O Duelo

22 10 2009
Cartaz promocional de "Duel", filme de estréia de Spielberg

Cartaz promocional de "Duel", filme de estréia de Spielberg

Lidar com pessoas nunca foi uma tarefa simples. Tanto é, que existem profissionais que se especializam para tentar entender a índole humana. Agora transporte toda essa imprevisibilidade do gênio humano para o convívio social. Pior, coloque esse conjunto de sentimentos atrás de um volante em uma auto estrada.

Bem antes dos tubarões, et’s e dinossauros, Steven Spielberg estreava para o mundo cinematográfico transportando essa angústia para as salas escuras em “Duel”, de 1971, aqui no Brasil intitulado ”Encurralado”.

A trama do filme é bem simples e o seu acerto é transformar um desentendimento corriqueiro de trânsito, entre um motorista e um caminhoneiro misterioso, em uma caçada doentia.

O carro, um Plymouth Valiant 1971 é guiado pelo personagem principal, interpretado por Dennis Weaver. Já o caminhão, um Peterbil 281 1955 tem um condutor misterioso cujo rosto nunca aparece.

Como a idéia aqui não é contar o filme, recomendo pra quem não assistiu, procurá-lo. Além de ser o filme de estréia de Spielberg, é um prato cheio pra quem gosta de carros americanos antigos. Para Crítica de filmes em geral, recomendo a vocês meu amigo Hollywoodiano.

O Carro: Plymouth Valiant 1971

Plymouth Valiant 1971.

Plymouth Valiant 1971.

Na pré produção do filme, Spielberg não se importava com o modelo que seria usado nas filmagens, sua unica exigência é de que fosse vermelho. A ideia, em relação a cor, é que ele se destacasse nas estradas cercadas por deserto.

Era preciso ser um modelo com um motor sem potência, pra dar mais verossimilhança ao roteiro, no qual, um caminhão tanque teria perseguir o automóvel por grande parte do filme.

O provável motor usado no Valiant do filme – seguindo essa premissa de se usar o menos potente – é um 6 cilindros em linha de 3.2 litros (198 c.i.) com uma potência estimada entre 100 e 120 hp. O mais potente disponível para o modelo era o V8 de 5.6 litros (340 c.i.).

O Caminhão: Peterbilt 281 1955

Peterbilt 281 1955

Peterbilt 1955: Terror no Retrovisor

 

Para a escolha do caminhão, Spielberg promoveu uma espécie de teste, da mesma maneira que é feito com atores. Ele, pessoalmente, escolheu o Peterbilt 281 1955 pelo seu aspecto diabólico. O vidro bi-partido, a frente bem longa, para o diretor, davam um aspecto necessário para dar uma personalidade ao veículo.

Outra peculiaridade do monstrengo são as diversas placas no parachoque frontal, sugerindo que o próprio caminhão é um serial killer. “Passando por cima de motoristas em diversos estados” brinca Spielberg, em depoimento para a versão especial do filme em DVD.

Uma equipe era responsável por deixar o caminhão o mais feio possível. Algumas cenas eram feitas para parecer que o caminhão estava “vivo” enquanto atacava o personagem de Weaver.

Para cenas adicionais,  também foi usado um Peterbilt 1960.


Ações

Informações

9 respostas

22 10 2009
Otavio Almeida

Filmaço! Até hoje me pergunto como Steven Spielberg conseguiu filmar algumas cenas de ENCURRALADO, afinal ele não tinha a equipe, nem mesmo as mamatas que tem hoje…

Abs!

22 10 2009
Daniel Sanchez

Pesquisando sobre o filme vi esse tipo de observação também. Dizem que hoje em dia tais ângulos são geralmente feitos em computação gráfica por questões de custos e risco de acidentes.

Abraço Urubu!

26 10 2009
Alberto Antunes

Fala Daniel! Grande filme! Esse caminhão dava medo!

27 10 2009
Daniel Sanchez

Pois é Alberto,

Já estou com vontade de assistir de novo. Esse caminhão é muito expressivo mesmo, melhor que muito ator…rs

Abraço!

3 11 2009
Russel

Bicho, parabéns! Ótima referência… Filme lindo! E deu origem a outros, que seguiram a mesma vibração, um deles com o rapagão do Velozes, Paul Walker, e outro, o Cadillac Preto (ou Negro). Mas este é pioneiro. Vi duas vezes, na Globo, de madrugada… Outro do ramo passou no SBT, é de uma camioneta, possivelmente pilotada pelo diabo, a perseguir um jovem… filme dos anos 80, eu acho, ou uma ninissérie! Mas o registro é dos bons!

4 11 2009
Daniel Sanchez

Fala grande professor Russel!

Você tem razão, vários filmes copiaram “Duel”. Mas este está inserido num subgênero da década de 60/70, os chamados Road Movies. Outros exemplos dessa tendência foram o “Sem Destino” (Easy Rider), “Corrida contra o Destino” (Vanishing Point) e “Fuga Alucinada” (Dirty Mary & Crazy) Larry

O filme do Paul Walker, que você citou, se chama “Joy Ride”. Não me lembro o título brasileiro. Walker tinha um Chrysler Newport (Ou Imperial?) 70 e alguma coisa, com a clássica carroceria ‘fuselagem’. Esses dias vi a segunda parte desse filme (muito ruim por sinal) onde aparece – por um bom tempo – um Chevelle 1971, este, com um fim trágico.

Outro filme que me lembro agora é aquele com o Kurt Russell (seu xará). A esposa de Russel é raptada por um caminhoneiro e Kurt tem um uma Cherokee vermelha. Esse filme faz muitas alusões ao ‘Encurralado’, tanto que o carro da vítima é Chrysler e vermelho.

O do Cadillac preto, se estivermos falando do mesmo filme, é com o “Velozes e Mortais” (Highwayman) título horrível adotado aqui, com o Jim Caviezel. Essa fita é das boas com grande atuação do Barracuda Hemi 68 do personagem principal.

4 11 2009
3 11 2009
Russel

E, realmente, o caminhão é um caso a parte. Escontrei fotos de um dos quatro usados no filme, encostado em um museu: http://www.flickr.com/photos/11581147@N06/3892527073/
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Esta foto dá medo:
http://www.flickr.com/photos/11581147@N06/3892529855/in/photostream/
Valeu!

3 11 2009
Russel

E qualquer semelhança do Valiant com o Dodge Dart não é mera coincidência!

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