Scott e o Charger

Scott Crawford e o seu Dodge Charger 1968.

Meu nome é Scott Crawford e fui  adolescente em um momento perfeito. Era um garoto da Força Aérea, (meu pai era piloto e voou no supersônico Convair B-58 Hustler, mas isso é outra história). Fui para 10 escolas diferentes  durante tantos anos e finalmente  desembarquei em Spokane, Estado de Washington, por causa da Base Aérea de Fairchild.

O pai de Scott na Força Aérea dos EUA. Duas gerações pilotando Super Máquinas.

Era muito jovem para ter experimentado os céus da primeira geração dos Muscle Cars. Entrei no colegial, no mesmo momento em que modelos de 1964 até 71 foram re-entrar no mercado como carros usados (incríveis).

Durante anos a jóia rara ficou guardada em muito boa companhia.

Eles variaram de destroços, com seu segundo ou terceiro motor, ostentando cada acessório maluco que a loja local tinha a oferecer, até jóias deslumbrantes, bem cuidadas e quase sem uso. Este último tipo normalmente exigia algum (bom) trabalho e bolsos bem profundos, já que o primeiro tipo poderia ser adquirido por tão pouco, cerca de $ 500,00, enquanto que um sleeper saia por US $ 1.500,00.

Eu adorava carros desde o primeiro momento em que pude andar e, como todo adolescente calouro, eu assisti com grande interesse, os alunos juniores e seniores desfilaram até a escola em seus Muscle Cars recém-adquiridos. Não demorou muito para que eu começasse a pensar em que a máquina seria a minha.

Foto tirada em 1977, na University High, logo após Scott ter terminado o High School.

Minha primeira visão do filme Bullitt, com Steve McQueen, selou minha decisão. Eu tinha que ter um Charger 1968. Comecei minha busca e após 6 meses,  encontrei e comprei o carro tenho até hoje. Foi alguns meses antes do meu aniversário de 17 anos e meu mundo mudou para sempre. Uma vez que o mundo do Muscle Car se abriu pra mim, apenas estar no carro tornou-se uma experiência espiritual. 

"Acho que ela me ama. Isso é o que acontece quando uma garota gosta de você e demonstra amassando e jogando jornais no seu carro". disse Scott, com 17 anos na foto.

O pai e a irmãzinha de Scott ajudam Scott a se livrar da demonstração de carinho.

Era um tempo onde aparentemente todos os outros carros nas ruas eram Muscle Cars. Pelo menos era o que acontecia quando eu cruzava a Avenida Riverside Spokane, o nosso point de encontro. O que hoje em dia equivaleria a uma participação insanamente impressionante de um encontro de carro nacional, era bem comum nas noites em Riverside.

Quando escolhi meu Charger, em 1977, já era um carro de nove anos de idade. Embora longe de novo quando eu cheguei, ele estava em excelente estado para a sua idade e eu nunca tive que fazer alguma coisa para ele, exceto mantê-lo em boas condições (nem sempre é fácil para um adolescente). 

Ele é uma cápsula do tempo do meu último ano no colégio por ser  tudo original (até hoje), exceto pelo sistema de som insano que coloquei nele alguns anos atrás e os itens de manutenção ocasionais, muito poucos ajustes, correções e substituições de acabamento. 

Também substituí as rodas e pneus dele em 2006 por Cragars e  BF Goodrich Radial T/A, que estão no mesmo tamanho das originais.

A História por trás da História

Quem gosta de carros antigos e tem um perfil no Facebook sabe que algumas pessoas são personagens tarimbados nesse mundo fascinante dos clássicos. Se você quiser ficar bem informado sobre eventos, história e receber atualizações religiosamente diárias, além de curtir certas páginas, precisa adicionar alguns desses “Gurus”.

Acredito que o mais prolífico é o “Mestre” Mário Cézar Buzian que,  involuntariamente (ao que parece) transformou seu perfil em uma verdadeira enciclopédia. Um espaço melhor que muito blog que há por aí. É impossível não aprender algo novo com suas atualizações. Basta ver um de seus albuns de fotos entenderá o que eu digo.

Lembrei do Buzian porque se não fosse ele, esse post não seria possível. Em uma dessas atualizações, Buzian compartilhou uma foto incrível de um Dodge Charger 1968. Notei a foto tinha como origem o perfil de Scott Crawford. Adicionei o sr. Crawford a lista de amigos sem muitas pretensões, afinal ele não me conhecia e não teria, a princípio, que aceitar meu pedido.

Não demorou muito para que a solicitação fosse aceita. O meu queixo caiu assim que vi o as inúmeras fotos do seu Mopar Clássico. Além de ser um belíssimo carro, na cor Medium Green Metallic com teto de vinil verde escuro, Scott tem um ótimo gosto para fazer seus cliques. Suas fotos não devem – em nada – às que você vê em revistas. Sua paixão pelo seu carro é tanta, que o seu perfil pessoal divide as atenções com o Charger.

Nem toda a tecnologia do mundo conseguiu distrair essas pessoas.

Como todo jornalista é meio cara-de-pau, mandei uma mensagem, perguntando se ele aceitaria dar uma entrevista para o nosso humilde espaço. O senhor Crawford aceitou na mesma hora. Aliás, vale ressaltar que Scott é uma  pessoa muito acessível. Observei que ele adiciona pessoas de todo mundo e sempre responde, pacientemente, às perguntas que pipocam entre os mais de 3.500 assinantes do seu perfil. Comigo não foi diferente. (Bem diferente de algumas “Prima Donnas” que costumam aparecer em encontro de antigos por aqui).

Mandei algumas perguntas e a respostas vieram em forma de depoimento, que vocês puderam conferir. Ao terminar a leitura, vocês entenderam porque decidi manter ele na íntegra, sem o intercalamento das perguntas. Ainda há algumas respostas que Scott ficou de mandar e atualizarei assim que elas chegarem. Para mais fotos do Charger acesse a página de Scott no Flickr, seu Perfil ou a Página  do Parcahoques Cromados Facebook.

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7 thoughts on “Scott e o Charger

  1. Eu me sinto duplamente feliz, tanto pela amizade que eu ajudei ao Danny obter, quanto pela bela homenagem à minha pessoa.
    Desde muito cedo aprendi que tudo de bom que aprendemos nessa vida deve servir de fonte de inspiração para que outras pessoas de bem também o façam. Porisso a vontade constante de compartilhar esses informações.
    Se posso dedicar preciosos minutos do meu tempo praticando isso, tudo terá valido (e muito !) a pena.
    Danny, muito obrigado pela nossa citação nessa incrível postagem do Scott, um outro sujeito formidável e que se alinha perfeitamente com os nossos preceitos !
    E espero poder em breve combinar uma viagem a Spokane com V. Sa. e juntos batermos um longo papo com Mr. Crawford, ele certamente terá muito mais a nos ensinar !!
    Um forte quebra-costelas direto da Fronteira Sul !!

    Mário Buzian – Dart Sumatra – Traga o Guincho

  2. Sou amigo do Scott desde outubro de 2011,nem sabia o nome real dele na epoca porque ele usava o pseudónimo Dodge Charger ele me adicionol no dia seguinte tinha uma foto mais bacana que a outra não era somente o Dodge mais tambem belos cenarios acompanhando ele oque me lembrou muito o blog do Dart Sumatra já que o Mário tambem tire belas fotos do Dodge em belos lugares.

  3. Caramba,adorei a matéria!!!Eu nem chamo isso de paixão mais,é amor mesmo,porque ta durando até hoje!!!Eu tenho uma queda enorme pelo Dodge Charger R/T(entre 1968 e 1970),lindo demais,é um carro maravilhoso tudo nele me agrada,suas linhas,contorno,tamanho,potência,motor,etc.
    Uma bela história,legal ler isso,ele falando dos tempos de escola,e no fim do colegial ele adquiriu esse Dodge magnífico,e o tem até hoje esse carro,em perfeito estado…não nego que me emocionei ao ler as linhas e ver as fotos,ele realmente ama o carro,e não é pra menos!!!

    É o que sempre digo a quaquer um que me critica por gostar de antigos,eu sempre respondo: qual o carrinho novo do ano que faz isso com uma pessoa?que faz ela virar devota do carro,apaixonada,querer ficar o resto da vida com ele,sonhar por anos,juntar dinheiro,etc…???Os clássicos americanos,antigos,eles não eram só carros,eram sentimentos,histórias e paixão sobre quatro rodas,maracavam pra sempre a vida de quem realmente os amava!!!Hoje em dia o conceito de carro mudou drasticamente,pra pior…vendem apenas um status de que quem tem carro novo aparenta ter mais dinheiro,ou ser mais playboy,etc…baita otarice!!!

  4. Pingback: A História de uma Foto « Parachoques Cromados

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