O Amor Nórdico pelos Carros da América do Norte
Responda rápido, qual país da Europa reúne o maior número de Muscle Cars per capita, regularmente organiza eventos, como encontros, arrancadas e importa modelos clássicos aos montes? Se a sua resposta foi “Suécia” (O que eu duvido), bingo, você acertou! Acredite ou não, o país Escandinavo que conhecemos pelos longos períodos de inverno e altos índices de desenvolvimento humano é o território Europeu onde a paixão por carros V8 americanos é um casamento longo e duradouro.
O Amor Nórdico pelos Carros da América do Norte
“A Suécia tem uma longa história de pessoas que importam, restauraram e personalizam carros americanos. Tudo começou ainda na década de 50, com jovens selvagens, de diferentes gangues, chamados raggare, que compraram carros velhos e os transformaram em Hot Rod. Apenas passeando ou correndo, a farra deles nunca acabava. Ainda hoje há uma porção de raggare e, mesmo se os originais já não estão mais por aí, o fenômeno parece sempre atrair as novas gerações, especialmente no interior do país”, nos conta Anders, fã de Muscle Cars sueco e um dos quatro fundadores da MoStuff Sthlm .

Tradição: Na Suécia eles não ficam só em Showrooms ou Coleções. Por lá, eles são usados para o propósito o qual foram contruídos: Correr. (Foto: MoStuff Sthlm)
Segundo Anders, o amor da Súecia por velhos carros americanos é um grande movimento e em algumas partes do país, é possível ver o “aço de Detroit” em quase toda entrada de garagem das residências. O país nórdico acompanha a cena Muscle Car desde os tempos de glória, chegando a abrigar eventos de arrancada ainda na década de 60, na pista de Anderstorp. O site Race 1968 abriga algumas fotos desta época e mostra que por lá, a coisa era bem séria desde o primeiro dia. O sucesso na Suécia era tão grande que equipes americanas de arrancadas, como a Sox & Martin e Dick landy, tinham grande impacto do outro lado do Atlântico.
Anders nos conta que até a primeira grande crise do petróleo, houve uma onda de importação de Muscle Cars para o seu país. Os suecos passaram a compra lotes de bons carros, incluindo um monte de Hemis, Yenkos e Shelbys, que mais tarde fizeram o caminho de volta para colecionadores ricos dos EUA. A segunda onda de importação foi durante a década de 80, quando a cena das corridas de rua foi um grande movimento e um monte de corridas ilegais estava acontecendo. A terceira onda foi entre 2000 e 2008. “O dólar estava baixo e a economia sueca estava em seu auge, desta forma, várias pessoas importaram não só um, mas talvez 3 ou 4 carros de uma vez!”, explica.
“Como no resto do mundo há uma dominação de Chevys e Fords, mas a Suécia tem uma comunidade Mopar muito forte. Você pode ter notado que somos caras Mopar de coração, embora realmente amo toda a cena” conta Anders, cuja a paixão pelos supra potentes carros da Chrysler o motivou a rastrear todos os Mopars que residem agora na Suécia. Isso acontece no encontro de Mopars – Orsa Drag Fest – que reúne mais 500 exemplares, o que o torna o maior encontro do gênero na Europa.
MoStuff Sthlm - Um Estilo de Vida

“Para nós, sempre foram os elementos que cercam os carros (anúncios, comerciais, promoção, roupas, música da época, a arquitetura, as pessoas, etc etc) como os próprios veículos übercool que capturaram nosso amor.” (Foto: MoStuf Sthlm)
Se você é um fã Hardcore de Mopars clássicos e busca na internet fotos desses carros tão fascinantes, como nós, invariavelmente já cruzou com o trabalho dos caras na web, principalmente no Flickr. Mas afinal, do que se trata a MoStuff Sthlm? Foi o que perguntei a Anders, quando, pra minha agradável surpresa, eles também abriram uma página no Tumblr. Anders, gentilmente nos respondeu o seguinte.
“Nós somos um grupo de quatro rapazes obcecados por Muscle Cars e drag racing de pista e de rua da década de sessenta e começo da setenta. Começamos este negócio em 1998. Para nós, sempre foram os elementos que cercam os carros (anúncios, comerciais, promoção, roupas, música da época, a arquitetura, as pessoas, etc etc) como os próprios veículos übercool que capturaram nosso amor.
Nosso fascínio estava no fato dos fãs de Muscle Cars não estar totalmente cientes do quão legal e incrível são os elementos que cercam esses carros. Então, nós que temos alguns, decidimos fazer uma tentativa séria de conscientizá-los, assim começou Sthlm MoStuff!
Desde então, exportamos jaquetas de corrida vintage, peças personalizadas, peças publicitárias promocionais, fizemos a nossa própria linha de camisetas que são comercializadas, além de outras coisas que temos julgamos ser legal, relevante e de qualidade que divulgamos em diferentes encontros por toda a Suécia”.
Como havia mencionado acima, as fotos são de uma qualidade visual superior, literalmente de cair o queixo e foi o que me chamou a atenção inicialmente. Esse cuidado com a imagem delas está totalmente ligado ao conceito que a equipe MoStuff Sthlm tenta difundir. As imagens são feitas em diversos encontros e eventos de arrancadas pela Suécia. “Nós tentaremos o nosso melhor para não tirar fotos como qualquer outra pessoa faria e sim, trazer um sentimento de época”. explica Anders.
Mas e as estrelas do Show? Quais carros integram a equipe MoStuff Sthlm? É um verdadeiro “Dream Team”! Anders nos conta que a frota deles é composta por um Dodge Coronet 500 1968, um Dodge Charger 1969 SE, um Plymouth Duster 1970, um Dodge Dart 1975 Esporte Hang Ten e uma Dodge A100 van 1968.
Desde 2009 os caras tem uma loja sede em Odenplan, no centro de Estocolmo, onde tentam fazer em seu interior todo um tributo à era Muscle Car. O próximo passo para eles é disponibilizar o site, bem como a página no Facebook em inglês, pois já comercializaram roupas e souvenirs para todo o planeta.
Embora tenham tido algum reconhecimento internacional com os artigos vendidos, Anders deixa claro que o que os move é a paixão. “É importante saber que Sthlm MoStuff é um estilo de vida, todos nós temos outros trabalhos e não lucramos absurdamente com o nosso negócio, nós o mantemos porque amamos!” Conclui.
Confira Mais Em:
- http://www.mostuffsthlm.com
- http://www.flickr.com/photos/mostuffsthlm/
- http://www.facebook.com/pages/MoStuff-Sthlm/149882481734198
- instagram.com/mostuff_sthlm
A Cena Muscle Car na Europa
Uma das perguntas que fiz a Anders, em meu primeiro contato, foi qual era o panorama da cena Muscle Car no Velho Continente. Sabemos que a Europa tem uma longa tradição automobilística e geralmente (assim como nos EUA) são bem orgulhosos quanto a fabricação de seus próprios automóveis. Daí, partiu minha curiosidade em saber como era a relação da comunidade européia com o bom e velho “Detroit Iron”.
Anders explicou que os vizinhos mais próximos da Suécia como Finlândia, Noruega e Dinamarca têm cenas muito fortes e que, muitos deles, visitam encontros suecos durante o verão. Já os alemães,têm um senso estético muito legal e vários modelos interessantes.
Os britânicos, por sua vez, tem uma longa tradição em corridas de arrancada, com a abertura de Santa Pod Raceway, em 1966. O país tem uma cena de Muscle Car tão sólida que a versão européia do Mopar Nat é realizada em Pod Santa.
França e Suíça tem uma comunidade pequena, mas entusiasta, com alguns carros realmente raros, mas a Suécia é, de longe, o país europeu com a maioria dos carros americanos per capita. Há um grande movimento por lá em restaurar, customizar e construir hot rods durante os longos invernos e sair a passeio e correr durante o verão.
Plymouth Road Runner 1970 no Brasil
Talvez tenham sido os quatro anos mais excitantes da indústria automobilística americana desde que a Pontiac lançou, em 1964, o Pontiac GTO. As três grandes (GM, Ford e Chrysler), mais a AMC, ano a ano, se empenhavam em envenenar cada vez mais seus carros. Mas nesse período, a ideia original dos Muscle Cars – carros médios com motores enormes – começava a se descaracterizar. Com o ganho de popularidade e principalmente vendas, as montadoras começavam a oferecer cada vez mais opcionais, o que fazia com que os carros ganhassem peso e principalmente um aumento no seu valor final.
A Chrysler por meio da, hoje extinta, Plymouth, foi a primeira grande montadora a identificar esse distanciamento ideológico dos Muscle Cars de suas raízes. A divisão sofisticou o conceito original. O seu novo modelo não seria mais um carro médio com um motor grande. Ele teria que atingir 160 km/h nos 400 metros e custar menos de US$ 3.000.
Para cumprir sua diretriz ousada, a divisão da Chrysler precisou retirar qualquer item “supérfluo” que adicionaria peso e preço ao produto final. Os carros teriam interior simples, somente com o essencial. Tapetes, bancos individuais e até o rádio foram retirados.
Para cruzar o quarto de milha em tal velocidade, eram oferecidos os motores V8 que iam do já exagerado 383 (6.3), passando pelo gigantesco 440 (7.2) até chegar no mítico 426 hemi (7.0).
Surgia assim, em 1968, um dos modelos mais importantes da era Muscle Car, o Plymouth Road Runner. O modelo era a epítome do hot Rod vindo de fábrica. A sua relevância para história dos Muscles está diretamente ligada a sua volta à fórmula original de modelos de desempenho, com preços acessíveis e imagem impactante.
Por falar em imagem, à escolha do nome é um capítulo à parte. A montadora pagou US$ 50 mil ao estúdio Warner Brothers para chamar seu carro de Road Runner (aqui no Brasil, esse é o nome do Papa-Léguas). Foram necessários outros US$10 mil para desenvolver uma buzina que fizesse o famoso “Beep-Beep”, som característico da veloz ave do desenho animado, quando acionada.
Foi um sucesso estrondoso que também se traduziu em vendas. Segundo o site MuscleCarClub.com, o modelo 1969 figura no quarto lugar entre os mais vendidos de todos os tempos, com 82.109 unidades vendidas.
A concorrência tentou captar a essência da imagem do Road Runner, mas sem o mesmo sucesso comercial. A Ford criou o Torino Cobra, cuja propaganda mostrava o Réptil atropelando uma ave. A Pontiac criou o The Judge, mas nenhum deles conseguiu igualar o sucesso do “Papa-Léguas”.
O paulista Maurício Fontanetti, grande entusiasta dos modelos antigos da Chrysler, se apaixonou pelo modelo após viagem aos Estados Unidos. “Fui à um encontro Mopar e, enquanto todos falavam sobre Chargers e Challengers, foi um Road Runner 1968 que chamou minha atenção”, conta. Fontanetti então começou uma cruzada para conseguir trazer um modelo para o Brasil.
Após muita pesquisa, Fontanetti encontrou um modelo 1970. Para aquele ano o Road Runner ganhava uma novo desenho na frente e traseira, além de um visual mais agressivo e cores mais chamativas, típicos da época. O carro estava em Ohio, nos Estados Unidos, e precisava de reparos na pintura e no seu motor big block 383, de 6.3 litros.
Foram necessários 12 meses para que o Road Runner de Fontanetti, depois de um banho de tinta e restauração do motor, voltasse à sua forma esplendorosa de 42 anos atrás. Aliás, o carro ficou pronto na semana do evento mais importante para modelos Chrysler antigos, o IX Mopar Nationals em Atibaia, realizado nos dias 28, 29 e 30 de setembro. “O último emblema, a inscrição “Plymouth” da grade frontal, chegou exatamente na semana do evento. Abri o sedex empolgado, mas estava partido. Fizemos uma solda e no fim deu tudo certo” explica Fontanetti. Não por acaso, o carro do Maurício foi eleito o destaque do evento.
O prêmio do evento é mais do que justo. A configuração do carro de Fontanetti é bem única. O primeiro dono optou pelo teto de vinil, acessório disponível pela primeira vez nos Road Runners daquele ano e pela cor “Vitamin C”, um laranja bem vivo. Por falar em exclusividade, o modelo já não é tão comum nos Estados Unidos pois as vendas declinaram em relação a 1968 e 69. No Brasil, o exemplar do Maurício é uma unidade, das duas que se tem notícia no País até o momento. O ronco do motor V8 383 de 6.3 litros e 340 cv, aliado aos escapamentos Flowmasters é o prenúncio de que quando você ouvir o “Papa-Léguas” dizer “Beep-Beep”, é hora de liberar a passagem.
- “A Voz do Papa-Léguas” diz o sistema de Buzina em inglês.
Wheels Are Everything
Qual a importância de um bom jogo de rodas tem na estética de um carro? E altura em relação ao solo? Para o blog Wheels Are Everything, como o nome sugere, tudo! Lá você encontrará foto de carros antigos calçando rodas esportivas clássicas e com a tal “Acrofobia” (medo de altura).. O autor do blog ainda criou uma sessão My Photoshop Fun, onde rebaixa e coloca rodas incríveis em fotos e anúncios antigos de carro. Vale a pena conferir. (Via The Magnetic Brain).
Rust Oleum’s Plymouth Satellite 1969
Fotos: Steve Strope / Hot Rod Magazine.
No final dos anos 70, era comum os jovens customizar seus carros, geralmente Muscle Cars do final da década anterior, na época, apenas carros usados e sem valor com latas de spray. Uma grande empresa de aerosóis americana – King Rust Oleum – decide entrar para o mundo dos Hot Rods e, para resgatar esses tempos áureos e mostrar suas qualidades, era preciso escolher um automóvel. Steve Strope, da Pure Vision Shop e responsável pelo projeto, viu em um Plymouth Satellite 1969 o candidato perfeito. É o que conta essa matéria do site da Hot Rod Magazine.
O dono anterior desse Satellite queria transformá-lo num clone de Road Runner e, mecanicamente, estava muito bem encaminhado, equipado com motor V8 de 440 polegadas cúbicas, quatro marchas e diferencial Dana 60. Foi adquirido por módicos US$ 16.500.
O gigante Mopar precisava de reparos, então, teve o seu conjunto motor-transmissão todo refeito com produtos da King Rust-Oleum. Quando um grande pedaço de tinta do Satellite caiu do painel lateral traseiro, a Pure Vision também refez toda a sua pintura, usando a cor B5 Mopar Blue misturada com Auto Body Paint.
Para mostrar toda a qualidade dos seus produtos, a King Rust-Oleum também inscreveu o Satellite para a Power Tour, tradicional evento da Hot Rod que reúne as tendências de modificação apresentadas na publicação. Com o prazo apertando, a equipe só conseguiu fazer o 440 funcionar momentos antes de embarcar o Plymouth no trailer. Durante o evento, “era como se fosse 1978 de novo”, conta David Freiburge em seu artigo.
“Não havia nada de errado, nem o atraso da embreagem, costas suadas, freios que levam um campo de futebol para desacelerar o carro e um 440 que funciona como o original” relata David. No evento, era comum uma pequena multidão se formar em torno do carro, elogiando a ausência de rodas de 18 polegadas e dizendo “é assim que tem que ser!”.
O editor Jerry Pittssenbarger resumiu bem do que se tratava esse carro. “O carro é uma merda! Ele dirige como um tanque e nas curvas parece um guardanapo molhado, as é exatamente isso que o torna incrível!” concluiu.
Christine, 28, Filmada, Destruída e Imortalizada
Se você gosta de carros antigos e é jovem, talvez já tenha ouvido falar. Quem sabe, até assistido. Se cresceu nos anos 80, com certeza deve ter vibrado ao ver aquele Plymouth alvi-escarlate, com suas barbatanas majestadas e cara de mau. O filme Christine, de 1983 atingiu o status de cult, mesmo entre quem não curte carros. Isso graças a direção primorosa de John Carpenter, baseada no livro do mestre do suspense, terror e fantasia, Stephen King.
No ano passado, escrevi aqui sobre algumas diferenças entre os automóveis descritos no livro e os representados na versão cinematográfica. O site AllPar.com, em 2003, quando o filme completou 20 anos, entrevistou proprietários dos Christines que sobreviveram à filmagem. Ao todo, foram usados 23 carros, entre Furys, Savoys e Belvederes, destes, apenas três unidades restaram.
Martin Sanchez, resgatou um destes exemplares em 1984 por U$900. O carro estava encostado em depósito do estúdio e tinha data para ser destruído. “Meu Plymouth Fury 1958 foi um dos mais de vinte carros usados no filme Christine. Ela era o carro dublê na cena do beco, perseguindo Moochie e o encurralando na doca de carregamento”, revelou o proprietário.
Por ser um carro usado em cenas mais agitadas, Sanchez conta que este exemplar tinha algumas diferenças curiosas. “Quando eu comprei o carro não tinha interior, apenas uma gaiola simples e um assento de plástico tipo de corrida. As janelas estavam todas pintadas de preto por dentro com exceção de uma pequena parte coberta apenas por um pedaço de vidro fumê, por onde o dublê podia enxergar. A maioria dos frisos inoxidáveis e acabamento eram de borracha ou plástico”, conta.
Outras Curiosidades
- Anúncios foram colocados em todo o Estados Unidos para comprar Plymouths 1958 disponíveis. Um total de 23 Plymouths 1958 foram comprados e personalizados para ficarem parecidos. Apenas 16 foram utilizados para a filmagem, os outros serviram para doar as peças. Belvederes e Savoys foram usados junto com Furys para a filmagem. Todos foram pintados de vermelho e branco (quando necessário) e a grade dourada foi pintada de prata ou feita para os carros que não a usaram. O interior do Fury também foi alterado para combinar com o exterior. Não custa lembrar que foram produzidos apenas 5.300 Plymouth Furys em 1958.
- A filmagem de abertura, com Christine sendo montada, a retrata como o único Fury vermelho. Esta cena teve que ser filmada primeiro, para que os outros carros adquiridos pelo estúdio pudessem ser re-pintados. Se você olhar atentamente, o Furys não tem frisos dourados ou a palavra “Fury” no rabo-de-peixe. A grade dos carros do filme já haviam sido pintadas de prata para a transformação que ocorreria após esta cena ser filmada.
- A produção começou no dia 25 abril de 1983. O filme estreou com bastante rapidez, no dia 9 de dezembro de 1983. Foi descrito pela Time como “o melhor filme de John Carpenterdesde Halloween.”
- Várias pessoas transformaram Plymouths 1958 em clones de Christine. Alguns Furys foram pintadas de vermelho, enquanto alguns Belvederes tiveram seus motores substituídos pelos do Fury. É difícil diferenciar um Christine clone de ume Belvedere que saiu de fábrica vermelho e branco, a não ser que você conheça o Fury muito bem.
- As letras na placa de Christine são “CQB”, um acrônimo militar para “Close Quarters Battle”, algo como Batalha em Quarteirões Fechados, onde os alvos estão muito próximos. Esse encontro é, geralmente, muito violentamento, deixando a vítima com pouca chance de retirada e / ou sobrevivência.
- Em nenhum dos 23 veículos foram usados controles remotos. Ao se transformar na Christine má, os vidros eram pintados de preto. com apenas um filete fumê escuro no parabrisas para que os dublês pudessem enxergar. Os carros não tinham retrovisores e eram muito difíceis de serem pilotados nas cenas à noite, mostrando todo o valor dos profissionais que os dirigiram.
Dois Destaques do Sema 2011
Nos dias 01 e 04 de novembro, em Las Vegas, Estados Unidos, aconteceu o SEMA (Specialty Equipament Market Association) ou simplesmente SEMA Show, evento onde fabricante de automóveis, oficinas, preparadoras e empresas ligadas a modificação e restauração de carros reúnem o que há de novo nesse crescente mercados.
Entre centenas de carros modificados, sempre há alguns que se destacam, entre eles o Chevy Nova SS 1969, modificado pela Bill Thomas/Race Cars. Originalmente, este Chevy havia saído de fábrica com o respeitável V8 6.4 litros (396 polegadas cúbicas) e 375 hp que foi subistituído por outro V8 –ainda mais letal – de 7.6 litros (467 cubic inches) e 427 hp. No exterior, rodas Cragar Keystone Klassic e pneus redline. Uma modificação que não ficaria atrás de lendários nomes como Yenko ou Baldwin Motion.
Outro destaque, digno de nota, é o Plymouth Road Runner 1968 modificiado pela Hotchkis Suspension. Os Muscle Cars são conhecidos pela força desproporcional e velocidade… Em linha reta. Para mudar esse paradigma, a Hotchkis alterou e atualizaou todo o sistema de suspensão do carismático Papa-Léguas da difunta Plymouth. O resultado é uma dirigibilidade rápida e agressiva que pode fazer frente a qualquer carro moderno.
Plymouth Sport Fury GT 1970-71
De 1961 a 1969, a Chevrolet reinou praticamente sozinha, em um segmento inusitado, o de Full Sizes (carros do tamanho de uma quadra de tênis) esportivos. Os Chevy Impala SS era o que havia de mais rápido à partir dos 5.30m. Em 1970, a GM decidiu passar os emblemas SS para os “médios” como o Chevelle e o Nova.
De 1970 em diante, a Chrysler, por meio da Plymouth, quis fazer a sua parte em fazer transatlânticos acelerar que nem um jet ski. O Plymouth Sport Fury GT tinha uma concepção simples, o maior carro da divisão com o maior motor, o V8 de 440 polegadas cúbicas (7.2L).
As motorizações começavam com o Sport Fury S/23, com o velho conhecido V8 de 318 polegadas cúbicas (5.2L) e ‘modestos’ 230 hp. Era o mesmo motor que equipava os Dodge Dart brasileiros. O Sport Fury GT mais desejado, tinha um carburador de corpo quadruplo e desenvolvia e desenvolvia 350 hp. Como opção, o mesmo V8 440, mas com o “Six Pack”, este, com três carburadores de corpo duplo que aumentavam a potência em 40 hp. Visualmente, o Fury era mais discreto que seus contemporâneos, apenas finas faixas e inscrições simples e pequenas.
No ano seguinte, o Tio Sam enquadrou os motores de alta performance causando decréscimo na potência. Os Sport Fury GT 1971 passaram a render 335 hp no 440 comum e 385 no Six Pack. Os números de produção são baixíssimos. Foram 666 Furys, apenas 61 com o Six Pack e 689 unidades do S/23. Em 1971, a produção caiu quase pela metade, com apenas 375 modelos fabricados.
O Plymouth Fury não era uma resposta a uma tendência de mercado, nem inaugurou uma, mas, com certeza, criou um potencial clássico.
Scat Pack & Rapid Transit System
No auge da era Muscle Car, a Chrysler não estava totalmente satisfeita, mesmo com seus motores potentes e o sucesso nas pistas. Afinal de contas, o Tio Sam que saber do lucro e a marca da estrela de cinco pontas buscava a liderança em vendas no segmento. A fim de fidelizar os consumidores e diferenciar do restante, o departamento de marketing da Dodge, criou o Scat Pack, uma espécie de clube de seus modelos esportivos. A ideia foi tão bem sucedida que a Plymouth fez o mesmo e criou o Rapid Transit System.
O Scat Pack, criado em 1968, não fazia alterações nos carros de alta performance da Dodge, apesar das faixas Bumblebee presente em todos eles, o decalque duplo poderia ser excluído pelo comprador, caso optasse. No início daquele ano, faziam parte do grupo o Charger R/T, Coronet R/T, Dart GTS e Swinger 340 e o Super Bee. O “clube” fazia sua divulgação por meio de propagandas em revistas, adesivos e até vestimentas.
Em 1970, com o reposicionamento mercadológico de alguns e o lançamento de novos modelos, houveram mudanças nos “sócios” do Scat Pack. Eram eles o Dart Swinger 340, Coronet Super Bee, Charger R/T, Challenger e o Charger Daytona. No ano seguinte o Charger Super Bee assumiu e substituiu essa versão do Coronet e o Demon 340 passou a ser sócio. O ano de 1971 marca também o último ano do Scat Pack.
Assistindo ao sucesso da Dodge, que aquela altura já havia vendido cerca de 100.ooo Chargers, a outra divisão da Chrysler, a Plymouth, também criou uma lista de carros que passariam a fazer parte de um “clube”. Nascia assim o Rapid Transit System, que se presumia ter uma relação com a nomenclatura R/T (Road/Track), mas não passava de um jogo de palavras. A terminação R/T pertencia exclusivamente aos modelos da co-irmã Dodge.
Já no Scat Pack, o ponto alto foi em 1970, quando a Dodge criou incrementou o Clube, com uma Newsletter. Também foi criada uma mala direta, por meio de um catálogo, disponível aos membros sem custo e um pacote exclusivo “Scat Package” de peças da Mopar. Isso incluía o Showboat (Roupas), Read Out (Medidores), cartão de membro, emblemas para bordar em jaqueta, um guia de 40 páginas sobre automobilismo, um informativo mensal Dodge Performance News, e um quinzenal Dodge Scat News. O custo total de todas essas regalias eram 3 dólares por ano, o que em dinheiro de hoje, seria algo em torno de 17 dólares.
No outro lado do muro, a Plymouth descrevia o Rapit Transit System da seguinte forma:
Agora temos um sistema (System). Um programa integrado… É um conceito de alta performance de transporte total, que combina as lições aprendidas nas competições, uma rede de informação, de pessoas que entendem de alta performance, peças e produtos de alta gama. O Rapid Transit System são anos de experiência de corrida em Daytona, Indianapolis, Riverside, Irwindale, Cecil County. São os próprios carros de corrida, de Drag, Grand National, rally e modelos campeões. É toda experiência adquirida em todas estas corridas.
O Rapid Transit System é a informação – um canal direto de nós com você – sobre como ajustar e modificar o seu carro, qual o equipamento a utilizar e como configura-lo para corridas. (Isso inclui tudo, desde catálogo com peças alta performance, Clínicas com Super Carros, decalques para o Road Runner e dicas para os Hemis de corrida). … O System são peças de alta performance – Coletores especiais, escapes, pistões, rolamentos, etc – que estão agora mais facilmente disponível por meio de autorizadas localizados estrategicamente em todo o país.
O Sistema é mesmo um pouco da ação para os iniciantes. Vamos dizer que você ainda está alguns anos longe de uma carteira de motorista, mas isso não diminuiu seu entusiasmo por carros. O seu desenho animado favorito é o Road Runner (Papa-Léguas), o seu carro favorito é Road Runner e você só queria que sua garagem fosse um pouco maior. Bem, talvez você não tem idade suficiente para dirigir, mas com certeza você pode vestir um Jaqueta de corrida Plymouth. E você também pode pegar – ou enviar para alguém – vários de nossos decalques, etiquetas, catálogos e informatios…
Acima de tudo, o Rapid Transit System é o produto, que abrange tudo para um “subestimado” Plymouth Duster V8 com 340 polegadas cúbicas, passando pelo gigante V8 de 440 polegadas cúbicas do Sport Fury GT, até o Hemi-’Cuda com um tremendo Air Grabber exposto.
E, entre eles, há Road Runners e os GTXs, disponíveis com tripla carburação dipla, e sistemas de vácuo, de indução. Os ‘Cudas com baixo pesoe V8 340. Cada um é um carro de alta performance completa. Com suspensão, freios, transmissão e pneus para corresponder. (O System não permite que um carro que não faça curva, não pare ou não corresponda quando ficar sob pressão quando você está nele.)
Talladega x Daytona
A Nascar, há mais de 40 anos, rendia duelos muito interessantes dentro e fora das pistas. O mais notável deles acontecia entre a Ford e a Chrysler, representadas principalmente por Torinos e Chargers respectivamente. De 1962 a 1967, o Torino era um modelo intermediário que, até então era uma versão mais barata do Fairlane.
A partir de 1968, as coisas mudaram para o modelo que, mercadologicamente, trocou de lugar com o Fairlane. Nas pistas da Nascar, graças a aerodinâmica de seu desenho fastback, fez muito sucesso nos anos de 1968 e 69. O Torino foi tão dominante que a Chrysler precisava reagir no campeonato.
A Chrysler havia lançado um Charger totalmente remodelado em 1968. Suas novas e belíssimas formas eram muito pouco funcionais nos ovais. A começar pela grade frontal que, com sua grande abertura, sugava uma grande quantidade de ar, deixando o mais lento que seu principal adversário. Outro detalhe que atrapalhava o popular carro da Dodge eram as extensões de sua coluna C. Tal aparato estilístico causava turbulência em altas velocidades.
Diferente de hoje em dia, onde todos os carros são “bolhas” idênticas, com a mesma motorização que pouco lembram os carros de rua, a Nascar em 1969, para homologar a participação de um modelo específico, exigia que as montadoras fabricassem, pelo menos, 500 unidades para serem vendidas ao grande público naquele ano. para 1970, esse número saltaria para 3.000.
Amparada por essa regra, a Dodge, criou uma versão específica do Charger para a Nascar, “corrigindo” seus “defeitos” de design. Surgia assim, uma das versões mais belas – na humilde opinião de quem vos escreve – o Dodge Charger 500 1969. Esse modelo tinha uma grade fixa e sem as tais extensões em suas colunas. Essas mudanças surtiram pouco efeito dentro das pistas, e o Torino continuou dominante.
Não por acaso. além de seu desenho aerodinâmico, o modelo – cujo o nome era inspirado na cidade de Turim, na Itália, considerada a Detroit daquele país – era equipado, na versão Tallagega, com os gigantescos e poderosos V8 de 428 e 429 polegadas cúbicas (7.o).
A resposta definitiva da Chrysler veio do túnel de vento ainda em 69. A marca da estrela de cinco pontas instalou um nariz pontudo e um aerofólio enorme na traseira do Charger e lhe deu o nome de Daytona. No ano seguinte o mesmo aconteceu com o Roadrunner, que ganharia o sobrenome de Superbird.
À partir daí, a Chrysler se tornou tão dominante em 1969 e 1970 que a Ford ameaçou deixar a categoria, o que fez a Nascar proibir qualquer acessório aerodinâmico, matando assim, os Wing Cars (Carros Asa) da Dodge e Plymouth.
O curioso desse duelo é que, todos esses anos depois, o Torino não conseguiu, mesmo com toda sua tradição nas pistas, a mesma valorização de outros Muscle Cars sem esse pedigree. Especialistas creditam essa derrota à seus problemas de corrosão que vieram nos anos seguintes. Segundo publicações da época, o Torino era o intermediário mais desvalorizado da década de 70.
Os 10 Piores Muscle Cars
Tirem as crianças da frente do computador! Em janeiro de 1990, o jornalista da revista MUSCLECAR, Jim Campisano, elegeu os 10 piores carros do gênero. Tecnicamente falando, não se tratam mais de Muscle Cars, são modelos que usaram os mesmos emblemas, mas sem os requisitos para os credencia-los como tal.. Com muito humor, Jim expõe, na verdade, o que aconteceu com os carros esportivos americanos, depois da verdadeira era Muscle Car. Como ele bem explica “São 10 exemplos do porquê americanos dirigem carros japoneses hoje em dia”. Se os anos 60, e começo dos 70, foram o auge , o que viria a seguir seriam os tempos mais sombrios da indústria americana de automóveis. Os scans da matéria (em inglês) você pode ler aqui, aqui, aqui e aqui.
Ford Mustang II Cobra II 1976-78 ou King Cobra 1978: Segundo Jim, esses Ford Pintos disfarçados de Mustang com faixas do GT 350 afundaram o nome “Cobra’ na lama. Esses carros não andavam, muito menos controlavam. O seu interior era inadequado para um carro esportivo. Para o jornalista, esses Mustangs II disputavam com os Pontiac Trans AM quem tinham as maiores e piores decalques.
Pontiac Turbo 301 Trans Am 1980-81: Os carros da era Disco foram marcados pelo excesso de peso e motores fracos. Com os Trans Am não foi diferente. Ao invés da imponente Fênix no capô, ‘Galinha Gritando’ foi o apelido jocoso dado pelos americanos. Para Jim, esses modelos do começo da década de 80 deveriam ter um porco. Eram 1.800 quilos, (400 deles só em decalques). Segundo Jim, esses carros poderiam ser superados por qualquer Taxi Mopar com um 318.
Corvette 305 1980 (Vendido somente na California): “Ainda bem” disse Jim ao fato desse Corvette ter sido vendido somente naquele Estado americano. Graças a lei de emissões do Estado, o V8 350 foi reduzido para 305 polegadas cúbicas e 180 hp. Para Jim, Deus puniu os californianos por lançar modas demais, advogados e todo o resto. Os demais Estados americanos poderiam comprar o ainda decente L82. Segundo Jim, este Corvette marca o fundo do poço da indústria americana.
Pontiac GTO 1974: O carro símbolo da era Muscle Car, para aquele ano, apareceria sem a força e o charme de antes. O GTO 74 era Chevy Nova cheio de boas intenções, como a redução de peso para melhorar a performance. Mas para Jim lembra que a estrada para o inferno é feita de boas intenções. Há quem argumente “Não era tão ruim assim”, mas o jornalista rebate usando o GTO dez anos mais antigo como exemplo. “Será que alguem teria feio uma música ou nomeado um perfume em referência ao GTo 1974? Sem chance!”.
Plymouth Volare Road Runner / Dodge Aspen R/T Super Coupe 1976-80: Para Jim, estes são um dos piores do grupo. Assustador, para o jornalista (pra qualquer um, imagino), que cinco anos antes, 440 e Hemis equipavam estes sobrenomes. Estes modelos resumem o que foram aqueles anos, um festival de spoilers estranhos, excesso de peso, motores fracos e decalques de gosto duvidoso.
Dodge Charger Daytona 1976-77: “A única semelhança com os Daytonas 1969 é o nome”, sentencia Campisano. Basicamente eram Dodge Cordobas de dois tons com um esquema de pintura horrendo. Os motores eram os 318, 360 e 400, dos quais, nenhum era capaz de empurrar esse mastodonte obeso para qualquer coisa que lembrasse velocidade. Não havia opção de câmbio manual.
Mercury Montego GT 1972: A Mercury não era exatamente lembrada pelos seus carros de performance, salvo algumas excessões, como as versões do Cougar e Cyclone. Em 1972 a divisão da Ford colocou uma frente estilo Mark IV no seu modelo médio e lhe arrancou o máximo de potência que pode. O inadequado V8 302 era o motor padrão, mas havia ainda as opções do 351, 400 e 429. “Dali em diante, as palavras “Mercury” e “Desempenho” nunca mais seriam usadas na mesma frase”, disparou Jim.
AMC AMX 1979: “Gremlin Mutante” é só mais um dos ‘elogios’ de Jim ao carrinho da extinta American Motors. O motor básico, nem V8 era. Um 6 cilindros com 256 polegadas cúbicas e parcos 110 hp. Não que o oito cindros 304 fosse muito melhor, essa opção entregava incríveis 125 hp. O quarto de milha ficava na casa dos 17 para ambos. O jornalista diz: “Com esses tempos, eu poderia andar pela pista mais rápido e parecer menos constrangedor”. Para sorte da AMC o AMX que ficou na memória foram os dos começo da década.
Chevrolet Camaro Rally 1976-80: Este Camaro era tão lento que uma revista especializada, após o teste dos 400m, voltou para a concessionária achando que o carro tinha algum problema. No entando, mais tarde foi diagnosticado o problema: Os 155hp do V8 small block. Outro foguete de 17 segundos no quarto de milha.
Ford Maverick Stallion 1976: Mais um exemplo da péssima relação peso x potência que assolava Detroit em meados dos anos 70. Por incrível que pareça, essa versão “esportiva” do Maverick americano era mais fraca que o Nacional, com apenas 138 hp. O esquema de pinturas e decalques era, no mínimo, polêmico. Para o jornalista, o carro teve uma “boa e merecida morte em 1977″.
Oldsmobile 442 1978-79: E uma menção honrosa (ou desonrosa) vai para este carro, que é difícil de se acreditar que alguém, lúcido, teve a coragem de chamar de 442. “Os mais espertos se mantiveram longe das concessionárias Oldsmobile e restauraram os 442 dos anos 60 e começo dos 70″.
13 Razões
Treze razões para ganhar na Mega Sena e arrematar este Plymouth Road Runner 1968 no leilão da Mecum Auction.
- Em 68′ apenas 29,240 coupes 2 portas fabricados.
- Foi o primeiro ano do Road Runner.
- Todas as características originais que constam no nº do chassi preservadas.
- É um Muscle clássico.
- Restauração feita noss últimos 5 anos.
- O carro mantem toda a maior parte da lataria original.
- Sólido assoalhoe porta malas.
- O carro foi lixado até a lata e repintado em sua cor original.
- Tem o motor 383 (6.2L) e direção hidráulica.
- Sistema de adimissão e carburador novos da Edelbrock.
- Transmissão 727 Torqueflite 3 marchas automático.
- Sistema de escape da Flowmaster.
- Rodas de magnésio novas.
Dica do parceiro Luís Gustavo Martin. Eu e ele não ganhamos na Mega Sena.
Muscle Cars À Venda
A economia do nosso País deve estar muito melhor do que eu imagino. Explico. Não é raro nos comentários da seção “Vende-Se”, aqui do Parachoques Cromados, leitores perguntarem quanto eu quero, se aceito troca ou coisas do gênero. Hoje mesmo me foi perguntado isso. Muito desses comentários percebo que a pessoa não leu o Post, mas, para ajudar esses ávidos compradores de Muscle Cars que de vez em quando aparecem por aqui, vou indicar os dois principais sites que consulto, quando quero alimentar a seção de “Vende-Se”.
Localizada em Montana, ao norte dos Estados Unidos e, aparentemente com uma loja física, a Fast Lane Classics tem um grande inventário de carros clássicos americano, incluindo os muscle cars. Vou colocar abaixo alguns dos carros, das três grandes montadoras, que estão à venda:
Caso queira entrar em contato com eles, clique AQUI.
Como o nome mesmo sugere, a loja física está situada em Charlotte, na Carolina do Norte. A revendedora além de comercializar, restaura carros clássicos. Também é possível encontrar carros de alta performance mais recentes. E, é claro, muitos muscle cars, desde em seu estado original até os mais modificados. Abaixo, três exemplos do que se pode encontrar por lá:
Se você é rico, gosta de clássicos ou ganhou na Mega Sena recentemente, entre em contato com eles por AQUI.
Destaco ainda o Bring A Trailer, que é um site de indicações de carros à venda, em sua maioria no E-Bay Motors (Uma mistura de Web Motors e Mercado Livre gringo), de carros clássicos do mundo todo, separados por país. Se você tem a grana, a vontade e bom gosto, opções não faltam na web.
Martíres de Hollywood
No post Destaques em Fast Five, nosso assíduo parceiro Gian, levantou uma questão interessante ao saber que nenhum Chevrolet Opala foi usado nas filmagens da última edição do filme. Disse ele nos comentários “Bom, se não tiver algum Opala no filme tanto melhor, pois não corre o risco de acabar destroçado ou algo do tipo…“. Entendi perfeitamente o sentimento do nosso colega, pois não é raro o fim trágico de clássicos em produções hollywoodianas.
Falando específicamente da cine-série Velozes e Furiosos, há vários exemplos de como os antigos são massacrados. No primeiro filme, não há como se esquecer do Dodge Charger 1970 “voando” de ponta cabeça sobre o Toyota Supra e capotando algumas vezes ao “aterrisar”.
Já no segundo, um Dodge Challenger 1970 Hemi perde uma porta e também bate de frente contra uma pick-up, Na mesma película, a réplica (assim espero) de um Chevy Yenko Camaro 1969 “pousa” sobre um barco.
No terceito foi a vez de um Chevy Monte Carlo 1971 capotar repetidas vezes e um Mustang Fastback com motor de Nissan Silvia (Argh!) é praticamente destruído após várias batidas contra um Nissan 350z.
Na quarta edição, talvez a mais trágica pros Muscles, são vítimados um Buick GNX 1986, Chevy Chevelle 1970 (explosão), Um Plymouth Satellite 1970 (capotamento), Dodge Charger 1970 (De novo!!!), réplica do Chevy Camaro F-Bomb e um Ford Torino 1972, esses três últimos, em batidas violentas.
Embora não seja nada agradável ver um pedaço da história indo para o espaço para a diversão do grande público, há um lado positivo nisso. Não há melhor propaganda para um carro do que a aparição em um filme de sucesso. Pode se dizer que, da série, os Muscle Cars eram cultuados apenas por um número restrito de aficcionados e hoje, já fazem parte da cultura pop mundial.
Isso contribui para a valorização e resgate da memória dos carros antigos, principalmente com as gerações mais novas. O melhor exemplo disso é a Eleonor do filme 60 Segundos. O sucesso foi tão grande que empresas se propuseram a fazer réplicas do Mustang Fastback 1968. A princípio, os fãs do modelo torceram o nariz, mas ao descobrir que carros estavam sendo salvos da ferrugem eterna para voltarem as ruas, logo mudaram de idéia.
Plymouth Road Runner 1970 528 Hemi
Quem não gostaria de passar pela garagem toda manhã e se deparar com um Plymouth Road Runner 1970 Hemi em condições perfeitas? Para muitos já seria o sonho de uma vida, mas e se eu disser que o motor foi insanamente modificado? Pois é, foi o que os caras da BTO Cars (Better Than Original) – algo como “Melhor que o Original” – fizeram.
As já mosntruosas 426 cilindradas cúbicas (7.0 L) foram aumentadas para 528, absurdos 8.6 Litros! A potência, foi dos “módicos” 425 hp para ameaçadores 742 hp e o melhor de tudo, sem Scoops exagerados, vidros ou carrocerias em fibra ou qualquer artíficio de gosto duvidoso que denuncie a verdadeira natureza deste Plymouth.
O carro foi completamente desmontado e meticulosamente restaurado. Todas as chapas de metal foram jateadas e tratadas com substâncias para previnir ferrugem. O processo de recuperação foi documentado com um diário e fotos. No site há uma lista completa do que foi feito e, segundo o mesmo, desde que a restauração foi finalizada, o carro não rodou uma milha sequer.
A indústria de restauração de Muscle Cars no Estados Unidos movimenta milhões de dólares por ano. Por lá, não é difícil encontrar empresas que reúnem e fabricam peças, emblemas, motores ou até mesmo carrocerias inteiras.Com a competição ferrenha, algumas empresas ficam pelo caminho, e a a BTO Cars parece ter padecido desse mal.
O motivo de sua saída do mercado não é explicitada em seu site.
Tributo A Mercury
Neste mês, o último Mercury saiu da linha de montagem em St. Thomas, em Ontário, no Canadá. O fim já havia sido anunciado em junho do ano passado, mas foi só agora que o último veículo, um Grand Marquis, marca o fim da subsidiária da Ford. Os argumentos são os mesmos de sempre: baixas vendas, prejuízos, corte de gastos, etc.
O que acontece é que a maioria dessas divisões eram montadoras independentes que, ao longo do tempo, foram adquiridas por grupos maiores. Naqueles tempos a competição, no já competitivo mercado americano, se dava em um nível doméstico, permitindo inclusive que as subsidiárias brigassem entre si. Foi na busca por novas fatias de mercado, por exemplo, que fez com que o chefe da Pontiac dos anos 60, John DeLorean, desobedecesse ordens da General Motors e criasse o GTO, o que daria início a toda era dos motores de alta performance a preços acessíveis.
Com crise do petróleo aliada a chegada da concorrência dos importados, principalmente dos carros japoneses, a América viu lentamente a decadência de seus carros. Motivos? Pode-se apontar vários, entre eles a busca de lucro negligenciado a qualidade, falta de planejamento e uma certa arrogância das montadoras, o que fez com que suas subsidiárias fossem caindo, uma a uma. Plymouth, Oldsmobile, Pontiac e a agora a Mercury, marcas que, apesar de tudo, deixaram o mercado pra entrar na história.
As imagens que ilustram esse post são para homenagear a defunta Mercury é o folder de promoção dos dois Muscle Cars mais excitantes produzidos pela marca (e pouco conhecidos também), o Cyclone GT e o Cougar Eliminator, ambos 1970.
Bob D’Olivo
“Os anos 60 foram realmente uma época dourada para todo o tipo de corrida. Veja Daytona: Eu fui lá quando os caras estavam correndo de carros antigos na praia, nada sofisticado. Então Bill France construiu o Speedway, e os seus pilotos tinham que construir carros novos para a o novo circuito. O que finalmente chamou a atenção dos fabricantes, e todas as montadoras entraram. Foi com o patrocínio da Ford, no início dos anos 60, que realmente começou a NASCAR desabrochou e a partir daí, as corridas ficaram realmente boas. Você pode ver como eram de estoque os carros em 1963 “.
Realmente, a Nascar, era bem mais interessante nesses tempos. Ver nessa foto os Ford Galaxie, Plymouth Savoy e os Pontiac Catalina disputando a curva é sensacional, isso sem mencionar a guerra dos “Cubic Inches e HPs” pintados no capô. Este e outros depoimentos interessantes está na matéria da Hot Rod Magazine com o legendário fotógrafo Bob D’ Olivo, que além de carros de corrida, fotografou muita coisa interessante. Em inglês.
O Elenco em “Dazed and Confused”
Como pude me esquecer desse… Dazed and Confused (Jovens, Loucos e Rebeldes, 1993) é um ótimo filme sobre o último dia no colegial de um grupo de adolescentes no “longínquo” ano de 1976, no subúrbio de Austin, no Texas. O título, em inglês, é uma referência direta a música de mesmo nome do Led Zepplin. Já o elenco da película é lembrado por ser o primeiro trabalho de algumas estrelas de Hollywoodianas, como Matthew McConaughey, Ben Affleck e Milla Jovovich.
O filme trata dos dilemas típicos do fim da adolescência e começo da vida adulta, de forma leve, mas sem ser superficial. Mas o que traz essa película a este blog não são os dramas adolescentes (ainda bem) e nem o elenco de futuras promessas, mas sim uma outra relação de astros muito mais interessante, os carros.
Em Dazed and Confused é um prazer a parte vê-los em “ação”. Entre áspas mesmo, pois não espere cenas de perseguição ou coisas do gênero. No máximo, uma acelerada ou um racha, típicos daquela época. No entanto, é um prazer á parte ver e identificar o elenco sob quatro rodas, que desfila toda a elegância e beleza que, em um determinado período da história, os automóveis americanos tinham de sobra.

Esta Chevrolet Cheyenne 1972 tem uma participação logo no começo. Particulamente, gosto muito dessa geração de pick-ups da GM.
O destaque fica para o Chevrolet Chevelle SS 1970 dirigido pelo personagem de Matthew McConaughey, chamado, carinhosamente pelo dono de “Melba Toast” (Torrada).
Em uma determinada cena, David Wooderson (personagem de Matthew) abre o capô do Chevelle e começa a falar sobre as modificações feitas no seu V8 LS5 de 390 hp.
“Let me tell you what Melba Toast is packin’ right here, alright? We got 411 Positrac outback, 750 double pumper Edelbrock intakes, bored over 30, 11 to 1 pop-up pistons, turbo-jet 390 horsepower. We’re talkin’ some fucking muscle.” (David Wooderson)
Os Max Wedge da Chrysler
Eles não são sexy, nem tinham linhas simétricas ou envolventes. Olhando pra eles, fico com a impressão que a Chrysler saiu da década de 50 meio perdida, sem saber direito que caminho estilístico deveria seguir.
Especulações minhas à parte, os Dodge 330, 440, Dart, Polara, Polara 500 e Plymouths Fury, Savoy, Belvedere e Fury Sport, não foram os carros mais belos da história da Chrysler, mas sem dúvida alguma, foram uns dos mais rápidos.
Em abril de 1962, Dodge e Plymouth passaram a oferecer para os seus carros leves e de porte médio o pacote Maximum Performance Wedge ou simplesmente Max Wedge, como foi apelidado em seguida. Tal opção oferecia modificações de chassi, transmissão, chassi e, obviamente, motor, para todos os B-Body entre 1962 e 1964. A Dodge chamava o pacote de “Ram Charger 413/426″ enquanto que a Plymouth usava o nome de “Super Stock 413/426″.
Abaixo, a potência para as opções, ano a ano (dados maxwedge.com):
1962 – 413 – 11.0:1 compression ratio: 410 hp
1962 – 413 – 13.5:1 compression ratio: 420 hp
1963 – 426 – 11.0:1 compression ratio: 415 hp
1963 – 426 – 13.5:1 compression ratio: 425 hp
1964 – 426 – 11.0:1 compression ratio: 415 hp
1964 – 426 – 12.5:1 compression ratio: 425 hp
Com esses números, os carros da Dodge e Plymouth dominaram as provas de arrancada durante o período. Passados quase 50 anos, esses carros continuam participando em categorias Super Stock, um feito memorável. Diferentemente dos Muscle Cars, esses carros eram bem discretos no quesito visual. Nada de faixas, cores berrantes, emblemas ou aerofólios.
Apenas um discreto scoop diferenciava alguns modelos entre 1963 e 1964 do carro que o americano médio usava no dia-a-dia. Mas toda, para alguns feiúra, e discrição era proporcional a sua rapidez. Esses carros conseguiam cumprir o 1/4 de milha em 12 segundos baixos, feito próximo do que um super exótico europeu faz nos dias de hoje.













































































































































































































































