa, o Prius foi único. O primeiro carro híbrido produzido em massa o que, para o apresentador, é simples e honesto. Quem manter o carrinho japonês original ouvirá daqui uns 15 anos as pessoas dizerem: “Eu tive um desses!”. E todos vão querer reavivar as memórias de ver o pequeno painel mudando do modo carregador para o modo consumo. Jay acredita que detalhes como esse irá inundar as pessoas com nostalgia.
Toyota Prius: O bonitinho que deixará de ser ordinário.
Jay volta no tempo e cita um exemplo de comportamento similar. “O mesmo aconteceu com as pessoas que, nos anos 60, tinham modelos da Chrysler com a transmissão ‘Push Buttons’. Eles costumam dizer ‘Aprendi a dirigir em um desses! Você aperta o botão ‘D’ para dirigir e ‘R’ para ré!’. Eles se lembram daquela sensação de liberdade e do progresso americano apenas por apertar botões para dirigir”, conta. Então, carros com opcionais inusitados ou que já não existem mais, podem ser colecionáveis.
Painel do Chrysler Imperial 1960 com a transmissão "Push Button".
Certa vez, em visita a Inglaterra, um dos parentes de Jay Leno disse: “Você gosta de motos, deveria conversar com o vigário, ele tem uma”. Jay foi conhecê-lo então e o vigário tinha uma Honda 160 1966. Jay prguntou a quanto tempo ele tinha aquela moto. O vigário olhou, meio que o desafiando, e disse. “Eu comprei zero”. O vigário tinha aquela moto por mais de 40 anos. Para ele aquilo não era um item de coleção. Muito de nós diria “Eu tinha uma dessas e meu pai jogou fora” ou “Nós doamos para o vizinho” ou “Usei até jogar fora”. A diferença é que em alguns países os veículos não são vistos como aplicações, são tratados com respeito. Isso é um diferencial. Jay explica: “Nós queremos readiquirir o que costumavamos ter. Nos livramos e depois pagamos 10, até 15, vezes mais do valor original para ter de volta, geralmente pra recapturar algo perdido em nossa juventude”.
O vigário tinha uma dessas desde 0km.
Jay acredita que, por essas razões, o Mazda Miata tem um valor acessível hoje em dia e será um colecionável em 2025. As primerias gerações do Miada são extremanete simples e é parte do seu charme. Jay conta que anos atrás, quando restaurava Mustangs os achava complicados em relação ao Ford Molelo A. Então, um miata sem controle de tração ou estabilidade – nada – será certamente um colecionável.
Miata, o espartano colecionável.
Outro exemplo para o apresentador é a primeira geração do Taurus. Aquele visual aerodinâmico para um sedã será colecionável também. Jay acha que o modelo foi o triunfo do design no meio dos anos 80. Quase qualquer carro construído antes das leis de segurança do governo americano poderá ser um colecionável. No futuro, carros sem essas exigências parecerá exótico par as pessoas.
Taurus, mais um hit da Ford que, segundo Jay Leno, será colecionável.
O primeiro Hot Wheels veio ao mundo na cor azul e com o nome de Custom Camaro.
Responda rápido, com toda essa crise, você conhece alguma empresa americana que tenha vendido alguns bilhões de carros em 40 anos? Ela não está exatamente no setor automobilístico, mas a Mattel conseguiu essa proeza com os seus famosos Hot Wheels.
O logo, concebido por Rick Irons em 1967, continua praticamente o mesmo.
Tudo começou em 1966 quando o co-fundador da Mattel, Elliot Hunter, decidiu enfrentar a empresa britânica Lensey Products que, naquela época, reinava absoluta no mercado de miniaturas em metal com os Matchbox (ironicamente, anos mais tarde, a Matchbox foi comprada pela Mattel). Handler não perdeu tempo e contratou Harry Bentley Bradley, que deixou o departamento de design da General Motors, para desenhar os primeiros carrinhos.
No verão de 1968 os Hot Wheels chegavam as prateleiras norte-americanas em cores chamativas e em uma embalagem em bolha, na qual o comprador podia ver 5/6 do modelo. Bradley, que desenhou 11 dos modelos iniciais, antes do lançamento, abandonou o projeto pois tinha reservas quanto as possibilidades de sucesso. Em seu lugar chegou Ira Gliford, outro gênio refugiado de Detroit, que finalizou o trabalho.
Em 68 também podia-se comprá-los todos de uma vez.
A primeira linha contava com 16 modelos, são eles, Custom Bandit, Custom Barracuda, Custom Camaro (o primeiro Hot Wheels fabricado, na cor azul), Custom Corvette, Custom Cougar, Custom Eldorado, Custom Firebird, Custom Fleetside, Custom Mustang, Custom T-Bird, Custom Volkswagen, Deora, Ford J Car, Hot Heap, Pyton e Silhouette.
A campanha na época foi tão bem elaborada que o Corvette em miniatura estava nas prateleiras antes que o verdadeiro chegasse às concessionárias, revelando ao público em primeira mão as novas linhas do modelo.
Essa primeira leva de Hot Wheels são referidos pelos colecionadores como os “Sweet 16″.
As 16 pedrinhas fundamentais.
E por falar neles, os colecionadores, a Mattel estima que, apenas nos Estados Unidos, mais de 9 milhões de crianças entre 3 e 10 anos são ávidos colecionadores possuindo uma média de 24 carros cada. Mas não se engane, a empresa calcula também que mais de 41 milhões de garotos cresceram brincando com os Hot Wheels de 1968 até hoje o que faz do público adulto uma importante fatia. Para se ter uma idéia, um colecionador médio tem, em média, 41 carrinhos.
Eu costumava colecionar miniaturas em escala 1/18 (ou seja, 18 vezes menor que o carro de produção). A primeira foi um Mustang conversível 1964 1/2, adquirida em 1994 em tempos de real dolarizado, custou apenas R$ 30. Hoje em dia, essas mesmas miniaturas, passam fácil dos R$ 200 tornando a continuidade da coleção quase inviável. Outro fator “proibitivo” – além dos preços pornográficos que algumas chegam a custar – é o espaço que ocupam.
O primeiro a gente não esquece. O meu era preto.
Recentemente fui lembrado o quanto sou infantil, graças à minha namorada. Não, não tivemos uma briga homérica, ela simplesmente me presenteou com um Hot Wheels, mais precisamente um Mustang (sempre ele) 2008. Comecei assim a minha humilde coleção. São 12 miniaturas desde então e, assim como as que tenho em escala 1/18, são em sua maioria modelos americanos dos anos 60. Os dois últimos comprei hoje, um Chevy “Bubble Top” 1962 e um Datsun 510 cujo o ano não é informado, mas é da geração que vai de 1968 a 1973.
Datsun 510, o intruso japonês.
Com um preço atrativo – míseros R$ 5,90 – é preciso se controlar para não exagerar. O espaço para guarda-las também não é problema, pois são feitos numa escala muito menor, aproximadamente 1/64.
Algumas Curiosidades:
• De 1968 até hoje foram vendidos mais modelos Hot Wheels que Ford, General Motors e Chrysler conseguiram vender em mais de 100 anos de história;
• Um Hot Whees é vendido no planeta a cada dois segundos;
• Se colocados um atrás do outro, frente com traseira, todos os Hot Wheels produzidos seriam capaz de dar mais de duas voltas em torno da Terra;
• Os primeiros Hot Wheels eram vendidos, em 1968, por U$ 59c;
Assim como a potência, o preço está na casa dos 3 dígitos.
Quanto você acha que vale um Mustang Shelby GT350 1966? O clássico pônei da Ford, imortalizado com a roupagem esportiva do lendário Carroll Shelby, está á venda no Auto Trader Classics pela bagatela de U$ 215.000,00. Na cotação do dólar de hoje, a 2.45, equivale ao singelo preço de R$ 481.600,00.
Mustang 1965: Seu por U$ 49.500.
Relativamente “barato” se compararmos com os Mustangs, da mesma era, mas sem a alcunha Shelby, vendidos por aqui. No site da California Motors, por exemplo, você encontra um Mustang 1965 “comum” por U$ 180.000,00.
Ainda no site Auto Trader, um Mustang 1965 (semelhante ao modelo à venda na Califórnia Motors) está a venda por U$ 49,500 ou R$ 118.000,00. Alguém aí sabe qual é o segredo?
O engraçado disso tudo é que a cotação do dólar é só 15 centavos acima do preço da passagem do ônibus em São Paulo (R$ 2,30). Logo, o preço do Mustang à venda aqui em Sampa equivale, mais ou menos, a umas 73 mil viagens de ônibus. Provavelmente o número de vezes que já andei de coletivo.
Boa companhia: À direita do Coronet, um Challenger. Também 426 Hemi.
Jay leno é um comediante e apresentador norteamericano do programa de entrevista “The Tonight Show”. Mas além de suas atividades no showbizz na terra do Tio Sam, Leno é conhecido também pela sua coleção de veículos, que vão de motores de barcos do século XIX, caminhões, motos e, é claro, carros.
O apresentador é um verdadeiro apaixonado por carros. Em algum ponto no sul da Califórnia, funciona a sua oficina ou a “Jay Leno’s Garage“ onde ele guarda, restaura e fabrica peças para as suas máquinas. Ao longo dos dias vou postar alguns carros interessantes bem como reproduzir parcialmente as histórias dos carros de Leno, como este Dodge Coronet Hemi 500 1966.
Não para. Não faz curvas. Mas ruge alto.
O apresentador tinha 17 anos quando o Coronet foi reestilizado em 1966. Com a opção do motor Hemi, passou a ser o carro a ser batido nas corridas de rua. Foi o primeiro carro com transmissão automática a vencer a opção manual no quarto de milha. A força do motor é tamanha que faz o carro cantar pneu em segunda marcha. O carro faz parte de uma era em que os opcionais eram bem simples: Sedan ou Station Wagon? Quantos cromados? Qual o tamanho do Motor?
Para mostrar elegantemente a que veio.
A versão top era o 500, com console central e bancos separados. A esposa de Jay leno gosta de lembrá-lo que o carro parece mais um taxi ou uma viatura de polícia. De fato, o Coronet daquele ano tinha um visual bem sóbrio, ao contrário do que estaria por vir com a efervecência da era dos Muscle Cars. O que intimidava os competidores potenciais não eram cores chamativas, scoops, ou faixas no capô, mas sim um pequeno emblema cromado nos paralamas lateriais com a inscrição “426 Hemi”.
Não diferente de seus contemporâneos, o modelo-médio (para os padrões americanos da época) com um motor do tamanho de um rinoceronte e um torque de envergar longarinas era difícil de ser guiado por pessoas comuns. Existia a dificuldade em parar, fazer curvas e, não raramente, com um pé mais pesado numa saída de uma curva resultava em uma visão muito rápida da paisagem em 360º.
Da sessão "Muscle Movie Stars" Fuga Alucinada, de 1974, o protagonista é um Dodge Charger Amarelo 1970. Mas a "atuação" do Impala 1966 sedan é inesquecível.
Nas primeiras imagens já da pra ver o Impala "barbarizando". Filme recomendadíssimo.
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