Um Insuspeito Ford Maverick 1979

Quando este Ford Maverick saiu da linha de montagem, em 1979, ainda faltavam quatro anos para o seu atual proprietário, o paranaense Henrique Bigorna nascer. Seriam necessários ainda outros 22 anos para os dois finalmente se encontrarem. Mas a espera, de mais de duas décadas, valeu mais do que a pena, para ambos.

Em abril de 1979, o hoje venerado Ford Maverick, teve a sua produção encerrada de forma melancólica pela Ford brasileira. A árdua missão de combater o Chevrolet Opala, decisões pouco acertadas quanto as suas motorizações intermediárias e duas crises do petróleo foram as principais razões para o fim do modelo. Em pouco menos de seis anos foram 108.106 unidades fabricadas, 85.654 coupes, 11.879 sedans quatro portas e 10.573 GTs esportivos.

Entre estes mais de 85 mil modelos coupes, bem no final da fila, estava o Maverick de Henrique, que saiu da fábrica de São Bernardo com o modesto motor de quatro cilindros e na, então incomum e hoje tão popular, cor preta. A tonalidade, que no caso deste Maverick, lhe dá um ar sinistro, Henrique fez questão de manter, já o motor fraco e beberrão, foi substituído. Mas, diferente do que você possa estar imaginado, o novo propulsor não é um V8.

Ao contrário do país de origem do Maverick, os Estados Unidos, motores V8 por aqui são raros e geralmente de preço salgado. A solução, de orçamento mais realista, era uma idéia do antigo proprietário e foi abraçada por Henrique. Saia então o quatro cilindros 2.3, entrou o 5.0 Falcon, o mesmo que foi utilizado nas Picapes Ford F-1000 dos anos 90.

As linhas do Maverick coupe inspiram esportividade e Henrique sempre quis um carro forte. Para tanto, substituiu a injeção eletrônica pela boa e velha carburação. “Sempre fui mais para o lado do ”bruto”, nada de muito fio”, comenta o feliz proprietário, que estima a potência atual em 300 cavalos. Para transmitir a potência para as rodas, um câmbio de quatro marchas do Mustang clássico. O diferencial curto é o original do motor quatro cilindros.

Esteticamente, o carro tem um visual bem, simples, sem nenhum exagero ou indício de sua potência elevada, o que talvez seja o que mais chama a atenção – mesmo que a idéia seja o oposto. Este é um conceito explorado por alguns entusiastas, mundo afora. Nos Estados Unidos, carros com visual insuspeito e de desempenho exagerado são chamados de “Sleepers” e Henrique é partidário da idéia. “Desde que o adquiri, tento deixá-lo o mais forte possível, mas não será pela mecânica ou visual que denunciarão sua real natureza”, explica.

O único indício que possa deixar as pessoas desconfiadas – além do fato de se tratar de um Maverick preto pra lá de sinistro – é a dimensão modificada das rodas originais. Todas foram aumentadas de aro 14 para 15. Na frente, o offset é de 4.5 polegadas enquanto que as traseiras foram alargadas para 7.5, já que Henrique é fã do visual dos carros de arrancada, com pneus mais estreitos na frente e verdadeiros monstros de borracha na traseira.

Para um futuro próximo, Henrique pretende aumentar ainda mais o desempenho do carro com a instalação de um turbo que, segundo seu mecânico, passará dos 300 cavalos atuais para cerca de 500.

A paixão de Henrique por carros, em especial pelos Mavericks, vem a duas gerações, pois tanto seu Avô quanto seu Pai foram felizes proprietários do modelo. E se depender dele, o legado de continuará ainda por muitos anos. “Quando minha filha nasceu comprei um “Maveco” pra ela. Quando ela tiver 18, será o meu presente. Restam ainda 16 anos”, conta. Sem problemas Henrique, em 2028 o carro de sua filha estará em destaque em nosso site.

About these ads

5 opiniões sobre “Um Insuspeito Ford Maverick 1979”

  1. Que máquina! Mas discordo de algumas escolhas do proprietário mas mesmo assim é um veículo magnifico.
    Com um orçamento ilimitado, eu colocaria um daqueles motores novos da Ford Racing, o maior v8 possível! Freio a disco nas quatro rodas e por fim instalaria um par de faróis de milha na grade, entre outras coisas.

    Daniel, uma pergunta, qual é exatamente a definição de sedan, pois li recentemente que todo o veículo que possui o portamalas “desacoplado” do vidro traseiro é um sedan, portanto o fusca é um sedan, tanto é que era chamado assim por um bom tempo desde sua criação. Outro exemplo são os sedans da marca BMW, que divide seus carros por plataforma, assim o ha o sedan M3 de cinco portas e o coupe de três portas. Caso tenha o conhecimento do assunto poderia esclarecer?

    Grato.

    1. Obrigado pela visita e considerações Gianlucca,

      Quanto a definição de sedan, também tenho minhas dúvidas se há um consenso geral na hora de definir essa categoria. Veja o exemplo do Opel Rekord que deu a origem ao Opala. Lá na Alemanha haviam as opções, sedan, coupe e hardtop. Está ultima, tinha o teto identico ao do 4 portas, mas com apenas duas e colunas as emoldurando, diferente do coupe. Penso que é difícil chegar a um consenso pois a nomenclatura sedã tambem foi muito usada num âmbito comercial e não técnico.

      Abraço!

      1. É uma grande questão.
        Obrigado pela resposta, e continue mantendo a qualidade de seus posts.
        Apenas uma sugestão, dividir o blog em páginas menores, pois assim sobrecarrega o uso do scroll e o carregamento da página se torna mais lento.

  2. Carro muito bacana, ficou faltando mais fotos, principalmente do motor… (fiquei curioso!)
    Grande abraço, seu blog é D+

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s