Chevrolet Opala Especial 1973: A Obra Prima de Neimar Duarte
Olhando a distância, parece “mais um” carro antigo, mas observando aos detalhes, os mais aficionados notarão que o dono desse Chevrolet Opala Especial 1973, além de bom gosto, é um grande entusiasta dos Muscle Cars. Foi o que me motivou a procurar o dono e descobrir qual era o conceito por trás do seu carro, além da influência óbvia do “Detroit Iron”. A seguir, o depoimento de Neimar Duarte, artista gráfico de mão cheia, construtor nas horas vagas e dono desse belo exemplar.
Paixão por Carros
Eu gosto de carros desde criança. Antes eram bem variados os tipos de carros que eu gostava, depois é que eu fui descobrindo as verdadeiras paixões. Como eu sempre desenhei, logicamente eu desenhava muitos carros e acabava sempre escolhendo algum carro antigo estiloso pra desenhar, mesmo que eu nem soubesse o que era. Ou até mesmo desenhava carros inexistentes, mas eles sempre pareciam com hot rods, muscle car. Era inconsciente ainda, fui descobrir os muscle cars por volta de 1998, quando fiz a minha mãe comprar uma revista na promoção 4 em 1 que tinha, em cada uma, um encarte de carros antigos, dentre eles um Mustang GT Fastback 1968 vermelho e um Pontiac GTO The Judge 1969. Foi aí que eu li e descobri o que eles eram e logo fiquei louco! Lembro que desenhei o Mustang várias vezes.
Só depois de cinco anos é que eu fui ter acesso a internet – dial up, super limitada – e pude pesquisar muito sobre Muscle Cars e Hot Rods. Foi por aí que eu acabei conhecendo a aerografia, através dos carros. Veja bem, se não fossem os carros talvez eu não teria seguido esse caminho.
Nesta época eu e meu amigo Guilherme que tem a historia bem parecida com a minha, já ficávamos caçando por Muscle Cars nas oficinas que descobríamos que mexia com isso. Desse modo, comecei a ver ao vivo alguns dos carros que só via em revistas. Tirava milhões de fotos, ainda de filme fotográfico. A gente ia a pé, de bike ou de ônibus, pois carteira de motorista ainda não tínhamos! Em torno de 2003, já frequentava praticamente todos os encontros que aconteciam na cidade. Em seguida conheci o meu amigo “Japão” – um dos restauradores mais antigos da cidade – que ajudou a me introduzir no meio dos carros e depois a construir o meu.
No inicio os carros eram inatingíveis pra mim. Alguns modelos americanos imaginava que nunca veria de perto. Hoje eu já pude ter o prazer de trabalhar em alguns deles, andar e até dirigi-los. Sonhava em ter um, mas não sabia que teria tão cedo.
Sempre admirei os Opalas, eram sempre mencionados pelas pessoas como um carro potente, bravo e tal. Achei o design dos coupês incrível! Queria um desses e sabia exatamente o modelo, mas sabia que não teria condições de comprar um coupê 6 cilindros da primeira geração, pois os poucos que vi a venda eram muito caros.
Chevrolet Opala “Especial” 1973.
Em 2008, tive a oportunidade de conseguir o motor e caixa, com meu amigo Japão, em troca de alguns poucos trabalhos. Lá estava eu com um motor na garagem, sem um carro. O pessoal achava muito engraçado isso. Iria comprar um Opala pra por aquele motor. Mas também não tinha dinheiro ainda, sabia que precisava de um Opala de 72 a 79 coupê, de preferência 72, pois eu gostava dos “rabo de peixe” com luz de ré em baixo.
Tinha que estar em condições de uso pois eu ia precisar usa-lo até ter condições de trocar o motor, e não poderia bancar restauração ainda. Em 2009, meu amigo Eduardo TomBack comentou sobre um Opala à venda, mas era 4 cilindros, 1973 Especial. E eu já disse, “putz, mas é assim mesmo que eu preciso!” O 73′, por ser “Especial”, teria a luz de ré embaixo do jeito que eu queria! Nem queria ir olhar, pois não tinha dinheiro, mas Japão e Eduardo insistiram, então fui lá e fiquei doido! Eduardo ofereceu financiar pra mim, fiquei com medo, mas aceitei, pois tava doido pra ficar com o carro.
No outro dia busquei o Opala. Não tinha nem lugar pra guarda-lo, então pedi ao Guilherme pra guardar na casa dele por uns tempos. Convenci meu pai a trocar o nosso amado Ford Del Rey Ouro 1982, que tivemos por 15 anos, por um carro menor e modificar toda a garagem pra poder guardar o Opala em casa.
Usei o Opala com o velho e cansado 4 cilindros 153 cid por um bom tempo, mas o motor estava nas últimas, gastava tanto óleo quanto combustível. Periodicamente falhava e eu tinha que parar na rua pra secar as velas! Enquanto isso, fui fazendo o 6 cilindros, com caixa de marchas, agregado e tudo novo. O próprio Opala ia levando e buscando suas futuras peças aos lugares necessários.
A Transformação
Em 26/12/2011 estava com tudo pronto pra fazer a troca, então nesse dia eu manobrei Opala pela última vez com o 4 cilindros na garagem pra ser desmontado. Do painel pra frente desmontei 100% do carro. Pro meu desgosto, a lataria estava bem pior do que pensei e já achava que estava ruim!
Um amigo me emprestou uma maquina de solda TIG pra eu fazer os reparos na lataria do cofre do motor. Tirei umas férias forçadas depois do Natal e ano novo pra fazer o serviço todo, pois precisava do carro pronto pra uso. Lembrando que só tenho ele.
Meu irmão Aloísio me ajudou com as soldas enquanto estava de férias. Depois tive que aprender a soldar pra terminar. Tive que substituir 60% do painel corta fogo pois estava todo podre e remendado, mas não usei chapas prontas ou pedaços de outros carros. Todas as estampas foram feitas a mão, no martelo e solda. Algumas das partes foram personalizadas, mas sempre seguindo a estética que seria de fábrica.
A parte frontal deu um bom trabalho. Tinha que receber o radiador mais moderno do Opala 6 cilindros, que é bem grande e com ventoinha elétrica. Criei todas as peças recortes e estampas como imaginei que a fabrica criaria. Em todas as partes, segui esta ideia. As criações tem que parecer de fábrica, aos olhos de um leigo ou desatento. E acabou dando certo. As pessoas olham, às vezes sabem que esta diferente, mas não sabem o que eu fiz. Fiz todo o serviço de modificações, funilaria e pintura no cofre. Montei o novo coração 250 e pronto, nem acreditei quando ligamos o carro!
Os Detalhes
Esteticamente, a minha ideia é realçar a tendência Muscle Car do Opala, ao estilo mais tradicional. Fiz as rodas personalizadas, com o visual das originais, porém agora com aro 15” com 8” de largura atrás e 7” na dianteira. Rodas calçadas com meus sonhados pneus com letras brancas, que eu nem sonhava que seriam os lendários BFG Radial T/A. Os retrovisores são do Chevrolet Camaro 1967, faixas do SS no capô e o friso entre as lanternas traseiras é do modelo 1969/70. O Volante é o Grant Classic, outro grande sonho.
O Opala é orgulhosamente equipado com um trambulador Hurst Shifter, que sobrou de um dos Chevrolet Camaros 1971 que o Japão restaurou. Ainda instalei com juntas esféricas pra ficar ainda mais preciso. Tem direção hidráulica com setor de Opala e bomba do mesmo Camaro que doou o câmbio, que é mais compacta, mas tive que fabricar todos os suportes do alternador e bomba, e ainda usar uma configuração diferente de correias.
O carburador é um Rochester Bijet que, curiosamente, é o mesmo que equipava o motor 250 americano quando saia de fábrica. Outra peça bacana é o coletor de escape longo 6×2 feito pelo Otavio Soffiatto que, junto com o seu pai, fizeram a maioria dos coletores da Stock Car. A estabilidade eu fiz questão de melhorar pois o carro tem que ser bom, e não só bonito! Além do conjunto de suspensão dianteira ser o mais moderno dos Opalas, usei barra estabilizadora de 25mm e estabilizador na barra de direção.
Firmando a frente a traseira ficaria “boba”, então depois de MUITA procura, consegui a barra estabilizadora inferior, que é raríssima. Muitos ainda dizem que ela não existe. A versão mais convincente da historia desta peça que encontrei foi que, saiu em alguns carros de 1976, para homologação da Stock Car. Tem também os batentes de espuma nos amortecedores que são simples, mas formam um efeito gradativo de endurecimento do amortecedor. Ajuda muito! O carro ficou incrível pra dirigir, muito estável e todos os comandos macios! Recentemente troquei o filtro de ar, que era o único item pendente no motor. Coloquei um parecido com o original, tem agora um Ram Air que suga o ar fresco por traz do farol esquerdo.
Futuramente vou ter que restaurar este carro de verdade, mas por enquanto ele é assim! Em curto prazo pretendo instalar um conta-giros, pintar uma faixa lateral que criei, perigosamente, mas vou fazer. Instalar o radio original, nada de sonzão, pois ele já está debaixo do capô. Aos poucos eu vou restaurando algumas peças.
“Especial”
Percebo que, normalmente, quando as pessoas tem um objeto por algum tempo, tendem a desgostar daquilo e desejar outro, principalmente com carros. Mas a cada dia eu gosto mais desse Opala e fico mais impressionado como ele é carismático. Todos os tipos de pessoas gostam dele, eu não achava que fossem tantas! Elas dão os parabéns, param e pedem pra olhar, o tempo todo, acenam na rua… Mesmo ainda estando meio velho!
Gosto dos Muscle Cars pelo que eles são hoje e não somente pelo que foram antes. É legal ver eles em meio aos carros novos, com toda a imponência do visual e som do motor. Alguns acham que a historia deles já foi contada, mas na verdade a historia deles ainda esta longe de acabar.
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Pontiac GTO 1969 The Judge: Sex Drive






Ainda acho que o GTO merece um filme melhor, embora a fotografia dessa comédia adolescente, Sex Drive, não é das piores, pelo menos nos momentos em que o Pontiac foi retratado.
Pontiac GTO 1965 Pro-Touring
Esse é um daqueles casos onde um acontecimento leva a outro e, no fim das contas, o resultado é totalmente diferente. Em uma noite qualquer, Josiah Coy estava à procura de um Chevrolet Chevelle 1965 no Craiglist (espécie de Mercado Livre americano). O carro seria o ponto de partida para promover sua oficina, que Coy estava prestes à inaugurar. Durante a pesquisa, o empresário se deparou com um belo Pontiac GTO do mesmo ano. A paixão foi tão arrebatadora que na manhã seguinte Josiah fechou negócio. A história toda está no site da Hot Rod Magazine.
A princípio, a ideia era substituir o motor V8 de 455 pol.³ (7.4 Litros) por outro idêntico, novinho em folha. Mas antes, Josiah resolveu pintar o cofre do motor e ajustar alguns detalhes do interior. Ao remover os bancos, percebeu que havia massa no painel do assoalho do banco de motorista. A partir daí, Josiah percebeu que precisaria fazer uma restauração de funilaria completa. Josiah decidiu também deixar o Pai dos Muscle Cars com um visual e desempenho nos moldes do Pro-Touring, mas sem desfigurar o clássico. O resultado ficou muito além do satisfatório, pra quem queria apenas um “pacato” Chevelle 1965.
Miniaturas Ertl: American Muscle
Talvez esse blog não existiria se não fosse a Ertl Company, empresa especializada em miniaturas de veículos agrícolas. Explico, no começo da década de 90, mais precisamente em 1994, esse que vos escreve, então com 12 anos, passava na Rua Augusta em frente a uma tabacaria no extinto Promocenter. Lá, vi um Ford Mustang 1964 1/2 em escala 1:18 que, mais tarde, seria meu presente de aniversário. O modelo era fabricado pela Mira, mas foi o ponto de partida para o início de minha coleção e, consequentemente, paixão pelos carros americanos, especialmente os Muscle Cars.
Pouco tempo depois começaram a aparecer os verdadeiros Muscle Cars, fabricados pela Ertl Company. Lembro que o meu irmão mais velho apareceu em casa com um Chevrolet Chevelle SS 454 1970. Não demorou muito, um Plymouth Road Runner 1969 se juntava a coleção. O meu primeiro exemplar do “Aço de Detroit” foi um Buick GSX 1970. Também fazem parte da coleção, um Shelby Cobra 1965, Chevrolet Corvette Stingray 1965, Pontiac GTO The Judge 1969, Chevrolet El Camino 1970, Chevrolet Impala SS 1964, Dodge Challenger 1970, Chevrolet Monte Carlo 1970, Ford Torino GT 1971, Pontiac Trans Am Firebird 1973, Plymouth Duster 1973, Oldsmobile 442 1970, Chevrolet Chevelle 1867 e um Chevrolet Bel Air 1955 (Ufa, acho que me lembrei de todos dessa fabricante. A maioria está guardada). Me recordo de ficar fascinado com o “novo” mundo automobilístico que se revelava para nós naqueles tempos. Veja bem, hoje qualquer garoto de 12 anos acessa a Internet e, ao alcance de alguns cliques, consegue toda a história e põe um Charger como papel de parede em seu LapTop. Mas há 17 anos, nossas fontes era um dicionário português-inglês e as informações que estavam verso da caixa desses “carrinhos”.
Mas e as revistas? Naqueles tempos, a Quatro Rodas só falava de carros de mercado. Eu e, principalmente meu irmão mais velho costumávamos ler as publicações que, muito raramente, dedicavam algumas linhas para os V8 americanos. Houve uma edição, da extinta, mas muito boa, “Oficina Mecânica” que falava sobre um Dodge Challenger 1974 e um Coronet Super Bee 1970. Este último, se bem me recordo, adquirido pelo proprietário a preço de banana em um leilão da Receita Federal no fim dos anos 80. Uma publicação, mais tarde naquela década, que começou a dar destaque aos Muscle Cars e carros antigos em geral, chegando a criar uma publicação à parte, foi a excelente Auto & Técnica.
Mas voltando as miniaturas, com o passar dos anos, os espaços em casa bem como no bolso foram diminuindo em proporção inversa à escalada do dólar. Isso foi preponderante para que eu encerrasse por tempo indeterminado a minha coleção. No começo, com o Real recém lançado e mais forte que o poderoso dólar, as réplicas custavam entre R$ 50 e R$ 100, dependendo do modelo e fabricante. Hoje em dia, ultrapassam fácil os R$ 250. Muita grana pra quem tem um Chevrolet Opala 1977 em escala “1:1″. Os HotWheels ajudam a combater a “crise de abstinência”, mas ainda babo quando frequento sites como o Die Cast Muscle Cars. Vocês colecionam alguma coisa?
Propagandas da Chevrolet em 1969
Como você deve saber, a Chevrolet comemora 100 anos em 2011. Aparentemente, a empresa está se reestruturando depois da ameaça de falência que assombrou a mais tradicional montadora americana. Mas em 1969, a realidade era bem diferente. Se alguém projetasse que a GM poderia vir a falência, venderia suas subsidiárias no exterior e desativaria suas divisões, seria taxado de, no mínimo, maluco.
Não por acaso, naquele ano, a Chevrolet comercializou 2.092.947 de unidades. Somando todas as suas divisões (Buick, Pontiac, Oldsmobile e Cadillac), o grupo GM produziu, precisamente, 4.486.928 veículos. Todo o esplendor da marca e, de a indústria americana como um todo, está presente em suas peças publicitárias da época. Nas imagens deste post os Chevrolet Nova, Chevelle, Camaro e Corvette são alguns exemplos de como era bem mais fácil a vida dos publicitários com produtos tão fascinantes como estes.
American Road Warriors – Classic Muscle Cars
Uma das mais respeitadas revistas norte americanas sobre carros – a Car And Driver – compilou os testes de época e decidiu re-publicar, em forma de livro, os principais Muscle Cars que passaram por suas páginas. Além de fotos, antigas e modernas, há ainda as propagandas originais e análise atual do que foi o fenômeno. O resultado foi o ótimo Car and Driver’s American Road Warriors – Classic Muscle Cars.
O ponto alto do livro é o comparativo feito entre um Pontiac Catalina 2 + 2 1965 e uma Ferrari 330 GT 2 + 2 também 1965. O teste era a segunda parte do duelo promovido pela revista que, um ano antes, havia feito o comparativo entre a Ferrari GTO e o Pontiac de mesmo sobrenome.
O que mais me chamou a atenção foram os assombrosos números do Catalina. Equipado com o V8 de 421 Polegadas Cúbicas (6.8 Litros) o enorme Pontiac com seus 5.4 metros e 1.9T foi capaz de acelerar da imobilidade aos 100 km/h em incríveis 3.9 segundos em sua melhor passagem! A Ferrari, com seus 4.8m, 1.5T e motor V12 4.0 em alumínio ficou nos 4.7s. Nos 400m, quintal dos Muscle Cars, a surra continua com 13.8 segundos do Catalina ante 14.6 da Ferrari.
Aí você pode pensar, como eu mesmo me indaguei. “Ah, em linha reta todos sabem que os Muscle Cars são rápidos, mas em um circuito são presas fáceis”. De fato, esses carros não são conhecidos por contornar curvas em alta velocidade, nem foram construídos para esse propósito. Mas ao que parece, esse Pontiac estava possuído! Reproduzo a seguir um trecho do livro. “…novos testes com tempos começaram. Walt (o piloto de testes)saiu com o Pontiac para um série de quatro voltas (O teste aconteceu no circuito de Bridgehampton) - a mais rápida fora respeitáveis 2:01.33. Ele então, pegou a Ferrari para a mesma série de quatro voltas – desta vez, com um melhor tempo de 2:00.85. A Ferrari foi menos de meio segundo mais rápida que o Pontiac!”
Vale lembrar que a Ferrari estava equipada com pneus Radiais enquanto o Pontiac com os antiquados pneus Diagonais com pomposas faixas brancas. Será que a diferença seria essa se o Pontiac estivesse calçado com tênis de corrida ao invés de mocassins? Creio que não. O preço dos dois carros resume bem o que foi a era dos Muscle Cars. A Ferrari custava, em 1965, astrônomicos 14 mil dólares, 10 mil a mais que o Catalina. Para se ter uma ideia, nessa época, um Cadillac de luxo custava em torno de 5 mil! Ou seja, no começo da era Muscle Car era possível ter performance de Ferrari a 1/3 do preço.

Um Polyglass da Goodyear ou um Wide Oval da Firestone poderiam ter feito diferença, mas ainda não eram itens opcionais nessa época.
Enfim, essa é apenas uma passagem de 8 páginas num livro de 140, vale cada centavo investido se você é fã. Outra grata surpresa é a capa móvel que, em sua parte de trás, se transforma num belo poster de um Pontiac GTO 1969 “The Judge”, que aqui em casa dará origem a um belo quadro.
Vende-Se: Pontiac GTO “Royal Bobcat” 1965
Em novembro do ano passado, coloquei aqui um Pontiac GTO 1969 que foi vendido e pertencia a Jim Wangers, homem responsável pelo marketing da Pontiac nos anos 60. Abaixo vai uma breve biografia de quem foi Wangers, traduzida do GeeTOTiger.com, site que mostra todos seus carros que estão a venda:
Jim Wangers entende a importância do marketing criativo, talvez, assim como qualquer um na indústria automobilística de hoje. O lendário “homem propaganda” da Pontiac e publicitário responsável pelo Pontiac GTO e vários outros modelos da subsidiária, Wangers ajudou a estabelecer os “Muscle Cars” dos anos sessenta ao seu nicho na história no marketing dos carros americanos. Não, ele não inventou o GTO. O crédito vai para John DeLorean, Russ Collins Gee e Bill, mas Wangers foi certamente o homem que criou a mística que envolve o Muscle Car original da América. Agora que muitas das pessoas que eram adolescentes quando o primeiro GTO saiu em 1964 são mais velhos e ricos o suficiente para pagar um modelo quase perfeito e versões restauradas de sua máquina dos sonhos, Wangers é mais conhecido e requisitado do que nunca.
Como deu pra notar, um GTO que pertence a Wangers, tem um valor alto histórico. No caso desse GTO 1965, adicione a equação, o fato de ser um “Royal Bobcat”, pacote de preparação especial, que foi oferecido somente em uma concessionária em Royal Oak, em Michigan. O nome “Bobcat” veio dos emblemas improvisados criados na concessionária, usando os nomes de outros modelos, o Bonneville e o Catalina. O GTO Bobcat parte da imobilidade até os 100 km/h em 4.6 segundos.
No outro post, sobre o GTO ’69, lembrei que o Jay Leno nunca se desfez de um carro, mas agora, colocando em perspectiva, não seria prudente Wangers, um senhor de 85 anos de idade, dirigir um carro com essas características. O site não fala sobre preços, só deixou email e telefone para contato. Infelizmente, não será uma ligação minha que eles irão receber.
Os 10 Piores Muscle Cars
Tirem as crianças da frente do computador! Em janeiro de 1990, o jornalista da revista MUSCLECAR, Jim Campisano, elegeu os 10 piores carros do gênero. Tecnicamente falando, não se tratam mais de Muscle Cars, são modelos que usaram os mesmos emblemas, mas sem os requisitos para os credencia-los como tal.. Com muito humor, Jim expõe, na verdade, o que aconteceu com os carros esportivos americanos, depois da verdadeira era Muscle Car. Como ele bem explica “São 10 exemplos do porquê americanos dirigem carros japoneses hoje em dia”. Se os anos 60, e começo dos 70, foram o auge , o que viria a seguir seriam os tempos mais sombrios da indústria americana de automóveis. Os scans da matéria (em inglês) você pode ler aqui, aqui, aqui e aqui.
Ford Mustang II Cobra II 1976-78 ou King Cobra 1978: Segundo Jim, esses Ford Pintos disfarçados de Mustang com faixas do GT 350 afundaram o nome “Cobra’ na lama. Esses carros não andavam, muito menos controlavam. O seu interior era inadequado para um carro esportivo. Para o jornalista, esses Mustangs II disputavam com os Pontiac Trans AM quem tinham as maiores e piores decalques.
Pontiac Turbo 301 Trans Am 1980-81: Os carros da era Disco foram marcados pelo excesso de peso e motores fracos. Com os Trans Am não foi diferente. Ao invés da imponente Fênix no capô, ‘Galinha Gritando’ foi o apelido jocoso dado pelos americanos. Para Jim, esses modelos do começo da década de 80 deveriam ter um porco. Eram 1.800 quilos, (400 deles só em decalques). Segundo Jim, esses carros poderiam ser superados por qualquer Taxi Mopar com um 318.
Corvette 305 1980 (Vendido somente na California): “Ainda bem” disse Jim ao fato desse Corvette ter sido vendido somente naquele Estado americano. Graças a lei de emissões do Estado, o V8 350 foi reduzido para 305 polegadas cúbicas e 180 hp. Para Jim, Deus puniu os californianos por lançar modas demais, advogados e todo o resto. Os demais Estados americanos poderiam comprar o ainda decente L82. Segundo Jim, este Corvette marca o fundo do poço da indústria americana.
Pontiac GTO 1974: O carro símbolo da era Muscle Car, para aquele ano, apareceria sem a força e o charme de antes. O GTO 74 era Chevy Nova cheio de boas intenções, como a redução de peso para melhorar a performance. Mas para Jim lembra que a estrada para o inferno é feita de boas intenções. Há quem argumente “Não era tão ruim assim”, mas o jornalista rebate usando o GTO dez anos mais antigo como exemplo. “Será que alguem teria feio uma música ou nomeado um perfume em referência ao GTo 1974? Sem chance!”.
Plymouth Volare Road Runner / Dodge Aspen R/T Super Coupe 1976-80: Para Jim, estes são um dos piores do grupo. Assustador, para o jornalista (pra qualquer um, imagino), que cinco anos antes, 440 e Hemis equipavam estes sobrenomes. Estes modelos resumem o que foram aqueles anos, um festival de spoilers estranhos, excesso de peso, motores fracos e decalques de gosto duvidoso.
Dodge Charger Daytona 1976-77: “A única semelhança com os Daytonas 1969 é o nome”, sentencia Campisano. Basicamente eram Dodge Cordobas de dois tons com um esquema de pintura horrendo. Os motores eram os 318, 360 e 400, dos quais, nenhum era capaz de empurrar esse mastodonte obeso para qualquer coisa que lembrasse velocidade. Não havia opção de câmbio manual.
Mercury Montego GT 1972: A Mercury não era exatamente lembrada pelos seus carros de performance, salvo algumas excessões, como as versões do Cougar e Cyclone. Em 1972 a divisão da Ford colocou uma frente estilo Mark IV no seu modelo médio e lhe arrancou o máximo de potência que pode. O inadequado V8 302 era o motor padrão, mas havia ainda as opções do 351, 400 e 429. “Dali em diante, as palavras “Mercury” e “Desempenho” nunca mais seriam usadas na mesma frase”, disparou Jim.
AMC AMX 1979: “Gremlin Mutante” é só mais um dos ‘elogios’ de Jim ao carrinho da extinta American Motors. O motor básico, nem V8 era. Um 6 cilindros com 256 polegadas cúbicas e parcos 110 hp. Não que o oito cindros 304 fosse muito melhor, essa opção entregava incríveis 125 hp. O quarto de milha ficava na casa dos 17 para ambos. O jornalista diz: “Com esses tempos, eu poderia andar pela pista mais rápido e parecer menos constrangedor”. Para sorte da AMC o AMX que ficou na memória foram os dos começo da década.
Chevrolet Camaro Rally 1976-80: Este Camaro era tão lento que uma revista especializada, após o teste dos 400m, voltou para a concessionária achando que o carro tinha algum problema. No entando, mais tarde foi diagnosticado o problema: Os 155hp do V8 small block. Outro foguete de 17 segundos no quarto de milha.
Ford Maverick Stallion 1976: Mais um exemplo da péssima relação peso x potência que assolava Detroit em meados dos anos 70. Por incrível que pareça, essa versão “esportiva” do Maverick americano era mais fraca que o Nacional, com apenas 138 hp. O esquema de pinturas e decalques era, no mínimo, polêmico. Para o jornalista, o carro teve uma “boa e merecida morte em 1977″.
Oldsmobile 442 1978-79: E uma menção honrosa (ou desonrosa) vai para este carro, que é difícil de se acreditar que alguém, lúcido, teve a coragem de chamar de 442. “Os mais espertos se mantiveram longe das concessionárias Oldsmobile e restauraram os 442 dos anos 60 e começo dos 70″.
Os Subestimados
Nos últimos 10 anos os Muscle cars ganharam popularidade e projeção mundial, graças a filmes, internet e, claro, seu carisma natural. Mas, durante os anos 60 e começo dos anos 70 muita coisa interessante saiu das fábricas de Detroit, mas nem todos modelos ganharam a fama ou reconhecimento que merecem. Portanto, resolvi elencar cinco Muscle Cars subestimados ou não tão celebrados como os “carne de vaca” Chargers, Chevelles e Mustangs. Digam o que vocês acham e digam quais são os de vocês.
Vindo de uma fabrica com ideias bem progressistas, o Javelin era a proposta da American Motors para a segmento de Poney Cars, que tinham como seus maiores expoentes o Ford Mustang e o Chevrolet Camaro. Com um visual atraente e motorização decente, talvez fosse o mais equilibrado em termos de dirigibilidade da sua categoria. Prova disso foram as conquistas nas pistas na categoria Trans Am.
Conhecida por fabricar carros que pouco empolgavam, pelo menos aos mais jovens, a Buick quis mudar essa imagem para abocanhar a fatia no crescente mercado de Muscle Cars. Para tanto, em 1970, a subsidiária radicalizou no visual e motorização, ofercendo o GSX. Em baixo do capô, o enorme V8 de 455 cilindradas cúbicas (7.4L). Esta era a maior unidade de força entre todas as subsidiárias da GM, sendo comparado, em termos de performance, aos Hemi da Chrysler, graças aos seu monstruoso torque de 510lb-ft a 2800 rpm.
Quando se fala de Muscle Cars e Ford, o senso comum nos leva a pensar no Mustang. Mas a fábrica de Dearborn, Detroit, teve em seu hall das concessionárias alguns modelos interessantíssimos e, também, pouco lembrados. O Fairlane era a resposta da Ford para o fenômeno dos Muscle Cars. O mais quente era o 500 foram uma edição limitada de 60 unidades, equipadas com o V8 de 427 cilindradas cúbicas (7.0L) e 425 hp.
Diversas publicações creditam o Pontiac Tempest GTO 1964 com primeiro Muscle Car. Dois anos antes, a própria Pontiac, já oferecia um modelo com “excesso de potência”. O Catalina com o V8 421 cubic inches (6.8L) e 405 hp foi fruto das novas regras da NHRA (entidade que regulamenta as provas de arrancada) que, a partir daquele ano, passou exigir que os motores que participavam da competição também fossem oferecidos ao público. Ao todo, 180 Catalinas foram fabricados em 1962.
Para 1962 a Chrysler oferecia o pacote Max Wedge para homologar sua participação nas provas de arrancada comissionadas pela NHRA. Isso significava um motor V8 de 426 cilindradas cúbicas de 415 a 425 hp, dependendo da taxa de compressão. Por fora, nenhum detalhe como faixas, spoilers ou qualquer acessório esportivo denunciava a verdadeira natureza desses Mopar.
O Outro Lado do Rio Detroit
Os longos braços da General Motors, já na década de 60, alcançavam os quatro cantos do mundo. Bem antes do termo globalização se tornar popular, a estrela maior de Detroit se via representada, praticamente, em todos os continentes. No seu vizinho do outro lado do rio Detroit, o Canadá, ao contrário do que se possa imaginar, a GM criou modelos próprios para o mercado daquele país graças as leis rígidas de importação. O mais notável deles, foi o Pontiac Beaumont SD.
A Pontiac canadense era uma espécie de “cruzamento” da marca com os Chevrolets. Os modelos usavam a carroceria e conjunto de transmissão / motor da marca engravatada, com interior e elementos estilísticos da divisão de nome indígena. Os nomes de alguns modelos também eram mais pomposos, como Parisienne e Laurentian. Bem ao gosto mais europeizado do canadense médio.

O Beaumont fez sua primeira aparição em 1964, ainda como uma versão do já estabelecido – Acadian – e usava a unidade de força ecãbio do vizinho, Chevelle SS. Já o painel era cortesia do Pontiac Tempest. Assim como os SS nos Estados Unidos, o comprador canadense podia optar pelo pacote SD (Super Deluxe) na concessionária Pontiac mais próxima, embora o manual ou material de divulgação pouco mencionasse o nome da divisão.

Em 1966, o Beaumont tornou-se um modelo único, usando a mesma carroceria base nos médios americanos daquele ano, como o Chevrolet Chevelle, Pontiac GTO, Buick Skylark e Olds Cutlass. O carro tornava ainda mais evidente a relação “incestuosa” entre as divisões americanas. Era uma mistura clara de Pontiac GTO com Chevrolet Chevelle.

No ano seguinte, com a ascensão das cilindradas em ambos os lados da fronteira, o Beaumont já podia ser encomendado com o V8 de 396 cilindradas cúbicas (6.4 L) de 350 hp junto com o câmbio manual Muncie M20 de quatro marchas. No entanto, os canadenses não podiam encomendar a versão desse motor com 375 hp, que era oferecida na terra do Tio Sam.

Para 1968, o Beaumont se tornou mais parecido com o Chevelle daquele ano, com diferenças mais sutis. A frente lembra muito a linha Pontiac daqueles tempos, mas o restante do carro é muito parecido com o Chevy médio. Os mesmo motor ainda era oferecido até o ano seguinte. A GM teve que criar esses carros únicos devido as leis de exportação e importação entre os dois Países. Com o relaxamento dessas normas em 1970, o Beaumont e toda sua “mistura” se tornaram desnecessários e o modelo foi descontinuado.
Para mais informações sobre os V8 Canadenses acesse o fórum Canadian Poncho. Se você quiser ver outras fotos relacionadas a esse post, acesse nossa página no Facebook.
Pontiac LeMans 1963

Uma das 12 unidades produzidas pela Pontiac que foi equipada com o motor 421 (7.2 Litros) para participar de provas de arrancada. Após restauração, esse exemplar foi vendido em um leilão por US$ 228.000,00 em agosto de 2008.
Diferentes autores creditam ao Pontiac Tempest GTO 1964 como o primeiro Muscle Car ou o modelo que deu origem a série. Mas o que talvez poucos saibam é que a própria Pontiac, antes mesmo do GTO sair da cabeça de John DeLorean e Jim Wangers, já produzia verdadeiros foguetes que iam direto para as concessionárias. Um bom exemplo de “Big Bang” dessa era fantástica é o Pontiac LeMans 1963 326.
O modelo era o primeiro “compacto” oferecida ao público pela divisão da GM. Paralelamente, a Oldsmobile lançava o F-85 e a Buick o Special. Cada um deles oferecia uma carroceria mais leve, e ainda eram capazes de acomodar seis adultos. Esses modelos tinham um toque especial de suas respectivas divisões para que não parecessem simplórios demais para essa faixa de mercado recém criada.
Mas o LeMans 63 tinha características únicas mecâncias, se comparado com os seus contemporâneos. Eles foram construídos com suspensão totalmente independente e, na traseira, o “Transaxle” que combinava a transmissão e diferencial, o que tornavam a distribuição de peso do carro muito eficiente, algo inimaginável para a América dos anos 60. A versão mais interessante era a equipada com o motor V8 326 (5.3L) e 260 hp com carburador duplo.
Pelo fato da transmissão ficar na parte traseira do carro, a dirigibilidade do LeMans era melhor do que qualquer outro modelo oferecido na época. As opções de câmbio eram 3 ou 4 marchas manuais, ou o semi automático de duas marchas “Turbine 300″. Essas características únicas fizeram com que o LeMans fosse muito bem sucedido nas provas de arrancada, chegando a quebrar recordes.
John Delorean em Três Takes
* O grande John Z. DeLorean, um dos principais jogadores responsáveis por aquilo que muitas pessoas consideram o primeiro verdadeiro muscle car, o Pontiac GTO, e mais tarde o Firebird , era uma estrela na história de Detroit. Ame ou odeie, desde sua ascensão ao topo da GM para a sua queda em desgraça e pena de prisão por dois anos, foi um cara importante na história do automóvel. Agora, logo após sua morte em 2005, sua história de vida pode atingir a grande tela. O único problema é que três cineastas distintos estão tentando produzir filmes separados sobre a vida do executivo.
Quando Delorean era o chefe de divisão da GM que construiu o icônico DMC-12, também conhecido como o DeLorean, que ficou famoso a partir da trilogia De Volta para o Futuro. Quando a empresa ia mal das pernas, ele foi acusado de contrabandear drogas para pagar as contas e cumpriu dois anos de prisão por tráfico de drogas. Se viu em acusações de que ele foi vítima de conspiração do governo. O homem viveu uma vida interessante para dizer o mínimo.
Brett Ratner, o diretor de X-Men Confronto Final e A Hora do Rush, está trabalhando com James Toback e o produtor Robert Evans para o primeiro filme. Steve Lee Jones foi trabalhar com David Permut em um segundo filme. Jones garante que tem o direito sobre a biografia junto ao advogado de DeLorean, aí você pensaria que as possibilidades terminam em duas outras criações, mas não. O terceiro a se envolver é a Time / XYZ Films cujos amigos e familiares de DeLorean estão ajudando, de acordo com a Variety.
Então, quem você acha que seria o melhor ator para interpretar DeLorean? As negociações estão a favor de George Clooney, mas nada está confirmado ainda.
* Livre tradução de notícia publicada originalmente no site da Hot Rod Magazine.
Corrida Sem Fim – Two-Lane Blacktop
Este poderia ser mais um filme sobre carros, estrada e corridas, mas não é. Conceitualmente, Two-Lane Blacktop (Corrida Sem Fim, 1971) convida o telespectador a uma reflexão existencial, assim como outros Road Movies, entre eles, Vanishing Point (Corrida Contra o Destino, 1971) e Easy Rider (Sem Destino, 1969), cada um a sua maneira. Uma bela análise cinematográfica foi feita no Multiplot, vale a pena a leitura.
O enredo é bem simples. Dois amigos, retratados apenas como “Motorista” (James Taylor, músico) e “Mecânico” (Dennis Wilson, baterista do Beach Boys), viajam pelo país – em um Chevy 55 preparado artesanalmente – e sua única forma de renda vem de apostas em corridas. Em uma dessas viagens, são desafiados por um corredor (Warren Oates) a bordo de um Pontiac GTO. Este personagem também é apenas retratado como “GTO”. O desafio consiste em uma corrida até Washington D.C., onde o perdedor, perde o carro. Em meio a tudo isso, os três personagens “Motorista”, “Mecânico” e “GTO”, disputam a atenção da “Garota”, interpretada por Laurie Bird.
Quanto aos carros, nosso arroz com feijão, o filme também não decepciona. O Chevy 1955 150 tem uma aparência típica de Hot Rod e Gasser, com a pintura em primer, motor V8 de bloco grande e ausência de parachoque frontal. Já o Pontiac GTO “The Judge” 1970 era totalmente stock, o que não é nenhum demérito em se tratando de um Muscle Car. Nas cenas de ação, seu motor V8 de 455 cilindradas cúbicas (7.4 Litros) e 370 hp tiveram sua “sinfonia” captada pelos microfones. O mesmo aconteceu com o Chevy.
O filme não foi um sucesso na época do seu lançamento, incompreendido, talvez, pela sua linguagem mais densa do que o usual. No entanto, com o passar dos anos, adquiriu o status de cult e clássico “Road Movie”, principalmente por ter várias cenas na antiga Rout 66. Se você procura um filme profundo, por vezes sombrio, com diálogos minimalistas e temática existencial, este é o filme. Mas se você quer encher seus olhos com imagens de carros clássicos e ouvidos com o som de motores V8, esse também é “O” filme.
Vende-Se: Chevrolet Chevelle SS 1965
O que é melhor? Preservar a originalidade do carro ou apimentar as coisas e dar mais saúde à performance do antigo? Seriam dois conceitos excludentes ou é possível aliar as duas correntes de pensamento. Cada um tem seu conceito de carro ideal. O meu, é exatamente o que foi feito nesse belíssimo Chevelle Malibu SS 1965.
Um ano antes, a indústria americana era pega de surpresa pelo sucesso do Pontiac GTO, precursor dos Muscle Cars, o que fez com que todas as montadores e subsidiárias oferecessem a sua própria versão “quente” dos, até então, pacatos modelos. É o caso do Chevelle Malibu, que também ganhou sua versão esportiva, ou melhor, super esportiva, conhecida simplesmente como Super Sport.
O modelo das fotos é a perfeita simbiose entre originalidade e performance. Um belo exemplo é a ausência de rodas extravagantes em um tamanho exagerado e com visual moderno. Ao invés disso, foi feita a reprodução das rodas originais em um tamanho ligeiramente maior (17″), mas preservando as calotas cromadas de época. Calçando elas, pneus 215 na frente e gigantescos 255 no conjunto traseiro, todos com o famoso “redline”.
Para torná-lo ainda mais estável, foram instalados conjuntos de suspensão da Hotchckis e freios á disco nas quatro rodas, criando uma configuração completa, seja para acelerar em linha reta ou contornar estradas mais sinuosas. Nosso “sumido” colaborador Rodrigo Tavares nos mostrou, ano passado, do que esse conjunto de suspensão é capaz.
Exceto por alguns instrumentos a mais, colocados estratégicamente abaixo do painel, o interior em nada revela a verdadeira natureza esportiva, bem além das expectativas desse carro. Mesmo porque os bancos baixos, originais, contam apenas com os cintos de segurança abdominais. E por falar em natureza esportiva, o motor é small block V8 de 383 cilindradas cúbicas (6.2L) com sistema de ignição MSD, filtro e tampas de válvulas cromados.
Este Chevelle Malibu, na cor “Mystic Blue” é o típico lobo em pele de cordeiro. Seu visual predominantemente original consegue mascarar suas capacidades na pista, mas, ao mesmo tempo, lhe confere um ar clássico, quase inofensivo, podendo deixar satisfeitas as diferentes correntes de estilo. Agrada o avô que o levará a um encontro de antigos em um domingo pela manhã até o neto que sonha pilotá-lo em um circuito no mesmo dia à tarde.
Onde Comprar: Best Of Automotive
Seu Por: US$: 54.900,00 ou R$ 92.561,37 (Sem Impostos)
Tributo A Mercury
Neste mês, o último Mercury saiu da linha de montagem em St. Thomas, em Ontário, no Canadá. O fim já havia sido anunciado em junho do ano passado, mas foi só agora que o último veículo, um Grand Marquis, marca o fim da subsidiária da Ford. Os argumentos são os mesmos de sempre: baixas vendas, prejuízos, corte de gastos, etc.
O que acontece é que a maioria dessas divisões eram montadoras independentes que, ao longo do tempo, foram adquiridas por grupos maiores. Naqueles tempos a competição, no já competitivo mercado americano, se dava em um nível doméstico, permitindo inclusive que as subsidiárias brigassem entre si. Foi na busca por novas fatias de mercado, por exemplo, que fez com que o chefe da Pontiac dos anos 60, John DeLorean, desobedecesse ordens da General Motors e criasse o GTO, o que daria início a toda era dos motores de alta performance a preços acessíveis.
Com crise do petróleo aliada a chegada da concorrência dos importados, principalmente dos carros japoneses, a América viu lentamente a decadência de seus carros. Motivos? Pode-se apontar vários, entre eles a busca de lucro negligenciado a qualidade, falta de planejamento e uma certa arrogância das montadoras, o que fez com que suas subsidiárias fossem caindo, uma a uma. Plymouth, Oldsmobile, Pontiac e a agora a Mercury, marcas que, apesar de tudo, deixaram o mercado pra entrar na história.
As imagens que ilustram esse post são para homenagear a defunta Mercury é o folder de promoção dos dois Muscle Cars mais excitantes produzidos pela marca (e pouco conhecidos também), o Cyclone GT e o Cougar Eliminator, ambos 1970.
Bob D’Olivo
“Os anos 60 foram realmente uma época dourada para todo o tipo de corrida. Veja Daytona: Eu fui lá quando os caras estavam correndo de carros antigos na praia, nada sofisticado. Então Bill France construiu o Speedway, e os seus pilotos tinham que construir carros novos para a o novo circuito. O que finalmente chamou a atenção dos fabricantes, e todas as montadoras entraram. Foi com o patrocínio da Ford, no início dos anos 60, que realmente começou a NASCAR desabrochou e a partir daí, as corridas ficaram realmente boas. Você pode ver como eram de estoque os carros em 1963 “.
Realmente, a Nascar, era bem mais interessante nesses tempos. Ver nessa foto os Ford Galaxie, Plymouth Savoy e os Pontiac Catalina disputando a curva é sensacional, isso sem mencionar a guerra dos “Cubic Inches e HPs” pintados no capô. Este e outros depoimentos interessantes está na matéria da Hot Rod Magazine com o legendário fotógrafo Bob D’ Olivo, que além de carros de corrida, fotografou muita coisa interessante. Em inglês.
O Elenco em “Dazed and Confused”
Como pude me esquecer desse… Dazed and Confused (Jovens, Loucos e Rebeldes, 1993) é um ótimo filme sobre o último dia no colegial de um grupo de adolescentes no “longínquo” ano de 1976, no subúrbio de Austin, no Texas. O título, em inglês, é uma referência direta a música de mesmo nome do Led Zepplin. Já o elenco da película é lembrado por ser o primeiro trabalho de algumas estrelas de Hollywoodianas, como Matthew McConaughey, Ben Affleck e Milla Jovovich.
O filme trata dos dilemas típicos do fim da adolescência e começo da vida adulta, de forma leve, mas sem ser superficial. Mas o que traz essa película a este blog não são os dramas adolescentes (ainda bem) e nem o elenco de futuras promessas, mas sim uma outra relação de astros muito mais interessante, os carros.
Em Dazed and Confused é um prazer a parte vê-los em “ação”. Entre áspas mesmo, pois não espere cenas de perseguição ou coisas do gênero. No máximo, uma acelerada ou um racha, típicos daquela época. No entanto, é um prazer á parte ver e identificar o elenco sob quatro rodas, que desfila toda a elegância e beleza que, em um determinado período da história, os automóveis americanos tinham de sobra.

Esta Chevrolet Cheyenne 1972 tem uma participação logo no começo. Particulamente, gosto muito dessa geração de pick-ups da GM.
O destaque fica para o Chevrolet Chevelle SS 1970 dirigido pelo personagem de Matthew McConaughey, chamado, carinhosamente pelo dono de “Melba Toast” (Torrada).
Em uma determinada cena, David Wooderson (personagem de Matthew) abre o capô do Chevelle e começa a falar sobre as modificações feitas no seu V8 LS5 de 390 hp.
“Let me tell you what Melba Toast is packin’ right here, alright? We got 411 Positrac outback, 750 double pumper Edelbrock intakes, bored over 30, 11 to 1 pop-up pistons, turbo-jet 390 horsepower. We’re talkin’ some fucking muscle.” (David Wooderson)
Tigres & Autmóveis
Associar um animal ou algumas de suas características às qualidades de um produto, no nosso caso o automóvel, não é uma tática de marketing exatamente nova, mas na maioria das vezes funciona. Cavalos, Touros, Onças e até Morcegos foram e são usados para passar parte de sua credibilidade para determinada marca ou modelo. O Tigre foi recentemente usado na nova, e muito boa por sinal, propaganda do VW Crossfox, que associa o veículo à vida selvagem do felino.
O interessante é que há mais de 40 anos, o mesmo animal foi usado para vender um carro completamente diferente, o pai de todos os Muscle Cars, o Pontiac GTO.
Dessa vez, o Tigre empresta ao carro sua agressividade e rugido, este último comparado ao grande motor V8 de quatro carburadores e 345 hp. A empatia do animal perdura até hoje, com rabos de pelúcia colocados no porta-malas do GTO. Outra similaridade, essa mais triste, é que ambos – GTO’s de primeira geração e Tigres – já não vagam em grandes números pelo planeta. Vale lembrar também que o grande felino asiático também já nomeou um carro anglo-americano, que já passou por aqui, o Sunbeam Tiger.
Vendido: Pontiac GTO 1969 “The Judge”
No documentário ‘Love The Beast’, o apresentador e comediante Jay Leno disse que nunca vendeu um carro e que nem pensa na possibilidade. Mesmo o seu primeiro carro, um Buick Roadmaster 1955 está com ele desde que chegou a Los Angeles no começo da década de 70. Com pouca grana, Leno chegou a morar no carro durante os tempos difíceis Veja como o carro está hoje.
O oposto parece acontecer com Jim Wangers, um dos responsáveis pela criação do lendário Pontiac GTO. Em junho desse ano, o ex-executivo da GM decidiu vender os carros do seu acervo, entre eles, o belíssimo GTO “The Judge” 1969 abaixo. Não adianta juntar suas moedas, como o título diz, esse aí já foi vendido.
Faster: Chevrolet Chevelle 1970-71
Se eu te dissesse que um novo com Muscle Cars está para sair. O personagem principal tem hipertrofia e dirige um Chevelle. Não, não estou falando de mais uma fita de Fast and Furious, e sim de Faster.

Isso, manda bala em quem teve essa brilhante idéia de modificar e, em seguida, destruir um clássico.
Não espere nenhuma obra prima do cinema, pela sinopse não há nada de muito novo. O personagem do, antes The Rock que agora quer ser chamado pelo seu nome de batismo, Dwayne Johnson, busca vingança pela morte do irmão.
Seu plano começa após cumprir pena pelo assalto a banco mal sucedido que resultou na morte do familiar. No processo, um assassino de aluguel (Oliver Jackson-Cohen) e um policial prestes a se aposentar (Billy Bob Thorton) também se envolvem nessa caçada mútua.
Para nós, o ator principal mesmo é o Chevrolet Chevelle, mas há um porém. Não sei porque qual motivo, os produtores resolveram fazer uma adaptação esquisita. Usaram um modelo 1970 com a traseira do 71-72. Tirem suas dúvidas aqui. Porque? Não sei, mas ficou muito esquisito. Difícil entender o que os motivaram, já que numa produção desse porte, conseguir modelos de fábrica seria mais simples do que mudar a aparência de todos os carros usados no filme sem um sentido maior aparente.
Já no fórum do IMCDb, o Chevelle foi errônea-mente listado como 1971 porque, segundo um dos participantes, “A frente do carro é mais fácil de ser trocada”. Não no caso dos Chevelles do começo da década de 70, cujo o que determina o que é a traseira é o parachoque cromado com as lanternas integradas. Seria como dizer que o meu Opala 1977 é 1978 porque a grade é do ano seguinte. Enfim.
As fotos divulgadas também não são muito animadoras, já que esse Chevelle “Híbrido” aparece voando em chamas. No trailer há uma breve aparição de um Pontiac GTO 1967, mas não dá pra saber qual o seu papel no filme. Não sei qual é a tara em que os americanos tem em ver clássicos sendo destruídos a esmo na telona.
Holden Monaro GTS 327 1968
Eles tem o sotaque parecido com o dos britânicos e dirigem do ‘lado errado’ também. Por outro lado (literalmente) gostam de carros grandes com motores enormes, assim como os americanos costumavam. Essas particularidades tornam a indústria de automóveis da Austrália muito particular.
E ao contrário dos Yankees, sua paixão pelas barcas de alta cilindrada, mesmo depois de suas crises energéticas e, mais recentemente, a vilanização do automóvel, sempre se manteve em alta. Uma rápida olhada nos sites da Holden e da Ford daquele país não me deixam mentir.
Um dos maiores ícones dessa paixão, é o Holden Monaro, produzido em duas fases diferentes. A era clássica, de 1968 a 1977 e, mais recentemente, de 2001 a 2005. A banana comeu o macaco em 2005, quando os Monaros foram re-apelidados com a legendária alcunha ’Pontiac GTO’, ícone-mór dos Muscle Cars na América.
O Aussie Muscle ainda foi exportado pros mercados da África do Sul, Reino Unido e Oriente Médio. Em 2008, o Holden Coupe 60 reacendeu a expectativa de produção de uma nova geração de Monaros. A crise da matriz GM jogou um jato de água fria nessa possibilidade.
Mas há 42 anos atrás, quando foi apresentado, o Monaro era oferecido em sua versão top como GTS 327. Os dígitos fazem menção a cilindrada cúbica do motor V8 de 5.7 litros e 250hp que equipava o modelo.
O estilo seguia a tendência da época, com carroceria no estilo “Garrafa de Coca-Cola”, muito semelhante a do nosso querido Opala. Já o visual também não fugia do padrão cor marcante e faixas decorativas. Definitivamente, um clássico cujo o único defeito é não ser tão conhecido fora da Oceania.


















































































































































































